Arquivo da tag: Vin Diesel

Guardiões da Galáxia Vol. 2 (2017)

Padrão

O primeiro Guardiões da Galáxia foi muito bom. Apoiado num visual hiper colorido, numa trilha sonora onipresente e saudosista e abraçando o humor sem medo de ser feliz, o filme do diretor James Gunn conquistou vários fãs com seu roteiro leve e ritmo frenético. Esta continuação, como não poderia deixar de ser, retoma e amplia esta fórmula, mas desta vez, principalmente na segunda metade do longa, o diretor resolveu incorporar elementos dramáticos à história, o que deixou o filme um pouco mais “adulto” do que seu antecessor. O resultado é inquestionavelmente bom, mas confesso que foi meio estranho entrar no cinema felizão, ansioso para dar boas risadas, e sair de lá meio cabisbaixo e pensativo.

Foi na gloriosa e mágica década de 80 que Meredith Quill (Laura Haddock) conheceu e apaixonou-se por uma criatura topetuda do espaço (Kurt Russell). Do amor deles, nasceu Peter Quill (Chris Pratt), o homem que anos mais tarde ganharia notoriedade por conseguir segurar uma das Joias do Infinito e sobreviver. Peter, que nunca conheceu o pai e que viu a mãe morrer ainda criança, cresceu e tornou-se o Senhor das Estrelas, um caçador de recompensas que lidera o grupo Guardiões da Galáxia em missões através de todo o universo.

Guardiões da Galáxia Vol. 2 começa ao som de Brandy, do Looking Glass, com Meredith passeando num conversível estiloso junto de seu amado. Tão logo fica claro que os dois são os pais de Peter, porém, a cena muda para o longínquo planeta dos Soberanos onde os Guardiões aguardam pela chegada de uma besta interdimensional. Ayesha (Elizabeth Debicki), a rainha do local, contratou Peter, Gamora (Zoe Saldana), Drax (Dave Bautista), Rocket (voz do Bradley Cooper) e o Bebê Groot (voz do Vin Diesel) para protegerem uma preciosa carga de baterias inflamáveis do monstro. A luta que se segue é, sem sombra de dúvidas, a melhor sequência de abertura de um filme da Marvel até o momento. Fazendo um belo uso do 3D, James Gunn coloca Peter e cia para quebrarem o pau com o bichão enquanto mostra o simpático Bebê Groot dançando com a Mr. Blue Sky do Eletric Light Orchestra. Ver esse começo, que tem coisas bacanas como o Peter e o Rocket discutindo, o Drax vigiando o Bebê Groot e a Gamora desferindo alguns golpes estilosos de espada, é como abrir um presente no dia das crianças e encontrar exatamente aquilo que a gente queria ganhar. É familiar e surpreendente ao mesmo tempo.

Após ganhar nossa atenção com esse início divertidíssimo, o diretor introduz os elementos que compõe a história de Vol. 2. Por pura sacanagem, Rocket rouba algumas das baterias dos Soberanos e Ayesha ordena que seus comandados capturem os Guardiões. Rola uma cena frenética de perseguição no espaço, daquelas que parecem ter saído direto de um videogame, a qual é interrompida pela aparição já anunciada de Ego, o topetudo pai de Peter Quill. Nisso, o grupo divide-se em 2: Peter, Gamora e Drax acompanham Ego e Mantis (Pom Klementieff), sua auxilar, até um planeta distante, e Rocket e Bebê Groot ficam responsáveis por reparar a nave e vigiar Nebulosa (Karen Gillian), a filha de Thanos que havia sido entregue aos personagens como recompensa por protegerem as baterias. Paralelamente, o pirata Yondu (Michael Rooker) é contratatado por Ayesha para localizar os Guardiões.

Sobre esses eventos que constituem o “meio do filme”, por assim dizer, vale a pena realizar comentários separados para cada um deles:

Ego e Peter Quill: O esperado encontro entre o Senhor das Estrelas e seu pai responde muitas perguntas deixadas pelo primeiro Guardiões da Galáxia e é o principal acontecimento deste filme, mas todas as cenas que envolvem esse arco da história são chatas de doer. Eu entendo que até mesmo uma bomba de diversão como essas precise de algumas partes mais “sérias” para que os personagens sejam desenvolvidos, porém não posso negar que fiquei extremamente entediado enquanto Peter e Ego falavam do passado e do futuro naqueles cenários oníricos.

Rocket: Tanto por seu mau humor quanto por sua insanidade nas batalhas (adoro quando ele fala aquele HELL YEAH!), o guaxinim antropomórfico permanece como meu personagem favorito dentre todos os Guardiões. O Rocket continua legalzão e o James Gunn deu uma cena na floresta para ele brilhar sozinho com todos os seus equipamentos e metrancas, no entanto a imagem que eu levei dele desta vez foi a da criatura triste e solitária que maltrata todos, até os próprios amigos, pela inabilidade de ser amado. As cenas que nos levam a essa conclusão, principalmente aquele diálogo com o Yondu no final, são verdadeiramente tristes e destoam de tudo o que fora feito na série até aqui. Isso não é necessariamente ruim, mas confesso que fui surpreendido pela bad vibe.

Yondu: Lembram daquele sujeito risonho e seguro de si que dizimava grupos inteiros de inimigos com uma flecha voadora? Restou pouco dele em Vol. 2. Yondu não só enfrenta um motim de sua tripulação quanto é desprezado por Stakar Ogord (Sylvester Stallone), o líder dos piratas espaciais. Yondu também ganha espaço para exibir suas habilidades (a batalha contra o Taserface) e protagoniza um dos momentos mais engraçados do longa (Mary Poppins!), mas no geral a participação dele nesta continuação é bem melancólica. A cena em que a Father & Son do Cat Stevens é executada é de cortar o coração.

Resumindo, é muita tristeza e seriedade em um filme que é a continuação de um dos longas mais divertidos dos últimos anos. Vol. 2 ainda tem MUITO humor e inocência (conforme pode ser visto em praticamente todas as cenas do Bebê Groot e do Drax e em pérolas como o ‘Pac Man gigante’) repete aquele clima descolado proporcionado por músicas bacanas como The Chain do Fleetwood Mac e está cheio de easter eggs (Howard, o Pato está de volta e há incríveis 5 cenas após os créditos rs), mas no geral a investida do James Gunn no desenvolvimento dos personagens levou a história para rumos bastante sombrios (observem a Nebulosa falando sobre o que ela deseja fazer com o Thanos). Gostei do filme, tanto que vi ele duas vezes antes de escrever essa resenha (uma foi dublado: a voz do Yondu ficou HORRÍVEL na versão nacional), mas não gostei de ver o Rocket chorando. Tadinho.

Velozes e Furiosos 8 (2017)

Padrão

“O mocinho vira bandido. Que clichê.”

Essa frase é dita pela Cipher (Charlize Theron), a vilã de Velozes e Furiosos 8, e resume bem o que pode ser visto neste oitavo episódio da franquia. Após 3 filmes com roteiros girando em torno de uma “última missão”, dessa vez os produtores resolveram colocar Toretto (Vin Diesel) para quebrar o pau com sua própria equipe (ou família, como ele gosta de dizer). A mudança não é uma inovação (você já viu isso antes e você verá isso outra vez), mas a autocrítica travestida de ironia do diálogo acima já é um bom indicativo de que o diretor F. Gary Gray não está lá muito preocupado com originalidade. Sem surpresa alguma, Velozes e Furiosos 8 requenta tudo o que a série já havia apresentado até aqui, porém nota-se que a busca por cenas de ação cada vez mais absurdas e grandiosas está levando a franquia para rumos distantes daqueles rachas de carro que marcaram as primeiras produções.

Dom até tentou sossegar. Após despedir-se de Brian naquele final emocionante do filme anterior, ele mudou-se com Letty (Michelle Rodriguez) para Cuba e passou a levar uma vida simples e tranquila. É claro que, vez ou outra, surge alguma possibilidade de reviver toda aquela loucura do passado (logo na abertura, Dom corre contra um zé barbicha para salvar o carro do primo de Letty), mas na maior parte do tempo o casal está fazendo coisas triviais como planejar bebês e ir ao mercado comprar pão. A desculpa para a ação surge quando Toretto é abordado por Cipher, uma hacker especializada em terrorismo digital que obriga-o a trair seus amigos e juntar-se a ela numa missão para roubar armas nucleares russas.

Tal qual aconteceu com o Velozes e Furiosos 6, que era levado pelo mistério ao redor do ressurgimento de Letty, Velozes 8 faz suspense em cima do motivo da traição de Dom. Cipher mostra algo para ele na tela de um celular e na cena seguinte o cara quase mata o grandalhão Hobbs (Dwayne Johnson) jogando-o para fora da estrada. O que Dom viu? Nos poucos momentos em que precisa preocupar-se com o roteiro, o diretor resgata acontecimentos e personagens do Operação Rio para dar sentido à chantagem de Cipher. A “revelação”, apesar de simplória, não chega a ser ruim, mas o timing definitivamente não foi bom: como sabemos quase desde o início que Dom está agindo para proteger alguém, os confrontos dele com os outros corredores perdem muito no quesito emoção. No fim, o que o trailer anunciou como “Toretto piradão tocando o terror” acaba não passando de um decepcionante “Tadinho do Dom!”.

Outro que “troca de lado” é o Deckard (Jason Statham), que é retirado da prisão pelo Mr. Nobody (Kurt Russell) para ajudar Letty e cia a localizarem Toretto. Isso ficou bem legal. Ainda que seja clara a forçação de barra para que o Statham continue na franquia e ocupe o espaço deixado pelo Paul Walker (tarefa que também está sendo empurrada para o Scott Eastwood, filho de ‘vocês sabem quem’), a tensão entre Deckard e Hobbs rende os melhores momentos do filme fora dos carros. Os personagens não chegam a reprisar a pancadaria travada no Velozes 7 (pode ser que o confronto fique para o spinoff que a Universal confirmou para a dupla), mas a troca de ofensas e ameaças entre eles é muito boa. A gente sabe que está assistindo algo bacana quando alguém diz “Quando tudo isso acabar, eu vou empurrar seus dentes tão fundo na sua garganta que tu terá que enfiar a escova de dentes no rabo pra poder escová-los”.

Mas e os carros? Velozes 8 começa com Toretto acelerando um trambolho através das ruas cubanas no melhor estilo daqueles rachas que ditaram o ritmo dos primeiros filmes. A música toca alto, todo mundo é bonito e malhado e há uma gostosona com um short minúsculo na linha de largada. É estranho notar, porém, o quão deslocada esse tipo de cena, que remete aos primórdios da franquia, soa atualmente quando comparada ao restante do material. Verdade seja dita, os carros não fazem mais a menor diferença dentro da história. Na maior parte dos casos, eles poderiam ser substituídos por motos, paraquedas ou snowmobiles sem que isso prejudicasse em nada as cenas. Velozes e Furiosos 8 até reserva tempo para o sempre engraçado Roman (Tyrese Gibson) babar em uma Lamborghini, mas é visível que os veículos modificados e as manobras impossíveis de outrora foram colocadas em segundo plano para privilegiar o espetáculo do absurdo, com os personagens disputando corrida com um submarino de guerra e Hobbs amassando paredes de metal com socos e parando bala de borracha com o peitoral. Qual o próximo passo? Carros no espaço? Corridas no deserto com Hobbs transformando-se no Escorpião Rei? Tudo é possível.

Velozes e Furiosos 8 é um filme perfeito para tu assistir no cinema comendo um balde de pipoca e tomando um copão de refrigerante. Os cenários são bonitos, a ação é constante e os diálogos motivacionais (O que importa não é a máquina, mas sim quem está atrás do volante) ditos por personagens que acumularam fortuna no mundo do crime deixam-nos motivados para trabalhar no dia seguinte. Como o público parece não cansar da franquia (o filme teve a melhor estreia de todos os tempos), é apenas uma questão de tempo para que saiam mais e mais continuações. No fim, Vin Diesel venceu tudo (carros, aviões, submarinos) e todos (Statham, The Rock, eu, você e a ‘crítica especializada’): gostando ou não, temos que respeitar um cara desses.

Velozes & Furiosos 7 (2015)

Padrão

Velozes e Furiosos 7Falar mal da série Velozes & Furiosos é o “bater em cachorro morto” da crítica cinematográfica (eu mesmo fiz isso aqui e aqui), mas nem mesmo o crítico mais turrão ousará negar o óbvio: a fórmula deu certo. O que começou com “rachas de carros tunados + delicinhas + hip hop” cresceu para um requentado de tudo que há de melhor (e pior) nos filmes de ação e, hoje, a série contabiliza incríveis 7 longas, tendo angariado ao longo do caminho a participação de nomes de peso dentro do gênero, como Dwayne Johnson, Jason Statham e Kurt Russell, e elevado ao estrelato desconhecidos como o divertido Tyrese Gibson e o Paul Walker. Esse último, em uma dessas ironias do destino, partiu para o andar de cima no dia 30 de Novembro de 2013 em um acidente automobilístico e essa tragédia, mais do que qualquer coisa que a série apresentou até aqui (pelo menos para quem não é fã), criou uma expectativa geral em cima do lançamento desse Velozes & Furiosos 7.

Segundo informações divulgadas na época do acidente, Paul Walker, que não havia acabado de filmar a sua participação no longa, seria substituído por dublês e CGI nas cenas que faltavam. Não sei como o leitor encara esse tipo de notícia, mas, particularmente, eu assisti o filme TODO procurando esses efeitos especiais (rs) e, como percebi apenas um ou outro artifício, devo dizer (com o devido respeito) que o cara não fez falta. Fará? Certamente. Apesar do diretor James Wan ter afirmado que esse seria o último episódio da franquia (e de ter conduzido o filme para tal), a estreia de Velozes & Furiosos 7, impulsionada pela morte do ator, transformou-se na melhor de toda a série e na 9º melhor da história do cinema ($384 milhões no primeiro fim de semana) e, como todos sabem, contra lucros não há argumentos nem luto que dure para sempre. Tu não consegue imaginar uma sequência sem o estiloso Brian O’Conner (Walker)? Não preocupe-se, amigo: roteiristas são pagos para isso e eu APOSTO que, no máximo até 2018, teremos um Velozes 8. Mas, enquanto isso não acontece, vamos a essa sétima parte da franquia.

Velozes e Furiosos 7 - CenaVelozes e Furiosos 6 é um filme extremamente meia boca que redime-se apenas no final com a promessa de um pega pra capar épico: Dominic Toretto (Vin Diesel) e sua equipe logo logo conheceriam Deckard Shaw (Statham), um casca grossa que está em busca de vingança e que acabara de matar o insosso Han. 7 começa nos dando algumas provas de que o tal Shaw é realmente um pesadelo ambulante (sozinho, ele invade e destrói um prédio inteiro) para depois colocá-lo em rota de colisão contra Toretto e cia. Os heróis, dispostos a vingar Han e Hobbs (Dwayne Johnson), que fora enviado por Shaw para o hospital, fazem um acordo com um agente do governo (Mr. Nobody, interpretado pelo Kurt Russell) para conseguir um dispositivo capaz de localizar o vilão.

Operação Rio era sobre uma última missão que garantiria grana suficiente para que os personagens pudessem aposentar. 6 foi sobre uma última missão para que eles tivessem seus registros criminais apagados e, de quebra, reencontrassem a supostamente morta Letty (Michelle Rodriguez). Velozes & Furiosos 7 é sobre … uma última missão … de vingança. É por essas e outras que não acredito que esse seja o derradeiro capítulo da série, os produtores da mesma simplesmente ignoram o significado da palavra “último(a)”. Isso, porém, é mais uma triste e irônica constatação do que uma reclamação propriamente dita: assistir um longa da franquia nessas alturas do campeonato esperando um roteiro minimamente original nada mais é do que um sinal de inocência do espectador.

Velozes e Furiosos 7 - Cena 4E hoje tem marmelada? Tem sim senhor! James Wan, um diretor conhecido por seus filmes de terror (entre outros, ele é o responsável pelo primeiro Jogos Mortais), fez a lição de casa direitinho e trouxe para o público cada um dos elementos que tornaram a série conhecida, a começar pelos rachas de carro que haviam sido deixados meio de lado nos últimos longas. Com a poderosa Blast Off do David Guetta tocando alto, Letty enfrenta e vence um marmanjo em uma corrida no meio de deserto enquanto delicinhas de shortinho balançam bandeiras quadriculadas e enfeitam o mundo com suas medidas invejáveis. A cota da pancadaria oitentista entre brutamontes é preenchida pela triangulação Toretto-Shaw-Hobbs (as meninas e os fãs do UFC ainda poderão apreciar os golpes da Ronda Rousey) e o Tyrese Gibson continua engraçadão. Funciona assim: ele fala alguma coisa, você ri.

Velozes e Furiosos 7 - Cena 3Mas nada disso, é claro, seria o suficiente sem um bocado de ação absurda e embasbacante. Se, depois de presenciar os personagens arrastarem um cofre gigante pelas ruas do Rio e impedirem um avião de decolar de uma pista infinita, você também pensou que nada mais poderia ser inventado, amigo, como você é bobinho! Meça suas noções de realidade, parça! Nas melhores sequências de ação de Velozes & Furiosos 7, Toretto e Brian primeiro saltam de um avião com seus veículos e, posteriormente, atravessam as Etihad Towers em Abu Dhabi com um Lykan HyperSport, um “brinquedinho” avaliado em 3,4 milhões de dólares. HELL YEAH!

É aí que chega o final do longa e então passa-se um ano e você continua lá, sentado, assistindo esse final. Tal qual a conclusão do Transformers 3 – O Lado Oculto da Lua, o clímax desse filme estende-se muito além do necessário e parece não acabar nunca. Felizmente, depois de muita correria sem objetivo, de uma briga de chaves de mecânico (!) e de uma cena onde é possível perceber que usaram um dublê/recurso visual para substituir o Walker (a luta no escuro), o Dwayne Johnson empunha uma metralhadora giratória e, emulando o que ele já fizera antes no G.I. Joe: Retaliação, acaba com a brincadeira.

Velozes e Furiosos 7 - Cena 2Repetindo os mesmos erros e acertos dos longas anteriores, Velozes & Furiosos 7 chega ao fim sem comprometer nem empolgar e tem seu melhor e mais sincero momento na mais do que anunciada homenagem que fazem para o Paul Walker no final. A verdade? Eu nunca dei muita bola pra esse cara. Nos Velozes ele faz apenas o feijão com arroz e, no único filme que vi com ele fora da série (o A Conquista da Honra, do Eastwood), também não há o que recordar. Essa indiferença, no entanto, foi totalmente DESTRUÍDA pela compilação de imagens do ator que exibem antes dos créditos. A voz engasgada do Vin Diesel, o semblante triste do Gibson, a incredulidade do Ludacris e uma baladinha triste falando sobre amizade e despedidas: eis o que lhe colocará pra baixo, leitor, eis o que lhe fará olhar para a poltrona ao lado para conferir se mais alguém está segurando as lágrimas. O filme, que até então fora apenas mediano, brilha nessa conclusão e comprova (tu, eu e os críticos queiramos ou não) o poder de uma série que, com toda sua simplicidade, levou milhares de pessoas aos cinemas nos últimos 14 anos e também é capaz de emocionar. Pena que o preço dessas lágrimas tenha sido tão caro. Descanse em paz, Paul.

Velozes e Furiosos 7 - Cena 5

Guardiões da Galáxia (2014)

Padrão

Guardiões da GaláxiaOhhhh yeahhhh!!!!! Quando assisti a infeliz adaptação do A Bússola de Ouro para a telona, fiquei com a impressão que nada, absolutamente NADA poderia ser mais legal do que um urso da Coca-Cola polar falante vestido com uma armadura dourada. Sinto muito, Iorek, mas você não é mais o meu favorito: além de conter boas piadas e cenas de ação frenéticas, o novo filme da Marvel, Guardiões da Galáxia, traz um desses baixinhos ranzinzas pelos quais todos nós apaixonamo-nos imediatamente. Rocket, o guaxinim antropomórfico que funciona como o cérebro do grupo de super heróis apresentado aqui, é o responsável pelas melhores e mais engraçadas cenas do filme. Dublado pelo Bradley Copper, o bichinho feito em CGI é uma mistura da violência e atitude do Wolverine com as ironias e a insanidade do Tommy DeVito, o baixinho invocado interpretado pelo Joe Pesci no Os Bons Companheiros. Declarado o meu amor pelo sujeito, conto-lhes agora as minhas impressões sobre o longa.

Guardiões da Galáxia é e não é apenas mais um filme de super heróis. É porque ele claramente segue fórmulas que já foram testadas em outras produções da Marvel. Não é porque, devido ao sucesso dessas fórmulas, percebo que deram tanta liberdade criativa ao diretor James Gunn e sua equipe, principalmente no que diz respeito ao visual dos personagens, que esse longa pode significar o início de uma nova fase nas adaptações dos quadrinhos da empresa para o cinema.

Lembram daquele primeiro filme dos X-Men do Bryan Singer? Na época do lançamento, um dos pontos mais comentados da produção foram os uniformes dos personagens. De um lado, alguns fãs praguejaram contra as roupas pretas realistas utilizadas por Singer. Do outro, argumentou-se que a mudança era compreensível, visto que nem tudo que funciona na HQ fica legal quando transposto para o formato cinematográfico. Ainda que os dois pontos de vista sejam válidos, a impressão que ficou foi a de que os produtores estavam sondando o terreno tal qual quem não confia no material que tem nas mãos. Certamente eles não devem ter duvidado da popularidade e do apelo comercial dos discípulos do Professor Xavier, mas nem por isso eles colocaram o Hugh Jackman na tela vestido com um collant amarelo.

Guardiões da Galáxia - Cena 3Na sequência, grandes campeões de bilheteria do gênero, como a trilogia do Batman do Nolan, seguiram com a proposta de modernizar e aproximar da realidade o visual dos super-heróis mas, no mesmo período, os filmes do Homem de Ferro e do Thor vieram e agradaram mesmo trazendo modificações mínimas na caracterização vistosa de seus personagens. Notei, já no X-Men – Primeira Classe, que as coisas começavam a mudar: lá estava o uniforme amarelo, mutantes voando com asas naturais e sintéticas impulsionados por super gritos (rs) … Paulatinamente (eu sempre quis usar essa palavra), comprovou-se que o público estava disposto SIM a pagar para ver atores vestidos com roupas super coloridas quebrando o pau contra super vilões. A prova? Basta olhar o sucesso estrondoso do Os Vingadores, filme que, nessa mesma pegada fantasiosa, abriu as portas para que parte da Guerra Infinita seja contada nos cinemas.

Guardiões da Galáxia - Cena 2E agora, que não há absolutamente mais NENHUMA dúvida de que todos nós gostamos de ver seres super poderosos e seus uniformes bufantes, Guardiões da Galáxia chega para mostrar que a Marvel perdeu a vergonha de mostrar seus personagens tal qual eles são nos quadrinhos. No universo desenvolvido pelo diretor James Gunn, além de guaxinins bacanudos e todo o tipo de alienígenas coloridos, temos um protagonista que é personificação do inconvencional. Peter Quill (Chris Pratt), o Star Lord, é o anti-herói por excelência, um cara que coloca uma missão em risco para resgatar um walkman (ele tem um walkman!) e que, após uma ação heróica, profere um dos discursos mais canastrões de que se tem notícia. Ao lado dos igualmente inconvencionais e excêntricos Groot (voz e cérebro do Vin Diesel), Rocket, Gomorra (a musa nerd Zoe Saldana) e Drax (Dave Bautista), Peter viaja pela galáxia tentando vender um cobiçado objeto que ele roubou de um planeta longínquo. Enquanto eles escapam de prisões espaciais e tentam negociar com o Colecionador (Benicio del Toro), arma-se uma guerra entre o conquistador Ronan (Lee Pace) e o povo de Nova.

Guardiões da Galáxia - Cena 4Guardiões da Galáxia é composto de 3 impressionantes cenas de ação (fuga da prisão, invasão da estação Knowhere e batalha aérea do Planeta Nova) e muitas, muitas piadas. Não há dúvidas que o vasto vocabulário do Groot e o humor ácido do Rocket sejam o que há de melhor por aqui, mas o filme também agrada pela atenção dada aos detalhes. Fora a trilha sonora repleta daqueles clássicos trash das décadas de 70/80 que tanto amamos, o diretor recheou o longa de referências e ganchos para outras produções da Marvel. O Thanos, que até agora havia feito apenas uma ponta no Os Vingadores, aparece em toda sua magnificência (felizmente, com sua roupa dourada e queixo largo, tal qual deve ser) e, acreditem, será preciso ver o filme mais de uma vez para conseguir apreciar toda a beleza do estoque do Colecionador.

Guardiões da Galáxia - Cena 5Infelizmente, a produção não escapa de alguns clichês do gênero, as já comentadas “fórmulas” que a Marvel tem trabalhado nos últimos anos. Nisso, esperem pelos inevitáveis diálogos excessivamente didáticos, personagens que “morrem” só para reaparecerem vivos na cena seguinte e, claro, o maior lugar comum do cinema de ação contemporâneo: alguém dependurado em um abismo após uma batalha. Resta-nos ignorar essas repetições, apreciar o desfecho incomum da relação entre o Star Lord e a Gomorra e celebrar o “escancaramento” que a Marvel faz de seu universo com Guardiões da Galáxia que, além de ser um filme divertidíssimo, merece ser venerado por apresentar o épico Rocket e por resgatar para essa geração o Howard, o Pato imoral e transante daquele clássico injustiçado da Sessão da Tarde.

Guardiões da Galáxia - Cena

Velozes & Furiosos 6 (2013)

Padrão

Velozes e Furiosos 6Como explanado no texto do Operação Rio, eu não gosto da série Velozes e Furiosos, mas o quinto filme da franquia me agradou com suas cenas de ação exageradas e, principalmente, devido a ideia de reunir os principais corredores dos longas anteriores. A receita não era nova, mas foi uma jogada inteligente utilizar a popularidade da série como motor para o roteiro e trazer o brutamontes Dwayne Johnson para oferecer uma desafio à altura da habilidade dos personagens. A cena após os créditos e os números incontestáveis das bilheterias indicavam que a história não terminaria ali, o que não era de todo ruim já que o diretor Justin Lin acabara de injetar fôlego extra na franquia. 2 anos depois,Velozes & Furiosos 6 chega aos cinemas e percebemos que a luz no fim do túnel era apenas um carro tunado vindo na sua direção, querido leitor.

Se no filme anterior Lin apostou em tudo que havia dado certo nos outros 4 longas, aqui ele aposta em tudo que deu certo no Operação Rio. Pragmático, o diretor nos conta que a última missão encarada por Toretto (Vin Diesel), Brian (Paul Walker) e cia não foi exatamente a última e… reúne-os novamente para uma nova última missão. Até gramaticamente isso soa ruim e repetitivo. Sem preocupar-se com isso, Toretto e seus amiguinhos da pesada são convocados por Hobbs (D. Johnson) para capturar um criminoso que tenta roubar informações do governo. Como motivação, o policial oferece o perdão judicial para os crimes dos corredores e mostra para Toretto uma foto recente de Letty (Michelle Rodriguez), a qual acreditava-se estar morta.

Eu JURO que essa é a última vez...

Eu JURO que essa é a última vez…

Permitam-me, à partir de agora, continuar essa resenha relatando a experiência que eu vivi durante a sessão. Desde o X-Men Origins: Wolverine, eu resolvi assumir o preconceito que tenho contra o público que frequenta a estréia de blockbusters. O que poderia ser explicado em vários parágrafos também pode ser resumido em uma frase curta, grossa e sincera: majoritariamente, essas pessoas não tem educação e vão no cinema buscando um tipo de diversão que não resume-se a apreciar o filme. Não sinta-se ofendido, caro leitor, se você frequenta essas estréias e não comporta-se como um animal, rindo escandalosamente, conversando alto e usando o celular durante a sessão. Você sabe perfeitamente que não me dirijo a você e certamente deve entender a minha frustração por também já ter ter enfrentado algo do tipo.

Aconteceu que, na última sexta, eu tive tempo para ir no cinema após o trabalho e a estréia do dia era justamente o Velozes & Furiosos 6. Aproveitei o bom humor do dia, guardei os meus preconceitos pra mim, comprei o ingresso e sentei-me na cadeira suja do Cinemais ansioso por divertir-me. Carros velozes, cenas de ação, mulheres bonitas e músicas do gueto, eis o que a continuação prometia, eis o mínimo que eu precisava para sair de lá satisfeito.

Velozes e Furiosos 6 - Cena 4

Cerca de 15 minutos após o início do filme, o circo já estava armado: além de identificar a repetição da fórmula descrita acima na sinopse, eu também não pude deixar de de notar a notável criatura que encontrava-se sentada na fileira de trás. Aqui vale uma pausa para fazer um dos poucos elogios que o filme merece: voltando a interpretar o malandro Roman, o ator Tyrese Gibson está engraçadíssimo, não é um exagero dizer que todas as cenas dele são divertidas e arrancam gargalhadas. Gargalhadas, não gritos de um animal que está sendo esfaqueado até a morte. Vejam bem, eu sei que o que eu penso ou deixo de pensar da risada da criatura citada é problema meu e isso até era possível relevar, mas não consegui ignorar os comentários que ele insistia em fazer, em voz alta, para impressionar a garota que estava com ele. “Olha amor, aquela atriz é a Michelle Rodriguez”. “Olha amor, esse personagem apareceu nos dois primeiros filmes”. “Olha amor, ele falou aquilo porque o último filme foi rodado aqui no Brasil, no Rio de Janeiro”. “Olha amor, eu sou um babaca”.

Velozes e Furiosos 6 - Cena 3

Não cabe aqui repetir as palavras que eu usei para fazê-lo calar a boca, não me orgulho nenhum pouco de ter que apelar para a grosseria e não sou à favor da violência. O fato é que, profundamente decepcionado com a situação, tentei aproveitar o que o filme tinha para oferecer e encontrei muito pouco. Fora as piadas do Gybson, cito ainda a cena da luta do metrô e a corrida emocionante disputada por Toretto e Letty. O resto são cenas desnecessária incluídas para aumentarem o tempo da projeção (a visita de Brian e Toretto à loja de penhores é o melhor exemplo) e sequências de ação extremamente mal filmadas. Notem que, durante a perseguição ao avião que tenta decolar, a pista nunca acaba e na maior parte do tempo é impossível perceber o que está acontecendo. A edição frenética, o ambiente noturno e o Gybson e o Ludacris dentro de um carro preto brigando com um capanga qualquer não foi uma escolha feliz para quem queria que o espectador entendesse o que estava sendo mostrado.

Velozes & Furiosos 6 não é apenas um passo atrás para a franquia, o diretor Justin Lin engatou a ré, acelerou e bateu contra a parede ao repetir, sem o mesmo brilho, os elementos que fizeram de Operação Rio um filme bacana. Deixando as corridas de lado para privilegiar a pancadaria e o elenco, o filme termina confirmando que a sequência não tardará a sair e colocará um dos maiores casca grossas do cinema de ação atual no caminho de Toretto e cia. “Olha amor, ele ta falando do …”. Melhor não, né?

Velozes e Furiosos 6 - Cena

Velozes e Furiosos 5 – Operação Rio (2011)

Padrão

Velozes e Furiosos, ame ou odeie. Algumas pessoas não entendem como alguém pode reclamar de uma série repleta de mulheres bonitas, carros tunados e cenas de ação. Outras pessoas consideram fútil e medíocre a forma como a franquia expõe esses elementos e costumeiramente referem-se a ela para exemplificar o que há de mais baixo no cinema atual. Se for na base do 8 ou 80, fico do lado de quem odeia, mas como vez ou outra a passionalidade revela-se limitadora, eu continuo assistindo os novos lançamentos da série. Digamos que, dessa vez, assistir Velozes e Furiosos não foi tão difícil, prova pessoal de que manter a mente aberta é fundamental para um apreciador de cinema.

Operação Rio é um filme que recompensa quem acompanhou a franquia desde o início. Fugindo da polícia americana, Dominic Toretto (Vin Diesel), Brian O’Conner (Paul Walker) e Mia Toretto (Jordana Brewster) escondem-se no Rio de Janeiro. Utiliza-se então um recurso de roteiro deveras batido para justificar a ação: Mia descobre que está grávida e o grupo deve então encarar uma última missão antes de aposentar-se dos perigos da vida de roubos de carro e corridas arriscadas. A missão, que consiste em roubar toda a grana de um criminoso do Rio, precisa de um grupo e Toretto e Brian convocam pilotos conhecidos do público, como Roman Pearce (Tyrense Gibson, do Velozes e Furiosos 2), Han Lue (Sung Kang, do Velozes e Furiosos 4) e Gisele (Gal Gadot, Velozes 4). Juntos, eles enfrentam bandidos e a polícia corrupta do Rio e ainda precisam escapar de uma equipe liderada pelo brutamontes Luke Hobbs (Dwayne Johnson) que foi mandado dos EUA especialmente para prendê-los.

Equipe de especialistas reunida para uma última missão, eis a aposta de Operação Rio. É mais velho do que nariz na cara, mas caiu como uma luva para a série, principalmente porque os tais “especialistas” são personagens que o público já conhece. Reuní-los em uma história cujos diálogos remetem constantemente aos outros filmes funciona bem e deixa o filme divertido.

A diversão, aliás, parece ter mudado de foco. Velozes e Furiosos 4 já apostava mais em cenas de ação absurdas do que nos famosos rachas que atraíram o público nos 3 primeiros filmes. Operação Rio está repleto de carrões turbinados e boa parte da ação desenvolve-se dentro deles, mas é clara a intenção do filme de dividir o tempo deles na tela com os action man Vin Diesel e Dwayne Johnson. A briga entre os dois, diga-se de passagem, é épica, me lembrou essa cena aqui, supra sumo do testosterona total.

O que permanece é o clima “mano do gueto” promovido, dessa vez, por uma seleção de “pérolas” da música nacional e as cenas que o público, mesmo após 4 filmes, mesmo após tudo que o Michael Bay fez pelo mundo, insiste em classificar como mentirosas. Essa mentira É a realidade do mundo no qual o filme acontece, mundo onde todo carioca carrega uma AK-47 debaixo do braço e onde um cofre de 10 toneladas pode ser arrastado por dois carros e converter-se em uma arma letal. HELL YEAH, realidade é para os fracos!

Brincadeiras à parte, achei o filme um bom passatempo, comentário que eu nem sonhei em atribuir ao restante da série. Estão falando que há uma cena após os créditos (eu não esperei para ver) que indica que (novidade!) haverão mais filmes. Se seguir essa linha, menos gueto, mais ação, há grandes chances de ser bom.