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Guardiões da Galáxia Vol. 2 (2017)

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O primeiro Guardiões da Galáxia foi muito bom. Apoiado num visual hiper colorido, numa trilha sonora onipresente e saudosista e abraçando o humor sem medo de ser feliz, o filme do diretor James Gunn conquistou vários fãs com seu roteiro leve e ritmo frenético. Esta continuação, como não poderia deixar de ser, retoma e amplia esta fórmula, mas desta vez, principalmente na segunda metade do longa, o diretor resolveu incorporar elementos dramáticos à história, o que deixou o filme um pouco mais “adulto” do que seu antecessor. O resultado é inquestionavelmente bom, mas confesso que foi meio estranho entrar no cinema felizão, ansioso para dar boas risadas, e sair de lá meio cabisbaixo e pensativo.

Foi na gloriosa e mágica década de 80 que Meredith Quill (Laura Haddock) conheceu e apaixonou-se por uma criatura topetuda do espaço (Kurt Russell). Do amor deles, nasceu Peter Quill (Chris Pratt), o homem que anos mais tarde ganharia notoriedade por conseguir segurar uma das Joias do Infinito e sobreviver. Peter, que nunca conheceu o pai e que viu a mãe morrer ainda criança, cresceu e tornou-se o Senhor das Estrelas, um caçador de recompensas que lidera o grupo Guardiões da Galáxia em missões através de todo o universo.

Guardiões da Galáxia Vol. 2 começa ao som de Brandy, do Looking Glass, com Meredith passeando num conversível estiloso junto de seu amado. Tão logo fica claro que os dois são os pais de Peter, porém, a cena muda para o longínquo planeta dos Soberanos onde os Guardiões aguardam pela chegada de uma besta interdimensional. Ayesha (Elizabeth Debicki), a rainha do local, contratou Peter, Gamora (Zoe Saldana), Drax (Dave Bautista), Rocket (voz do Bradley Cooper) e o Bebê Groot (voz do Vin Diesel) para protegerem uma preciosa carga de baterias inflamáveis do monstro. A luta que se segue é, sem sombra de dúvidas, a melhor sequência de abertura de um filme da Marvel até o momento. Fazendo um belo uso do 3D, James Gunn coloca Peter e cia para quebrarem o pau com o bichão enquanto mostra o simpático Bebê Groot dançando com a Mr. Blue Sky do Eletric Light Orchestra. Ver esse começo, que tem coisas bacanas como o Peter e o Rocket discutindo, o Drax vigiando o Bebê Groot e a Gamora desferindo alguns golpes estilosos de espada, é como abrir um presente no dia das crianças e encontrar exatamente aquilo que a gente queria ganhar. É familiar e surpreendente ao mesmo tempo.

Após ganhar nossa atenção com esse início divertidíssimo, o diretor introduz os elementos que compõe a história de Vol. 2. Por pura sacanagem, Rocket rouba algumas das baterias dos Soberanos e Ayesha ordena que seus comandados capturem os Guardiões. Rola uma cena frenética de perseguição no espaço, daquelas que parecem ter saído direto de um videogame, a qual é interrompida pela aparição já anunciada de Ego, o topetudo pai de Peter Quill. Nisso, o grupo divide-se em 2: Peter, Gamora e Drax acompanham Ego e Mantis (Pom Klementieff), sua auxilar, até um planeta distante, e Rocket e Bebê Groot ficam responsáveis por reparar a nave e vigiar Nebulosa (Karen Gillian), a filha de Thanos que havia sido entregue aos personagens como recompensa por protegerem as baterias. Paralelamente, o pirata Yondu (Michael Rooker) é contratatado por Ayesha para localizar os Guardiões.

Sobre esses eventos que constituem o “meio do filme”, por assim dizer, vale a pena realizar comentários separados para cada um deles:

Ego e Peter Quill: O esperado encontro entre o Senhor das Estrelas e seu pai responde muitas perguntas deixadas pelo primeiro Guardiões da Galáxia e é o principal acontecimento deste filme, mas todas as cenas que envolvem esse arco da história são chatas de doer. Eu entendo que até mesmo uma bomba de diversão como essas precise de algumas partes mais “sérias” para que os personagens sejam desenvolvidos, porém não posso negar que fiquei extremamente entediado enquanto Peter e Ego falavam do passado e do futuro naqueles cenários oníricos.

Rocket: Tanto por seu mau humor quanto por sua insanidade nas batalhas (adoro quando ele fala aquele HELL YEAH!), o guaxinim antropomórfico permanece como meu personagem favorito dentre todos os Guardiões. O Rocket continua legalzão e o James Gunn deu uma cena na floresta para ele brilhar sozinho com todos os seus equipamentos e metrancas, no entanto a imagem que eu levei dele desta vez foi a da criatura triste e solitária que maltrata todos, até os próprios amigos, pela inabilidade de ser amado. As cenas que nos levam a essa conclusão, principalmente aquele diálogo com o Yondu no final, são verdadeiramente tristes e destoam de tudo o que fora feito na série até aqui. Isso não é necessariamente ruim, mas confesso que fui surpreendido pela bad vibe.

Yondu: Lembram daquele sujeito risonho e seguro de si que dizimava grupos inteiros de inimigos com uma flecha voadora? Restou pouco dele em Vol. 2. Yondu não só enfrenta um motim de sua tripulação quanto é desprezado por Stakar Ogord (Sylvester Stallone), o líder dos piratas espaciais. Yondu também ganha espaço para exibir suas habilidades (a batalha contra o Taserface) e protagoniza um dos momentos mais engraçados do longa (Mary Poppins!), mas no geral a participação dele nesta continuação é bem melancólica. A cena em que a Father & Son do Cat Stevens é executada é de cortar o coração.

Resumindo, é muita tristeza e seriedade em um filme que é a continuação de um dos longas mais divertidos dos últimos anos. Vol. 2 ainda tem MUITO humor e inocência (conforme pode ser visto em praticamente todas as cenas do Bebê Groot e do Drax e em pérolas como o ‘Pac Man gigante’) repete aquele clima descolado proporcionado por músicas bacanas como The Chain do Fleetwood Mac e está cheio de easter eggs (Howard, o Pato está de volta e há incríveis 5 cenas após os créditos rs), mas no geral a investida do James Gunn no desenvolvimento dos personagens levou a história para rumos bastante sombrios (observem a Nebulosa falando sobre o que ela deseja fazer com o Thanos). Gostei do filme, tanto que vi ele duas vezes antes de escrever essa resenha (uma foi dublado: a voz do Yondu ficou HORRÍVEL na versão nacional), mas não gostei de ver o Rocket chorando. Tadinho.

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Rocky II: A Revanche (1979)

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Rocky II - A RevancheToca a música: PAM PAM PAM PAM PAM PAM PAM PAM PAM

Entra o título: R    O    C    K    Y   II

A tela escurece um momento, o barulho da multidão é ouvido e então as luzes de um estádio em polvorosa acendem-se para nos levar de volta até o clímax de Rocky: Um Lutador. Contra todas as expectativas e probabilidades imagináveis, Rocky (Sylvester Stallone) consegue manter-se de pé no ringue após 15 rounds de uma luta espetacular contra Apollo Creed (Carl Weathers), o campeão mundial de boxe dos peso pesados e, mesmo que os juízes deem a vitória para Apollo, é o “Garanhão Italiano” quem deixa o local ovacionado pela torcida. Rocky saiu do anonimato e conquistou seu momento de glória, agora resta saber se ele tem o que é preciso para permanecer no topo.

Eu já havia planejado assistir Rocky II: A Revanche em algum momento deste ano, de forma que acabasse de uma vez por todas a minha vergonha por não ter assistido todos os filmes da série, mas eu não pretendia assisti-lo agora. Se adiantei meu plano, o “culpado” é este bebê. Sério, abram o link e assistam. Viram que menino foda? Me mandaram este vídeo esta semana e, do mesmo jeito que a cena de treinamento do Rocky empolgou o bebê (imagem quantas vezes ele assistiu isso até decorar todos os movimentos rs), também fiquei empolgado com o que vi e decidi ver o filme imediatamente. Em se tratando de poder motivacional, não me canso de ficar impressionado com o alcance e a atemporalidade da série idealizada pelo Stallone.

Terminada a luta, Rocky e Creed são encaminhados até o hospital para tratarem seus ferimentos. Assustado por quase ter perdido o cinturão para um amador, Creed diz que não haverá uma revanche, porém ele começa a mudar de ideia quando a imprensa questiona o mérito de sua vitória. Já Rocky, após ter tido o olho seriamente danificado pelos socos de Apollo, não quer mais saber de lutar: chegou a hora de ele casar-se com Adrian (Talia Shire) e ter uma vida sossegada aproveitando o dinheiro e a fama que a luta garantiram-lhe. O sucesso, no entanto, mostra-se uma experiência passageira e logo Rocky verá-se obrigado a sair do ostracismo e voltar a fazer aquilo que ele faz de melhor: contar piadas lutar boxe.

Rocky II - A Revanche - Cena 3Quando eu tiver um filho, também pretendo colocar ele para assistir A Revanche. É claro que eu ficarei extremamente orgulhoso se o moleque aprender a fazer todas aquelas estripulias (meu momento favorito é quando o menino deita no chão para fazer as flexões rs), mas o que eu quero mesmo é que a educação dele englobe o tipo de exemplo que o Stallone, que dessa vez escreveu e dirigiu o filme, mostra aqui: o verdadeiro mérito não está em vencer uma vez, mas sim em continuar encontrando forças para lutar e recomeçar quando for preciso.

Em Rocky: Um Lutador, o Rocky precisa encarar vários desafios antes de entrar no ringue para brigar pelo título. Além de enfrentar a desconfiança de seu técnico (Mickey, interpretado pelo Burgess Meredith) e o menosprezo da imprensa e do próprio Apollo, que tratam-no como uma piada, Rocky ainda tem que lidar com condições de treinamento bem inferiores a de seu adversário e com uma situação financeira precária. A vontade e o poder de superação do personagem não são suficientes para que ele vença a luta, mas mesmo assim ele sai do confronto de cabeça erguida e com a certeza de que ele deu o seu melhor. O público e os comentaristas, reconhecendo o esforço, transformam-no em um herói. Moralmente, Rocky venceu. Mas e o dia seguinte?

Rocky II - A Revanche - Cena 2Tão logo sai do hospital, o personagem é abordado por um agente que quer contratar-lhe para aparecer em uma série de comerciais. A recém adquirida popularidade do boxeador, ele diz, pode ser utilizada para fazer uma grana fácil com marketing. Rocky, porém, não quer pensar nisso por enquanto. Feliz consigo mesmo, ele só quer aproveitar o momento e fazer tudo aquilo que ele não conseguira fazer quando era pobre. Assim sendo, ele pede Adrian em casamento (em um zoológico, numa cena muito engraçada envolvendo um tigre rs), compra um carro (que ele não sabe dirigir), uma casa e um monte de bugigangas (dentre as quais destaco um casaco HIPER estiloso com um tigre bordado nas costas). É um homem simples. O tempo passa, o dinheiro da luta vai acabando, as contas continuam chegando e pronto, Rocky precisa voltar a trabalhar para sustentar a si mesmo e a esposa, que está grávida. Claro que um homem que lutou contra o campeão do mundo não terá dificuldades para conseguir um bom emprego, certo? Não é bem isso que acontece, nem na ficção, nem na vida real.

Rocky: Um Lutador falava sobre a importância de darmos o nosso melhor para superarmos os problemas que a vida coloca em nosso caminho. Rocky II: A Revanche complementa esta mensagem dizendo que não basta esforçar-se para vencer uma vez. A luta é diária. Rocky realizou um feito memorável quando enfrentou Apollo, mas ele não poderia viver o resto de seus dias sentados sobre os louros dessa “vitória”. Sem nenhum outro tipo de formação ou habilidade que não fosse a de lutar, ele vai rapidamente do céu ao inferno e precisa aceitar empregos ruins que não condizem com a posição que ele alcançou. Para piorar, ele é despedido e vê a mulher, grávida, trabalhando para sustentar a casa. É aí, no fundo do poço, que ele parece aprender que “não importa o quão forte você bate, mas sim o quanto você consegue apanhar e seguir em frente” e, com o apoio de Adrian, reencontra toda a força que ele precisava para aceitar o desafio de Apollo para uma revanche.

Rocky II - A Revanche - Cena 4Fora a recapitulação da abertura, A Revanche tem apenas uma cena de luta, que é o esperado confronto entre Rocky e Apollo que fecha o filme. É mais do que o suficiente: o drama do simpático lutador para continuar sendo alguém relevante segura muitíssimo bem a história e, no final, a gente só relaxa e vê o cara treinando e trocando uns sopapos com o Apollo em cenas divertidíssimas e muito bem coreografadas. A cena do treinamento, aliás, é o tipo de coisa que me deixa verdadeiramente emocionado: como gosto de correr, fiquei empolgadíssimo vendo o Stallone subindo as escadas do Museu de Arte da Filadélfia acompanhado por aquela multidão de crianças. Resultado: coloquei Gonna Fly Now na playlist, saí para correr e consegui percorrer 15kms rs

Filmes como A Revanche, que contam histórias de esforço e superação, sempre terão um espaço no meu coração e neste blog. Espero, um dia, poder usá-lo para mostrar para alguém que vale a pena sair correndo por aí, dia após dia, enfrentando tudo e todos.

Rocky II - A Revanche - Cena

Creed: Nascido para Lutar (2015)

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Creed - Nascido Para LutarCom o ótimo Rocky Balboa, o Stallone deu a entender que estava colocando um ponto final na história de seu personagem mais querido. Ao longo da série, o boxeador Rocky conseguiu sair do anonimato e desafiar Apollo Creed, o Campeão Mundial dos Peso Pesados, enfrentou o mesmo Apollo novamente em uma revanche espetacular, sofreu com a morte de seu treinador, defendeu a ideologia americana e vingou um amigo contra o Ivan Drago, tornou-se ele mesmo um treinador e, por fim, quando ninguém mais confiava nele, voltou aos ringues e ensinou para o chato Mason Dixon o que é preciso para ser um verdadeiro campeão. Aparentemente, todo o potencial do personagem já havia sido explorado, mas aí o diretor Ryan Coogler, tal qual o próprio Stallone fez há 40 anos, escreveu uma história sobre um sujeito que precisava provar algumas coisas para si mesmo e, com o roteiro em mãos, conseguiu convencer o ator que valia a pena interpretar Rocky mais uma vez.

Creed: Nascido para Lutar tem tudo aquilo que fez de Rocky: Um Lutador um clássico. Aliás, nem tudo, visto que nenhum dos boxeadores enfrentados por Adonis (Michael B. Jordan) chega aos pés do carisma do Apollo, mas essa “falha” é muitíssimo bem compensada pela forma ao mesmo tempo respeitosa e ousada que o diretor escolheu para abordar o legado da série e, claro, pela presença do Stallone, que entrega aqui a melhor atuação de sua carreira e concorre merecidamente ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante.

Creed - Nascido Para Lutar - CenaEstruturalmente, os dois filmes são muito parecidos. Estamos falando de dois homens que utilizarão o boxe um como meio para conquistarem o auto respeito e a admiração daqueles que eles amam. A diferença aqui reside no fato de que Rocky era um cara pobre e desconhecido que morava em uma pocilga, enquanto Adonis, após ser descoberto em um orfanato pela viúva de Apollo, arruma um ótimo emprego e passa a viver em uma mansão. O conforto e o sobrenome Creed, no entanto, não fizeram do personagem uma pessoa feliz: além de não sentir-se realizado utilizando uma gravata em um escritório, ele não queria viver na sombra do pai. Assim sendo, Adonis pede demissão do serviço, despede-se da mãe, adota o sobrenome Johnson e muda-se para a Filadélfia na esperança que o velho Rocky (Stallone) treine-o e ajude-o a encontrar o seu próprio caminho na vida.

Creed - Nascido Para Lutar - Cena 3A jornada do personagem rumo ao topo também lembra muito o caminho percorrido pelo Rocky. Vamos recapitular:

  • Em Rocky: Um Lutador, o “Garanhão Italiano” inicialmente é recusado pelo treinador Mickey, que considera-o irresponsável. Enquanto tenta engatar um romance com Adrian, ele recebe uma proposta de uma luta que é armada com base em uma jogada de marketing (um campeão oferecendo à um amador a chance de disputar o título), inicia um treinamento com métodos inconvencionais e, no clima da trama, enfrenta Apollo e a si mesmo dentro do ringue.
  • Em Creed: Nascido para Lutar, Adonis é inicialmente recusado por Rocky, que tanto quer manter-se afastado dos ringues quanto teme pela segurança do garoto. Enquanto tenta engatar um romance com Bianca (Tessa Thompson), ele recebe uma proposta de uma luta que é armada com base em uma jogada de marketing (o campeão, que será preso dentro de pouco tempo, quer despedir-se enfrentando a sensação do momento), inicia um treinamento com métodos inconvencionais e, no clima da trama, enfrenta “Pretty” Ricky Conlan e a si mesmo dentro do ringue.

Creed - Nascido Para Lutar - Cena 2Bem parecido, né? De certa forma, o diretor Ryan Coogler fez um remake sem fazer um remake: ele reaproveita a base do roteiro de sucesso escrito pelo Stallone, substitui os personagens principais e mantêm toda a mitologia criada ao longo da série para pavimentar o início da estrada que Adonis trilhará nos próximos anos (como era de se esperar, já há pelo menos mais uma sequência confirmada). Funciona? Funciona muito.

Em um determinado momento, o Rocky, que meio que transformou-se em uma metralhadores de frases motivacionais, diz que não há porque alguém ter vergonha de seu legado: Adonis não precisa recusar o sobrenome Creed, mas sim concentrar-se em, quando a hora dele chegar, dar o melhor de si e conquistar o seu espaço. É mais ou menos isso que o diretor nos oferece aqui: ele está fazendo um filme da série Rocky, portanto não há porque ele evitar utilizar estruturas e elementos já vistos anteriormente. Focado, portanto, em também dar o seu melhor e entrar para a história, o diretor atualiza uma narrativa conhecida do público com ótimos recursos visuais, senso de humor e músicas que, tal qual a saudosa Gonna Fly Now, farão você querer sair do cinema e ir correr 10km debaixo de chuva. Gostei muito das fichas que ele utiliza para apresentar cada um dos lutadores do filme, ri bastante das velhacarias do Stallone (a cena da ‘nuvem’ é hilária) e fiquei todo arrepiado quando o Adonis corre pelas ruas da Filadélfia ao som da poderosa Lord Knows do Meek Mill. Sério, essa cena sozinha já valeria o ingresso.

Creed - Nascido Para Lutar - Cena 4Mas e as lutas? Estamos falando de um filme de boxe, certo? Tal qual o pai, Adonis vai pra cima dos adversários, bate forte e rápido e gosta de provocá-los. Nisso, ele acaba errando muito e, sem a resistência do Rocky para levar pancadas, sofre igual um condenado na mão dos adversários. Com alguma dificuldade, ele vence Sporino na metade do filme em uma luta belíssima, que é filmada toda em uma única tomada, mas o confronto contra Ricky Conlan é um verdadeiro massacre. O espectador, que acompanhou toda a jornada e treinamento do personagem para chegar até ali, vibra quando ele sobe no ringue vestindo o calção com a bandeira americana de Apollo, mas logo em seguida é preciso estômago para olhar para tela e vê-lo sendo castigado por um adversário muito mais forte e experiente que ele. Quando tudo parece perdido, no entanto, toca “aquela música”, a câmera foca o movimento dos pés de Adonis, que “dança” igual Apollo, e então o filme explode em um final magnífico, daqueles que fazem a gente sentir vontade de levantar da cadeira e gritar. É pra esse tipo de experiência que eu pago para ir ao cinema.

Espero que Creed: Nascido para Lutar consagre a obra do Stallone com o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante mas, caso isso não aconteça, nada mudará: a força dos personagens e das histórias simples e sinceras criadas por ele continuam fortes e vivas no coração do público.

Creed - Nascido Para Lutar - Cena 5

Rocky: Um Lutador (1976)

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Rocky - Um LutadorTermina aqui o motivo da minha maior vergonha enquanto cinéfilo. De hoje em diante, não precisarei mais ficar sem graça quando o assunto Rocky: Um Lutador for abordado perto de mim: finalmente, vi o clássico dos clássicos do cinema motivacional. Para limpar de vez a mancha do meu currículo, ainda preciso ver o Rocky II: A Revanche, mas por hora sinto-me aliviado por ter assistido a primeira aventura do personagem criado e interpretado pelo Sylvester Stallone. Por que eu demorei tanto para ver uma obra obrigatória para qualquer fã de cinema que se preze? Eu poderia justificar-me eternamente, mas nada do que eu falasse seria suficiente para diminuir a minha vergonha. Opto, portanto, por dizer-lhes o porque de eu ter decidido vê-lo agora, bem no meio dessa correria para resenhar todos os candidatos ao Oscar.

Assim como relatado aqui, fiquei verdadeiramente emocionado com o discurso do Stallone no último domingo quando ele recebeu o Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante. De qualquer forma, eu iria rever o Rocky Balboa de 2006 para relembrar a trama antes de ir ao cinema conferir a performance dele no Creed: Nascido para Lutar, mas as palavras engasgadas ditas por aquele senhor de 69 anos de idade sobre seu amigo ficcional mexeram comigo de tal forma que, desta vez, senti que não bastaria retornar até Mason Dixon: finalmente, chegara a hora saber o que aconteceu antes de Clubber Lang, Ivan Drago e Tommy Gunn.

Rocky - Um Lutador - Cena 5Escrever sobre um longa que praticamente todo mundo já viu, como vocês devem imaginar, não é lá algo muito fácil. O que sobrou para falar de um dos filmes mais populares de todos os tempos? Praticamente nada, né? Assim sendo, vou dar um direcionamento um pouco diferente para este texto: não deixarei de comentar o filme, mas o meu principal objetivo aqui é compreender como o longa, uma produção de baixo orçamento estrelada por um ator até então desconhecido, tornou-se um dos títulos mais inspiradores da história do cinema.

A sinopse: Rocky (Sylvester Stallone) é um pugilista amador que sobrevive nos subúrbios da Filadélfia participando de pequenas lutas e cobrando dívidas para um mafioso. Quando não está destruindo algumas costelas ou ameaçando quebrar o dedo de alguém, Rocky gosta de cortejar Adrian (Talia Shire), a irmã de seu melhor amigo, Paulie (Burt Young). A chance do personagem tornar-se alguém conhecido e respeitado surge quando Apollo Creed (Carl Weathers), o Campeão Mundial dos Peso Pesados, desafia-o para disputar o cinturão em uma audaciosa jogada de marketing.

Rocky - Um Lutador - Cena 3O contexto: É conhecida a história de como o Stallone negociou o roteiro de Rocky com dois produtores de Hollywood. Contam que o ator (que na época não tinha carro e estava tentando vender o próprio cachorro por falta de dinheiro), após ser recusado em uma audição, comentou sobre um roteiro que ele havia escrito. Os produtores então pediram para que ele mostrasse o material e, algum tempo depois, procuraram-no para comprá-lo por uma quantia de 350 mil dólares. Acontece, porém, que eles tinham uma condição: Stallone levaria os créditos de roteirista, mas não poderia interpretar o personagem principal. Mesmo tendo apenas 106 dólares em sua conta bancária, o ator negou a proposta e resistiu até que eles deixaram-no viver Rocky nas telas. Sobre esse episódio, entendo que Stallone meio que foi para um “tudo ou nada” contra a vida e venceu, de forma que o roteiro do filme acabou refletindo com naturalidade e empatia toda essa vontade dele de superar a si mesmo. Sabendo disso, torna-se inspirador ver os discursos e esforços do Rocky para chegar ao topo.

Rocky - Um Lutador - Cena 6O filme: Rocky tem aquele apelo da trama do homem comum que consegue vencer na vida com esforço e dedicação. Num dia, ele é o cara da vizinhança que passa por ti cantarolando uma música, no outro, ele está em um ringue trocando sopapos com o Campeão Mundial dos Peso Pesados. O filme começa e termina com uma luta de boxe, sendo que a última é MUITO bem coreografada e empolgante, mas não é difícil perceber que o foco aqui é a história de superação pessoal do personagem. Diferente do Terry Mally interpretado pelo Marlon Brando no Sindicado de Ladrões, um boxeador que deixa-se corromper pelo crime e diz, no ápice de seu arrependimento, que “ele poderia ter sido um campeão”, Rocky consegue superar a vida sem propósito que ele levava quando, orientado pelo saudoso Mickey (Burgess Meredith), resolve assumir as rédeas de seu próprio destino e correr atrás de seus objetivos.

Rocky - Um Lutador - Cena 4As cenas marcantes: Ninguém ousará dizer que a corrida na escadaria do Museu de Artes de Filadélfia ao som da arrepiante Gonna Fly Now não seja o grande momento do filme (e, seguramente, um dos grandes momentos da história do cinema), mas Rocky tem outras duas cenas que merecem serem comentadas. A primeira é o desabafo que o personagem faz quando Mickey procura-o oferecendo sua tutela. O discurso de raiva e impotência do Stallone é tudo menos interpretação. Ali, como ele diria anos depois no Rocky Balboa, há um “homem retirando bestas de dentro de si”, e é deveras emocionante vê-lo colocando todos aqueles sentimentos pra fora. A outra cena é o beijo de Rocky e Adrian, instante de delicadeza em que a violência o sangue inerentes ao boxe fazem uma pausa para consagrar o início de uma grande história de amor.

Rocky - Um Lutador - Cena 2O legado: Rocky é da década de 70, período em que Hollywood estava produzindo majoritariamente filmes sombrios como O Poderoso Chefão, Tubarão e Carrie. Não é difícil perceber como, nesse contexto, aquela história inspiradora de superação funcionou como um raio de luz no meio da escuridão, mas é realmente curioso pensar que, 40 anos depois, o filme ainda continua relevante (Creed, que estreia hoje, é o sétimo episódio da franquia). Gosto de pensar que, no final das contas, aquilo que é feito com o coração tende a tornar-se atemporal. As músicas da série tornaram-se parte da cultura popular (quem nunca fez atividade física com Eye of the Tiger em mente?), as cenas de treinamento inspiram e as lutas são muito boas (do que vi, a minha favorita ainda é a contra o Ivan ‘Se morrer, morreu’ Drago do Rocky IV), mas acredito que é o poder do exemplo (não é sobre o quão forte você consegue bater, mas sim sobre o quanto você consegue apanhar e seguir em frente) que continua e continuará atravessando gerações. Stallone, o mundo agradece você e seu amigo imaginário por tudo que vocês já nos ensinaram. Desculpem-me por ter demorado tanto para dar-lhes a devida atenção.

Rocky - Um Lutador - Cena

Ajuste de Contas (2013)

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Ajuste de ContasFiquei sabendo da existência desse longa quando, há alguns meses, saí de uma sessão qualquer do Cinemark e deparei-me com o poster dele em um local dedicado aos próximos lançamentos da empresa. A minha primeira reação foi algo do tipo “Uau, La Motta contra Rocky!”, mas, na sequência, não pude deixa de pensar “Ah, é só mais um filme nostalgia do Stallone do tipo Os Mercenários. Convencido por esse segundo pensamento, nem cogitei assistí-lo no cinema, mas a curiosidade e admiração pelas obras evocadas foram suficientes para que eu resolvesse dar uma chance a ele.

De fato, Ajuste de Contas é uma produção que transborda nostalgia, mas dessa vez o responsável por nos levar ao passado é o veterano Robert De Niro. Sondado pelo diretor Peter Segal para participar do projeto, o ator concluiu que o Stallone seria a escolha perfeita para protagonizar o filme com ele. Acredito que o leitor saiba, mas não custa lembrar que eles viveram nas telas dois dos maiores boxeadores da história do cinema, Jake La Motta (De Niro, em Touro Indomável) e Rocky (Stallone, no Rocky – Um Lutador e suas infinitas sequências). Grande foi a minha surpresa quando li que não foi fácil convencer o brutamontes que, segundo o IMDB, não queria “parodiar” um de seus personagens mais icônicos. Olhem só para esse Stallone, defensor da seriedade cinematográfica! rs

Ajuste de Contas - Cena 2É inegável que o que temos aqui é uma produção cômica e que muitas das piadas são construídas em cima dos momentos mais emblemáticos dos filmes originais, mas em nenhum momento eles são tratados com deboche, há antes um tom sincero de admiração por parte do Segal e sua equipe. O início, aliás, é aquele tipo de material que só poderia ser produzido por um fã. Fazendo uso de maquiagem e/ou de computação gráfica, o diretor “rejuvenesce” os dois atores e devolve à eles suas melhores formas físicas para contar a origem de uma rivalidade. Na década de 80, Henry ‘Razor’ Sharp (Stallone) e Billy ‘The Kid’ McDonnen (De Niro) travaram dois combates épicos e sangrentos. Kid venceu o primeiro em uma emocionante luta de 15 rounds, mas foi devastado por Razor na revanche. A terceira luta, o confronto que deveria decidir qual dos dois era o verdadeiro vencedor, nunca aconteceu: após nocautear seu adversário, Razor surpreendeu todos com o anúncio de sua aposentadoria prematura. 30 anos depois, os dois boxeadores reencontram-se em um evento e viram sensação na internet após serem filmados discutindo e brigando, o que abre caminho para que a tão esperada luta finalmente aconteça.

Ajuste de Contas - Cena 3Confesso que tenho uma certa dificuldade para resenhar filmes de comédia. Além de eu não ser exatamente uma pessoa bem humorada, acho complicado explicar o porque de eu ter ou não ter achado uma cena engraçada. É difícil encontrar um padrão. Teoricamente, por exemplo, eu não costumo rir de piadas sobre velhos e suas dificuldades. Não achei a menor graça, portanto, naquelas partes que mostram o De Niro suando para entrar em forma e tendo problemas com aparelhos eletrônicos. No entanto, achei engraçadíssimo o treinamento do Stallone, que traz referências a cena em que ele usa pedaços de carne para praticar no Rocky e também ao clássico trash Falcão – O Campeão dos Campeões.  Não gostei do De Niro versão “vovô pegador” que transa no banco de trás, mas gostei demais quando mostraram-no trabalhando como uma espécie de showman em um bar no início do longa, citação quase literal da fase decadente do La Motta no final do Touro Indomável. Resumindo, curto humor baseado em referências (e não é coincidência que uma das minhas séries favoritas seja o Family Guy) e costumo ser indiferente ao besteirol, mas isso não é necessariamente uma regra. A primeira briga entre Kid e Razor (aquela na empresa de videogames) é besteirol puro e me agradou muito. Viram porque eu disse que acho complicado recomendar um filme de comédia? rs

Ajuste de Contas - CenaTodo caso, se  leitor precisa de um veredito, digo que sim, Ajuste de Contas vale a pena. O diretor Peter Segal realizou um daqueles filmes leves, com baladinhas de violão escolhidas a dedo (ao contrário do que aconteceu no O Espetacular Homem-Aranha 2, aqui a melosa Gone, Gone, Gone do Phillip Phillips caiu muitíssimo bem) capazes de remeter o público à um lugar especial do passado. Pessoalmente, senti-me assistindo um clássico instantâneo da Sessão da Tarde, uma daqueles filmes meio família, meio pancadaria que termina com uma cena grandiosa que nos faz torcer. Divertindo-se ou não com as referências aos trabalhos anteriores dos dois atores, rindo ou não do besteirol encabeçado pelo ator Kevin Hart, o espectador que acompanha a história até o fim é presenteado com uma luta sangrenta entre os boxeadores. Não constitui surpresa ou decepção o fato do filme terminar com um clima amistoso, o que importa mesmo é que, antes dos apertos de mão e abraços suados, podemos reviver aquelas tardes especiais de domingo da nossa adolescência quando comíamos cachorro quente e tomávamos refrigerante vendo o Stallone ser surrado pelo imoral Ivan Drago. Ajuste de Contas é formulaico, previsível e certamente não será o melhor filme que tu verá na tua vida mas, naquilo que ele se propõe, que é ser uma sessão nostálgica e divertida para homenagear dois grandes atores e os clássicos em que eles atuaram, ele é bem sucedido e agrada.

Obs.: Esperem a cena após os créditos. Essa, independentemente do tipo de humor que tu apreciar, é de rolar no chão de rir rs

Ajuste de Contas - Cena 4

Os Mercenários 3 (2014)

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Os Mercenários 3Mais, mais, mais! Agora que não restam dúvidas sobre o potencial de bilheteria dos vovôs anabolizados do Stallonne, resta-nos apenas aguardar por mais e mais sequências da franquia e divertirmo-nos tentando adivinhar quem será escalado para o próximo filme. No caso do novo Os Mercenários 3, o elenco foi engrossado com nomes como Mel Gibson, Harrison Ford e Antonio Banderas mas, para esse que vos fala, bom mesmo foi ver o Wesley Snipes de volta à ação. Não que eu seja fã do tipo FÃ dele, mas um cara que participou de uma pérola como O Demolidor simplesmente não poderia ficar de fora de uma reunião de brucutus como essa. Não sei se o leitor conhece e/ou gosta desse filme tanto quanto eu, mas digo-vos sem titubear que o Simon Phoenix interpretado pelo Snipes no referido longa é um dos meus vilões favoritos. A cena em que ele arranca o olho de um guardinha e usa-o para abrir uma porta é o tipo de coisa que separa molecagem de bandidagem real.

E, de bandidagem, o cara entende bem, tanto que ele esteve preso, de verdade, entre 2010 e 2013 por sonegação de impostos. Desejoso de contar com o ator desde o primeiro filme (o papel do Terry Crews foi pensado para ele), Stallone esperou o cara sair do xilindró e usou o episódio como ponto de partida para esse Os Mercenários 3. Snipes, que interpreta um ex-combatente chamado Doc, é um prisioneiro (rs) em um trem que transporta-o para a morte. A equipe comandada por Barney (Stallone) e Christimas (Jason Statham) intercepta o veículo, atira, explode, queima e estropia todos à bordo para em seguida escapar, levando Doc, rumo a terra da liberdade e da democracia.

Os Mercenários 3 - Cena 2Os Mercenários, a franquia, nasceu como uma espécie de paródia nostálgica de todos aqueles filmes de ação exagerados e engraçados das décadas de 80/90. Levá-la a sério, cobrar dela alguma engenhosidade de roteiro ou utilizá-la para criticar uma suposta “superficialidade” do cinema hollywoodiano contemporâneo, como eu disse no texto do segundo longa, é muito mais um erro de julgamento de quem critica do que um defeito propriamente dito do filme. Stallone e cia, ao que tudo indica, sabem EXATAMENTE aquilo que eles representam dentro da história do cinema norte americano e estão dispostos a rirem de si mesmos enquanto mandam mais alguns vilões e ditadores de países inexistentes para o saco.

Toda a sequência de resgate que abre o filme, por exemplo, é construída em cima de piadas auto depreciativas. Podemos até dizer que quem está ali não é o Doc, mas sim o próprio Wesley Snipes que, ao ser perguntado pelo Randy Couture sobre o motivo que o levou para a prisão, responde “sonegação fiscal” e critica o Tio Sam. Tudo verdade. Resgatado, ele agradece ao Barney pela “ajuda”, o qual, em tom assumidamente paternalista, diz que “eles” (leia: atores veteranos de filmes de ação) devem permanecer juntos e ajudarem uns aos outros. Essas sacadas do roteiro, que funcionam mais como piadas internas do que como metáforas propriamente ditas, são o grande charme de Os Mercenários 3 e entendê-las, mais do que te fazer sentir-se velho, lhe garantirá algumas boas risadas.

Os Mercenários 3 - Cena 3Quando não estão reutilizando suas frases mais famosas ou tirando sarro da decadência física alheia, os Mercenários ainda podem ser vistos destruindo tudo que os cerca para cumprir uma missão qualquer, que dessa vez envolve capturar Stonebanks (Mel Gibson), traficante de armas e ex-Mercenário. Talvez tentando renovar um pouco o processo e até mesmo o cast, Stallone opta por um arco de histórica em que Statham, Crews, Lundgren e Couture são substituídos por uma equipe de brutamontes mais novos, entre eles a lutadora de MMA Ronda Rousey. Funciona? Depende do gosto do cliente. Rolam aquelas cenas legais em que os personagens são convocados, mas a atuação deles é muito mais cerebral (do tipo espionagem) do que física. Pessoalmente, achei que o longa perdeu um pouco de ritmo nessa parte.

Quando finalmente os veteranos voltam para o campo, o filme retorna àquilo que fora visto anteriormente e fecha com uma cena épica de destruição em um prédio abandonado. O que deveria ser a cereja do bolo de testosterona do diretor Patrick Hughes acaba decepcionando um pouco devido a censura 13 anos (os outros filmes não eram recomendados para menores de 16) e a similaridade do desfecho com aquele que já havia sido utilizado no Os Mercenários 2. Basicamente, os brutamontes destroem o lugar todo, sendo que cada um deles ganha tempo suficiente na tela para aumentar a contagem de corpos e soltar uma frase de efeito. Há ainda a tradicional “luta contra o chefão” em que o Gibson leva uns sopapos do Stallone, briga que termina relativamente rápida e com uma referência ao O Juiz, outro filme do Sly.

Os Mercenários 3 - Cena 4Os Mercenários 3, apesar de todos os esforços para inchar a fórmula e torná-la ainda mais atraente, com mais atores e mais tiros disparados por segundo, não consegue superar seus antecessores em diversão. A nostalgia, que trabalhou e continuará trabalhando favoravelmente à franquia, está presente e diverte, digo até mesmo que o desfile dos atores por si só já vale o ingresso, mas é preciso que os próximos filmes ofereçam um pouquinho mais (talvez cenas tão legais quanto aquela do O Demolidor comentada no início) para que o Stallone e seus comandados não corram o risco de transformarem em lugar comum a idéia audaciosa que foi reunir todos eles em um único longa. Ah, antes que eu me esqueça, seria realmente ULTRA MEGA LEGAL se eles conseguissem convencer o Clint Eastwood a participar nem que fosse de uma única cena em um dos próximos filmes 🙂

Os Mercenários 3 - Cena

Os Mercenários 2 (2012)

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O primeiro Os Mercenários gerou reações do tipo “ame ou odeie”. Se muita gente ficou empolgada com a reunião dos brutamontes que fizeram sucesso em filmes de ação nas décadas de 80/90, também não faltou quem criticasse o filme por sua superficialidade e ação descerebrada. Eu, que fui no cinema e gostei de todos os excessos da turma do Stallone, cheguei a discutir seriamente com um colunista de um extinto blog por críticas que o mesmo fez ao filme. O tal colunista, que assim como eu também era um graduando do curso de História, escreveu um texto repleto de ironias e críticas ao fato de Os Mercenários reunir, segundo ele, atores velhos, decadentes e anabolizados em um filme sem roteiro. Na época, os comentários do ator Sylvester Stallone sobre o Brasil (aquele sobre explodir coisas e ganhar um macaco) também transformaram-se em “argumento” para o colunista detonar o filme e o resultado foi uma troca de “gentilezas” desnecessárias entre nós dois.

Este que vos escreve celebra o direito da liberdade individual de expressão e não tem nenhuma pretensão de convencer alguém a pensar como ele. No entanto, devo dizer que fiquei e fico espantado quando vejo alguém buscar algo em um filme que ele nunca propô-se a oferecer.  O roteiro de Os Mercenários é de uma medócridade enorme, mas a tal “ação descerebrada” ditou e ainda dita os rumos das carreira de praticamente todos os atores envolvidos de modo que ir no cinema esperando a reinvenção da roda, nesse caso específico, era um problema de julgamente do espectador, não do filme. Ao que tudo indica, gostando ou não, as pessoas compareceram no cinema para prestigiar o evendo idealizado pelo Stallone em número suficiente para garantir uma continuação e, 2 anos depois do lançamento original, chega as telas Os Mercenários 2.

Para quem não gostou do primeiro filme e quer saber se vale a pena ir no cinema dessa vez, já vou logo dizendo que é melhor ficar em casa. Os Mercenários 2 é aquele tipo de continuação cujo raciocínio é pegar tudo que agradou no original e tornar maior e mais exagerado. O roteiro, que novamente cumpre um papel secundário, mostra o grupo liderado por Barney Ross (Stallone) sendo enviado pelo misterioso Church (Bruce Willis) para uma missão. O que era para ser um trabalho relativamente fácil culmina na morte de um dos membros do grupo e então Barney e cia partem em busca de vingança. O vilão da vez, acreditem se quiserem, chama-se Villain (Jean-Claude Van Damme) e planeja utilizar um carregamento monstruoso de plutônio para ficar rico.

Pois bem, lá estava eu sentado naquela cadeira bizarra do Cinemark preparado para várias explosões, cenas de ação fantásticas e toda espécie de frase de efeito. Eis que o filme começa e, já na cena inicial, todas as minhas expectativas foram superadas. A cena de abertura de Os Mercenários 2 poderia ser usada como clímax de qualquer filme de ação tamanho é o exagero do que se vê na tela. Enquanto invade uma espécie de complexo militar para salvar um refém, o grupo de Barney derruba helicópteros (usando uma moto!), quebra paredes e utiliza todo o tipo de armas possíveis (revólveres, metralhadoras e lança mísseis) para literalmente explodir os bandidos. A censura de 16 anos que o longa recebeu justifica-se logo nos primeiros minutos quando o personagem do marombado Terry Crews atira na cabeça de um bandido e pode-se ver vários pedaços de carne voando, violência essa que pode ser apreciada em todas as cenas de ação até o final do filme.

Ele foi mordido por uma cobra e, 5 dias depois…

No geral, enquanto não estão matando ou explodindo coisas, os mercenários estão fazendo piadinhas uns com os outros que primam principalmente por referências aos filmes que os atores estrelaram durante suas carreiras. Os tais Chuck Norris Facts, por exemplo, garantem uma das melhores risadas que Os Mercenários 2 proporciona e são um indicativo de que esse não é um filme para se levar a sério. Não estou dizendo que isso torna qualquer coisa que vemos na tela aceitável (as maioria das piadas envolvendo o Jason Statham são ruins), mas há uma intenção clara de mostrar que tanto os atores quanto o filme têm consciência de suas limitações e do que eles representam para a história do cinema.

Quanto aos atores que juntaram-se ao elenco, devo dizer que adorei ver o Schwarzenegger em ação novamente. O cara tá velho e tal, mas poucos brutamontes são tão carismáticos com uma arma na mão quanto ele. O Chuck Norris, que ja era épico, faz coisas na tela que contribuem mais ainda para seu endeusamento. Liam Hemsworth destoa um pouco do resto do elenco bombado mas faz um bom sniper e, mesmo tendo sido encarregado de viver o vilão do filme, o Van Damme empolga com seus famosos chutes giratórios. As baixas ficam por conta do pouco tempo na tela dado para o Randy Couture e para o Jet Li e pelas cenas de ação pouco inspiradas que envolvem o Bruce Willis.

Os Mercenários 2 é um excelente testosterona total, um daqueles filmes onde tu, leitor na casa dos 20-30 anos, empolga-se tanto por ver seus heróis da infância na tela reunidos quanto por apreciar o espetáculo da destruição provocado por eles. Arrisco a dizer que o final do filme é fácil uma das cenas mais exageradas que eu já vi na vida, um tiroteio interminável dentro de um aeroporto que leva à uma batalha épica entre o Stallone e o Van Damme. Consciente daquilo que é e representa, o filme do diretor Simon West abraça a simplicidade e tem como resultado um épico de ação violento, engraçado e, sobretudo, honesto.

HELL YEAH!