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T2 Trainspotting (2017)

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Quase 20 dias sem postar e só posso pensar em 2 culpados:

  • Final Fantasy Brave Exvius: Estou completamente viciado nesse jogo da Square Enix. Maldito seja o infeliz que teve a ideia de reunir, numa mesma história, personagens de todos os games da série Final Fantasy. Comecei de leve, fazendo apenas as missões diárias, e hoje, cerca de um ano depois que instalei o aplicativo, estou acordando durante a madrugada para jogar e vendo itens do mesmo aparecerem na minha fatura de cartão de crédito. Droga!
  • Final de bimestre: Nas últimas duas semanas, eu precisei dedicar grande parte do meu tempo livre para elaborar/corrigir provas, atualizar diários e ouvir as muitas e comoventes histórias dos meus alunos que, pelos mais incríveis e inacreditáveis motivos, não conseguiram apresentar os trabalhos solicitados a tempo.

O cansaço físico e mental é grande, mas as férias estão chegando e, aos poucos, eu vou conseguindo encontrar tempo para voltar a assistir filmes e atualizar o blog com regularidade.

O último título que consegui ver, aliás, foi esse T2 Trainspotting, continuação do diretor inglês Danny Boyle para o icônico trabalho que o apresentou para o mundo em 1996. Boyle imaginou como estariam Renton (Ewan McGregor), Simon (Jonny Lee Miller), Spud (Ewen Bremner) e Begbie (Robert Carlyle) 20 anos após os eventos do primeiro filme e realizou uma sequência que, mesmo sem provocar o mesmo impacto do original, certamente agrada aos fãs do clássico pela nostalgia e pela atualização do discurso irônico e afiado contra os vícios da modernidade.

Depois de roubar os amigos e fugir com o dinheiro que eles haviam ganhado numa venda de drogas, Renton escolheu viver. Ele escolheu um serviço, uma família e, muito provavelmente, ele comprou uma televisão grande pra caralho. A felicidade, no entanto, não veio. O emprego não deu certo, a família acabou e a TV de muitas polegadas continuou exibindo os mesmos e velhos programas chatos de auditório. Foi aí que Renton resolveu largar tudo (ou o pouco que havia sobrado) e retornar para a Escócia para encontrar seus velhos amigos.

T2 Trainspotting faz esse movimento legal de mostrar um personagem que conseguiu o que queria (uma vida responsável, séria e estável longe das drogas), não gostou (ou não aproveitou bem a oportunidade) e então decidiu recorrer ao passado que ele havia negado como forma de recomeçar. É como se Renton tivesse largado um relacionamento ruim, começado outro e então tivesse sentido falta da ex. E voltar com ex, meus amigos, é aquele negócio: no começo pode até ser bom, pela familiaridade e tal, mas logo logo os problemas reaparecem e você lembra do porque havia terminado.

Renton queria rever Spud, saber o que o cara havia feito com a  grana que ele havia lhe deixado, mas o encontro acontece da pior forma possível. Numa daquelas coincidências pontuais do cinema, o personagem abre a porta de um apartamento velho e sujo bem no momento em que o amigo estava tentando suicidar-se. Renton salva Spud da morte, mas, em troca, ouve uma cacetada: “Você arruinou minha vida! Você deu 4.000 libras para um viciado! O que você pensou que eu fosse fazer?”. Não era bem o que ele esperava.

Renton queria rever Simon, mas ele sabia que não seria um encontro fácil. Na última vez que estiveram juntos, Renton deixou o amigo dormindo e fugiu levando o dinheiro que eles deveriam dividir. O reencontro acontece num velho pub, local que Simon herdou do pai e que agora ele toca para ganhar uns trocados. Conversa vai, conversa vem, Simon bate com um taco de sinuca nas costelas de Renton e inicia uma briga que destrói boa parte da mobília do bar. “16 mil libras! Seu ladrão desgraçado!”. Expurgado o ressentimento, os dois personagens reatam a amizade e voltam a fazer planos juntos, mas Simon revela para sua namorada, Veronika (Anjela Nedyalkova), que ele ainda pretende vingar-se de amigo.

Renton certamente não queria rever Begbie. Um cara que não acha difícil bater com uma caneca de cerveja no rosto de um estranho pode até ser útil em determinadas situações, mas definitivamente não é alguém pra você ter como inimigo. Renton roubou Begbie e foi indiretamente responsável por sua prisão (o cara quebrou um quarto de hotel inteiro quando ficou sabendo que fora passado para trás), logo ele sabia que era bom evitar o sujeito. Tal tarefa não parecia muito difícil, visto que o cara estava preso, mas, noutra dessas coincidências pontuais do cinema, a chegada de Renton na cidade coincide com a fuga de Begbie da prisão (e a cena em que isso acontece não deve nada para as antigas loucuras do personagem) e aí o acerto de contas passa a ser apenas uma questão de tempo.

Renton é o protagonista de T2 Trainspotting e o foco aqui, tal qual foi no primeiro filme, são as relações intensas porém efêmeras do personagem com seus amigos e com o meio em que eles vivem. Danny Boyle revisita o discurso “Choose Life” para atacar os novos vícios da sociedade (redes sociais, pornô, reality shows) e vale-se de uma edição audaciosa (adorei aquele ‘elevador’ artificial no prédio do Spud) e de uma trilha sonora onipresente para dar leveza e humor a um tema que é bastante sério. Talvez os três grandes momentos do filme sejam a cantoria no clube dos patriotas, a reedição da cena do “atropelamento” do Renton e o confronto final entre os personagens e Begbie, mas o que eu mais gostei foram os arcos da história que envolvem o Spud.

Desde o primeiro Trainspotting, o Spud era aquele cara engraçadão, doido e gente boa que todo mundo gosta mas que ninguém leva muito a sério. Me assustou, portanto, ver o cara tentando cometer suicídio no início desse filme. Ao escrever para a mulher antes de enfiar a cabeça dentro de um saco e asfixiar-se, Spud diz: “Eu sei que você e nosso filho estão em um mundo melhor sem todo o meu caos”. Caralho, caras. A personalidade expansiva e o jeito brincalhão do cara, no fim, revelaram-se disfarces para um vazio existencial que ele não suportou carregar. Quando Renton encontra-o e impede que ele se mate, Spud inicia um processo difícil de tentar canalizar o vício em drogas para outras atividades. Ele tenta correr, lutar boxe… tudo sem sucesso. Finalmente, quando parecia não haver mais esperanças, Spud encontra na escrita algo que ele gosta de fazer. E Spud começa a escrever sobre seu passado insano ao lado de Renton, Simon e Begbie e, para sua própria surpresa, ele vê que é bom no que faz. E é assim, canalizando suas energias e impulsos para algo produtivo e prazeroso, que o legalzão Spud começa a reencontrar seu caminho. Eu, que também tenho meus problemas, tenho jogado bastante. Pretendo voltar a escrever com regularidade também.

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Extermínio 2 (2007)

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Extermínio 2Antes do texto, permitam-me compartilhar duas coisas com vocês:

  1. Minha empolgação: QUE FILME FODA DO CARALHO!
  2. Minha frustração: Assisti Extermínio 2 antes de ontem. Esse texto era para ter saído ontem, no máximo, hoje a tarde, repleto daquelas palavras empolgadas típicas de alguém que ainda está sobre o efeito de algo que o agradou muito. O problema é que o sistema de post do blog simplesmente TRAVOU, eu não conseguia nem acrescentar textos novos nem editar os antigos. Passei toda a tarde de hoje pensando em teorias da conspiração, ataques de hackers e coisas do tipo. Verifiquei TODAS as configurações do blog. Nada. No final do dia, já disposto a desistir da WordPress, resolvi limpar o histórico de navegação e os cookies. Adivinhem o que aconteceu?

O primeiro Extermínio é um filme sensacional. Um vírus extramemente contagioso espalha-se por Londres sem maiores explicações e um sujeito acorda em um hospital 28 dias depois sem saber absolutamente nada do que aconteceu. Antes das respostas, uma multidão sem fim de zumbis e uma correria infernal. Mortes, mortes e mais mortes capturadas pela câmera esperta do Danny Boyle em um cenário de desespero e sobrevivência. Repetindo: sensacional. Cinco anos depois, o diretor Juan Carlos Fresnadillo (sob o olhar atento de Boyle, que produziu a sequência) retomou a história para nos contar o que aconteceu em terras britânicas 28 meses após a infecção original.

Corre, moço!

Corre, moço!

Don (Robert Carlyle, o eterno Begbie do Trainspotting) é um dos pouquíssimo sobreviventes da tragédia. Resumindo, o exército americano entrou na Inglaterra, limpou a bagunça toda e agora os ingleses estão aos retornando aos poucos para a capital de seu país para repovoarem o local. Naquela que ainda é considerada a única área totalmente livre de riscos de infecção, Don espera pelos filhos (que estavam na Espanha durante o ocorrido) em uma estação de trem. O abraço paterno não supre a falta da mãe (Catherine McCormack) e Don revela para os filhos o trágico destino que ela encontrou nas mãos (e muitos dentes) dos zumbis. Os dias passam, o soldado Doyle (Jeremy Renner) vigia entediado os topos dos prédios de Londres e uma pesquisadora do exército (Rose Byrne) questiona sem sucesso o fato de terem levado crianças para uma cidade que ainda encontrava-se ameaçada. É então que os dois filhos de Don tem a idéia de irem sozinhos até sua antiga casa. O que já seria algo idiota e imprudente em condições normais agrava-se pelo fato da casa ficar FORA da zona de segurança. Lá eles encontram uma surpresa e o início de um novo inferno para londrinos e americanos.

Não sei vocês, mas eu gosto de filmes de terror onde as coisas acontecem. Explico: em um roteiro Hollywoodiano “tradicional”, os protagonistas enfrentam aquilo que lhes ameaça durante a trama e sempre vencem no final. Um ou outro personagem secundário legal morre durante o processo para garantir a tensão e os machucados e enrascadas são livres, mas é praticamente uma obrigação o “bem” vencer o “mal” no fim e muito, muito raramente, crianças são enviadas para o além. Não sou sádico e nem misógino, mas também não sou burro, não gosto de ver milhares de soldados, policiais e homens sendo mortos por assassinos nesses filmes enquantos frágeis donzelas e tenros molecotes sempre escapam dos mesmo perigos. Em Extermínio 2, as “coisas” acontecem, e como acontecem!

Quem será o próximo?

Quem será o próximo?

O fato de eu não ter conseguido postar sobre o filme ontem, de certa forma, foi bom. Acreditem, eu colocaria um aviso de SPOILERS no começo do texto e comentaria TODAS as cenas de morte conduzidas por Fernadillo. Já que não é o caso, contentarei-me em dizer-lhes que, mesmo com todo o repertório de filmes de terror que eu julgo ter, fiquei impressionado com a crueza e violência de algumas passagens. O diretor aproveita bem o fato de estarmos condicionados a esperar sempre pelo melhor e nos garante várias surpresas ao longo do filme. O rosto vira para o lado, dá aquele frio na barriga e o choque é tão inevitável quanto as palmas para a coragem que Fernadillo teve de levar até as últimas consequências questões como sobrevivência e tensões familiares.

É difícil aceitar alguns pontos do roteiro, certas soluções encontradas por seus responsáveis chegam a serem simplórias. Dentre todas as casas do mundo, não dá para acreditar que o menino da cena inicial fosse bater logo naquela onde Don estava escondido. Também não dá para engolir que nenhum soldado estaria vigiando a sala que continha um risco potencial para todos. Esses detalhes, bobos, felizmente não comprometem e são citados apenas pelo exercício da análise cinematográfica. Extermínio 2 é bem sucedido na difícil tarefa de manter a qualidade de seu antecessor e, em certos pontos, chega até a superá-lo. Fica a dica certa de uma angustiante e excelente sessão e um conselho: de vez em quando, limpem o histórico de navegação, ok? rs

Entre outras coisas, ele também não lembrou dos cookies...

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