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Mulher Maravilha (2017)

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Após dividir opiniões com o tom sombrio adotado em O Homem de Aço e Batman vs Superman e ver o hiper colorido Esquadrão Suicida transformar-se em um dos maiores fiascos de 2016, o pessoal da DC certamente percebeu que não podia mais errar. Nisso, eles olharam para o lado, observaram o que a Marvel produziu nos últimos anos e decidiram tentar algo semelhante. Mulher Maravilha, filme da diretora Patty Jenkins concebido e produzido pelo onipresente Zack Snyder, traz todo o humor e ação que fizeram o Homem de Ferro e cia caírem nas graças do público. A aura mais “séria” da DC, no entanto, não foi completamente deixada de lado e continua presente graças à adição do atualíssimo tema do feminismo. O resultado dessa “mistura de fórmulas” é um filme legal, que diverte, faz pensar e que, acima de tudo, mostra o caminho que a DC pode e deve seguir daqui em diante.

Ninguém discorda que a participação da Mulher Maravilha (Gal Gadot) foi um dos pontos altos do Batman vs Superman, mas ao mesmo tempo ficou a sensação incômoda de que a personagem não rendeu tudo o que poderia render. A amazona foi fundamental para a vitória dos heróis sobre o Apocalypse, porém a falta de um longa anterior contando sua história transformou-a quase numa coadjuvante de luxo num universo em que ela é uma das principais protagonistas. Pensem aí: o que nos contaram da Diana antes de mostrarem-na saltando e golpeando ao som daquela música tribal legalzona? Que ela estava procurando uma foto? A real é que o Zack Snyder errou feio com a personagem (e, para quem acha que não é possível contar uma história bacana e apresentar muitos personagens ao mesmo tempo, basta ver o que a Marvel fez no Guerra Civil, que debutou simultaneamente gigantes como Homem Aranha e Pantera Negra).

Mulher Maravilha chega agora para contar a origem de Diana e explicar o contexto no qual aquela foto foi tirada. Ficou bom? Ficou bom demais, pena que não fizeram isso ANTES do Batman vs Superman. Se o filme da diretora Patty Jenkins preenche lacunas e responde questões anteriormente colocadas, ele pouco ou nada faz para preparar terreno para o próximo filme da DC, o aguardado Liga da Justiça (tanto que nem há cena pós-créditos). O acerto individual é inegável, mas, do ponto de vista cronológico, o Universo Estendido da DC continua estranho.

Feita esta ressalva, falemos dos muitos acertos de Mulher Maravilha. Tal qual O Homem de Aço, temos aqui um filme de origem, desses onde a história do/a personagem é explorada desde o início. Nisso, a diretora Patty Jenkins vale-se de sequências de animação e de cenas numa ilha paradisíaca para mostrar a infância de Diana, filha de Hippolyta (Connie Nielsen), uma amazona descendente do próprio Zeus que cresceu sem conhecer nenhum homem e foi treinada pela lendária guerreira Antiope (Robin Wright). Este começo, que é deveras rápido, revela-se fundamental para o funcionamento da trama: é aqui, nos diálogos entre a heroína e sua mãe, que a curiosidade, a determinação e a fé inabalável no amor da personagem ficam claros para o público. Vale destacar também a beleza onírica do cenário, que tanto faz a gente querer sair viajando por aí (as locações são italianas) quanto contrastam significativamente com os horrores da guerra que são mostrados em seguida.

O conflito começa quando, após uma briga com a mãe, Diana vê um avião cair próximo ao litoral da ilha. Naquela que talvez seja a cena mais bonita do filme (visualmente falando), a personagem salta de um penhasco e mergulha para resgatar o piloto Steve Trevor (Chris Pine) dos destroços. Tão logo salva a vida de Steve, Diana e as amazonas precisam lidar com um batalhão inteiro do exército alemão, que invade a ilha à procura do piloto. A primeira cena de ação de Mulher Maravilha é um espetáculo: mesmo que o uso excessivo do slow motion (estética visual que a diretora emula dos trabalhos do Snyder) acabe enjoando depois de um tempo, as lutas foram coreografadas para parecerem selvagens e brutais. Caem, junto com os corpos dos alemães (e o de uma importante personagem), os primeiros estereótipos: aqui, são as mulheres que salvam os homens e elas, ao contrário do que é levianamente dito, não tem nada de “sexo frágil”. Antiope bate igual uma campeã, caras.

O tema do feminismo é explorado em muitos pontos de Mulher Maravilha e a postura forte e independente de Diana certamente inspirará muitas mulheres a buscarem o próprio empoderamento. Como o debate é amplo, também não dá para desconsiderar a opinião de quem diz que, ao fazer da heroína uma mulher de corpo intangível e axilas depiladas, o filme foi superficial e até mesmo equivocado com as demandas atuais do feminismo. Independente da opinião que qualquer um possa ter sobre as questões abordadas, no entanto, não podemos abrir mão de pensar sobre elas, então deixo aqui a minha contribuição. Tão logo a batalha da praia encerra-se, Steve é interrogado pelas amazonas sobre o mundo exterior e a guerra. Quando tem oportunidade de ficar sozinha com o piloto, Diana interpela-o com uma série de perguntas que, em sua maioria, carregam algum tipo de conotação sexual. Achei particularmente interessante observar a reação do público do cinema nessa cena (e também naquela que acontece logo em seguida, num barco). Enquanto as mulheres riam o tempo todo, os homens ficavam visivelmente constrangidos. Por quê? Será que é porque o cinema costuma retratar somente o contrário (mulheres sexualizadas à serviço do humor)? Acredito que, mais do que revoltar-se quando Diana diz que “homens são necessários apenas para a reprodução”, vale a pena usar o desconforto causado por algumas cenas para repensarmos algumas atitudes e posturas.

Pelo tema da guerra, muitas pessoas apressaram-se em comparar Mulher Maravilha com o Capitão América. As semelhanças visuais são óbvias (apesar de estarmos falando de duas guerras diferentes), mas estruturalmente a trama lembra bem mais o primeiro Thor. Tão logo chega em Londres, Diana envolve-se em uma séries de situações cômicas tal qual o deus do trovão envolveu-se ao ser exilado na Terra por seu pai. Esse “meio” do filme é onde vemos com mais clareza a influência da Marvel sobre o trabalho da DC. O humor proveniente da inocência da Diana em cenas rápidas e leves como aquela da porta giratória é melhor do que tudo o que foi feito nesse sentido no Esquadrão Suicida (até hoje não acredito naquela ‘piada’ sobre apagar o histórico de busca) e é um indicativo de que a DC está no caminho certo.

Todo caso, trata-se de um filme de “super herói”, o que implica em cenas de ação grandiosas e confrontos contra vilões memoráveis. Antes de ficar cara a cara com seus antagonistas, Ludendorff (Danny Huston) e Dra. Maru (Elena Anaya), Diana (que, salvo engano, não é chamada em nenhum momento de Mulher Maravilha) enfrenta o perigo das trincheiras e luta contra um sniper nos escombros de uma cidade destruída. Fazendo uso de seu escudo, dos Braceletes Indestrutíveis, do Laço da Verdade e da Espada Matadora de Deuses, Diana toma a frente no campo de batalha e sobra sobre os soldados alemães. O que ela faz contra o sniper no campanário, aliás, é uma das maiores demonstrações de força bruta que se tem notícia em um filme de super herói.

É difícil imaginar ligações diretas entre Mulher Maravilha e o Liga da Justiça. Deveriam ter lançado este filme antes do Batman vs Superman e pronto. Como “consolação”, fica o fato de que, fora apontar um caminho, o trabalho da diretora Patty Jenkins começa, desenvolve-se e termina bem. A reviravolta do final, com o surgimento de um novo e inesperado vilão e a pancadaria brutal que segue-se é o exemplo que a DC ousa deixar para a Marvel: valorizem a luta final e façam o possível para tornarem-na épica e cheia de poderes, luzes e frases de efeito. Vencer uma guerra com amor? Gosto. Gal Gadot? Gosto também.

O Lobo do Deserto (2014)

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O Lobo do DesertoSeja bem-vindo, mês do Oscar! Ontem retomei o meu trabalho como professor na rede estadual e isso certamente fará com que eu diminua a frequência dos posts por aqui, mas devo dizer que estou muito feliz com o material que produzi durante as férias. Só no mês de janeiro, quando iniciei de fato a cobertura do Oscar, consegui assistir e resenhar 15 filmes, quantidade maior do que tudo que postei entre outubro e dezembro do ano passado. Nesses últimos dias, reencontrei minha paixão pelo cinema e pela escrita e, se tudo sair  como planejado, pretendo publicar pelo menos mais 9 textos até o próximo dia 28, data em que a Academia anunciará os vencedores de 2016.

Bem, como cada ano reserva alguma dificuldade para a realização deste trabalho, desta vez estou tendo problemas para ver as produções indicadas a Melhor Filme Estrangeiro. Vi o Cinco Graças ainda em 2015, mas o Krigen continua sem legenda e tanto O Abraço da Serpente quanto o Filho de Saul (sendo este último o favorito ao Oscar) continuam indisponíveis. Se agora estou escrevendo sobre esse O Lobo do Deserto, primeiro longa da história da Jordânia a concorrer a um prêmio da Academia, é porque topei ver um arquivo com a legenda em português sobreposta à original em árabe, tarefa sempre espinhosa que não foi exatamente recompensada pelo prazer de assistir o material. Por ora, porém, chega de lamentações e vamos ao filme 😀

Ambientado no Hejaz (região oeste da Arábia Saudita) durante a Primeira Guerra Mundial, a história mostra o rito de passagem do garoto Theeb (Jacir Eid Al-Hwietat) da infância para a fase adulta. Ele o irmão Hussein (Hussein Salameh Al-Sweilhiyeen), membros de uma família que trabalha guiando os peregrinos através das montanhas, são designados para acompanhar um oficial inglês até uma fonte no deserto. O grupo é alvo de uma emboscada e Theeb precisa lutar para salvar a própria vida.

O Lobo do Deserto - CenaO Lobo do Deserto é um desses trabalhos que não fazem concessões para o espectador. Ao que parece, o diretor e roteirista Naji Abu Nowar evita dar informações sobre o cenário para reforçar a visão inocente de Theeb sobre o mundo. “Hejaz” e o fato do “mundo estar em guerra”, por exemplo, só são mencionados uma vez. Piscou, perdeu. É claro que a gente sempre pode completar as lacunas com a nossa bagagem cultural/cinematográfica (a ambientação desértica, as mudanças trazidas pelas locomotivas e o personagem inglês remetem diretamente a guerra entre a Inglaterra e o Império Otomano mostradas no clássico Lawrence da Arábia), mas o foco aqui não é bem esse. Abu Nowar quer que a gente, tal qual uma criança de 8-10 anos, sente-se em uma roda de adultos e não entenda muito do que está sendo falado. Depois, o diretor quer que a gente saia em uma aventura onde entraremos em contato pela primeira vez com a maldade que habita o coração dos homens. Ele é bem sucedido nesses propósitos? Sim, não há dúvidas que Abu Nowar consegue capturar satisfatoriamente o processo de amadurecimento de Theeb, mas ainda assim devo dizer que não gostei do que vi.

O Lobo do Deserto - Cena 2Como eu disse no próprio texto do Lawrence da Arábia, não gosto de cenários desérticos. Obviamente, isto é uma preferência/preconceito meu, não um defeito do filme, mas é algo que sempre faço questão de mencionar para ser sincero com o leitor. Abu Nowar explora cada uma das características que associamos mentalmente àquele cenário, como o calor infernal, a falta d’àgua e a areia abundante, e o resultado é uma experiência visual tão inóspita que faz a gente ter vontade de tomar banho só de olhar para a tela. A emboscada sofrida por Theeb e seus companheiros acaba deixando alguns corpos espalhados pelo chão e o realismo proposto pelo diretor faz com que eles fiquem cheios de moscas. As moscas pousam na boca de Theeb. No calor do deserto. Ergh!

O Lobo do Deserto - Cena 4Sobre a tal emboscada, evento que muda radicalmente os rumos da história, Abu Nowar nos dá uma pequena amostra dos terrores da guerra em uma mini carnificina onde personagens importantes são abatidos. Theeb, que até então preocupara-se apenas como o misterioso conteúdo de uma caixa carregada pelo inglês, observa atônito a frieza com que os adultos tiram as vidas uns dos outros. Abu Nowar então coloca o menino em uma situação delicada onde ele passa a depender de um inimigo para sobreviver e é aí que o dito sobre vingança exibido no início do filme começa a fazer sentido.

É bem provável que a história represente alguma metáfora complexa sobre as relações conflituosas das nações do Oriente Médio. O close caprichado que o diretor dá no rosto de Theeb quando ele fala que “o forte come o fraco” denuncia a intenção de sintetizar a trama antes de seu clímax deveras previsível. Todo caso, realmente não gostei de O Lobo do Deserto: o roteiro é bom e a direção é impecável, mas alguns diálogos arrastados (principalmente no início) e a minha implicância com o cenário tornaram a sessão tediosa.

O Lobo do Deserto - Cena 3

Cavalcade (1933)

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CavalcadeQuase 2 meses após o Birdman levar a estatueta de Melhor Filme de 2015, retomo o meu projeto de conhecer todos os vencedores da principal categoria do Oscar. O longa de hoje é o Cavalcade, título que tem a menor nota no IMDB dentre todos as produções que venceram a disputa e que me rendeu uma sessão no mínimo “diferente”. Explico-lhes o porque após a sinopse.

Em 1899, a Inglaterra guerreava com a África do Sul no conflito que ficou conhecido como Guerra de Bôeres. Jane Marryot (Diana Wynyard) e Ellen Bridges (Una O’Connor), respectivamente patroa e empregada, veem seus esposos serem enviados para a frente de combate e aguardam ansiosas e apreensivas pelo regresso dos mesmos. Os laços de amizade entre as duas mulheres fortalecem-se na dor da ausência e na alegria do retorno, já que Robert Marryot (Clive Brook) e Alfred Bridges (Herbert Mundin) sobrevivem ao conflito e regressam sãos e salvos para casa. O início do século XX, no entanto, não traria apenas felicidades para os personagens, e é através dos olhos de Jane que vemos as tragédias pessoais e mundiais que marcaram a trajetória daquelas famílias.

Eu gosto de filmes antigos. Por eles apresentarem ideias de mundo e técnicas cinematográficas majoritariamente diferentes daquelas que podemos observar nos lançamentos, tendo a ter um certo “carinho” por eles. Essa afeição inclui uma curiosidade diferenciada para com o que será mostrado e, principalmente, compressão com as perdas que o tempo geralmente impõe à imagem e ao som. Cavalcade, porém, mostrou-se além dessa minha boa vontade e foi bem complicado de assistir.

Cavalcade - CenaNo que diz respeito a imagem e ao som, eu sei que devo associar a qualidade precária do que vi e ouvi ao arquivo mequetrefe de 700mb que baixei. Certamente um arquivo um pouco maior resolveria o problema do visual granulado e das vozes estouradas, mas nem por isso deixei de ficar assustado com a obscuridade do material. O filme começou, eu olhei para a minha esposa e, apesar de ela ter dito “preocupa não, dá para assistir”, o que eu realmente entendi na expressão dela foi “olha o tipo de furada que tu arrumou para fazermos hoje” rs Todo caso, passado esse estranhamento inicial, concentramo-nos na história com a esperança de que ela trouxesse algo cativante que compensasse as dificuldades da mídia mas não foi bem isso o que aconteceu.

Cavalcade - Cena 5É bem comum, quando comentamos filmes antigos, classificá-los como “datados” para justificarmos a nossa indiferença ou dizer que eles “envelheceram bem” quando apreciamos o que foi visto. Cavalcade está no primeiro grupo. Como o poster que ilustra essa resenha anuncia, trata-se de “um filme de uma geração” e, obviamente, não é da minha geração que eles estão falando. Baseado em uma peça teatral do escritor Reginald Berkeley, o diretor Frank Lloyd conduziu uma narrativa que resume em 1h50min alguns dos principais desastres, tragédias e eventos bélicos do início do século, como a já citada Guerra de Bôeres, o naufrágio do Titanic, a morta da Rainha Vitória e a Primeira Guerra Mundial. Ainda que o espectador carregue consigo o interesse histórico pelo período, a vivacidade do tema e a empatia que ele deve ter provocado no público da época é anacronicamente impossível de ser recuperada por um espectador atual. Resta, portanto, o desenrolar dos fatos e episódios que constituem a trama como atrativos, mas nisso Cavalcade é deveras sem graça.

Cavalcade - Cena 2Jane, a personagem principal, é uma mulher que, resumidamente, viveu uma vida desgraçada. Apesar de ela contar com o amor incansável de Robert, um homem que faz declarações apaixonadas mesmo após 10 anos de casamento, ela passa a trama toda sofrendo por alguma coisa. Primeiro é a ausência do marido, depois uma tragédia envolvendo o filho mais velho, preocupações com esposo alcoólatra da empregada e, por último, com a ida do caçula para a guerra e seu envolvimento com uma moça de origem humilde. É muita cara de choro, preocupações e sofrimento para um filme só. Cenas como a morte de um personagem que é atropelado por cavalos desgovernados até despertam um ou outro sentimento (gostei do contraste da brutalidade do atropelamento com a inocência da menina que dança no mesmo cenário), mas de resto as lamentações e constantes passagens de tempo são deveras cansativas.

Cavalcade - Cena 4Posto tudo isso, a minha experiência “diferente” com Cavalcade constituiu em abordá-lo por outra perspectiva. Som ruim, imagem péssima, eventos com os quais eu não tenho nenhuma ligação emocional, cenas de guerra mal feitas, lamúrias mil… Só rindo de tudo isso para não morrer de tédio, certo? Lá pela metade da trama, eu e minha esposa começamos a comentar e criticar os exageros dos personagens, rindo das esquisitices da Una O’Connor (uma boa atriz, diga-se de passagem) e das bebedeiras de seu marido. Um casal apaixonado faz promessas de amor infinitas a bordo do Titanic? Rimos também. Quinto vencedor do Oscar de Melhor Filme, Cavalcade não sobreviveu ao teste do tempo e só me divertiu quando comecei a vê-lo levando em consideração o humor negro involuntário de certas cenas, o que é pouco, muito pouco, para um filme premiado como a melhor produção cinematográfica de seu ano.

Cavalcade - Cena 3

Sem Novidade no Front (1930)

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Sem Novidade no FrontMeu bloguinho lindo, meu amor! Quanto tempo! Passaram-se 11 dias desde a última postagem e não há dúvidas de que, na procura por uma culpado, eu aponto um dedo acusador para a Squaresoft, hoje SquareEnix, e o seu sensacional Final Fantasy X Internacional. Eu, que há muitos anos não jogava videogame (a promessa da retomada nerd após o Detona Ralph não foi pra frente =/), consegui um Playstation 2 e comecei um novo jogo desse que é um dos último grandes RPG’s lançados. Quase 2 semanas após o New Game e muitas partidas de Blitzball e Overdrives depois, deixo Tidus e cia em segurança em uma Inn na barulhenta Thunder Plains para apresentar-lhes mais um vencedor do Oscar, um filme que, assim como o Final Fantasy X, tornou-se referência para quase tudo que foi produzido dentro do gênero posteriormente.

Em 1930, a sombra do Nazismo já havia começado a formar-se sobre a Europa (Hitler seria nomeado Primeiro-Ministro da Alemanha três anos depois) e uma nova guerra, novamente com os alemães sendo historicamente apontados como os vilões, armava-se como um segundo tempo inevitável do conflito ocorrido entre 1914 e 1918. Dentro desse contexto, não deixa de ser estranho, no mínimo curioso, que um filme baseado em um livro de um alemão (Eric Maria Remarque) e que mostra a Primeira Guerra sobre os olhos de um de seus conterrâneos não apenas fosse produzido em Hollywood naquele período como também ganhasse dois dos principais prêmios da Academia americana naquele ano (Melhor Filme e Melhor Diretor). Como conjecturar sobre os motivos políticos de uma escolha desse tipo seria tão divertido e útil quanto contar a quantidade de folhas da copa de uma árvore, sigo com a sinopse considerando que a premiação deveu-se somente a qualidade da obra, ok? He he he

Sem Novidade no Front - Cena 5

A Alemanha está em guerra, meus amigos! Nas ruas, os pelotões, compostos em sua maioria por adolescentes que mal haviam acabado de raspar o primeiro bigodinho, marcham orgulhosos e inocentes enquanto mães, namoradas e esposas choram antecipadamente a morte de seus homens. Nas escolas, professores aliam patriotismo e retórica para convencer os últimos indecisos a ingressarem e somarem forças no grande, ilustríssimo e heróico Exército Alemão. O discurso sobre lutar e morrer gloriosamente no campo de batalha pelo bem do país vende fácil e um passeio da câmera pela sala mostra vários rostos sonhadores, entre eles o de Paul (Lew Ayres), um sujeito que, de tão genério, poderia facilmente ser substituído por mim ou por você, leitor. Contra a vontade da mãe e com a sabedoria que esperamos dos mais jovens, Paul decide trocar o uniforme escolar pela farda para defender os interesses do imperador Guilherme II. Não que ele conhecesse esses interesses ou soubesse o que lhe aguardava nas trincheiras, mas nada disso importava desde que ele pudesse abandonar a escola, certo?

Sem Novidade no Front - Cena 2

Não tem jeito, terei que contar algumas folhas: é compreensível que Maria Remarque escreva um livro anti-guerra onde o povo alemão é retratado apenas como mais uma das vítimas da guerra. Paul, o genérico, que poderia ser eu ou você e que Remarque certamente vê como o exemplo do alemão “comum”, não pegou em armas por ser uma pessoa ruim ou por querer que seu país recebesse as zonas de influência que eram suas “por direito” no continente africano. Se Paul e as pessoas que ele representa guerrearam, foi devido a sua noção de dever cívico, patriotismo e, principalmente, pela manipulação dos intelectuais (aqui representados pelo professor falastrão) do país. Os alemães não são maus!, grita Remarque enquanto leva seu personagem através de um inferno terreno para provar que guerras não valem a pena e que os alemães, assim como todas as outras nações envolvidas, também sofreram com o conflito. Sim, é compreensível que o autor trabalhe no sentido de limpar o poleiro nacional dos dejetos de seus governantes, mesmo que, para isso, ele tenha que dizer o óbvio. Ou será que não é óbvio que o fato de uma nação ter pretensões imperialistas não faz de todos os seus cidadãos criaturas com garras, antenas e olhos vermelhos que comem criancinhas no café da manhã? O que não dá para entender é como um filme que de certa forma limpa a barra dos alemães na guerra foi produzido e premiado em solo americano naquele período, afinal de contas, americanos, principalmente donos de estúdio, são criaturas com garras, antenas e olhos vermelhos. Mas chega de contar folhas.

Sem Novidade no Front - Cena 4

Divididas as minhas dúvidas, compartilho também as minhas impressões: Sem Novidade no Front é um desses filmes que qualquer um assiste e percebe que está vendo algo que definiu um gênero. As peregrinações dos soldados através de terras estranhas, a vida miserável nas trincheiras, a frieza das batalhas que levam, uma a uma, as vidas dos amigos do personagem principal e, claro, o vazio existencial que este mesmo personagem enfrenta após o fim do conflito: Lewis Milestone, o diretor que ganhou o Oscar pelo trabalho realizado aqui, nos mostra com frescor todos desses cenários que nos anos seguintes tornariam-se lugares comuns dentro dos filmes de guerra. A produção gigantesca, com vários figurantes e cenários grandiosos, agrada pelo cuidado com os detalhes (os acampamentos estão muito legais) e, mesmo o filme já tendo soprado mais de oitenta velinhas, ainda impressiona pela qualidade e pela violência. Não há músicas nem piedade em Sem Novidade no Front: rodado antes da censura americana começar a tirar o potencial de vários de seus filmes, o longa mostra personagens sendo baleados e explodindo. Em uma cena marcante, um soldado evapora após o lançamento de uma granada e, quando a poeira baixa, vemos apenas suas mãos presas no arame farpado.

Sem Novidade no Front - Cena 3

Falando em cenas, termino esse texto comentando uma que realmente mexeu comigo. Lá pela metade do filme, Paul, que já havia tido todas as provas possíveis de que ir para a guerra não era uma coisa legal, encontra-se frente a frente com um soldado inimigo. Empurra daqui, esfaqueia dali e o personagem, vitorioso, vê-se preso, devido ao bombardeio constante, dentro de um buraco com o inimigo que ele acabara de vencer. Eles ficam lá muito tempo. O detalhe é que a facada não mata o sujeito na hora e Paul o vê agonizar durante várias horas. Arrependimento, tristeza e solidariedade são experimentados alternadamente pelo protagonista, que encontra, no bolso do uniforme do homem, uma foto de uma família que acabara de perder um pai. Tudo normal e sincero, afinal de contas Paul não estava ali para matar ninguém. O problema é que o tempo vai passando, o tiroteio não termina, a consciência do personagem vai pesando e, finalmente, ele passa a desejar que o sujeito morresse de uma vez e parasse de encará-lo. Em situações extremas, entende-se, a luta pela sobrevivência mostra-se mais forte do que qualquer bom sentimento que nós, alemães ou não, possamos ter. O final desolador, com uma borboleta sendo metaforicamente usada para resumir a idéia geral do filme de que a inocência provoca a morte nesse mundo cão, parece confirmar isso. Argh.

Sem Novidade no Front - Cena

Asas (1927)

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AsasO Oscar, prêmio máximo do cinema norte americano concedido anualmente pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, foi entregue pela primeira vez no ano de 1929 em uma cerimônia que considerou para a premiação os filmes realizados nos dois anos anteriores. A Lei dos Fortes, de 1928, e Sétimo Céu e Asas, de 1927, concorreram a estatueta de Melhor Filme, com a vitória desse último. Eu, que há um bom tempo planejo assistir todos os vencedores da categoria e não sou lá uma pessoa muito criativa, optei por “começar do começo” e assisti Asas, filme que me me surpreendeu bastante.

Considero natural o fato de resenhas sobre filmes clássicos costumeiramente apresentarem opiniões exageradas. Eu mesmo faço isso regularmente. A afinidade e a curiosidade para com material velho e, principalmente, a decepção com grande parte do que é produzido atualmente, tendem a nos fazer valorizar mais do que o necessário certos filmes antigos que, colocados dentro do contexto no qual eles foram produzidos (do qual poucos podem gabar-se de conhecer muitos títulos), poderiam tranquilamente serem classificados como medianos.  Consciente disso, comecei a ver Asas ciente de que ele era um vencedor do Oscar e que por isso deveria ter suas qualidades, mas confesso que esperava um filme “difícil” devido a distância temporal e tudo aquilo que pode ser relacionado a ela, como fotografia, câmeras e atuações diferentes do que estamos acostumados, fatores que geralmente afastam o público mais impaciente.  O que posso dizer, tomando o cuidado de não exagerar, é que Asas envelheceu muitíssimo bem e que sua sessão, mais do que formar repertório, é bastante divertida.

Asas - Cena 2

No ano de 1917, Jack Powell (Charles Rogers) e David Armstrong (Richard Arlen) são obrigados a deixarem a disputa pelo coração de uma garota de lado quando são convocados pela Força Aérea Americana para defender o país na Primeira Guerra Mundial. Após receberem o treinamento de voô, os dois embarcam para a França e lentamente a rivalidade entre eles dá lugar a uma bela amizade. Jack, que fica conhecido como Shooting Star devido as suas habilidades em combate, forma então uma parceria letal com David contra os alemães. Paralelamente, acompanhamos a história de Mary Preston (Clara Bow), mulher que Jack sempre considerara como amiga mas que, nutrindo uma paixão secreta por ele, alista-se para a guerra para ficar próxima de seu amado.

Como esperado, Asas é um filme mudo e em preto e branco. Aqui não há muito segredo, os diálogos (que são muitos comparados a outros filmes mudos que vi) aparecem entre as cenas em caixas de texto e a fotografia valoriza o contrastre entre claro e escuro para criar certos efeitos, como é o caso do pânico que a sombra de um bombardeiro alemão provoca nos soldados americanos e, em menor escala, no espectador. O que me surpreendeu positivamente foram as câmeras e a edição. Como dito, não conheço muitos títulos do período, mas os que vi me levaram a imaginá-los como produções majoritariamente estáticas, com câmeras fixas e poucos cortes. O diretor William A. Wellman não apenas nos joga para dentro das cenas, com câmeras que passeiam entre os atores, como nos fornece vários ângulos das incríveis lutas aéres que podem ser vistas ao longo das quase 2h30min do filme.

Charles Rogers e Clara Bow

Charles Rogers e Clara Bow

Estas batalhas, aliás, são o grande destaque do filme, mas o roteiro não fica muito atrás. Por mais que estejamos diante de uma simplificação do tipo mocinhos contra bandidos que visa a valorização do patriotismo, Asas agrada pelas reviravoltas de sua história (o final é deveras agoniante), pelas ótimas cenas de humor (borbulhas!) e por conter elementos que podem ser considerados transgressores para a época, como cenas de violência contendo sangue e um beijo entre dois homens, o primeiro da história do cinema segundo o IMDB.

O primeiro vencedor do Oscar de Melhor Filme também venceu o teste do tempo e hoje, 84 anos após ser premiado com a estatueta, ainda é capaz de entreter e emocionar quem se propuser a assistí-lo, o que já é bastante se considerarmos, por exemplo, que não podemos dizer o mesmo de um filmeco aí que também venceu a categoria há 16 anos. Pode clicar aqui e procurar no Google 😛

Asas - Cena 3

Reds (1981)

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Há poucos dias, recebi um folheto da Igreja Católica Apostólica Romana onde anunciavam o fim do mundo para 2012 e descreviam pormenores de todas as calamidades que enfrentaremos até lá, pérolas como o aumento do preço do petróleo (evento que eles chamam de a corrida do cavalo negro), queda de meteoros de pegasus e uma guerra entre o ocidente e o oriente, o qual será liderado pela união das forças russas e chinesas e tentará instalar o “terrível” comunismo no mundo todo. Risadas misturaram-se a sentimentos de revolta e indignação e, mais uma vez, pude confirmar o quanto a ignorância pode ser utilizada como instrumento de poder e alienação. Qualquer pessoa que tenha um mínimo de conhecimento sobre história sabe sobre os conflitos entre o comunismo e o catolicismo, mas os leigos (e na oportunidade eu fui “presenteado” com a opinião de alguns) associarão a palavra comunismo com algo essencialmente ruim e perpetuarão todos os absurdos  que são ditos a seu respeito.

Sim, o objetivo aqui é comentar o o filme, no caso o Reds dirigido e protagonizado pelo Warren Beatty, mas tal introdução fez-se necessária tanto pela necessidade de expor o absurdo (CORRIDA DO CAVALO NEGRO!) quanto para fazer um contra-ponto à forma que o filme aborda o comunismo, mais especificamente falando o socialismo soviético iniciado após a Revolução Russa de 1917. Reds conta a história de John Reed (Beatty), jornalista simpatizante de idéias revolucionárias e defensor das causas operárias  que, ao lado da esposa Louise Bryant (Diane Keaton), posiciona-se contra a entrada dos EUA na Primeira Guerra Mundial, presencia a Revolução Russa de Outubro e procura levar para o seu país a ideologia bolchevique. Autor do livro Dez Dias Que Chocaram o Mundo, Reed converteu-se em um dos principais nomes da militância socialista na América e até hoje é o único americano cujo corpo foi enterrado na Praça Vermelha do Kremlin.

Diane Keaton e Warren Beatty

Lançado em plena Guerra Fria, Reds me surpreendeu pela forma madura que o socialismo/comunismo é abordado. Se for para dar uma resposta simples, longe de todas as discussões complexas que o tema pede, eu diria que o filme posiciona-se contra a ideologia soviética. No decorrer do filme, Reed passa de um militante cheio de planos para mudar o mundo à um homem desiludido e decepcionado com o rumo dos acontecimentos. O socialismo real revela-se tão burocrático e violento quanto o capitalismo e Reed , inebriado pela causa que defende, distancia-se do povo, da família e de sua individualidade em nome da sensação sedutora de que ele é indispensável para aquele momento histórico. Além disso, o filme ainda usa a personagem da Diane Keaton para criticar a superficialidade e até mesmo a futilidade de algumas causas defendidas pelas mulheres (mas que extendem-se facilmente ao universo masculino) e, em menor escala, ao liberalismo e o anarquismo.

Tais críticas, no entanto, não são apresentadas unilateralmente, não tentam “endemoniar” algo ou alguém. Beatty usou toda sua influência em Hollywood para financiar um épico de mais de 3 horas onde ele pode defender um ponto sem abrir mão de mostrar o “outro lado”. Críticas contundentes são feitas ao autoritarismo americano e a intolerância e ignorância política de alguns de seus compatriotas. Reed não é endeusado nem massacrado. Sua rica e complexa trajetória é vasculhada através de depoimentos de pessoas que conviveram com ele, pessoas capazes de atestar sua força de vontade e inteligência mas que também lembram-se de um homem consumido pelo próprio ego.

Mais uma biografia sobre o jornalista do que um registro sobre a Revolução Russa, Reds triunfa ao oferecer um meio termo para os temas que aborda e mostra-se uma obra poderosa por dar elementos para que o espectador pense por si mesmo independente do caminho mostrado. O trabalho técnico é impecável e nomes como Jack Nicholson e Gene Hackman são belos atrativos. Ganhou 3 Oscars, entre eles o de melhor diretor para Beatty e é indicação certa para interessados em política e para quem sabe que, ao contrário do que se diz, comunistas não comem criancinhas no café da manhã.

Hellraiser 3 – Inferno na Terra (1992)

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Após levar Kirsty (Ashley Laurence) para uma voltinha no inferno no Hellraiser 2 – Renascido do Inferno, Clive Barker e o roteirista Peter Atkins resolveram trazer Pinhead para o nosso mundo em Hellraiser 3 – Inferno na Terra. As aparições particulares que os Cenobitas faziam para aquelas pessoas que resolviam a Configuração dos Lamentos em busca de prazeres extremos continuam, mas dessa vez temos Pinhead e cia ensandecidos atacando pessoas nas ruas e dentro de uma boate. Tal idéia poderia facilmente descaracterizar os personagens e o mundo criado para eles, mas o bom roteiro e a direção caprichada fizeram desse terceiro episódio da cine-série um filme tão bom quanto o primeiro.

Eis a história: Joey (Terry Farrell) é uma repórter que anseia pela chance de fazer uma grande reportagem. Sem muitas oportunidades na emissora onde trabalha, ela visita hospitais em busca de acidentes e mortes que possam gerar algum interesse no público. Em uma dessas visitas ela presencia um homem ser estraçalhado por ganchos cuja origem ninguém consegue explicar. Joey inicia uma investigação e chega até Terri (Paula Marshall), a ex-namorada do rapaz morto. Terri revela ter roubado a Configuração dos Lamentos de J.P. Monroe (Kevin Bernhardt), um homem frio e egoísta que acaba despertando Pinhead do Pilar das Almas. Livre, o Cenobita tenta a todo custo encontrar e destruir o cubo para que ele não possa mais ser preso.

A origem do Pinhead, que começou a ser explicada no Hellraiser 2, é um dos principais atrativos de Inferno na Terra. Oficial do exército inglês durante a Primeira Guerra Mundial, Elliot Spencer (Doug Bradley) acabou cedendo as tentações da Configuração dos Lamentos e tornou-se o líder dos Cenobitas. Quando foi vencido no segundo filme, Pinhead teve sua personalidade divida em duas: uma representando o ex-oficial e outra contendo a maldade vinda do cubo. É esse lado essencialmente mal de Pinhead que quebra as regras do inferno e invade o mundo em Inferno na Terra matando indiscriminadamente. Como eu disse, nunca passou pela minha cabeça ver Cenobitas andando pelas ruas e enfrentando policiais, mas ficou bacana dentro da proposta do filme.

Os Cenobitas, aliás, não são mais aqueles vistos nos primeiros filmes. Dessa vez temos um gordinho que gospe fogo, um com uma câmera na cabeça, a conversão de J.P.Monroe que possui uma máquina bizarra no crânio, uma mulher careca com as tradicionais roupas sado-masô e um que lança CD’s. Isso, CD’s. Quando Pinhead faz a carnificina na boate, ele acaba atacando um DJ com CD’s e cortando sua cabeça. Esse DJ converte-se em um Cenobita que lança CD’s assassinos, escorregada do filme rumo ao humor trash que poderia ter sido evitada. Não deixa de ser engraçado, mas quebra um pouco o clima do filme.

Preciso comentar também sobre a cena da igreja. Simulando a crucificação de Jesus Cristo e blasfemando a torto e a direito, Pinhead tem um de seus momentos mais marcantes na série quando finge estar pregado na cruz. Li aqui que, obviamente, os produtores tiveram dificuldade de obter autorização para gravar tal cena mas que o problema foi resolvido após uma conversa do diretor Anthony Hickox com membros da igreja onde ele disse que essa cena AFIRMAVA que Jesus Cristo existiu. Viva a persuasão Jedi!

Hellraiser 3 – Inferno na Terra é um ótimo filme de terror. Pelo que eu andei pesquisando, muitos afirmam sem medo que é o melhor filme da série assim como muita gente considera-o como o marco da queda de qualidade da história criada por Clive Barker. Daqui alguns dias eu vejo o 4 e opino a respeito.

Os Cenobitas do Inferno na Terra

Os Cenobitas de Inferno na Terra