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Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar (2017)

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Ao que tudo indica, após 14 anos e 5 filmes, a série Piratas do Caribe finalmente encontrou seu ponto final com A Vingança de Salazar. Da minha parte, Jack Sparrow (Johnny Depp) e cia não deixarão muita saudade. Sei que Hollywood tem várias franquias que já estão fazendo hora extra, mas sempre visualizo piratas tomando rum num cenário tropical quando penso numa história que passou da hora de acabar (Navegando em Águas Estranhas, o último filme lançado em 2011, foi pura enrolação). Coube a dupla de diretores noruegueses Joachim Rønning e Espen Sandberg a tarefa de conduzir este último capítulo, tarefa que eles realizaram com dignidade devido a experiências anteriores com filmagens marítimas, mas fica claro o tempo todo da projeção que não há mais nada para ser dito por aqui.

Eis o roteiro: Quando novo, Jack enfrentou e venceu o Capitão Salazar (Javier Bardem) em uma batalha marítima. Salazar desejava exterminar todos os piratas do mar mas não foi capaz de superar seu jovem adversário, que valeu-se de uma manobra arrojada para destruir a embarcação do Capitão espanhol e dizimar toda sua tripulação. Anos mais tarde, Salazar retorna do mundo dos mortos disposto a vingar-se de Jack, cuja única chance de fazer frente a seu adversário sobrenatural é encontrar o Tridente de Poseidon, um artefato mítico que, segundo a lenda, garante o controle dos mares para quem o possuir.

Tal qual sempre faço antes do lançamento de um novo filme de uma franquia, peguei todos os Piratas do Caribe para rever. Faço isso para recordar a história e os eventos que fatalmente serão citados na nova produção. Recentemente, por exemplo, revisitei todos os 7 Star Wars antes de ver o Rogue One e os 8 Harry Potter antes de ir assistir o Animais Fantásticos e Onde Habitam. Com o Piratas, eu não consegui passar do O Baú da Morte, que é o segundo numa lista de 4. Por que isso aconteceu? Eu até posso alegar falta de tempo, visto que ando numa correria danada, mas a real é que me faltou saco para ficar sentando 2h15min na frente da TV (que é a média de duração dos filmes da série) assistindo sequências intermináveis de ação e humor pastelão. Um filme assim? Ok. 5? Não, obrigado.

E foi assim, sem muitas lembranças da história, que eu entrei no cinema para ver A Vingança de Salazar. Sinceramente? Não senti muita diferença. De tudo o que foi mostrado, só fiquei perdido quanto ao fato do navio Pérola Negra estar dentro de uma garrafa (e o Wikipédia me ajudou a lembrar que isso aconteceu após uma batalha com o Barba Negra), de resto consegui acompanhar numa boa. Algumas histórias paralelas, como o arco em que o novato Henry Turner (Brenton Thwaites) tenta quebrar a maldição de seu pai (Orlando Bloom) e as cenas envolvendo o agora ricaço Capitão Barbossa (Geoffrey Rush), até exigem algum conhecimento prévio da trama, mas nada que deixe o filme incompreensível para quem estiver tendo aqui o seu primeiro contato com os piratas. Essa “leveza” do roteiro pode até ser perfeita para o o chamado público ocasional, pessoas que vão ao cinema em busca de entretenimento rápido e simples, mas torna-se insustentável e insuficiente para quem acompanhou a série desde o início.

Jack Sparrow, que não mudou praticamente nada desde que deu as caras em 2003 no ótimo A Maldição da Pérola Negra, continua enchendo a cara de rum, paquerando as mulheres alheias e correndo daqui e dali realizando façanhas aparentemente impossíveis. A abertura de A Vingança de Salazar, aquela cena do roubo do cofre, condensa todos esses elementos e apresenta novos personagens para o público, Henry e Carina Smyth (Kaya Scodelario), dupla que reedita sem muita criatividade o que outrora foi feito por Will e Elizabeth Swann (Keira Knightley). Trata-se de um correria infernal repleta de efeitos especiais e de artifícios cômicos, mas tão logo a cena termina a gente já esquece de praticamente tudo o que aconteceu. Vi o filme domingo. Lembro que Jack e sua tripulação estavam tentando roubar um cofre, mas tenho dificuldades para falar sobre detalhes do ocorrido. Como ainda não fui diagnostico com Alzheimer, fico inclinado a pensar que a confusão visual típica da série (e dos blockbusters no geral), apesar de divertida, é bastante descartável.

As coisas melhoram um pouco nas gigantescas batalhas de navio. Antes de encontrar sua inevitável derrota, Salazar realiza um estrago considerável na frota inglesa e nas embarcações do Barbossa, cenas estas que ganham um tom sombrio graças à trilha sonora forte e à hábil condução dos diretores. Também vejo qualidade nas atuações do Geoffrey Rush e do Javier Bardem e, mesmo considerando que o Jack Sparrow acabou transformando-se numa paródia de si mesmo, continuo gostando do trabalho do Johnny Depp, mas, no geral, Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar é bastante repetitivo e frustrante. Torço para que aquele final piegas seja realmente o último ato da série e para que, por mais lucrativo que seja, a Disney não invente uma nova desculpa para trazer Jack e cia de volta.

O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos (2014)

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O Hobbit - A Batalha dos Cinco ExércitosVejo SPOILERS nesse texto. Com que frequência? Praticamente o tempo todo.

Eis o lançamento mais aguardado do ano, o filme que esperei com um misto de empolgação, ansiedade, alegria e tristeza. Por um lado, é ruim ver que a adaptação cinematográfica da obra do Tolkien chegou ao fim. Sim, futuramente ainda pode rolar uma versão do complexo Silmarillion mas, por hora, o que presenciamos é o último suspiro da saga da Terra Média nos cinemas (e que Sauron, senhor absoluto de tudo que é escuro e profano, nos livre de qualquer tipo de remake). Por outro lado, após acompanhar o início da aventura em Uma Jornada Inesperada e vê-la desenvolver-se em A Desolação de Smaug, finalmente chegou a hora de saber como o Peter Jackson finalizaria a história e a ligaria a trilogia do O Senhor dos Anéis. A expectativa por essas conexões (Aparecerão personagens conhecidos? Como serão os diálogos?) e a vontade de ver a batalha pelo tesouro de Erebor ganhar vida através das mãos talentosas do diretor, no final das contas, foram tão grandes que acabaram eclipsando qualquer sentimento negativo de modo que a minha única preocupação quando sentei na poltrona do cinema e coloquei meu óculos 3D era divertir-me o máximo possível. A dobradinha Tolkien/P. Jackson, de certa forma, tornou-se a minha própria Arkenstone e nada, absolutamente NADA, poderia impedir-me de possuí-la e apreciá-la uma última vez. A não ser, é claro, que fizessem um filme ruim com efeitos especiais toscos e subtramas inúteis que não respeitasse a obra original. Mas isso, é claro, estava fora de cogitação, certo?

Na última cena de A Desolação de Smaug, Vossa Magneficência escapou da emboscada armada por Thorin (Richard Armitage), Bilbo (Martin Freeman) e os anões e voou rumo a Cidade do Lago disposto a destruir tudo e todos. A Batalha dos Cinco Exércitos, que havia sido anunciado anteriormente com o título de Lá e de Volta Outra Vez, mostra os esforços de Bard (Luke Evans) para evitar que a cidade seja consumida pelas chamas de Smaug (voz do Benedict Cumberbatch) e a posterior batalha entre os povos da Terra Média que é travada nos portões da recém reconquistada Erebor.

O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos - CenaDevido a qualidade do material que foi apresentado nos dois filmes anteriores, acabei rendendo-me a decisão do Jackson e sua equipe de dividirem o deveras curto livro escrito pelo Tolkien em três longas. Acho o Uma Jornada Inesperada irrepreensível do começo ao fim e no A Desolação de Smaug eu só tornaria mais curta a parte que passa-se entre a fuga da Floresta Negra e a chegada da comitiva dos anões em Erebor. Ok, sabemos que essa divisão visou principalmente o lado financeiro, mas, como até aqui o resultado artístico foi bom, não havia porque desconfiar que eles também não conseguiriam êxito na conclusão da saga. Quanto mais, melhor, certo?

Bem, infelizmente, não foi o caso. Por mais doloroso que seja reconhecer isso, pela primeira vez senti-me lesado pela franquia. Olhando agora para a obra como um todo, fico tentado a dizer que a maioria dos problemas de A Batalha dos Cinco Exércitos seriam sanados caso tivessem produzido apenas dois longas, mas isso não é lá muita verdade. Por mais que esse filme seja baseado em apenas um único capítulo do livro, podemos dizer que havia material suficiente para ser trabalhado aqui e que o que estragou tudo foi a condução estranhamente desastrosa do diretor.

O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos - Cena 2Evito fazer comentários de natureza técnica tanto porque os acho enfadonhos quanto porque não julgo possuir conhecimento suficiente para tal. No entanto, vez ou outra, vejo algo que é tão bom ou tão ruim nesse sentido que simplesmente não dá para deixar de comentar. Foi muito alardeado o fato dessa trilogia ter sido rodada em 48fps (frames por segundo), o que, de forma tão leiga quando informativa, quer dizer que há uma maior definição da imagem. Até agora eu não havia dado muita importância para isso, mas é impossível não notar o quanto essa tecnologia praticamente destruiu toda a sequência inicial de A Batalha. Tauriel (Evangeline Lilly) e Bard movimentam-se pela cidade em chamas enquanto Smaug sobrevoa o local e tudo parece extremamente falso. Além dos cenários feitos em computação gráfica não casarem com a imagem em alta definição dos atores, a própria velocidade da cena parece estar errada. Sabe quando a gente aperta o botão de Fast Forward do controle remoto no x1? Cético diante de um erro tão grosseiro, cheguei a pensar que isso pudesse ser fruto de um defeito da cópia exibida pelo cinema mas, como um amigo também viu o filme e me relatou o mesmo problema, só me resta acreditar que presenciei uma dessas aberrações cinematográficas que eu nunca sonhei em atribuir ao Jackson, que sem dúvidas é um desbravador da área.

O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos - Cena 6Todo caso, isso ainda não seria o suficiente para me fazer achar o filme ruim, então vamos ao que de fato incomoda. O Hobbit, obviamente, é sobre o Bilbo, mas é inegável que tanto o livro quanto os filmes, até aqui, também são muito sobre a comitiva de anões comandada por Thorin. Leitores, o quão triste é perceber o papel secundário ao qual nossos amigos baixinhos foram relegados! Arcos de história bobos, inúteis e desprezíveis como o romance entre Tauriel e Kili (Aidan Turner) e as cenas “cômicas” (se eu pudesse, colocaria mil aspas nesse ‘cômicas’ aí) do tal Alfrid consomem o tempo que poderia e deveria ser dedicado aos anões. Se é horroroso que alguns deles não possuam um diálogo sequer, é imperdoável a forma como trataram a mudança de personalidade de Thorin. Aquele “devaneio dourado” pelo qual ele passa antes de recobrar a consciência, além de esteticamente feio, é uma resposta medíocre e acelerada para a tal “febre do dragão” que ele vinha desenvolvendo desde o filme passado.

O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos - Cena 4É notório também o exagero em cima do personagem Legolas (Orlando Bloom), tanto no tempo que ele recebe na tela quando em suas peripécias. Quem leu O Senhor dos Anéis sabe que o elfo passa longe de ser aquele assassino acrobata infalível mostrado no O Retorno do Rei, mas, verdade seja dita, as cenas dele funcionam e são muito legais. Aqui, além de ele soar forçado devido a praticamente tudo que ele faz não constar no livro original (a Tauriel, vale lembrar, é criação dos roteiristas), colocaram-no em cenas tão, mas tão absurdas (sim, se você viu o filme, refiro-me aquela caminhada sobre a ponte que está desmoronando) que o que antes era legal ficou risível, bobo. A impressão que eu tive é que o Jackson agarrou-se no Legolas como uma das principais ligações com a trilogia anterior e, nisso, deixou de aproveitar bons personagens dessa, como o Bombur (Stephen Hunter), que no A Desolação de Smaug também provocou uma destruição divertida e épica e aqui praticamente não apareceu.

O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos - Cena 7 Ainda sobre essas conexões, faço uma pausa nas críticas para babar a intervenção do Conselho Branco em Dol Guldur. Gandalf (Ian McKellen), que havia sido preso na antiga fortaleza de Sauron no longa anterior, é resgatado por Saruman (Christopher Lee), Elrond (Hugo Weaving) e Galadriel (Cate Blanchett) naquela que é a melhor sequência do filme. Aqui tudo ficou perfeito: o destaque dado a cada um dos personagens (ver o mago branco combatendo foi sensacional), os efeitos especiais (curti demais o visual dos espectros) e os elos com O Senhor dos Anéis.

É uma pena, porém, que tal cena esteja perdida no meio de um festival de equívocos. Destaquei os efeitos especiais e o foco da trama como pontos baixos, mas nada supera a decepção do clímax que nunca acontece. Achei os confrontos entre os exércitos pouco inspirados, repetições baratas do que já havia sido feito no O Retorno do Rei, mas o que mais chateia mesmo é a falta cenas emocionantes após a batalha. As quedas de Kili, Fili (Dean O’Gorman) e, principalmente, de Thorin não são sentidas o suficiente pelos personagens (comparem as poucas lágrimas de Tauriel e Bilbo a completa desolação que acontece após a queda de Gandalf em Moria ou a morte trágica do Boromir), a despedida de Bilbo e os anões é, sem dúvida alguma, uma das piores cenas de todos os seis filmes da franquia e o retorno do hobbit para o Condado não tem absolutamente nada de emocionante tal qual foi a do Frodo e do Sam. Já vi pessoas brincando que O Retorno do Rei acaba umas cinco vezes antes de acabar mesmo, mas isso é legal porque cada um dos personagens recebe a devida atenção. A Batalha dos Cinco Exércitos não termina, não possui um clímax para chamar de seu: no lugar produzir uma nova cena memorável, Peter Jackson optou por repetir o início do A Sociedade do Anel para ligar as duas trilogias. Sinceramente? Decepcionante.

O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos - Cena 3Ainda que pese o fato de todas as pressões que os diretores sofrem para que seus filmes encaixem-se dentro de padrões mais palatáveis para o público ocasional e que eu seja um grande fã tanto da franquia quanto do trabalho do Peter, não posso fingir que não vi essa avalanche de erros: sou apaixonado pelo universo do Tolkien, portanto a minha reação não pode ser nada menos do que passional. A Batalha dos Cinco Exércitos não é um filme ruim, mas, quando comparado aos outros longas da série, ele é fácil o mais fraco de todos, o que menos recompensa quem conhece minimamente o que está sendo reproduzido ali.

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O Hobbit: A Desolação de Smaug (2013)

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O Hobbit - A Desolação de SmaugA minha preparação para a estréia de A Desolação de Smaug incluiu reservar uma tarde para ir até um dos shoppings locais comprar os ingressos com antecedência, ver a versão estendida do Uma Jornada Inesperada (que inclui, entre outras coisas, uma algazarra épica em Valfenda, com os anões tomando banho e batendo com toalhas na bunda uns dos outros rs) e reler minhas impressões sobre o primeiro dos três filmes planejados pelo Peter Jackson para dar vida a obra do Tolkien. Refeito o elo com a Terra Média, compareci no cinema no dia 13 (esta resenha sai com um atraso considerável) ansioso para ver o que Bilbo (Martin Freeman), Thorin (Richard Armitage), Gandalf (Ian McKellen) e os anões fizeram após escaparem das garras do Azog, o Profano.

 É consenso, dentre as poucas pessoas que conheço que não gostaram de Um Jornada Inesperada, que o filme “demora para engrenar”. Não concordo com elas (e os motivos podem ser lidos no link acima) mas é visível que Peter Jackson e sua equipe procuraram imprimir um ritmo mais acelerado em A Desolação de Smaug. A ajuda das águias, como vemos logo no início frenético, não livrou completamente Bilbo e seus amigos da perseguição de Azog. Montado em seu feroz warg branco, o orc seguiu o rastro da companhia até as proximidades da Floresta Negra, onde o troca-pele Beorn, em sua assustadora forma de urso, afugentou-o novamente. Livres temporariamente de seu perseguidor, Bilbo e cia iniciam a travessia do lar dos Elfos Negros, caminho mais curto, mas também mais perigoso, para os portões de Erebor.

Resumidamente, as minhas lembranças sobre O Hobbit, o livro, eram:

  • Os Trolls transformando-se em pedra com a luz do dia
  • A disputa de adivinhas entre Sméagol e Bilbo
  • As aranhas e os elfos da Floresta Negra
  • Smaug despertando enquanto Bilbo procurava pela Arkenstone
  • A Batalha dos Cinco Exércitos

THE HOBBIT: DESOLATION OF SMAUGOs dois primeiros pontos foram explorados em Uma Jornada Inesperada, A Desolação de Smaug dá conta muitíssimo bem do terceiro e do quarto e o próximo e último longa, Lá e de Volta Outra Vez, encerrará a trilogia com o quebra-pau épico entre os povos da Terra Média pelo tesouro de Erebor. Eu, que fui um dos que estranharam e criticaram a decisão de dividir o livro em três longas, rendo-me diante da criatividade do Peter Jackson e sua equipe. Ainda que claramente essa divisão não tenha sido tomada visando apenas o valor artístico do produto final, o que é oferecido é nada menos do que sensacional. Mesmo se levarmos em consideração que muitas das cenas desse filme pudessem ter sido suprimidas para reduzir o tempo de projeção (cerca de 2h40min) ou para permitir que o restante da história fosse contada aqui, é difícil não reconhecer que o tempo extra gasto com o desenvolvimento dos personagens, especialmente aquele investido nos anões e seus costumes excêntricos, não seja um dos grandes trunfos da produção. Kili (Aidan Turner) e Bombur (Stephen Hunter), responsáveis respectivamente pelos núcleos dramático e humorístico, são grandes exemplos disso. Não fossem os pequenos diálogos e cenas banais envolvendo os mesmos introduzidos ao longo da história, dificilmente daríamos o mesmo valor a arcos da história como a paixonite de Kili pela elfa Tauriel (Evangeline Lilly) ou ao estilo ensandecido de luta de Bombur.

O Hobbit - A Desolação de Smaug - Cena 3Quando concentra-se nos pontos da história que conquistaram os fãs do livro, Jackson também não poupa esforços para tornar tudo ainda maior e mais épico do que aquilo que fora relatado por Tolkien. Duvido que o autor reprovasse, por exemplo, a caracterização sombria e claustrofóbica que o diretor criou para a Floresta Negra. Enquanto as aranhas aguardam pacientemente que as forças dos membros da companhia esvaiam-se diante das muitas armadilhas que o local guarda, Jackson também confunde a cabeça do espectador com câmeras que rotacionam constantemente ao redor dos personagens e uma edição inteligente que vai deixando as imagens cada vez mais psicodélicas, o que provoca um certeiro efeito de tontura e pânico. Após a passagem pelo reino de Thranduil (Lee Pace), outro lugar que destaca-se pela cenário impecável, cheio de detalhes, o cenário da floresta ainda rende aquela que talvez seja uma das cenas de ação mais divertidas dos últimos anos: em um plano sequência impressionante, os anões usam barris e uma corredeira para escaparem da prisão élfica enquanto Legolas (Orlando Bloom) surge, para delírio de todos, tão ou mais “apelão” do que havíamos visto na trilogia O Senhor dos Anéis. Para dizer pouco, a precisão e a habilidade do personagem em pular e atirar aqui colocam no chinelo outro momento épico dele, a inesquecível derrubada do elefante no clímax do O Retorno do Rei.

O Hobbit - A Desolação de Smaug - Cena 4Tendo deixado a floresta para trás e resolvido alguns problemas na Cidade dos Lagos, Bilbo e seus amigos chegam finalmente na Montanha Solitária, o que, em outras palavras, significa que finalmente veremos o Smaug em ação. Lembro-me que, quando O Hobbit ainda estava na pré-produção, alguém (sinceramente não lembro se foi o Peter Jackson ou o Guillermo del Toro, que na ocasião ainda era o diretor) disse que os efeitos especiais que seriam usados para darem vida ao dragão estabeleceriam novos padrões para a computação gráfica aplicada ao cinema. Uma declaração desse peso, somada a expectativa de ver na tela Vossa Magneficência, o primeiro e único destruidor, transformam a entrada no salão dos anões em um momento especialmente tenso, daqueles que tu prende a respiração e, tal qual o Bilbo, tenta não fazer um barulho sequer. O hobbit vai descendo, examinando alguns artefatos à procura da Arkenstone, até que um olho abre-se, uma narina expele ar quente e uma quantidade colossal de peças de ouro move-se para revelar o guardião do tesouro. Dublado pelo hypado Benedict Cumberbatch, Smaug surge na tela tão ou mais gigantesco e amedrontador do que eu havia imaginado quando li o livro. Bilbo, que é descoberto de imediato pelo dragão, até tenta ganhar a confiança de seu inimigo bajulando-o e fazendo uma ou outra gracinha, mas o clima nessa cena é digno de filmes de terror. Se os efeitos utilizados aqui representam ou não algum avanço na computação gráfica eu não sei, mas é fato que eles são excelentes e que, juntos com a interpretação magnífica do Martin Freeman, que interage perfeitamente com o CGI, nos fazem ACREDITAR que o que vemos é real.

O Hobbit - A Desolação de Smaug - CenaA Desolação de Smaug, ainda que possua quase 3 horas, passa bem mais rápido do que seu antecessor. Livre da necessidade de contextualizar certos eventos e apresentar personagens, Peter Jackson transformou essa sequência em um filme dinâmico, repleto de cenas de ação inesquecíveis e diálogos que preparam o público tanto para a batalha que será mostrada em Lá e de Volta Outra Vez quanto para a história que já conhecemos nas trilogia O Senhor dos Anéis. Temos aqui mais uma obra prima do cinema de fantasia contemporâneo, um filme que PRECISA ser visto no cinema, com toda a quantidade de recursos de som e imagem possíveis, por ser, infelizmente (sim, já estou lamentando) uma das nossas últimas portas de entrada para a Terra Média.

O Hobbit - A Desolação de Smaug - Cena 5