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Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar (2017)

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Ao que tudo indica, após 14 anos e 5 filmes, a série Piratas do Caribe finalmente encontrou seu ponto final com A Vingança de Salazar. Da minha parte, Jack Sparrow (Johnny Depp) e cia não deixarão muita saudade. Sei que Hollywood tem várias franquias que já estão fazendo hora extra, mas sempre visualizo piratas tomando rum num cenário tropical quando penso numa história que passou da hora de acabar (Navegando em Águas Estranhas, o último filme lançado em 2011, foi pura enrolação). Coube a dupla de diretores noruegueses Joachim Rønning e Espen Sandberg a tarefa de conduzir este último capítulo, tarefa que eles realizaram com dignidade devido a experiências anteriores com filmagens marítimas, mas fica claro o tempo todo da projeção que não há mais nada para ser dito por aqui.

Eis o roteiro: Quando novo, Jack enfrentou e venceu o Capitão Salazar (Javier Bardem) em uma batalha marítima. Salazar desejava exterminar todos os piratas do mar mas não foi capaz de superar seu jovem adversário, que valeu-se de uma manobra arrojada para destruir a embarcação do Capitão espanhol e dizimar toda sua tripulação. Anos mais tarde, Salazar retorna do mundo dos mortos disposto a vingar-se de Jack, cuja única chance de fazer frente a seu adversário sobrenatural é encontrar o Tridente de Poseidon, um artefato mítico que, segundo a lenda, garante o controle dos mares para quem o possuir.

Tal qual sempre faço antes do lançamento de um novo filme de uma franquia, peguei todos os Piratas do Caribe para rever. Faço isso para recordar a história e os eventos que fatalmente serão citados na nova produção. Recentemente, por exemplo, revisitei todos os 7 Star Wars antes de ver o Rogue One e os 8 Harry Potter antes de ir assistir o Animais Fantásticos e Onde Habitam. Com o Piratas, eu não consegui passar do O Baú da Morte, que é o segundo numa lista de 4. Por que isso aconteceu? Eu até posso alegar falta de tempo, visto que ando numa correria danada, mas a real é que me faltou saco para ficar sentando 2h15min na frente da TV (que é a média de duração dos filmes da série) assistindo sequências intermináveis de ação e humor pastelão. Um filme assim? Ok. 5? Não, obrigado.

E foi assim, sem muitas lembranças da história, que eu entrei no cinema para ver A Vingança de Salazar. Sinceramente? Não senti muita diferença. De tudo o que foi mostrado, só fiquei perdido quanto ao fato do navio Pérola Negra estar dentro de uma garrafa (e o Wikipédia me ajudou a lembrar que isso aconteceu após uma batalha com o Barba Negra), de resto consegui acompanhar numa boa. Algumas histórias paralelas, como o arco em que o novato Henry Turner (Brenton Thwaites) tenta quebrar a maldição de seu pai (Orlando Bloom) e as cenas envolvendo o agora ricaço Capitão Barbossa (Geoffrey Rush), até exigem algum conhecimento prévio da trama, mas nada que deixe o filme incompreensível para quem estiver tendo aqui o seu primeiro contato com os piratas. Essa “leveza” do roteiro pode até ser perfeita para o o chamado público ocasional, pessoas que vão ao cinema em busca de entretenimento rápido e simples, mas torna-se insustentável e insuficiente para quem acompanhou a série desde o início.

Jack Sparrow, que não mudou praticamente nada desde que deu as caras em 2003 no ótimo A Maldição da Pérola Negra, continua enchendo a cara de rum, paquerando as mulheres alheias e correndo daqui e dali realizando façanhas aparentemente impossíveis. A abertura de A Vingança de Salazar, aquela cena do roubo do cofre, condensa todos esses elementos e apresenta novos personagens para o público, Henry e Carina Smyth (Kaya Scodelario), dupla que reedita sem muita criatividade o que outrora foi feito por Will e Elizabeth Swann (Keira Knightley). Trata-se de um correria infernal repleta de efeitos especiais e de artifícios cômicos, mas tão logo a cena termina a gente já esquece de praticamente tudo o que aconteceu. Vi o filme domingo. Lembro que Jack e sua tripulação estavam tentando roubar um cofre, mas tenho dificuldades para falar sobre detalhes do ocorrido. Como ainda não fui diagnostico com Alzheimer, fico inclinado a pensar que a confusão visual típica da série (e dos blockbusters no geral), apesar de divertida, é bastante descartável.

As coisas melhoram um pouco nas gigantescas batalhas de navio. Antes de encontrar sua inevitável derrota, Salazar realiza um estrago considerável na frota inglesa e nas embarcações do Barbossa, cenas estas que ganham um tom sombrio graças à trilha sonora forte e à hábil condução dos diretores. Também vejo qualidade nas atuações do Geoffrey Rush e do Javier Bardem e, mesmo considerando que o Jack Sparrow acabou transformando-se numa paródia de si mesmo, continuo gostando do trabalho do Johnny Depp, mas, no geral, Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar é bastante repetitivo e frustrante. Torço para que aquele final piegas seja realmente o último ato da série e para que, por mais lucrativo que seja, a Disney não invente uma nova desculpa para trazer Jack e cia de volta.

Animais Fantásticos e Onde Habitam (2016)

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animais-fantasticos-e-onde-vivem Nos 2 meses que antecederam a estreia de Animais Fantásticos e Onde Habitam, revi todos os 8 filmes da série Harry Potter. Não me considero um fã hardcore da franquia (nunca li nada escrito pela J. K. Rowling), mas eu queria relembrar a trama visto que, conforme anunciaram, este lançamento seria ambientado no mesmo universo de bruxos e magia em que Harry e Voldemort duelaram.

Completada a maratona (o As Relíquias da Morte – Parte 1 continua sendo um dos meus soníferos favoritos), acessei o site do cinema para comprar ingressos para a pré-estreia, que ocorreria numa sessão durante a madrugada. Foi aí que as coisas começaram a dar errado. Tal qual um velho gaga, eu confundi a data da sessão e, por muito pouco, não gastei dinheiro à toa e perdi a viagem até o shopping. Fiquei meio chateado com isso. Antigamente, eu não costumava fazer esse tipo de confusão.

Todo caso, escolhi uma data posterior, comprei os ingressos e, chegado o dia, saí de casa 1h30min antes do horário marcado para o início da sessão. Foi aí que começou a chover. Detalhe: eu estava de moto. No prazo de uns 3 minutos, eu e minha esposa ficamos completamente encharcados e, para não piorar a situação, entramos no estacionamento de um supermercado com a esperança de que a chuva parasse. Cerca de uma hora depois, ainda molhados e morrendo de frio, decidimos voltar para casa. Fim da história? Não para um homem determinado! Observando que a chuva estava parando, resolvi deixar toda a minha dignidade de lado e ir ao cinema daquele jeito mesmo, todo zoado. Para não perder os ingressos, atravessei a cidade acelerado e entrei na sala do cinema, minutos antes dos trailers começarem, com o tênis fazendo *plec plec* e a roupa pingando água. Foi uma experiência horrorosa e eu teria ficado muito puto se, depois de todo esses infortúnios, o filme fosse ruim. Felizmente, porém, não foi o caso: Animais Fantásticos e Onde Habitam é um ótimo início de franquia (já anunciaram mais 4 sequências rs) e sua dinâmica, que mistura piadas, cenas de ação grandiosas e referências aos longas anteriores, foi boa o suficiente para me fez esquecer que eu estava molhado dentro de uma sala de cinema com ar condicionado rs

animais-fantasticos-e-onde-vivem-cena-3Ambientada nos Estados Unidos do início do século passado, a história conta como o bruxo inglês Newt Scamander (Eddie Redmayne) chegou em Nova York levando uma mala mágica repleta de criaturas extraordinárias. Devido a uma confusão envolvendo o simpático padeiro Kowalski (Dan Fogler), algumas dessas criaturas escapam e Newt precisa recuperá-las antes que elas denunciem para os trouxas (ou No-Maj) a existência da comunidade de bruxos norte americana.

Em sua aventura, Newt recebe ajuda de Tina (Katherine Waterston), uma Auror do Congresso Mágico dos EUA, e acaba envolvendo-se em uma trama muito mais séria e sombria do que a fuga dos animais que ele trazia em sua mala: Gellert Grindelwald, um terrível feiticeiro negro, pode ter refugiado-se em território americano após espalhar o pânico no continente europeu.

animais-fantasticos-e-onde-vivem-cena-4Em Animais Fantásticos e Onde Habitam, o diretor David Yates (que também dirigiu os últimos 4 filmes da saga Harry Potter) cumpre muitíssimo bem a delicada tarefa de resgatar o interesse do público por uma das franquias mais amadas da história recente do cinema (vale lembrar que já passaram-se 5 anos desde As Relíquias da Morte – Parte 2), e o faz principalmente através da manipulação de alguns elementos que já haviam sido testados e aprovados anteriormente. Fora o fato de, essencialmente, Newt, Tina e Kowalski serem reedições mais maduras de Harry, Hermione e Rony, não passam despercebidas as semelhanças entre Graves (Colin Farrell) e o Professor Snape (dois personagens poderosos envoltos em algum tipo de mistério), bem como o mecanismo do roteiro que, tal qual o da Pedra Filosofal, prepara o terreno para a chegada de um terrível inimigo nos longas posteriores. Essas paridades, que vem acompanhadas de citações à personagens conhecidos (Dumbledore e Bellatrix Lestrange) e do uso de seres e encantamentos próprios da série, imprimem à trama uma necessária e aconchegante sensação de familiaridade.

FANTASTIC BEASTS AND WHERE TO FIND THEMPara si, estava nova incursão no universo criado pela escritora J. K. Rowling pode reivindicar uma mistura de gêneros mais coesa do que havia sido feita na série anterior. Animais Fantásticos e Onde Habitam equilibra satisfatoriamente cenas de ação, aventura, comédia, romance e drama, oferecendo uma gama variada de sentimentos ao longo de suas pouco mais de 2 horas. Se a correria e as espetaculares batalhas de magia fazem valer à pena investir num ingresso mais caro para assistir em 3D, o romance entre Kowalski e Queenie (Alison Sudol, que é a cara do Redmayne no A Garota Dinamarquesa rs) e o tema do preconceito/tolerância trabalhado no núcleo da Família Barebone atendem as necessidades de quem procura um filme mais intimista. Se você, por outro lado, está se sentindo velho e/ou teve um péssimo dia correndo de moto sob um temporal, desafio-lhe a continuar mal-humorado após ver o simpático Niffler coletando todo e qualquer objeto brilhante que ele encontra pela frente. É de rir alto, igual criança feliz.

Tomando por base esse incrível debute, acredito que Animais Fantásticos e Onde Habitam tem tudo para ser lembrado como o início de mais uma franquia de sucesso, fornecendo para os fãs de fantasia toda a emoção que a adaptação do O Hobbit, por exemplo, prometeu e não cumpriu (por mais difícil que seja, é necessário reconhecer que A Batalha dos Cinco Exércitos foi um fiasco). A julgar pela revelação bombástica do final, a sequência, que está programada para 2018, será um filmão.

FANTASTIC BEASTS AND WHERE TO FIND THEM

Caminhos da Floresta (2014)

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Caminhos da FlorestaE agora que praticamente todos os clássicos infantis foram revisitados por Hollywood em megaproduções repletas de efeitos especiais, nada mais natural do que juntar todas elas (ou quase todas) em um único longa, não é mesmo?$?$? Caminhos da Floresta, no original Into the Woods, é a adaptação do diretor Rob Marshall da peça homônima da Broadway escrita pelo Stephen Sondheim. A história é uma mistura sarcástica e sombria dos contos da Cinderella, João e o Pé de Feijão, Chapeuzinho Vermelho e Rapunzel. Olhando dessa forma, considerando o elenco grandioso (Meryl Streep, Johnny Depp) e levando em conta outros títulos que vão na mesma linha (como Deu a Louca na Chapeuzinho), era de se esperar um filme revisionista e audacioso, mais voltado para os adultos do que para as crianças, que nos fizesse olhar com outros olhos as histórias com as quais crescemos, certo? Seria uma injustiça dizer que o Marshall sequer tentou, mas nota-se a todo momento que ele esbarrou no famoso “padrão Disney” durante o processo e que isso foi preponderante para que a produção, tal qual aberrações como Branca de Neve e o Caçador, transformasse-se em um grandioso e insosso filme nada.

Estamos diante de um desastre total? Nem tanto. Caminhos da Floresta começa empolgante, com os personagens sendo apresentados enquanto cantam suas canções. Ah sim, o filme é um musical. Nisso, lá está o João (Daniel Huttlestone) levando a vaca para ser vendida no mercado da cidade, a Cinderella (Anna Kendrick) sendo maltratada pela madrasta e suas filhas chatas e a Chapeuzinho Vermelho (Lilla Crawford) na padaria tentando conseguir alguns doces e pães para levar para a vovozinha, todos cantarolando. Os cenários são fantásticos, o figurino impecável e acredito que até mesmo quem não é lá muito fã de musicais reconhecerá a grandiosidade das músicas e da edição que permite que as vozes de todos os personagens sejam intercaladas e sobrepostas para formarem belas melodias. Amarrando todas as tramas, está o perrengue do Padeiro (James Corden) e sua esposa (Emily Blunt), um casal que deve reunir quatro itens (uma capa vermelha, um cabelo dourado, uma vaca branca e um sapato de ouro) para quebrar a maldição de uma bruxa (Streep) que os impede de terem filhos.

Caminhos da Floresta - CenaConfesso-vos duas coisas: 1) não faço a mínima ideia se o Padeiro e sua mulher apareciam em algum conto ou se eles são invenções do Sondheim e 2) eu asssiti o filme todo pensando que ele era dirigido pelo Tim Burton rs Os cenários escuros, a floresta gótica, as canções cheias de ironia e, principalmente, a presença do Jhonny Depp… tudo remetia ao trabalho do diretor. Caminhos da Floresta é do Rob Marshall, mas nota-se que, pressionado ou não pela Disney, o resultado final aproximasse mais da versão sofrível do Burton para Alice no País das Maravilhas do que de trabalhos anteriores do diretor, como o excelente Chicago: o começo deveras legal, com todo o impacto do cenário e das músicas, acaba cedendo lugar para canções pouco inspiradas e uma trama arrastada, o que também acontece no chatíssimo Sweeney Todd.

Caminhos da Floresta - Cena 3E qual é exatamente o ponto onde isso acontece? Após a canção insinuante que o Lobo canta para a Chapeuzinho Vermelho? Não. Após o príncipe (Chris Pine) cantar em uma cachoeira exibindo seu tórax malhado (rs)? Claro que não, amiguinho! Caminhos da Floresta fica sofrível após a cena final que, bem… não era exatamente a cena final. Lá pela metade do longa, após o Padeiro e sua mulher quebrarem a tal maldição e tudo indicar um final feliz, o filme simplesmente apresenta uma nova trama e a qualidade de tudo que fora feito até ali despenca vertiginosamente até que o verdadeiro final acontece. As músicas divertidas e irônicas cheias de coros dão lugar a lamurias sem fim e a caça ao gigante não empolga em nenhum momento.

Caminhos da Floresta - Cena 2Caminhos da Floresta concorre a 3 Oscars, dentre eles o de Melhor Atriz Coadjuvante para a Meryl Streep, prêmio que, ao que tudo indica, ela deve perder (e isso seria bastante justo) para a Patricia Arquette. Comecei assistindo-o empolgado, curtindo o visual e as músicas, mas no final eu já não via a hora de ele acabar. Tivesse o diretor prolongado a parte da coleta dos itens, encurtado a caçada ao gigante e tornado a ligação entre essas duas partes menos brusca, o resultado poderia ter sido um pouco melhor e menos sonolento. Tal qual as outras revisitações de clássicos infantis que chegaram no cinema depois do sucesso comercial do Alice, Caminhos da Floresta tem uma grande chance de agradar as crianças, visto que ele é coloridão e a maioria das músicas tem refrões pegajosos, mas acho difícil acreditar que um adulto consiga ser guiado pela mesma inocência e não perceber que os defeitos do roteiro superam as qualidades do visual e deixam a sessão tediosa.

INTO THE WOODS

Sombras da Noite (2012)

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Atualizando o blog depois de …. 18 dias! Putz! Olhando no começo disso aqui, eu cheguei a fazer 2 postagens no mesmo dia, o fato é que eu nunca imaginei que fosse conseguir ficar tanto tempo sem escrever e muito menos sem assistir filmes. Minha vida mudou radicalmente nos últimos 3 meses e confesso que cheguei a pensar em abandonar esse projeto, mas comentários como esse do leitor Michael Diego me dão forças e ânimo para continuar. Obrigado 🙂

Quem não tem mudado muito nos últimos anos é o Tim Burton. Depois do excelente Peixe Grande, o diretor iniciou uma sequência de trabalhos pouco criativos estrelados pelo Johnny Depp pautados por releituras de clássicos do cinema e da literatura. Eu até gosto do humor ácido que ele usou na releitura do A Fantástica Fábrica de Chocolates, mas não guardo nenhuma lembrança do A Noiva Cadáver, dormi durante as cantorias do Sweeney Todd e fiquei MUITO decepcionado com a “mastigada” que ele deu em todas as sutilezas do Alice no País das Maravilhas para vendê-lo ao público sedento por histórias contadas em 3D. Em todos esses filmes, tu encontra o belo trabalho de fotografia, cenografia, figurino e maquiagem que fizeram o nome do diretor em trabalhos como Os Fantasmas se Divertem, Edward Mãos de Tesoura e no Marte Ataca!, o problema é que as histórias e os diálogos (pontos fortes do Peixe Grande e do Ed Wood,por exemplo) têm adquirido um insatisfatório papel secundário perante ao espetáculo visual. Sombras da Noite não é o filme que muda isso.

Baseado em uma série de televisão que ficou no ar de 1966 até 1971, o filme conta a trágica história da família Collins. Imigrantes da Inglaterra, os Collins chegam nos EUA do século XVIII e iniciam um bem sucedido negócio de pescaria. Alguns anos depois, a família domina a próspera cidade de Collinsport e atrai a inveja de muitos, dentre eles a da jovem Angelique Bouchard (Eva Green). Empregada na mansão dos Collins, Angelique nutre uma paixão não correspondida por Barnabas Collins (Johnny Depp), único filho e herdeiro de toda fortuna da família. Com o coração partido, Angelique recorre a magia negra para assassinar os pais de Barnabas e transformá-lo em vampiro. Condenado a viver para sempre e testemunhar a morte de todos aqueles que ama, Barnabas ainda vê os cidadões de Collinsport voltarem-se contra ele e acaba acorrentado e enterrado para ser esquecido dentro de um caixão na floresta. Os anos passam, Angelique utiliza suas bruxarias para tomar o império dos Collins e vê a família definhar. Elizabeth Collins (Michelle Pfeiffer), Roger Collins (Jonny Lee Miller), David Collins (Gulliver McGrath) e Carolyn Stoddard (Chloe Grace Moretz), os descendentes, vivem agora em uma mansão suja e decadente vendendo o almoço para comprar a janta, realidade que está prestes a mudar graças a uma escavação nas florestas que irá despertar alguém que esperou mais de 200 anos por sua vingança.

Quando o filme começou, com aquela bela imagem de um navio ancorado em um porto escuro encoberto por uma névoa densa, eu pensei “UAU, isso é Tim Burton!”. Quando o Johnny Depp apareceu na tela, eu pensei “UAU, isso é Tim Burton!”. A história segue e cenários com temática gótica servem de palco para personagens excêntricos que procuram seu lugar no mundo. Adinhem o que eu pensei? Não que eu tenha cansado dos trabalhos do diretor ou esteja criticando a identidade visual de sua obra, mas Sombras da Noite é um “lugar-comum” pouco inspirado dentro daquilo que podemos esperar dele. Transitando entre o terror e a comédia, o diretor mistura cenas de assassinatos e suicídios com passagens nonsense e extravagantes como a aparição do rockeiro Alice Cooper. Não dá medo e, sinceramente, não é engraçado.

Sem diálogos interessantes e perdido dentro dessa mistura de gêneros, resta ao espectador observar a bela performance da Eva Green. Com caras, bocas, vozes e um demoníaco e decotado vestido vermelho, a atriz deixa o Johnny Depp e sua maquiagem carregada no chinelo e garante os melhores momentos da trama, dentre eles uma bem humorada (raridade no conjunto) cena de sexo capaz de movimentar qualquer Calvin Klein.

Ciente do potencial do diretor, espero que seu próximo trabalho, a animação Frankenweenie, coloque um fim nesse hiato criativo que o separa de seus melhores momentos. Sombras da Noite é um filme mediano que passa a ser ruim quando colocado ao lado dos outros grandes trabalhos de seu criador. E não, não dá para esperar pouco do diretor de Ed Wood e Peixe Grande, problema dele se nós sabemos que ele pode mais.

Os Collins

Piratas do Caribe 4 – Navegando em Águas Misteriosas (2011)

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Shrek 4ever, Velozes e Furiosos 5, Jogos Mortais 7, Piratas do Caribe 4…A lógica atual de Hollywood, que tenta lidar com a pirataria investindo no 3D e em títulos que, de uma forma ou de outra, já comprovaram seu potencial junto ao público (remakes, continuações, adaptações de best sellers, etc), parece não incomodar a maioria do público. Digo isso porque, mesmo já tendo demonstrado sinais evidentes de cansaço em No Fim do Mundo, a 4ª investida da série Piratas do Caribe era um dos blockbusters mais aguardados do ano.

No que me diz respeito, a série produzida pelo esperto Jerry Bruckheimer é no máximo regular e passa muito longe de merecer tal expectativa. O Jack Sparrow do Johnny Depp é sim um dos melhores personagens do cinema dos últimos anos e o tema dos piratas é sempre convidativo, mas a avalanche de “cenas de ação de tirar o fôlego” fornecida pelos filmes aliadas as trapalhadas de Jack e cia. caiam no esquecimento tão logo os créditos finais começavam. Navegando em Águas Misteriosas, como já era esperado, é o “mais do mesmo” que não mudará a opinião de quem é indiferente à série mas que encherá os cofres dos produtores e satisfará aquelas pessoas que dão risada só de olhar para o Jack Sparrow. Isso, SÓ de olhar, fenômeno que também acontece com o Scrat do A Era do Gelo e que sempre me deixa mal comigo mesmo por não entender o que tem de tão engraçado na simples aparição dos mesmos.

Mesmo para uma franquia cujo forte não é o roteiro, a história de Piratas do Caribe 4 é fraca. Jack (J.Depp) etá procurando a famosa Fonte da Juventude. Pronto. O Reino Unido e a Espanha também entram na disputa pela descoberta do local lendário, amigos e inimigos dão as caras e está armado o cenário para correrias, perseguições e batalhas épicas. Não nego que seja divertido na maior parte do tempo, mas a série definitivamente já deu o que tinha que dar.

Apoiando-se quase que completamente no carisma de Depp já que os personagens do Orlando Bloom e da Keira Knightley felizmente ficaram de fora, Navegando em Águas Misteriosas conta ainda com a inclusão de uma pirata interpretada com dignidade pela Penélope Cruz. Menos badalado mas muito mais divertido é o Barbossa do Geoffrey Rush. Barbossa antagoniza Sparrow e Rush “disputa” com Depp o destaque pela melhor atuação do longa. O clichê faz-se necessário: quem acaba ganhando algo com isso é o espectador, os dois atores estão excelentes.

O espectador ganha, mas ganha pouco. O diretor Rob Marshall (Chicago, Memórias de uma Gueixa) não usa seu inegável talento para levar a série a outro patamar, ele apenas reaproveita o que os outros três filmes já provaram funcionar. Se a cena do “ataque das sereias” consegue ser divertida e artisticamente arrojada, o resto de Navegando em Águas Misteriosas aposta demais no óbvio.

Piratas do Caribe 4 é indicado para quem estiver interessado em diverão fácil e não se importar com a sensação de estar vendo o mesmo filme outra vez. Não é lá um grande elogio, mas a forma mais sincera que eu posso recomendá-lo.

Donnie Brasco (1997)

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Tendo Hollywood como referência, não é um erro dizer que o Johnny Depp é um dos atores mais populares da atualidade. Com a cine-série Piratas do Caribe e seus trabalhos em parceria com o diretor Tim Burton, Depp caiu nas graças do público com seus personagens excêntricos e divertidos e tornou-se um daqueles casos raros onde o ator acumula sucesso de crítica e público. O Al Pacino já é um caso diferente. Apesar de possuir uma das carreiras mais respeitadas da história do cinema e continuar atuando regularmente, o ator já não tem mais o apelo junto ao grande público de outrora (Trilogia O Poderoso Chefão, Serpico e Um Dia de Cão) e é mais reconhecido e valorizado por pessoas mais velhas e/ou interessados em cinema.

Em 1997 a realidade dos dois atores era um pouco diferente. Enquanto Pacino ainda saboreava um Globo de Ouro e um Oscar de Melhor Ator e estreava o sucesso O Advogado do Diabo (minha atuação favorita dele), Depp ainda caminhava para o topo com os cults Edward Mãos-de-Tesoura e Ed Wood e o romance Don Juan de Marco. O veterano e a promessa reuniram-se então para levar às telas a história de Donnie Brasco (Depp), codinome do policial do FBI Joe Pistone que durante a década de 70 infiltrou-se na máfia de Nova York com o intuito de reunir provas contra o crime organizado. Donnie conquista a confiança e a amizade do criminoso “Lefty Ruggiero” (Pacino) e põe seu trabalho em risco quando encontra na máfia valores e laços familiares mais fortes do que aqueles que sua profissão e vida privada lhe ofereceram até então.

Assim como o Tim Burton contribuiu significativamente para que o Depp fosse visto como uma pessoa excêntrica, O Poderoso Chefão e Scarface criaram um vínculo eterno entre o Pacino e a figura do mafioso (esteriótipo muito bem aproveitado, por exemplo, nesse filme aqui). Donnie Brasco subverte um pouco esses esteriótipos e obtém um resultado irregular. Depp é bem sucedido mas não encanta ao interpretar um personagem relativamente “normal” e o Pacino retorna a um papel ao qual ele está acostumado mas abre mão da teatralidade deliciosa de um Tony Montana em nome da humanização e desmistificação dos mafiosos.Essa fuga do lugar comum proposta pelo diretor Mike Newell estende-se também ao Michael Madsen, que de eterno capanga passa ao papel do figurão da máfia Sonny Black.

O raciocínio também é válido para a narrativa do filme: o forte de Donnie Brasco é o desenvolvimento dos personagens, não cenas de tiroteio e violência. O que não foge do lugar comum é a forma de divulgação do longa, não é difícil encontrar um cartaz com “O Melhor Filme de gângsters desde O Poderoso Chefão” escrito, frase chamativa mas que não tem correspondência com uma realidade onde existem Os Bons Companheiros e Os Intocáveis e que compara uma obra inquestionável com um filme que é, no máximo, bom. Eu esperava mais.

Rango (2011)

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Assisti Rango hoje a tarde (08/03) em uma sala de cinema lotada de mães acompanhadas de suas crianças barulhentas. Nada mais normal considerando que trata-se de uma animação e que estamos na véspera de um feriado. O estranho foi que, passados alguns minutos, as crianças calaram, umas começaram a pedir para ir embora, uma menininha começou a chorar falando que estava com medo e só eu e um outro marmanjo estávamos rindo. Ficar com medo, chorar e pedir para ir embora é um exagero, mesmo para os padrões infantis. Já o silêncio deles foi completamente compreensível: Rango até apresenta o feijão com arroz para a molecada, mas, no geral, ele é um filme para adultos.

Começando pelo título, os mais antenados devem ter percebido que o nome do personagem é uma  referência ao clássico western Django, aquele filme maravilhoso onde um homem anda pelo deserto carregando uma metralhadora dentro de um caixão *.* Fazendo outra referência aos clássicos, Rango não é o verdadeiro nome do personagem. O nome dele, aliás, não é revelado em nenhum momento do filme, ele é um “personagem sem nome”. Se a referência não ficou suficientemente clara, saiba que o “Espírito do Oeste”, o ganhador de 4 Oscars, a lenda viva do cinema americano aparece no filme em uma cena que quase me fez pular da cadeira do cinema de empolgação. É simplesmente genial.

A história é relativamente simples. Rango (Johnny Depp dublado não dá, pô!) é um calango que vive dentro de um viveiro com um peixe de borracha, uma boneca esquartejada e um coqueiro de plástico (genial, né?). Ele mata o tempo encenando peças teatrais com esses “amigos” até o dia em que ele e o tal viveiro são arremessados na estrada depois de um quase-acidente de carro. Rango começa a vagar pelo deserto e chega na cidade de “Dirty”, local que passa por sérios problemas causados pela falta de água. O lagarto volta a encenar e encarna Rango, um pistoleiro que matou 7 bandidos com uma bala só. Ele ganha a confiança dos cidadãos e assume o posto de sherife da cidade, ganhando amigos e inimigos.

Mesmo para o alto padrão em que as animações encontram-se hoje em dia, é necessário falar que o trabalho gráfico do filme é excelente. As cenas de ação, que fazem referências diretas ao Avatar, Star Wars – Episódio 1 e Apocalypse Now! são fantásticas e revelam-se uma atualização divertidíssima para o western. Falando em western, as referências continuam com o bandidão que é a cara do imortal Lee Van Cleef, uma cascavel enorme que tem uma metralhadora no lugar do chocalho, músicas típicas que lembram as grandes trilhas compostas pelo Ennio Morricone e um monte de personagens que lembram ícones do gênero, como a ratinha que é a cara da Mattie Ross do Bravura Indômita.

Rango é divertidíssimo, obrigatório tanto para fãs de western quanto para quem gosta de filmes cheio de referências, cenas de ação absurdas e personagens engraçados. Sério, será que tem alguém que não encaixa-se nesse grupo?