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A Bela e a Fera (2017)

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Apesar dos avisos do pastor Silas Malafaia, optei por correr o risco de “virar gay” e fui conferir esta nova versão do conto de fadas francês A Bela e a Fera. No vídeo que pode ser visto clicando no link acima, Malafaia acusa a Disney de “comprar a agenda gay” e de ensinar sexualidade para o público, especialmente para as crianças. Segundo o pastor, a decisão do estúdio de incluir no filme um personagem abertamente homossexual (LeFou, interpretado pelo Josh Gad) é uma tentativa “asquerosa e nojenta” de erotizar a molecada.

Malafaia gravou o tal vídeo no dia 02/03 e, segundo o IMDB, A Bela e a Fera (e o LeFou) só estreou no Brasil no dia 16/03, ou seja, é bem provável que ele emitiu aquela opinião ANTES de ver o filme. É claro que o pastor pode ter tido acesso ao material em uma pré-estreia exclusiva, mas o que me parece é que, ciente das informações que foram divulgadas sobre o personagem antes do lançamento, Malafaia adiantou-se e convidou seus seguidores a boicotarem o produto da Disney.

Faço essas considerações pois, por mais que eu preze pelo respeito às crenças alheias, não consegui encontrar em A Bela e a Fera o conteúdo preocupante apontado pelo Malafaia. É fato que o LeFou está mais purpurinado do que seu correspondente da animação de 1991, mas daí a dizer que o filme propõe-se a erotizar crianças e ensinar-lhes sexualidade é um absurdo, o tipo de erro grotesco que geralmente é cometido por quem fala de algo que não sabe (ou não viu). Tal qual fazia anteriormente, o personagem continua beijando o chão que o Gaston (Luke Evans) pisa e cantando sua canção que enaltece as “qualidades” do valentão. Os trejeitos dele não deixam dúvidas que, se pudesse, ele beberia daquela água, mas é só. Sem beijos, sem carícias, sem nada que os pais de uma família tradicional precisem tampar os olhos dos filhos por medo deles saírem do cinema arrotando arco-íris. É, portanto, no mínimo quixotesca a preocupação do pastor com o LeFou. O fato de haver revolta contra a homossexualidade do personagem e silêncio contra o machismo e a truculência de Gaston, que continua querendo obrigar Bela (Emma Watson) a casar-se com ele para massagear-lhe os pés, diz muito a respeito das prioridades e do caráter do Malafaia.

Eu, que continuo gostando de mulheres a despeito dos esforços do simpático LeFou, também sigo apreciando musicais e acredito que dificilmente veremos algo tão bom do gênero nos cinemas esse ano quanto esse A Bela e a Fera. Conta-se que, inicialmente, a intenção da Disney era refilmar a história como um longa metragem comum, sem as músicas, ao que o diretor Bill Condon (dos dançantes Dreamgirls e Chicago) respondeu “Vocês são loucos? Pretendem fazer uma adaptação enorme e bonitona e deixar ‘Be Our Guest’ de lado?”. Que bom que deram ouvidos ao diretor: a tecnologia atual e a grandiosidade dos figurinos e dos cenários, por si só, já tornariam esta versão válida e interessante, mas é na parte musical que a história continua tocando nossos corações.

Nesse conto tão velho quanto o próprio tempo (na verdade, ele foi escrito em 1740 pela francesa Gabrielle-Suzanne Babot), Bela é uma garota entediada pela vida provinciana que a cerca. Num mundo organizado para que as maiores ambições de uma mulher sejam encontrar um marido e cuidar da casa, Bela é uma inventora apaixonada por livros que espanta todos tanto por seu jeito independente quanto por resistir aos avanços do bonitão Gaston, o solteirão mais cobiçado do vilarejo. Certo dia, Maurice (Kevin Kline), o pai de Bela, é capturado por uma fera monstruosa (Dan Stevens) e preso nas masmorras de um castelo. O crime dele? Colher uma rosa do jardim da propriedade para levar para a filha. Procurando reparar a injustiça, Bela oferece para trocar de lugar na prisão com o pai, proposta que é aceita pela Fera com a condição de que a moça nunca mais abandone o local.

Quem viu a animação sabe que a Bela e a Fera irão se apaixonar (ele pelo caráter dela, ela pela intelectualidade e coragem dele) e que isso quebrará o feitiço que havia transformado o príncipe egoísta numa criatura monstruosa. Gaston, obviamente, não ficará nada feliz em ser preterido por uma bola de pelos gigante e incitará a população do vilarejo a atacar o castelo, o que provocará uma batalha épica e divertida onde relógios (Ian McKellen), candelabros (Ewan McGregor) e bules de chá (Emma Thompson) colocarão todo mundo para correr. Condon respeitou a estrutura principal da história, mas retirou os excessos (a invenção maluca de Maurice, o velho calhorda do hospício), adicionou subtramas (a mãe e a infância de Bela) e 3 novas canções (How Does a Moment Last Forever, Days in the Sun e Evermore). Essas alterações, longe de comprometerem passagens e memórias caras aos fãs, tornaram a história mais coesa, principalmente no tocante à luz que é jogada no passado trágico da protagonista.

Ainda que conserve elementos de magia e diversão comumente associados à infância, de modo geral este A Bela e Fera está um pouco mais adulto e sombrio do que seu antecessor, tanto pela forma mais incisiva de abordar temas como o machismo (Emma Watson não economizou desprezo no olhar ao encarar o tosco Gaston) quanto pelo visual: se o Fera da animação era uma espécie de cachorrão que dava vontade de fazer um cafuné, esta nova versão, com chifres de bode e tudo mais, parece o próprio filho do cramunhão. Todo caso, cumpriu-se bem a tarefa de atualizar a história atemporal do poder da beleza interior para esta geração: as reencenações da psicodélica Be Our Guest e da apaixonante Beauty and the Beast utilizaram o que há de melhor em computação gráfica para criar um espetáculo soberbo em 3D e, no fim, o prepotente e arrogante Gaston voltou a receber o que ele merece, tal qual deve ser. Acreditem, não há o que boicotar aqui: a Disney acertou em transformar um de seus maiores clássicos em um magnífico live action e continua de parabéns por, mais do que desenvolver produtos para entreter crianças, preocupar-se em levar exemplos de diversidade e respeito às diferenças para as telas de cinema. Quero mais Mickey e menos Malafaia.

O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos (2014)

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O Hobbit - A Batalha dos Cinco ExércitosVejo SPOILERS nesse texto. Com que frequência? Praticamente o tempo todo.

Eis o lançamento mais aguardado do ano, o filme que esperei com um misto de empolgação, ansiedade, alegria e tristeza. Por um lado, é ruim ver que a adaptação cinematográfica da obra do Tolkien chegou ao fim. Sim, futuramente ainda pode rolar uma versão do complexo Silmarillion mas, por hora, o que presenciamos é o último suspiro da saga da Terra Média nos cinemas (e que Sauron, senhor absoluto de tudo que é escuro e profano, nos livre de qualquer tipo de remake). Por outro lado, após acompanhar o início da aventura em Uma Jornada Inesperada e vê-la desenvolver-se em A Desolação de Smaug, finalmente chegou a hora de saber como o Peter Jackson finalizaria a história e a ligaria a trilogia do O Senhor dos Anéis. A expectativa por essas conexões (Aparecerão personagens conhecidos? Como serão os diálogos?) e a vontade de ver a batalha pelo tesouro de Erebor ganhar vida através das mãos talentosas do diretor, no final das contas, foram tão grandes que acabaram eclipsando qualquer sentimento negativo de modo que a minha única preocupação quando sentei na poltrona do cinema e coloquei meu óculos 3D era divertir-me o máximo possível. A dobradinha Tolkien/P. Jackson, de certa forma, tornou-se a minha própria Arkenstone e nada, absolutamente NADA, poderia impedir-me de possuí-la e apreciá-la uma última vez. A não ser, é claro, que fizessem um filme ruim com efeitos especiais toscos e subtramas inúteis que não respeitasse a obra original. Mas isso, é claro, estava fora de cogitação, certo?

Na última cena de A Desolação de Smaug, Vossa Magneficência escapou da emboscada armada por Thorin (Richard Armitage), Bilbo (Martin Freeman) e os anões e voou rumo a Cidade do Lago disposto a destruir tudo e todos. A Batalha dos Cinco Exércitos, que havia sido anunciado anteriormente com o título de Lá e de Volta Outra Vez, mostra os esforços de Bard (Luke Evans) para evitar que a cidade seja consumida pelas chamas de Smaug (voz do Benedict Cumberbatch) e a posterior batalha entre os povos da Terra Média que é travada nos portões da recém reconquistada Erebor.

O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos - CenaDevido a qualidade do material que foi apresentado nos dois filmes anteriores, acabei rendendo-me a decisão do Jackson e sua equipe de dividirem o deveras curto livro escrito pelo Tolkien em três longas. Acho o Uma Jornada Inesperada irrepreensível do começo ao fim e no A Desolação de Smaug eu só tornaria mais curta a parte que passa-se entre a fuga da Floresta Negra e a chegada da comitiva dos anões em Erebor. Ok, sabemos que essa divisão visou principalmente o lado financeiro, mas, como até aqui o resultado artístico foi bom, não havia porque desconfiar que eles também não conseguiriam êxito na conclusão da saga. Quanto mais, melhor, certo?

Bem, infelizmente, não foi o caso. Por mais doloroso que seja reconhecer isso, pela primeira vez senti-me lesado pela franquia. Olhando agora para a obra como um todo, fico tentado a dizer que a maioria dos problemas de A Batalha dos Cinco Exércitos seriam sanados caso tivessem produzido apenas dois longas, mas isso não é lá muita verdade. Por mais que esse filme seja baseado em apenas um único capítulo do livro, podemos dizer que havia material suficiente para ser trabalhado aqui e que o que estragou tudo foi a condução estranhamente desastrosa do diretor.

O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos - Cena 2Evito fazer comentários de natureza técnica tanto porque os acho enfadonhos quanto porque não julgo possuir conhecimento suficiente para tal. No entanto, vez ou outra, vejo algo que é tão bom ou tão ruim nesse sentido que simplesmente não dá para deixar de comentar. Foi muito alardeado o fato dessa trilogia ter sido rodada em 48fps (frames por segundo), o que, de forma tão leiga quando informativa, quer dizer que há uma maior definição da imagem. Até agora eu não havia dado muita importância para isso, mas é impossível não notar o quanto essa tecnologia praticamente destruiu toda a sequência inicial de A Batalha. Tauriel (Evangeline Lilly) e Bard movimentam-se pela cidade em chamas enquanto Smaug sobrevoa o local e tudo parece extremamente falso. Além dos cenários feitos em computação gráfica não casarem com a imagem em alta definição dos atores, a própria velocidade da cena parece estar errada. Sabe quando a gente aperta o botão de Fast Forward do controle remoto no x1? Cético diante de um erro tão grosseiro, cheguei a pensar que isso pudesse ser fruto de um defeito da cópia exibida pelo cinema mas, como um amigo também viu o filme e me relatou o mesmo problema, só me resta acreditar que presenciei uma dessas aberrações cinematográficas que eu nunca sonhei em atribuir ao Jackson, que sem dúvidas é um desbravador da área.

O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos - Cena 6Todo caso, isso ainda não seria o suficiente para me fazer achar o filme ruim, então vamos ao que de fato incomoda. O Hobbit, obviamente, é sobre o Bilbo, mas é inegável que tanto o livro quanto os filmes, até aqui, também são muito sobre a comitiva de anões comandada por Thorin. Leitores, o quão triste é perceber o papel secundário ao qual nossos amigos baixinhos foram relegados! Arcos de história bobos, inúteis e desprezíveis como o romance entre Tauriel e Kili (Aidan Turner) e as cenas “cômicas” (se eu pudesse, colocaria mil aspas nesse ‘cômicas’ aí) do tal Alfrid consomem o tempo que poderia e deveria ser dedicado aos anões. Se é horroroso que alguns deles não possuam um diálogo sequer, é imperdoável a forma como trataram a mudança de personalidade de Thorin. Aquele “devaneio dourado” pelo qual ele passa antes de recobrar a consciência, além de esteticamente feio, é uma resposta medíocre e acelerada para a tal “febre do dragão” que ele vinha desenvolvendo desde o filme passado.

O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos - Cena 4É notório também o exagero em cima do personagem Legolas (Orlando Bloom), tanto no tempo que ele recebe na tela quando em suas peripécias. Quem leu O Senhor dos Anéis sabe que o elfo passa longe de ser aquele assassino acrobata infalível mostrado no O Retorno do Rei, mas, verdade seja dita, as cenas dele funcionam e são muito legais. Aqui, além de ele soar forçado devido a praticamente tudo que ele faz não constar no livro original (a Tauriel, vale lembrar, é criação dos roteiristas), colocaram-no em cenas tão, mas tão absurdas (sim, se você viu o filme, refiro-me aquela caminhada sobre a ponte que está desmoronando) que o que antes era legal ficou risível, bobo. A impressão que eu tive é que o Jackson agarrou-se no Legolas como uma das principais ligações com a trilogia anterior e, nisso, deixou de aproveitar bons personagens dessa, como o Bombur (Stephen Hunter), que no A Desolação de Smaug também provocou uma destruição divertida e épica e aqui praticamente não apareceu.

O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos - Cena 7 Ainda sobre essas conexões, faço uma pausa nas críticas para babar a intervenção do Conselho Branco em Dol Guldur. Gandalf (Ian McKellen), que havia sido preso na antiga fortaleza de Sauron no longa anterior, é resgatado por Saruman (Christopher Lee), Elrond (Hugo Weaving) e Galadriel (Cate Blanchett) naquela que é a melhor sequência do filme. Aqui tudo ficou perfeito: o destaque dado a cada um dos personagens (ver o mago branco combatendo foi sensacional), os efeitos especiais (curti demais o visual dos espectros) e os elos com O Senhor dos Anéis.

É uma pena, porém, que tal cena esteja perdida no meio de um festival de equívocos. Destaquei os efeitos especiais e o foco da trama como pontos baixos, mas nada supera a decepção do clímax que nunca acontece. Achei os confrontos entre os exércitos pouco inspirados, repetições baratas do que já havia sido feito no O Retorno do Rei, mas o que mais chateia mesmo é a falta cenas emocionantes após a batalha. As quedas de Kili, Fili (Dean O’Gorman) e, principalmente, de Thorin não são sentidas o suficiente pelos personagens (comparem as poucas lágrimas de Tauriel e Bilbo a completa desolação que acontece após a queda de Gandalf em Moria ou a morte trágica do Boromir), a despedida de Bilbo e os anões é, sem dúvida alguma, uma das piores cenas de todos os seis filmes da franquia e o retorno do hobbit para o Condado não tem absolutamente nada de emocionante tal qual foi a do Frodo e do Sam. Já vi pessoas brincando que O Retorno do Rei acaba umas cinco vezes antes de acabar mesmo, mas isso é legal porque cada um dos personagens recebe a devida atenção. A Batalha dos Cinco Exércitos não termina, não possui um clímax para chamar de seu: no lugar produzir uma nova cena memorável, Peter Jackson optou por repetir o início do A Sociedade do Anel para ligar as duas trilogias. Sinceramente? Decepcionante.

O Hobbit - A Batalha dos Cinco Exércitos - Cena 3Ainda que pese o fato de todas as pressões que os diretores sofrem para que seus filmes encaixem-se dentro de padrões mais palatáveis para o público ocasional e que eu seja um grande fã tanto da franquia quanto do trabalho do Peter, não posso fingir que não vi essa avalanche de erros: sou apaixonado pelo universo do Tolkien, portanto a minha reação não pode ser nada menos do que passional. A Batalha dos Cinco Exércitos não é um filme ruim, mas, quando comparado aos outros longas da série, ele é fácil o mais fraco de todos, o que menos recompensa quem conhece minimamente o que está sendo reproduzido ali.

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X-Men: Dias de um Futuro Esquecido (2014)

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X-Men - Dias de um Futuro EsquecidoTal qual seu antecessor, o X-Men – Primeira Classe, Dias de um Futuro Esquecido estreou embalado por críticas empolgadas e notas generosas em sites especializados. No Facebook, cheguei a ver alguns amigos dizendo que o longa era a melhor adaptação dos mutantes feita para os cinemas até então, sendo que alguns deles acrescentava ainda que, comparado as outras produções do gênero, o novo filme do Bryan Singer sobressaia-se ao ponto de poder ser apontado como o MELHOR filme de super-heróis já realizado. Lendo esse tipo de coisa, só nos resta pensar “UAU! Eu PRECISO ver esse filme!”, não?  Bem, sim e não. Sim porque eu me importo com a opinião dos meus amigos e, costumeiramente, levo notas e críticas em consideração antes de escolher quais filmes verei. Não porque já aprendi que dificilmente expectativas altas são compensadas dentro da sala de cinema, mesmo que essas expectativas tenham sido criadas por pessoas ou fontes confiáveis. A experiência cinematográfica, no final das contas, é algo extremamente pessoal e, pessoalmente, não vi motivos para considerar Dias de um Futuro Esquecido como o melhor filme dos mutantes nem para colocá-lo no topo das produções sobre super-heróis. Watchmen manda-vos um caloroso abraço, amigos queridos, e explico-lhes agora os motivos que me levam a discordar da empolgação geral.

X-Men - Dias de um Futuro Esquecido - Cena 5

Para todos os efeitos, esse filme deveria fazer um divertido e inesperado link entre a série iniciada pelo X-Men – Primeira Classe e aquela que encerrou-se de forma pra lá de questionável com o X-Men: O Confronto Final. O link é feito mas, sob a alegação de estar trabalhando dentro de um universo paralelo que não necessariamente precisa estar 100% alinhado com as duas séries citadas, o diretor Bryan Singer deixou muitas informações subentendidas e nem se deu ao trabalho de explicar outras. Antes de ir no cinema, eu revi  as últimas aventuras dos mutantes para recapitular a história e, à quem interessar e não importar-se com SPOILERS, elas terminam assim:

  • X-Men: O Confronto Final: Jean Grey, que transformara-se na Fênix Negra, é morta por Logan (cujos traumas devido ao combate podem ser vistos no Wolverine: Imortal), a proposta de vacinar os mutantes contra o gene X é contida e Magneto perde seus poderes. Na cena após os créditos, vemos que Xavier, que aparentemente havia sido morto pela Fênix, apenas transferira sua consciência para outro corpo.
  • X-Men – Primeira Classe: Magneto mata Shaw e, acidentalmente, acaba sendo o responsável pela paralisia de Xavier. A diferença filosófica entre os dois coloca-os então em lados opostos na luta pela classe mutante. Raven, que mais tarde passaria a ser conhecida como Mística, fica do lado de Magneto.

X-Men - Dias de um Futuro Esquecido - Cena 2E como começa Dias de um Futuro Esquecido? No futuro (HÁ!) e, aparentemente, em um futuro bem distante dos eventos mostrados em O Confronto Final. O espaço temporal, por si só, é a resposta de Singer para alguns pontos questionáveis do roteiro: o tempo passou e, portanto, QUALQUER coisa poderia ter acontecido. Magneto recuperou seus poderes, Xavier está em seu velho corpo e agora eles são aliados. Como? O tempo passou amigos, simples assim. É necessário reconhecer, no entanto, que o diretor é hábil em desviar nossa atenção desse “furo” com uma cena de ação inquestionável, dessas que tu sai do cinema comentando com os amigos. Atacados por versões mutáveis e imbatíveis dos Sentinelas, Kitty Pryde (Ellen Page), Bishop (Omar Sy) e cia combinam seus poderes para escapar do que parece a ser a morte certa. Os efeitos especiais e o trabalho em equipe dos mutantes nessa cena correspondem ao ponto alto no quesito ação dentro de Dias de um Futuro Esquecido, lembrando a engenhosidade e a pancadaria desenfreada daquela invasão do Noturno à Casa Branca no começo do X-Men 2. Depois disso, o filme segue com uma trama sobre viagem no tempo que leva Wolverine (Hugh Jackman) de volta à década de 70, onde ele deve encontrar os então jovens Erik (Michael Fassbender) e Charles (James McAvoy) e, com a ajuda deles, impedir que Raven (Jennifer Lawrence) dê início aos eventos que, no futuro, colocaram em risco a existência dos mutantes.

X-Men - Dias de um Futuro Esquecido - Cena 3Dias de um Futuro Esquecido é baseado em uma história clássica do grupo publicada em uma HQ de 1981 assinada pelo escritor Chris Claremont. Com sua trama que fala sobre viagem no tempo, a saga mostrou-se pontual para reunir os atores das duas franquias em um megablockbuster que aproveitasse não apenas o sucesso do Primeira Classe como o cenário positivo para filmes de super-herói criado pelos esforços contínuos da Marvel. É bom ver atores como a Halle Berry, Patrick Stewart e, principalmente, o Ian McKellen (fora as surpresas) de volta a seus respectivos papéis na franquia. De modo geral, isso e a ambientação na década de 70 garantem ao filme um caráter nostálgico que é sempre bem vindo. Acrescento ainda na sessão dos elogios a participação do ótimo Peter Dinklage, o clima de pânico que o diretor conseguiu imprimir no futuro quando os Sentinelas aproximam-se do refúgio dos mutantes (coitado do Colossus!), a estilosa e bem humorada sequência do Mercúrio (Evan Peters) e as referências históricas (Magneto e sua ligação com o assassinato do Kennedy) e cinematográficas (a chegada do Wolverine no passado é uma quase-citação da cena semelhante no Exterminador do Futuro 2, tanto nos diálogos quanto na nudez desnecessária dos personagens rs) distribuídas ao longo do filme.

X-Men - Dias de um Futuro Esquecido - Cena 4Para quem leu o texto esperando o “porém” que foi sugerido no primeiro parágrafo, ei-lo aqui: Wolverine, leitores. Leitores, Wolverine. Aliás, essa apresentação é desnecessária, certo? TODO MUNDO conhece o cara, visto que ele apareceu em TODOS os filmes do X-Men e, coincidência ou não (dica: NÃO é coincidência), ele só não foi protagonista daquele que acabou sendo o melhor deles, o Primeira Classe. Já destilei todo o meu ódio contra essa versão domesticada do Logan no texto sobre o Imortal, mas nunca é demais lembrar que colocá-lo para fumar um charuto não é suficiente para caracterizá-lo como o anti-herói politicamente incorreto dos quadrinhos. Por mais que o Hugh Jackman seja um cara carismático, essa proposta que ele representa do personagem já cansou. Sinceramente, chega de filmes tendo ele como foco. Aqui, por exemplo, quem deveria ter voltado no tempo, segundo a história do Claremont, era a Kitty Pryde, não ele. É bacana que a Mística, Magneto e Xavier tenham bastante tempo na tela mas, no final das contas, analisando começo, meio e, principalmente, o clímax e o fim, o que fica patente é que, antes de ser um filme dos X-Men, Dias de um Futuro Esquecido é mais um filme de Wolverine e cia. Se já seria difícil (pela qualidade dos concorrentes) que esse novo trabalho do Singer fosse o “melhor filme de super-heróis” já feito, pra mim, a insistência no Wolverine contribuiu significativamente para que o longa nem ao menos fosse o melhor da saga dos mutantes. Duvido que alguém saia do cinema insatisfeito, trata-se de um ótimo filme de ação, mas não há dúvidas de que, devido a riqueza do roteiro e da grandiosidade do projeto, poderia ter sido BEM melhor.

OBS. (CENA PÓS-CRÉDITO): **SPOILER** Sinceramente, eu boiei. Se tu também não entendeu, querido leitor sem tempo de ler HQ’s e pesquisar na internet, saiba que o sujeito que manipula as pirâmides do Egito e é venerado pelos nativos é o Apocalipse, um dos maiores inimigos dos X-Men.

X-Men - Dias de um Futuro Esquecido - Cena

O Hobbit: A Desolação de Smaug (2013)

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O Hobbit - A Desolação de SmaugA minha preparação para a estréia de A Desolação de Smaug incluiu reservar uma tarde para ir até um dos shoppings locais comprar os ingressos com antecedência, ver a versão estendida do Uma Jornada Inesperada (que inclui, entre outras coisas, uma algazarra épica em Valfenda, com os anões tomando banho e batendo com toalhas na bunda uns dos outros rs) e reler minhas impressões sobre o primeiro dos três filmes planejados pelo Peter Jackson para dar vida a obra do Tolkien. Refeito o elo com a Terra Média, compareci no cinema no dia 13 (esta resenha sai com um atraso considerável) ansioso para ver o que Bilbo (Martin Freeman), Thorin (Richard Armitage), Gandalf (Ian McKellen) e os anões fizeram após escaparem das garras do Azog, o Profano.

 É consenso, dentre as poucas pessoas que conheço que não gostaram de Um Jornada Inesperada, que o filme “demora para engrenar”. Não concordo com elas (e os motivos podem ser lidos no link acima) mas é visível que Peter Jackson e sua equipe procuraram imprimir um ritmo mais acelerado em A Desolação de Smaug. A ajuda das águias, como vemos logo no início frenético, não livrou completamente Bilbo e seus amigos da perseguição de Azog. Montado em seu feroz warg branco, o orc seguiu o rastro da companhia até as proximidades da Floresta Negra, onde o troca-pele Beorn, em sua assustadora forma de urso, afugentou-o novamente. Livres temporariamente de seu perseguidor, Bilbo e cia iniciam a travessia do lar dos Elfos Negros, caminho mais curto, mas também mais perigoso, para os portões de Erebor.

Resumidamente, as minhas lembranças sobre O Hobbit, o livro, eram:

  • Os Trolls transformando-se em pedra com a luz do dia
  • A disputa de adivinhas entre Sméagol e Bilbo
  • As aranhas e os elfos da Floresta Negra
  • Smaug despertando enquanto Bilbo procurava pela Arkenstone
  • A Batalha dos Cinco Exércitos

THE HOBBIT: DESOLATION OF SMAUGOs dois primeiros pontos foram explorados em Uma Jornada Inesperada, A Desolação de Smaug dá conta muitíssimo bem do terceiro e do quarto e o próximo e último longa, Lá e de Volta Outra Vez, encerrará a trilogia com o quebra-pau épico entre os povos da Terra Média pelo tesouro de Erebor. Eu, que fui um dos que estranharam e criticaram a decisão de dividir o livro em três longas, rendo-me diante da criatividade do Peter Jackson e sua equipe. Ainda que claramente essa divisão não tenha sido tomada visando apenas o valor artístico do produto final, o que é oferecido é nada menos do que sensacional. Mesmo se levarmos em consideração que muitas das cenas desse filme pudessem ter sido suprimidas para reduzir o tempo de projeção (cerca de 2h40min) ou para permitir que o restante da história fosse contada aqui, é difícil não reconhecer que o tempo extra gasto com o desenvolvimento dos personagens, especialmente aquele investido nos anões e seus costumes excêntricos, não seja um dos grandes trunfos da produção. Kili (Aidan Turner) e Bombur (Stephen Hunter), responsáveis respectivamente pelos núcleos dramático e humorístico, são grandes exemplos disso. Não fossem os pequenos diálogos e cenas banais envolvendo os mesmos introduzidos ao longo da história, dificilmente daríamos o mesmo valor a arcos da história como a paixonite de Kili pela elfa Tauriel (Evangeline Lilly) ou ao estilo ensandecido de luta de Bombur.

O Hobbit - A Desolação de Smaug - Cena 3Quando concentra-se nos pontos da história que conquistaram os fãs do livro, Jackson também não poupa esforços para tornar tudo ainda maior e mais épico do que aquilo que fora relatado por Tolkien. Duvido que o autor reprovasse, por exemplo, a caracterização sombria e claustrofóbica que o diretor criou para a Floresta Negra. Enquanto as aranhas aguardam pacientemente que as forças dos membros da companhia esvaiam-se diante das muitas armadilhas que o local guarda, Jackson também confunde a cabeça do espectador com câmeras que rotacionam constantemente ao redor dos personagens e uma edição inteligente que vai deixando as imagens cada vez mais psicodélicas, o que provoca um certeiro efeito de tontura e pânico. Após a passagem pelo reino de Thranduil (Lee Pace), outro lugar que destaca-se pela cenário impecável, cheio de detalhes, o cenário da floresta ainda rende aquela que talvez seja uma das cenas de ação mais divertidas dos últimos anos: em um plano sequência impressionante, os anões usam barris e uma corredeira para escaparem da prisão élfica enquanto Legolas (Orlando Bloom) surge, para delírio de todos, tão ou mais “apelão” do que havíamos visto na trilogia O Senhor dos Anéis. Para dizer pouco, a precisão e a habilidade do personagem em pular e atirar aqui colocam no chinelo outro momento épico dele, a inesquecível derrubada do elefante no clímax do O Retorno do Rei.

O Hobbit - A Desolação de Smaug - Cena 4Tendo deixado a floresta para trás e resolvido alguns problemas na Cidade dos Lagos, Bilbo e seus amigos chegam finalmente na Montanha Solitária, o que, em outras palavras, significa que finalmente veremos o Smaug em ação. Lembro-me que, quando O Hobbit ainda estava na pré-produção, alguém (sinceramente não lembro se foi o Peter Jackson ou o Guillermo del Toro, que na ocasião ainda era o diretor) disse que os efeitos especiais que seriam usados para darem vida ao dragão estabeleceriam novos padrões para a computação gráfica aplicada ao cinema. Uma declaração desse peso, somada a expectativa de ver na tela Vossa Magneficência, o primeiro e único destruidor, transformam a entrada no salão dos anões em um momento especialmente tenso, daqueles que tu prende a respiração e, tal qual o Bilbo, tenta não fazer um barulho sequer. O hobbit vai descendo, examinando alguns artefatos à procura da Arkenstone, até que um olho abre-se, uma narina expele ar quente e uma quantidade colossal de peças de ouro move-se para revelar o guardião do tesouro. Dublado pelo hypado Benedict Cumberbatch, Smaug surge na tela tão ou mais gigantesco e amedrontador do que eu havia imaginado quando li o livro. Bilbo, que é descoberto de imediato pelo dragão, até tenta ganhar a confiança de seu inimigo bajulando-o e fazendo uma ou outra gracinha, mas o clima nessa cena é digno de filmes de terror. Se os efeitos utilizados aqui representam ou não algum avanço na computação gráfica eu não sei, mas é fato que eles são excelentes e que, juntos com a interpretação magnífica do Martin Freeman, que interage perfeitamente com o CGI, nos fazem ACREDITAR que o que vemos é real.

O Hobbit - A Desolação de Smaug - CenaA Desolação de Smaug, ainda que possua quase 3 horas, passa bem mais rápido do que seu antecessor. Livre da necessidade de contextualizar certos eventos e apresentar personagens, Peter Jackson transformou essa sequência em um filme dinâmico, repleto de cenas de ação inesquecíveis e diálogos que preparam o público tanto para a batalha que será mostrada em Lá e de Volta Outra Vez quanto para a história que já conhecemos nas trilogia O Senhor dos Anéis. Temos aqui mais uma obra prima do cinema de fantasia contemporâneo, um filme que PRECISA ser visto no cinema, com toda a quantidade de recursos de som e imagem possíveis, por ser, infelizmente (sim, já estou lamentando) uma das nossas últimas portas de entrada para a Terra Média.

O Hobbit - A Desolação de Smaug - Cena 5

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada (2012)

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O Hobbit - Uma Jornada InesperadaMinha história com o mundo do Tolkien não começou em um buraco no chão. Há alguns anos, comprei de um amigo um ingresso que ele havia adquirido para uma sessão em que ele não poderia comparecer. Tal qual aconteceu com o João e seus feijões mágicos, o preço pago provou-se completamente inferior ao benefício recebido: o filme era O Senhor dos Aneis – As Duas Torres e, ao sair da sala de cinema, eu seguramente não era mais o mesmo. Assisti o filme na telona mais 2 vezes, compareci outras 3 para ver O Retorno do Rei, li os três livros da trilogia, voltei a ser criança nas páginas do O Hobbit e, por ainda não estar maduro o suficiente, abandonei o Silmarillion após algumas dezenas de páginas. Ganhei esse ano o box com os três filmes, reassisti a jornada do Frodo para destruir o anel e, no meio de todas aquelas emoções que a história traz e de todos os detalhes da produção revelados nos extras, eu lembrei-me de uma declaração polêmica do Francis Ford Coppola (O Senhor dos Anéis e uma obra magna e insuperável no cinema) e não pude deixar de concordar com ele.

O Hobbit - Uma Jornada Inesperada - CenaPor isso e por tudo que a trilogia significou pra mim no sentido de direcionar grande parte dos meus interesses culturais, a expectativa para O Hobbit era colossal. Esperei muito para ver filmes como o Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge e Os Vingadores, mas nehuma dessas esperas compara-se com o “sofrimento” causado pelo aguardo da estréia desse filme. Na minha humilde opinião, ver esse filme no cinema é muito mais do que uma simples sessão. O Hobbit: Uma Jornada Inesperada é um EVENTO, uma daquelas coisas que daqui alguns anos eu me orgulharei de dizer que fiz assim como eu tenho certeza que alguém que assistiu filmes como O Poderoso Chefão e Pulp Fiction na telona também o tem. Na minha cabeça, não havia NENHUMA chance desse filme ser algo menos do que sensacional. Comprei meu ingresso e 2 latas de energético e fui para a pré-estréia do Cinemark local ocorrida dia 13/12 (quinta) as 23:55hrs. E dái que eu tinha que acordar no outro dia as 07hrs para fazer uma prova importantíssima? Era a Terra Média, pô! Era tudo, TUDO aquilo que eu mais gostava de volta ao cinema… O filme acabou e eu não acreditei no que eu havia visto. Comprei outro ingresso e ontem (14/12) assisti novamente. Ainda não estou acreditando…

60 anos antes da história contada em A Sociedade do Anel, Bilbo Bolseiro (Martin Freeman) era apenas mais um hobbit satisfeito com sua vida tranquila no Condado. Um dia ele recebe a visita do mago Gandalf (Ian McKellen) e é convidado para participar de uma aventura onde ele deveria desempenhar o papel de um ladrão. Aventura? Roubar? “Isso não pertence aos hobbits!”, argumentou Bilbo ao fechar a porta de sua toca para Gandalf. Confiante em sua escolha, o mago insiste e leva 13 anões para a casa do Hobbit. O plano é explicado, canções são cantadas, o depósito de comida é esvaziado e, após uma nova recusa, a curiosidade vence Bilbo e ele junta-se ao grupo que dirige-se ao longínquo reino de Erebor para recuperar aquela que fora a maior de todas as cidades dos anões. Tomada pelo terrível dragão Smaug, Erebor guarda um tesouro lendário e a chance de Thorin Escudo de Carvalho recuperar o trono e o orgulho de seu povo.

O Hobbit - Uma Jornada Inesperada - Cena 2

… ainda não estou acreditando no quão mágico foi tudo o que eu vi. Sim, mágico é a melhor palavra para descrever O Hobbit. O livro, que é claramente voltado para o público infanto-juvenil, transformou-se em um filme que nos leva de volta a infância, que nos faz acreditar, devido a habilidade inquestionável do Peter Jackson e de sua equipe, que a Terra Média é REAL. Li alguns comentários em redes sociais e em sites sobre cinema que acusam o filme de ser “moroso e arrastado”, principalmente durante a primeira metade da projeção. Meus amigos, viva as diferenças! Sinto-me verdadeiramente privilegiado por, justamente nessa primeira etapa do filme, encontrar a minha porta de entrada para o mundo do Tolkien. As histórias da Terra Média são feitas, sem dúvida alguma, de batalhas épicas e feitos heróicos, mas momentos como o encontro com o Balrog em Moria e o confronto decisivo entre humanos e orcs nos portões de Minas Tirith não teriam o mesmo impacto não fossem todas as cenas de preparação para aquela jornada, com os personagens comendo e contando sobre suas espectativas, parentes e histórias. Bilbo, de fato, demora para decidir se irá ou não juntar-se ao grupo, mas quer saber? Eu nem vi o tempo passando. Os anões são muito divertidos e diferentes entre si, ri muito e me afeiçoei a cada um deles durante o tumultuado jantar na toca do hobbit.

THE HOBBIT: AN UNEXPECTED JOURNEY

Passado esse momento inicial, onde os personagens habituam-se uns aos outros, Bilbo e o espectador saem verdadeiramente para uma aventura. Convenhamos, estranho seria se o Gandalf convidasse o Hobbit para ir para o outro lado do mundo fazer algo extremamente perigoso e ele falasse “Beleza, vamos lá”. No caminho percorrido pelos personagens nesse primeiro filme, vemos algumas das passagens mais marcantes do livro ganharem vida, como a luta contra os Trolls e a disputa de adivinhas entre Bilbo e Sméagol, sendo que todas elas são emocionantes. Durante as adivinhas, aliás, vemos uma veia cômica involuntária do Gollum que tanto reforçam o aspecto infanto-juvenil da obra, visto que na trilogia ele é extremamente sombrio, quanto provam novamente a grandeza do Andy Serkis enquanto ator. No quesito atuação, vale ainda uma salva de palmas para o Martin Freeman por suas muitas caras e bocas que fizeram o Bilbo estar tão ou mais engraçado do que os anões. Reparem nele fumando no começo do filme enquanto conversa com o Gandalf. Genial é pouco.

Trolls, Radagast, Valfenda (olha quem voltou!), uma correria a la Indiana Jones nos domínios do Rei dos Goblins e o confronto entre Azog e Thorin. O Hobbit: Uma Jornada Inesperada faz para essa nova trilogia aquilo que A Socidade do Anel fez para os filmes que o Copolla chamou de “uma obra magna e insuperável”: introduz a história, apresenta os personagens e, depois de fazer com que o público afeiçoe-se a eles, mostra o início de uma aventura que nos fará sonhar pelos próximos 2 anos.  Toda e qualquer dúvida que eu tinha sobre a divisão do segundo filme em 2 longas transformou-se em expectativa após o término da sessão. Eu quero mais desse mundo, quero mais da mensagem do Tolkien de que seres comuns sãos os grandes responsáveis pelo destino do mundo e quero mais da qualidade e do amor que o Peter Jackson investiu nessas histórias. Que venha A Desolação de Smaug, vida longa a magia do Tolkien e ao trabalho do Peter Jackson!

THE HOBBIT: AN UNEXPECTED JOURNEY