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T2 Trainspotting (2017)

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Quase 20 dias sem postar e só posso pensar em 2 culpados:

  • Final Fantasy Brave Exvius: Estou completamente viciado nesse jogo da Square Enix. Maldito seja o infeliz que teve a ideia de reunir, numa mesma história, personagens de todos os games da série Final Fantasy. Comecei de leve, fazendo apenas as missões diárias, e hoje, cerca de um ano depois que instalei o aplicativo, estou acordando durante a madrugada para jogar e vendo itens do mesmo aparecerem na minha fatura de cartão de crédito. Droga!
  • Final de bimestre: Nas últimas duas semanas, eu precisei dedicar grande parte do meu tempo livre para elaborar/corrigir provas, atualizar diários e ouvir as muitas e comoventes histórias dos meus alunos que, pelos mais incríveis e inacreditáveis motivos, não conseguiram apresentar os trabalhos solicitados a tempo.

O cansaço físico e mental é grande, mas as férias estão chegando e, aos poucos, eu vou conseguindo encontrar tempo para voltar a assistir filmes e atualizar o blog com regularidade.

O último título que consegui ver, aliás, foi esse T2 Trainspotting, continuação do diretor inglês Danny Boyle para o icônico trabalho que o apresentou para o mundo em 1996. Boyle imaginou como estariam Renton (Ewan McGregor), Simon (Jonny Lee Miller), Spud (Ewen Bremner) e Begbie (Robert Carlyle) 20 anos após os eventos do primeiro filme e realizou uma sequência que, mesmo sem provocar o mesmo impacto do original, certamente agrada aos fãs do clássico pela nostalgia e pela atualização do discurso irônico e afiado contra os vícios da modernidade.

Depois de roubar os amigos e fugir com o dinheiro que eles haviam ganhado numa venda de drogas, Renton escolheu viver. Ele escolheu um serviço, uma família e, muito provavelmente, ele comprou uma televisão grande pra caralho. A felicidade, no entanto, não veio. O emprego não deu certo, a família acabou e a TV de muitas polegadas continuou exibindo os mesmos e velhos programas chatos de auditório. Foi aí que Renton resolveu largar tudo (ou o pouco que havia sobrado) e retornar para a Escócia para encontrar seus velhos amigos.

T2 Trainspotting faz esse movimento legal de mostrar um personagem que conseguiu o que queria (uma vida responsável, séria e estável longe das drogas), não gostou (ou não aproveitou bem a oportunidade) e então decidiu recorrer ao passado que ele havia negado como forma de recomeçar. É como se Renton tivesse largado um relacionamento ruim, começado outro e então tivesse sentido falta da ex. E voltar com ex, meus amigos, é aquele negócio: no começo pode até ser bom, pela familiaridade e tal, mas logo logo os problemas reaparecem e você lembra do porque havia terminado.

Renton queria rever Spud, saber o que o cara havia feito com a  grana que ele havia lhe deixado, mas o encontro acontece da pior forma possível. Numa daquelas coincidências pontuais do cinema, o personagem abre a porta de um apartamento velho e sujo bem no momento em que o amigo estava tentando suicidar-se. Renton salva Spud da morte, mas, em troca, ouve uma cacetada: “Você arruinou minha vida! Você deu 4.000 libras para um viciado! O que você pensou que eu fosse fazer?”. Não era bem o que ele esperava.

Renton queria rever Simon, mas ele sabia que não seria um encontro fácil. Na última vez que estiveram juntos, Renton deixou o amigo dormindo e fugiu levando o dinheiro que eles deveriam dividir. O reencontro acontece num velho pub, local que Simon herdou do pai e que agora ele toca para ganhar uns trocados. Conversa vai, conversa vem, Simon bate com um taco de sinuca nas costelas de Renton e inicia uma briga que destrói boa parte da mobília do bar. “16 mil libras! Seu ladrão desgraçado!”. Expurgado o ressentimento, os dois personagens reatam a amizade e voltam a fazer planos juntos, mas Simon revela para sua namorada, Veronika (Anjela Nedyalkova), que ele ainda pretende vingar-se de amigo.

Renton certamente não queria rever Begbie. Um cara que não acha difícil bater com uma caneca de cerveja no rosto de um estranho pode até ser útil em determinadas situações, mas definitivamente não é alguém pra você ter como inimigo. Renton roubou Begbie e foi indiretamente responsável por sua prisão (o cara quebrou um quarto de hotel inteiro quando ficou sabendo que fora passado para trás), logo ele sabia que era bom evitar o sujeito. Tal tarefa não parecia muito difícil, visto que o cara estava preso, mas, noutra dessas coincidências pontuais do cinema, a chegada de Renton na cidade coincide com a fuga de Begbie da prisão (e a cena em que isso acontece não deve nada para as antigas loucuras do personagem) e aí o acerto de contas passa a ser apenas uma questão de tempo.

Renton é o protagonista de T2 Trainspotting e o foco aqui, tal qual foi no primeiro filme, são as relações intensas porém efêmeras do personagem com seus amigos e com o meio em que eles vivem. Danny Boyle revisita o discurso “Choose Life” para atacar os novos vícios da sociedade (redes sociais, pornô, reality shows) e vale-se de uma edição audaciosa (adorei aquele ‘elevador’ artificial no prédio do Spud) e de uma trilha sonora onipresente para dar leveza e humor a um tema que é bastante sério. Talvez os três grandes momentos do filme sejam a cantoria no clube dos patriotas, a reedição da cena do “atropelamento” do Renton e o confronto final entre os personagens e Begbie, mas o que eu mais gostei foram os arcos da história que envolvem o Spud.

Desde o primeiro Trainspotting, o Spud era aquele cara engraçadão, doido e gente boa que todo mundo gosta mas que ninguém leva muito a sério. Me assustou, portanto, ver o cara tentando cometer suicídio no início desse filme. Ao escrever para a mulher antes de enfiar a cabeça dentro de um saco e asfixiar-se, Spud diz: “Eu sei que você e nosso filho estão em um mundo melhor sem todo o meu caos”. Caralho, caras. A personalidade expansiva e o jeito brincalhão do cara, no fim, revelaram-se disfarces para um vazio existencial que ele não suportou carregar. Quando Renton encontra-o e impede que ele se mate, Spud inicia um processo difícil de tentar canalizar o vício em drogas para outras atividades. Ele tenta correr, lutar boxe… tudo sem sucesso. Finalmente, quando parecia não haver mais esperanças, Spud encontra na escrita algo que ele gosta de fazer. E Spud começa a escrever sobre seu passado insano ao lado de Renton, Simon e Begbie e, para sua própria surpresa, ele vê que é bom no que faz. E é assim, canalizando suas energias e impulsos para algo produtivo e prazeroso, que o legalzão Spud começa a reencontrar seu caminho. Eu, que também tenho meus problemas, tenho jogado bastante. Pretendo voltar a escrever com regularidade também.

A Bela e a Fera (2017)

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Apesar dos avisos do pastor Silas Malafaia, optei por correr o risco de “virar gay” e fui conferir esta nova versão do conto de fadas francês A Bela e a Fera. No vídeo que pode ser visto clicando no link acima, Malafaia acusa a Disney de “comprar a agenda gay” e de ensinar sexualidade para o público, especialmente para as crianças. Segundo o pastor, a decisão do estúdio de incluir no filme um personagem abertamente homossexual (LeFou, interpretado pelo Josh Gad) é uma tentativa “asquerosa e nojenta” de erotizar a molecada.

Malafaia gravou o tal vídeo no dia 02/03 e, segundo o IMDB, A Bela e a Fera (e o LeFou) só estreou no Brasil no dia 16/03, ou seja, é bem provável que ele emitiu aquela opinião ANTES de ver o filme. É claro que o pastor pode ter tido acesso ao material em uma pré-estreia exclusiva, mas o que me parece é que, ciente das informações que foram divulgadas sobre o personagem antes do lançamento, Malafaia adiantou-se e convidou seus seguidores a boicotarem o produto da Disney.

Faço essas considerações pois, por mais que eu preze pelo respeito às crenças alheias, não consegui encontrar em A Bela e a Fera o conteúdo preocupante apontado pelo Malafaia. É fato que o LeFou está mais purpurinado do que seu correspondente da animação de 1991, mas daí a dizer que o filme propõe-se a erotizar crianças e ensinar-lhes sexualidade é um absurdo, o tipo de erro grotesco que geralmente é cometido por quem fala de algo que não sabe (ou não viu). Tal qual fazia anteriormente, o personagem continua beijando o chão que o Gaston (Luke Evans) pisa e cantando sua canção que enaltece as “qualidades” do valentão. Os trejeitos dele não deixam dúvidas que, se pudesse, ele beberia daquela água, mas é só. Sem beijos, sem carícias, sem nada que os pais de uma família tradicional precisem tampar os olhos dos filhos por medo deles saírem do cinema arrotando arco-íris. É, portanto, no mínimo quixotesca a preocupação do pastor com o LeFou. O fato de haver revolta contra a homossexualidade do personagem e silêncio contra o machismo e a truculência de Gaston, que continua querendo obrigar Bela (Emma Watson) a casar-se com ele para massagear-lhe os pés, diz muito a respeito das prioridades e do caráter do Malafaia.

Eu, que continuo gostando de mulheres a despeito dos esforços do simpático LeFou, também sigo apreciando musicais e acredito que dificilmente veremos algo tão bom do gênero nos cinemas esse ano quanto esse A Bela e a Fera. Conta-se que, inicialmente, a intenção da Disney era refilmar a história como um longa metragem comum, sem as músicas, ao que o diretor Bill Condon (dos dançantes Dreamgirls e Chicago) respondeu “Vocês são loucos? Pretendem fazer uma adaptação enorme e bonitona e deixar ‘Be Our Guest’ de lado?”. Que bom que deram ouvidos ao diretor: a tecnologia atual e a grandiosidade dos figurinos e dos cenários, por si só, já tornariam esta versão válida e interessante, mas é na parte musical que a história continua tocando nossos corações.

Nesse conto tão velho quanto o próprio tempo (na verdade, ele foi escrito em 1740 pela francesa Gabrielle-Suzanne Babot), Bela é uma garota entediada pela vida provinciana que a cerca. Num mundo organizado para que as maiores ambições de uma mulher sejam encontrar um marido e cuidar da casa, Bela é uma inventora apaixonada por livros que espanta todos tanto por seu jeito independente quanto por resistir aos avanços do bonitão Gaston, o solteirão mais cobiçado do vilarejo. Certo dia, Maurice (Kevin Kline), o pai de Bela, é capturado por uma fera monstruosa (Dan Stevens) e preso nas masmorras de um castelo. O crime dele? Colher uma rosa do jardim da propriedade para levar para a filha. Procurando reparar a injustiça, Bela oferece para trocar de lugar na prisão com o pai, proposta que é aceita pela Fera com a condição de que a moça nunca mais abandone o local.

Quem viu a animação sabe que a Bela e a Fera irão se apaixonar (ele pelo caráter dela, ela pela intelectualidade e coragem dele) e que isso quebrará o feitiço que havia transformado o príncipe egoísta numa criatura monstruosa. Gaston, obviamente, não ficará nada feliz em ser preterido por uma bola de pelos gigante e incitará a população do vilarejo a atacar o castelo, o que provocará uma batalha épica e divertida onde relógios (Ian McKellen), candelabros (Ewan McGregor) e bules de chá (Emma Thompson) colocarão todo mundo para correr. Condon respeitou a estrutura principal da história, mas retirou os excessos (a invenção maluca de Maurice, o velho calhorda do hospício), adicionou subtramas (a mãe e a infância de Bela) e 3 novas canções (How Does a Moment Last Forever, Days in the Sun e Evermore). Essas alterações, longe de comprometerem passagens e memórias caras aos fãs, tornaram a história mais coesa, principalmente no tocante à luz que é jogada no passado trágico da protagonista.

Ainda que conserve elementos de magia e diversão comumente associados à infância, de modo geral este A Bela e Fera está um pouco mais adulto e sombrio do que seu antecessor, tanto pela forma mais incisiva de abordar temas como o machismo (Emma Watson não economizou desprezo no olhar ao encarar o tosco Gaston) quanto pelo visual: se o Fera da animação era uma espécie de cachorrão que dava vontade de fazer um cafuné, esta nova versão, com chifres de bode e tudo mais, parece o próprio filho do cramunhão. Todo caso, cumpriu-se bem a tarefa de atualizar a história atemporal do poder da beleza interior para esta geração: as reencenações da psicodélica Be Our Guest e da apaixonante Beauty and the Beast utilizaram o que há de melhor em computação gráfica para criar um espetáculo soberbo em 3D e, no fim, o prepotente e arrogante Gaston voltou a receber o que ele merece, tal qual deve ser. Acreditem, não há o que boicotar aqui: a Disney acertou em transformar um de seus maiores clássicos em um magnífico live action e continua de parabéns por, mais do que desenvolver produtos para entreter crianças, preocupar-se em levar exemplos de diversidade e respeito às diferenças para as telas de cinema. Quero mais Mickey e menos Malafaia.

O Sonho de Cassandra (2007)

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O Sonho de CassandraDando continuidade ao processo de “democratização” do blog que iniciei aqui, pedi para que minha esposa sugerisse outro filme para assistirmos e a escolha desta vez foi esse O Sonho de Cassandra. Ela leu em algum lugar que o longa foi baseado no livro Crime e Castigo do Dostoiévski e, como estamos com O Jogador e o Memórias da Casa dos Mortos na cabeceira de nossa cama, achou por bem aproveitar o momento para vermos algo que também fosse relacionado à obra do escritor russo.

Escrito e dirigido pelo agora octogenário Woody Allen, O Sonho de Cassandra conta a história de dois irmãos que esforçam-se, cada um da sua maneira, para melhorarem suas precárias condições financeiras. Ian (Ewan MecGregor) agrada os pais trabalhando no restaurante da família, mas tudo o que ele deseja mesmo é juntar grana para investir em uma rede de hotéis. Já Terry (Colin Farrell), apesar de ser um bom mecânico e ter um relacionamento estável com a divertida Kate (Sally Hawkins), entrega-se constantemente ao vício pelos jogos de azar esperançoso de conseguir dinheiro fácil. Logo no início da trama eles adquirem um barco (que é batizado de Sonho de Cassandra) e então a possibilidade de uma vida agradável, ainda que simples, torna-se palpável, mas aí as forças do destino (ou seria da ganância?) entram em jogo e mudam tudo. Terry perde uma fortuna no jogo de cartas e recebe do tio, o único que pode ajudar-lhe a pagar a dívida, uma tarefa sombria: ele e o irmão devem assassinar um homem.

O Sonho de Cassandra - Cena 3Antes de falar sobre os paralelos que consegui estabelecer entre o filme e o livro Crime e Castigo, falo sobre algo que não consegui entender. A escolha do título de um filme, mesmo aqueles toscos atribuídos as traduções nacionais, nunca é por acaso. Minimamente, o título costuma dar uma idéia do que será contado, seja anunciando o nome do personagem, o tema da história ou o local em que a trama será ambientada. Há também quem prefira utilizar metáforas que, quando compreendidas, revelam a essência, por assim dizer, do roteiro. O Sonho de Cassandra encaixa-se nesse último caso. Logo no início, Terry, o apostador emotivo vivido pelo Colin Farrell, diz que “sonho” e “Cassandra” são os nomes dos cachorros que garantiram-lhe em uma corrida o dinheiro para comprar o barco, por isso ele batizou-o de Sonho de Cassandra. Depois disso, o termo não é citado mais nenhuma vez ao logo do filme, então resta-me acreditar que, mais do que simplesmente dar nome à uma embarcação, ele representa uma idéia que resume o filme. Mas qual seria essa idéia? Não consegui uma resposta satisfatória para essa questão.

O Sonho de Cassandra - Cena 4A única Cassandra que consegui relacionar ao título foi a personagem da mitologia grega. Filha de Príamo, rei de Tróia, Cassandra, que era profetisa, foi amaldiçoada pelo deus do sol de modo que ninguém acreditaria nas previsões dela, evento que está diretamente ligado à queda de Tróia. O que isso tem a ver com o filme do Woody Allen? Qual a relação do sonho de uma profetisa desacreditada e a história de dois irmãos gananciosos? Difícil falar. Eu poderia arriscar a dizer que, assim como a habilidade de prever o futuro não foi o suficiente para salvar Tróia, os planos de Ian e Terry também livraram-nos da ruína, mas isso seria uma explicação rasa e grotesca. Prefiro então reconhecer que não entendi a referência. A humildade, como o próprio Allen mostrou na famosa cena da fila de cinema do Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, é preferível ao pedantismo.

O Sonho de Cassandra - Cena 2Felizmente, não tive a mesma dificuldade para entender as referências à obra do Dostoiévski. O diretor, que já recorrido ao Crime e Castigo no Ponto Final – Match Point para relativizar a moral da história do perturbado Raskólnikov, aqui segue a risca a idéia do escritor russo: mentalmente, não é possível escapar ileso de uma transgressão social. Ian, ao contrário do irmão, é mais centrado e racional, mas nem o pragmatismo dele será suficiente para salvá-lo das consequências do ato macabro que eles cometem na metade da trama. As dificuldades enfrentadas pela dupla para executar o plano, aliás, me lembraram muito aquelas descritas pelo Dostoiévski nas páginas de seu livro. Ao contrário do que muitos filmes/livros fazem parecer, não deve ser muito fácil matar uma pessoa rs (o mestre Hitchcock sabia disso muito bem).

Sem essas análises inglórias sobre títulos misteriosos ou comparações com obras da literatura russa, O Sonho de Cassandra é um filme relativamente fácil de ser assistido. Temos aqui um suspense envolvendo um assassinato e seus desdobramentos, porém o foco, ao contrário da maioria dos filmes do gênero, é mais psicológico do que policial. Não achei que os diálogos sejam tão bons quanto os de outros títulos do diretor, mas ainda assim é um bom filme para ser visto num sábado a tarde e, mais uma vez, não me arrependi de ter aberto esse espaço para uma indicação 🙂

O Sonho de Cassandra - Cena

Álbum de Família (2013)

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Álbum de FamíliaA uma semana do Oscar, dirijo-me a vocês para cravar a primeira “injustiça” cometida pela Academia em 2014: é absolutamente inaceitável que Álbum de Família não esteja concorrendo à estatueta de Melhor Filme. O absurdo reside no fato de indicarem na mesma categoria filmes apenas medianos como Philomena mas também, e principalmente, nas muitas qualidades que podem ser atribuídas ao longa conduzido pelo diretor John Wells.

Violet (Meryl Streep) e Beverly Weston (Sam Shepard) vivem e destroem-se mutuamente em um casarão nas planícies da ensolarada Oklahoma. Ela é viciada em tranquilizantes e ele é um escritor alcoólatra. Após anos de uma convivência doentia, Beverly morre afogado durante um passeio de barco e Violet convoca as três filhas, Barbara (Julia Roberts), Ivy (Julianne Nicholson) e Karen (Juliette Lewis) para o funeral. No jantar que segue-se ao enterro, a matriarca expõe fatos e mexe em feridas que há muito haviam cicatrizado, criando um clima de loucura que leva a uma catarse coletiva e à cena do poster onde Barbara rola no chão com a própria mãe.

Baseado em uma peça de teatro do escritor Tracy Letts (que também adaptou o roteiro para o cinema), Álbum de Família é um desses filmes que expõe o lado feio das nossas relações. Lembrando muito o clássico Quem Tem Medo de Virgínia Woolf?, o longa de John Wells é todo baseado em pessoas à beira de um colapso psicológico encarando-se e ofendendo-se mutuamente com aquelas verdades inconvenientes que, na maioria das vezes, preferimos não dizer para conservarmos nossos relacionamentos, sejam eles com nossos pais, irmãos ou esposas/os.

Álbum de Família - Cena 2Violet é, por assim dizer, o olho do furacão Weston. Lutando, ironicamente, contra um câncer de boca, ela não hesita em acender um cigarro após o outro e parece fazer questão de arrastar todos para o fundo do poço emocional em que ela encontra-se. Misturando críticas lúcidas com ataques cruéis e ensandecidos contra a própria prole, a personagem transita com naturalidade entre a razão e a loucura e dá a Meryl Streep outra oportunidade de mostrar o porque de ela ser uma das melhores atrizes de todos os tempos. A atriz, que concorre ao Oscar pela 18ª vez (venceu 3), está verdadeiramente monstruosa aqui, tanto visualmente, já que ela usa uma peruca ridícula (que, coincidência ou não, lembra muito o cabelo da Elizabeth Taylor no filme do Nichols) e ostenta rugas profundas conseguidas através de um ótimo trabalho de maquiagem, quanto artisticamente, entregando outra daquelas atuações que tu assiste com a palavra “Oscar” na mente o tempo todo. Cada uma a sua maneira, Cate Blanchett, Amy Adams, Sandra Bullock e Judi Dench fizeram ótimos trabalhos nos filmes que lhes garantiram a indicação desse ano, mas há um verdadeiro abismo entre o que elas realizaram e o que é feito pela Meryl aqui. Tendo o Globo de Ouro como uma prévia do Oscar, novamente devem dar o prêmio para outra pessoa, provavelmente para a Amy Adams, que também provavelmente fará um discurso incrédulo sobre ter vencido a Meryl Streep enquanto todos os presentes na cerimônia riem concordando com ela.

Álbum de Família - CenaAssim como Trapaça, Álbum de Família é um filme baseado em diálogos e no poder de interpretação de seus atores. Meryl está acompanhada de talentos como Benedict Cumberbatch, Chris Cooper (até então desconhecido pra mim) e, claro, da Julia Roberts, que representa uma espécie de “versão pré-loucura” da própria mãe e que, pelo pulso e entrega ao personagem, também concorre ao Oscar, no caso, de Melhor Atriz Coadjuvante. Diferentemente, no entanto, do longa superestimado do Russel, esse filme aqui possui um roteiro à altura do trabalho de seus atores.

Álbum de Família - Cena 3Com sua história, Tracy Letts desconstrói a unidade familiar que vem apenas do elo sanguíneo e isso incomoda e nos faz pensar. A família, que é tida por muitos como uma “instituição falida”, é mostrada como tal e, com mais ou menos intensidade, poderemos identificarmo-nos com os personagens e com as “injustiças” que eles sofreram dentro dela, principalmente daquelas que envolvem Violet, mas quando olhamos com mais cuidados vemos que não há inocentes ali. Barbara é autoritária, Ivy é passiva e Karen é egoísta, personalidades/defeitos que, obviamente, elas herdaram dos pais, mas que também, por outro lado, elas não conseguiram “superar”. Na época onde o filme é ambientado, percebemos que elas repassam e cultivam esses mesmos valores em seus relacionamentos, o que, se não absolve Violet de seus ataques de fúria, pelo menos a tornam “mais humana”. No final das contas, Tracy parece dizer, não somos nem melhores nem piores do que nossos familiares e, se não há união familiar, a responsabilidade é de todos, cabendo a cada um romper o ciclo de defeitos, acusações e mágoas.

Álbum de Família - Cena 4Os méritos de Álbum de Família são escandalosos, Academia. Além das interpretações irretocáveis já citadas, o desenvolvimento é satisfatório (não há muita enrolação antes do quebra pau começar e todos os personagens tem um grande momento dentro da trama), a escolha das músicas foi muito feliz (destaco essa balada do Kings of Leon executada nos créditos) e, quando pensamos que não seria possível as coisas ficarem piores, o roteiro consistente também faz algumas revelações polêmicas envolvendo incesto e pedofilia envolvendo a família. Pobre Pequeno Charles. Pessoalmente, chamo a atenção ainda para dois diálogos inesquecíveis do filme. O primeiro é quando Karen, confrontada com uma possível traição do marido, decide ficar não do lado dele, mas sim do dela mesma, preferindo ignorar esse tipo de “detalhe” em nome da felicidade que ela alcançou ou julga ter alcançado. A contradição dessa cena e o desespero da personagem são tocantes. O segundo é quando, cansado de toda aquela lavação de roupa suja, o personagem do Chris Cooper dá um sermão na própria mulher, dizendo que eles são amargos não porque a vida foi ruim para eles, mas porque eles mesmos escolheram ser assim. “Porque vocês se machucam assim? Ninguém na minha família é assim”. Não acredito que ele tenha crescido em uma família sem problemas, mas ele definitivamente decidiu ser uma pessoa boa, tratando bem “coitados” como o Pequeno Charles e contando uma piada para aliviar os ânimos quando o clima esquenta, como acontece na mesa de jantar quando ele brinca com o vegetarianismo da personagem da Abigail “you have nice tits” Breslin.

A vida é longa, diz Beverly citando T. S. Elliot no início, e espero que essa longevidade consagre a qualidade de Álbum de Família que a Academia não reconheceu, transformando-o em um clássico do gênero que ele definitivamente é. Por ora, dedos cruzados pela Meryl Streep.

Álbum de Família - Cena 5

Amor Impossível (2011)

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Amor ImpossívelAdoro esse período que antecede as cerimônias de entrega do Globo de Ouro e do Oscar. Desnecessário dizer que o fato de um filme ser indicado e/ou premiado não o torna necessariamente “melhor” do que outras produções lançadas no mesmo ano (alguns dos meus filmes favoritos, como o Watchmen, não receberam nenhuma indicação), mas de qualquer modo as listas de concorrentes constituem um guia interessante e válido para orientarmo-nos sobre o que tem sido produzido e comentado no mercado cinematográfico.

Amor Impossível, apesar de ter sido lançado oficialmente em setembro de 2011 no Festival de Toronto, está concorrendo esse ano ao Globo de Ouro de Melhor Filme: Musical ou Comédia, um daqueles casos onde foi levada em consideração a data de lançamento norte-americana para fins de premiações. Do diretor Lasse Hallstrom (Sempre ao Seu Lado, Chocolate), conta a história do sonho do Sheikh Muhammed (Amr Waked) em construir um local para a pesca de salmão no meio do deserto do Iémen. Para o projeto, ele solicita à sua secretária (Emily Blunt) a contratação do especialista em salmões (HA!) Dr. Alfred Jones (Ewan McGregor) e inicia conversas com o governo britânico, aqui representado pela assistente do primeiro ministro (Kristin Scott Thomas), para viabilizar a compra dos peixes.

Considerando os meus critérios na hora de escolher um filme, afirmo que dificilmente eu assistiria Amor Impossível não fosse a indicação ao Globo de Ouro. O título remete a um romance genérico, o diretor possui alguns filmes bons (não gosto do Sempre ao Seu Lado :D) mas nada que até agora me tenha feito ficar interessado no trabalho dele e o tema, pelo menos o que pode ser extraído ao ler-se a sinopse (pesca de salmão no deserto!) não é atrativo. Como dificilmente um clichê ambulante é indicado a um desses prêmios, comecei a assistir o longa interessado principalmente em saber o que ele tinha de especial para merece a atenção dos críticos. No final, após algumas boas risadas, eu percebi que, além de uma história bonitinha e um bom elenco, o filme dirigido por Hallstrom é um daqueles trabalhos que, tal qual produções como Quem Quer Ser Um Milionário?, nos inspira e enche nossos corações com bons sentimentos.

Muhammed , Dr. Alfred Jones e Harriet

Muhammed , Dr. Alfred Jones e Harriet

Temos aqui a história de pessoas que decidiram, assim como o salmão durante a migração, nadar contra a correnteza do comodismo e darem uma chance para seus sonhos. Ao contrário do que pensa-se inicialmente, Muhammed não quer apenas construir um paraíso artificial para praticar pescaria. Indo contra o fundamentalismo religioso local que considera levar água para o deserto uma ofensa a Deus, o Sheikh deseja investir dinheiro em um projeto que trará desenvolvimento e oportunidades para a população local através da cultura da pesca. Contratado para viabilizar esse sonho, o cético Dr. Alfred Jones não acredita que seja possível criar salmão no Iémen e revela-se uma pessoa infeliz com o relacionamento frio e distante que sustenta com a esposa. Assim como Muhammed decide ir contra a opinião de todos para colocar em prática sua idéia, Alfred também “nada contra a correnteza” social (o que, aliás, pode ser visto de forma quase literal em uma cena devido a uma câmera habilmente colocada por Hallstrom acima da multidão) do casamento por conveniência ao dar uma nova chance para si mesmo quando interessa-se por Harriet. O elemento dificultador, que, segundo o título nacional infeliz, torna esse amor “impossível”, é o fato de Harriet ser apaixonada por um soldado enviado para a guerra do qual ela aguarda ansiosa por notícias.

A idéia central de Amor Impossível é o velho e bom “nunca desista dos seus sonhos”. Desde idéias absurdas como criar salmões no deserto até situações mais próximas do cotidiano, como não desistir de ser feliz nem de lutar pela mulher amada, o filme nos mostra com uma boa dose de humor que não é só porque alguém disse que algo não pode ser feito que nós não devemos tentar. O sentimentalismo que já foi explorado antes em filmes como Homens de Honra funciona aqui principalmente por conta da química entre Blunt e McGregor, a aura romântica da atriz casou muito bem com o tipo tímido construído pelo ator e a queda do obstáculo que existe entre os dois é motivo de torcida por parte do espectador. Apesar de apelar para um ou dois clichês próximo ao final, o filme merece uma conferida pelas ótimas piadas de humor inglês proporcionadas pela atriz Kristin Scott Thomas, pelos sentimentos que evoca e pela forma bonita e sutil como termina. Não acredito que ganhe o Globo de Ouro, mas certamente ele merece a visibilidade que a indicação dá.

Emily Blunt é MUITO linda *.*

Emily Blunt é MUITO linda *.*

O Impossível (2012)

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O ImpossívelMineiro na praia é piada garantida. Esse ano eu visitei a bela Ilha Bela no litoral paulista acompanhado por minha noiva e juntos nós garantimos a risadas de alguns banhistas locais. Mãos dadas, passos desconfiados em direção ao mar, a onda veio, olhamos desconfiados um para o outro e … rola, rola, rala o joelho, enche o ouvido e outros lugares impublicáveis de areia e, no final, vimos e ouvimos nossa performance ser agraciada com o riso frenético dos presentes. Aprendi a lição e me tornei arrogante. Quando visitei o Rio, já no final do ano, passei de ator a público das peripécias beira-mar. “É só passar por baixo da onda”, foi o que aprendi naquele dia e o que eu, muito inocentemente, disse no começo desse O Impossível. Ah, se eu soubesse o quanto eu estava equivocado! rs

Baseado em fatos reais, o longa do catalão Juan Antonio Bayona recria os momentos de pânico vividos por uma família espanhola quando, no ano de 2004, um tsunami atingiu o sudeste asiático deixando um rastro  de morte. Maria (Naomi Watts) e Henry (Ewan McGregor) observam impotentes quando a onda gigantesca varre o local arrastando eles e os três filhos em um turbilhão de destruição.

O Impossível - CenaQuem tentou “passar por baixo da onda” aqui encontrou o talento de Bayona para recriar o visual do espetáculo da destruição provocado pelo tsunami. Sob a água, os personagens do filme não encontram a salvação, mas sim pedaços de madeira, cabos, cacos de vidro e toda a espécie de quinquilharia que a água arrastou por onde passou. Mesmo sendo filmes com propostas muito diferentes, vale uma comparação grosseira de O Impossível com o Além da Vida. Perto do que é visto aqui, o tsunami do Eastwood parece uma piscina cristalina. Maria, que junto com o menino Lucas (Tom Holland), é a primeira da família a surgir na tela após a passagem da onda, roda, rala e suja-se de areia tal qual um mineiro inexperiente na praia. Mais do que isso, ela ainda é arremessada contra centenas de objetos pontiagudos até que um deles quase decepa uma de suas pernas. Quando a água baixa, ela é carregada por Lucas através dos escombros e, enquanto procuram por ajuda, o espírito de solidariedade dos dois é testado quando eles precisam decidir se cuidam só de si ou se oferecem suporte para pessoas que encontram-se pior do que eles. Até aquele momento, o destino de Henry e das outras duas crianças da família é desconhecido.

Passa por baixo da onda... OPS!

Passa por baixo da onda… OPS!

O Impossível divide-se claramente em dois momentos, sendo eles do tsunami, que acontece logo de cara e pega os personagens e até mesmo o público desprevinidos, e depois todo o sofrimento que segue-se, com corpos acumulando-se, famílias desesperadas procurando por parentes perdidos e todo a dificuldade da comunidade local para organizar hospitais e centros de tratamento e ajuda para as vítimas. Esse primeiro momento é brutal e repleto de cenas que muita gente terá dificuldade para assistir, como eu disse no parágrafo acima, Bayona colocou um pesadelo vivo sob aquelas águas ao criar cenas de cortes, perfurações e concussões onde mãe e filho lutam para sobreviver. É praticamente uma versão gore do Enchente – Quem Salvará Nossos Filhos?, clássico absoluto da Sessão da Tarde. Nota 10 para os efeitos especiais e para a atuação da Naomi Watts, é possível ver a morte nos belos olhos azuis da atriz.

O segundo momento é onde diretor e roteiristas passam a mensagem baseada nas experiências vividas ali e onde, de fato, o impossível acontece. Felizmente, Bayona evita diálogos artificiais e aposta nos detalhes para emocionar o público. No começo, por exemplo, vemos os personagens na praia soltando balões iluminados que ascendem aos céus, uma espécie de prelúdio fúnebre para a quantidade de “almas” que seriam perdidas em breve. A solidariedade, sentimento que é apresentado pelo filme como a grande lição a ser aprendida com o evento, também fica subentendida quando vemos o resgate de uma criança feito por Maria e Lucas trasformar-se na mola propulsora de muitos reencontros. Contraponto claro, um homem que nega uma ligação de celular para um personagem desesperado é fácil um dos momentos mais revoltantes do longa.

Apesar do saldo do filme ser bastante positivo e de ele emocionar em vários momentos, vale a ressalva de que esse segundo momento também reserva alguns “acasos” que justificam o “impossível” do título. Encontros, desencontros e separações improváveis acontecem o tempo todo e as vezes tem-se a impressão de que o motivo, mais do que emular os tais “fatos reais”, foi garantir alguns minutos a mais para o longa. Para quem gosta de filmes catástrofe mas estava cansado da destruição pela destruição de cineastas como o Roland Emmerich (2012), O Impossível é um filme tocante, talvez um pouco longo demais, com atuações inspiradas e uma direção que oferece a mistura sempre interessante de desespero e esperança.

"Nós vamos ajudá-lo nem que isso seja a última coisa que nós faremos" Ah, a solidariedade!

“Nós vamos ajudá-lo nem que isso seja a última coisa que nós faremos” Ah, a solidariedade!

A Ilha (2005)

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Muito antes de eu sequer pensar em assistir A Ilha, alguém me disse que o filme, tal qual essa belezinha aqui, era baseado no mito da caverna do Platão. A Ilha, pra ficar bem claro, é dirigido pelo Michael Bay. Vamos ao gráfico!

Não, por mais que pareça, isso não é uma piada. É inegável que o Michael Bay sabe dirigir belas sequências de ação, mas no geral os filmes dele não passam disso e tendem a ficarem chatos quando tentam. Tendo isso em mente, não posso dizer que fiquei exatamente decepcionado com a superficialidade de A Ilha, até porque para isso eu precisaria ter algum tipo de expectativa. Antes de explicar o meu problema com o filme, passemos a sinopse.

Lincoln Six Echo (Ewan McGregor) é um habitante de um abrigo construído para ser o último refúgio da raça humana após o mundo ter sido contaminado. Ele e seus amigos, entre os quais está a bela Jordan Two Delta (Scarlet Johansson), passam os dias trabalhando e aguardando o sorteio de uma espécie de loteria, a qual dá ao ganhador o direito de ir para “a ilha”, um local de felicidade e prazeres ilimitados. Tudo caminha dentro do esperado até o momento em que Lincoln começa a ter sonhos estranhos que o levam a questionar aquele mundo e suas regras rígidas. Investigando, ele descobre que a tal “ilha” não existe e que aqueles que são escolhidos para visitá-la são mortos para converterem-se em doadores de órgãos. Sabendo que Jordan foi escolhida, Lincoln junta-se a ela em uma fulga para salvarem suas vidas e descobrirem a verdade sobre si.

Michael Bay passa os primeiros 40-50min do filme apresentando um personagem que, tal qual acontece no Mito da Caverna, tenta livrar-se de uma condição de prisão (dúvida, ignorância) através da razão (questionamentos, inquietação). Não bastasse esbarra em diálogos simplórios que não confiam no poder de interpretação do espectador, Bay praticamente abandona esse tema na segunda parte do filme em nome de suas famosas cenas de ação repletas de explosões e ainda tenta engatar uma discussão sobre ética e clonagem.

Enquanto eu assistia A Ilha, comecei a pensar se, novamente, valia a pena reclamar do estilo do Michael Bay. Como um leitor expôs de forma educada e direta (cof)  no meu texto do Transformers 3 , enquanto eu reclamo o diretor continua fazendo filmes e ganhando dinheiro. Sim, isso é verdade, bem como também é correto algo que o personagem do Sean Bean diz em um determinado momento do filme. “É bom questionar, isso faz parte do espírito humano”. Questiono então a falta de desenvolvimento para os temas propostos, as cenas de ação que abusam de qualquer nível de boa vontade, a Scarlet Johansson sendo reduzida a um rostinho bonito com pouquíssimas falas e o desfecho previsível e bobo.

Com A Ilha, Michael Bay não tira ninguém da caverna, ele fecha todos dentro e explode tudo (em câmera lenta e mostrando tudo de baixo pra cima na diagonal).

BOOM!