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Power Rangers (2017)

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Vamos encarar a realidade? Power Rangers É ruim. Não concordam? Experimentem rever a série (tem no Netflix) e percebam o quão zoado era tudo aquilo. Já no primeiro episódio, em menos de 5min, a Rita Repulsa e seu exército são libertados de uma prisão lunar, Zordon convoca os Rangers e lhes dá a missão de proteger os EUA a Terra e o Alpha já soltou vários AI AI AIAIAI . Sim, também tem a Amy Jo Johnson, primeira namoradinha de muita gente, fazendo ginástica com uma calça suplex rosa, mas no geral o seriado era bem bobão e previsível. Com raríssimas exceções, todos os episódios seguiam o esquema:

  1. Rangers na lanchonete + piadinhas do Bulk e Skull
  2. Rita conspirando contra o sossego alheio
  3. Bonequinhos de massa (PRULULULU!) e monstro
  4. Rita faz o monstro crescer
  5. Megazord destrói o monstro (e toda a cidade de Angel Grove junto)
  6. Rangers na lanchonete tomando milk shake, lição de moral e Rita com dor de cabeça pedindo aspirina

Todo caso, em 1995, quando o seriado estreou no Brasil, eu era apenas um garoto de 10 anos que saía da escola e ia correndo para casa ver Power Rangers na TV Colosso. Naquela época, eu tinha medo do Roberval, O Ladrão de Chocolates e gostava muito, muito de do seriado. Eu não tava nem aí para o roteiro capenga e para o fato de que a Ranger amarela tinha um volume estranho no meio das pernas. Para falar a verdade, eu nem sabia o que era roteiro. Quando eu sentava no sofá de casa na hora do almoço, as únicas coisas que importavam eram o purê de batata da minha mãe e a sequência animal de transformação do Megazord.

Com o exposto, sei que constato o óbvio – nem tudo que a gente gosta quando é criança continua nos agradando quando crescemos – mas é bom deixar isso claro para que nenhum fã da série apareça por aqui pra me xingar pelo que vou dizer. Acho difícil gostar de Power Rangers hoje em dia. Por mais que eles tenham feito parte da minha infância (eu tinha vários daqueles bonequinhos trash que giravam a cabeça; o meu favorito era o Billy/Triceratops) e que eu me sinta nostálgico em relação ao seriado, o tempo passou e agora eu me interesso por outras coisas. Nisso, fica a pergunta: faço parte do público alvo desse novo Power Rangers? A intenção dos produtores era conquistar uma nova leva de fãs ou fornecer um produto saudosista para a galera da década de 90? As duas coisas? É certo que esse filme do diretor Dean Israelite, com todos os seus efeitos especiais e linguagem atual, abre as portas dos anos 2000 para os Rangers, mas também é patente que o longa foi construído buscando proporcionar uma válvula de escape para o passado ao custo de um ingresso. Não sei se a molecada gostou do que viu, mas o tiozão aqui não ficou nenhum pouco empolgado.

O começo até que não é dos piores. Ao contrário do que acontece no seriado, reservaram um bom tempo para apresentar os personagens e dar sentido para uma história em que monstros gigantes tentam destruir o mundo. Há cerca de 65 milhões de anos, Rita Repulsa (Elizabeth Banks) e Zordon (Bryan Cranston) duelaram pelo destino da Terra. Zordon, que então era o Power Ranger vermelho, conseguiu vencer e selar Rita em uma prisão, mas a vitória custou a vida de todos os seus companheiros e sua própria liberdade, visto que seu corpo também ficou preso em uma dimensão paralela. Muitos anos depois, os colegiais Jason (Dacre Montgomery), Billy (RJ Cyler), Kimberly (Naomi Scott), Zack (Ludi Lin) e Trini (Becky G.) encontram Zordon enterrado em uma pedreira e são encarregados por ele de protegerem o planeta da vingança iminente de Rita, que fugiu da prisão e iniciou o processo para invocar seu poderoso Goldar.

Como todo bom filme de origem, Power Rangers foca primeiro nos personagens e depois na ação. Jason é um líder irresponsável com problemas com o pai, Billy é autista, Kimberly espalhou nudes na escola, a mãe de Zack está doente e a família de Trini não aceita sua sexualidade. De suas 2 horas de duração, o filme investe pelo menos metade do tempo na apresentação do lado humano dos heróis antes que eles transformem-se em guerreiros que saltam sobre penhascos e lutam fazendo poses engraçadas. Disso eu gostei: como o desenvolvimento de personagens é bem feito, a gente sempre sabe, por exemplo, que o Zack fará alguma coisa doidona e que a Trini estará de mau humor.

A qualidade, no entanto, cai vertiginosamente quando o conteúdo “Ranger” é adicionado ao filme. Desde que saíram os primeiros trailers, eu torci o nariz para o visual dos personagens. Sei que seria impraticável repetir os pijamas de latex de outrora, mas essas roupas novas, que mais parecem trajes de motoqueiros, ficaram feias demais. A “modernização” também escorregou nos bonequinhos de massa, cujos atores foram substituídos por um CGI horroroso, e na aparência da Rita, que lembra muito mais a saudosa Scorpina do que aquela velha maluca do cabelo branco. Nenhum desses equívocos, porém, compara-se com o que foi feito com os Dinozords e com o Goldar. Para falar pouco, os veículos de batalha dos Rangers estão irreconhecíveis (aquilo lá NÃO É um mastodonte) e o monstro, que era uma espécie de macacão demoníaco, transformou-se em uma massa tosca de ouro ambulante.

Diante de todas essas apostas visuais bizarras, a minha animação foi zero quando a batalha final começou. Pra falar a verdade, fiquei até com um pouco de vergonha quando tocou o tema clássico da série (Go Go Power Rangers). No dia eu estava acompanhado da minha mãe, que vai pouquíssimo ao cinema, e fiquei bastante arrependido por ter escolhido esse filme para ver. A transformação do Megazord, que deveria ser o ponto alto do filme, apenas revelou outro amontado de efeitos especiais ruins e nem mesmo as boas piadas e referências a filmes como Transformers, Duro de Matar e Vingadores tornaram a sessão menos penosa. Power Rangers era ruim mas a gente era criança e gostava. Power Rangers é muito ruim e já fazem incríveis 20 anos que a TV Colosso acabou. Não dá mais.

Obs.: Durante os créditos, uma cena extra revela planos para uma continuação. Haim Saban, o criador dos personagens, quer mais 5 filmes. Única reação possível? AI AI AIAI!

Jogos Vorazes: A Esperança – O Final (2015)

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Jogos Vorazes - A Esperança - O FinalAcabou, a série Jogos Vorazes acabou. O sentimento? Caras, não quero parecer injusto, mas tudo que senti após a sessão terminar foi a alegria de alguém que concluiu uma tarefa desagradável. Ainda que eu tenha tido bons momentos assistindo a história do levante da arqueira Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) contra a Capital, não posso deixar de pensar que nunca cheguei a ficar verdadeiramente empolgado com um lançamento da franquia. Desde que o primeiro longa estreou, lá em 2012, a qualidade das produções foi decaindo filme após filme e, mesmo que esse A Esperança – O Final seja sensivelmente melhor do que seu antecessor, não é errado dizer que a série já vai tarde. Conforme eu havia desconfiado quando escrevi a resenha do Parte 1, dividir a conclusão em dois filmes foi um erro que acabou com qualquer possibilidade da adaptação da obra da escritora Suzanne Collins despedir-se dignamente dos cinemas.

Após Katniss voltar-se abertamente contra Snow (Donald Sutherland) no final do Em Chamas, o que restou para ser contado? A revolução, certo? Katniss seria nomeada como o “Tordo” e lideraria as tropas rebeldes na luta contra a Capital. Em um filme de 2h30min, seria perfeitamente possível mostrá-la balançando entre a responsabilidade de ser o símbolo da revolução e a preocupação com Peeta (Josh Hutcherson), trabalhar a superação desse dilema, entreter o público com as cenas de ação que resolveriam o conflito e, no final, emocionar todos com as mortes, despedidas e desfechos das histórias dos personagens. A ganância, porém, fez com que os executivos da Lionsgate optassem por dois longas para mostrar esses eventos e, como se isso não fosse garantir-lhes dinheiro suficiente, já anunciaram a possibilidade de produzirem um quinto filme para a série, uma trama que funcionaria como uma prequência ou uma continuação direta do que vemos aqui. Certo de que não tenho interesse em ver mais cenas desnecessárias como aquelas envolvendo o gato da Katniss, declaro desde já que esse é o último título da franquia que levará o meu dinheiro. Chega de ser enrolado!

Jogos Vorazes - A Esperança - O Final - Cena 4Agora que já desabafei, vamos ao que pode, de fato, ser visto nessa conclusão. Sem muito material para trabalhar, o diretor Francis Lawrence gasta boa parte do começo do filme com diálogos e cenas que servem para mostrar o estado mental perturbado de Peeta bem como a decisão de Katniss de ir pessoalmente atrás de Snow. Outros eventos importantes, como o apego excessivo que a Presidente Alma Coin (Julianne Moore) começa a demonstrar pelo poder e o casamento de Finnick (Sam Claflin), não recebem a devida atenção e são eclipsados pela insistência no triângulo amoroso formado por Katniss, Peeta e Gale (Liam Hemsworth). Resumindo, esse começo é uma prolongamento de tudo aquilo que foi visto no Parte 1, ou seja, um monte de nada.

Jogos Vorazes - A Esperança - O Final - Cena 3Na sequência, quando Katniss finalmente decide partir para o ataque, o diretor nos dá um pouco daquele tipo de tensão que garantiu as melhores cenas dos primeiros filmes. O perímetro que cerca o palácio de Snow está repleto de armadilhas mortais e muitos personagens entregarão suas vidas para que o grupo da heroína consiga avançar. Quando veja cenas fantásticas, como aquela do óleo quente, não consigo deixar de pensar que a série poderia ter rendido muito mais. A violência daquela imagem das correntes erguendo um soldado no ar, momento que é acompanhado por uma música amedrontadora, é melhor e mais impactante do que TODAS as cenas do filme anterior. Boa também é a fuga no esgoto (ainda que o conteúdo emocional envolvendo o Finnick, que fora plantado lá no casamento, não seja devidamente aproveitado), mas para por aí. O que vem na sequência, além de previsível, é mal executado (ou seria mal editado? a culpa foi sua, Francis?) e muito, MUITO decepcionante.

Jogos Vorazes - A Esperança - O Final - Cena 2Vamos lá: Há um governo ditatorial. Esse governo coloca os cidadãos uns contra os outros em jogos sádicos. Uma das jogadoras revolta-se contra o governo e inspira uma revolução. O governo é derrotado. Foi essa a história que acompanhamos, nos últimos 3 anos, na série Jogos Vorazes. Com altos e baixos, a trama chegou em seu momento decisivo e, quando todos esperavam um final épico em que o último ponto acima citado (o governo é derrotado) fosse desenvolvido, surpreenderam-nos com uma conclusão em que esse desfecho é, na maior parte do tempo, apenas DESCRITO em diálogos. É isso mesmo: gastaram 4 filmes, sendo um deles completamente dispensável (Parte 1), para resolverem todos os problemas e conflitos da trama em meros 10 minutos de conversa fiada. A correria, aparentemente, foi para garantir tempo na tela para o final água com açúcar mais do que anunciado entre Katniss e Peeta. O clima onírico forçado que dá o tom da cena, porém, não chega nem aos pés da sinceridade de outros momentos menores e mais tocantes, como o beijo de despedida entre Haymitch (Woody Harrelson) e a excêntrica Effie (Elizabeth Banks).

Estou feliz com o fim (?) da franquia Jogos Vorazes, mas pelo motivo errado: mais do que satisfeito com o dinheiro e com o tempo que investi assistindo os filmes, estou aliviado por não precisar mais escrever sobre eles. Nunca mais. UFA!

Jogos Vorazes - A Esperança - O Final - Cena