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Mulher Maravilha (2017)

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Após dividir opiniões com o tom sombrio adotado em O Homem de Aço e Batman vs Superman e ver o hiper colorido Esquadrão Suicida transformar-se em um dos maiores fiascos de 2016, o pessoal da DC certamente percebeu que não podia mais errar. Nisso, eles olharam para o lado, observaram o que a Marvel produziu nos últimos anos e decidiram tentar algo semelhante. Mulher Maravilha, filme da diretora Patty Jenkins concebido e produzido pelo onipresente Zack Snyder, traz todo o humor e ação que fizeram o Homem de Ferro e cia caírem nas graças do público. A aura mais “séria” da DC, no entanto, não foi completamente deixada de lado e continua presente graças à adição do atualíssimo tema do feminismo. O resultado dessa “mistura de fórmulas” é um filme legal, que diverte, faz pensar e que, acima de tudo, mostra o caminho que a DC pode e deve seguir daqui em diante.

Ninguém discorda que a participação da Mulher Maravilha (Gal Gadot) foi um dos pontos altos do Batman vs Superman, mas ao mesmo tempo ficou a sensação incômoda de que a personagem não rendeu tudo o que poderia render. A amazona foi fundamental para a vitória dos heróis sobre o Apocalypse, porém a falta de um longa anterior contando sua história transformou-a quase numa coadjuvante de luxo num universo em que ela é uma das principais protagonistas. Pensem aí: o que nos contaram da Diana antes de mostrarem-na saltando e golpeando ao som daquela música tribal legalzona? Que ela estava procurando uma foto? A real é que o Zack Snyder errou feio com a personagem (e, para quem acha que não é possível contar uma história bacana e apresentar muitos personagens ao mesmo tempo, basta ver o que a Marvel fez no Guerra Civil, que debutou simultaneamente gigantes como Homem Aranha e Pantera Negra).

Mulher Maravilha chega agora para contar a origem de Diana e explicar o contexto no qual aquela foto foi tirada. Ficou bom? Ficou bom demais, pena que não fizeram isso ANTES do Batman vs Superman. Se o filme da diretora Patty Jenkins preenche lacunas e responde questões anteriormente colocadas, ele pouco ou nada faz para preparar terreno para o próximo filme da DC, o aguardado Liga da Justiça (tanto que nem há cena pós-créditos). O acerto individual é inegável, mas, do ponto de vista cronológico, o Universo Estendido da DC continua estranho.

Feita esta ressalva, falemos dos muitos acertos de Mulher Maravilha. Tal qual O Homem de Aço, temos aqui um filme de origem, desses onde a história do/a personagem é explorada desde o início. Nisso, a diretora Patty Jenkins vale-se de sequências de animação e de cenas numa ilha paradisíaca para mostrar a infância de Diana, filha de Hippolyta (Connie Nielsen), uma amazona descendente do próprio Zeus que cresceu sem conhecer nenhum homem e foi treinada pela lendária guerreira Antiope (Robin Wright). Este começo, que é deveras rápido, revela-se fundamental para o funcionamento da trama: é aqui, nos diálogos entre a heroína e sua mãe, que a curiosidade, a determinação e a fé inabalável no amor da personagem ficam claros para o público. Vale destacar também a beleza onírica do cenário, que tanto faz a gente querer sair viajando por aí (as locações são italianas) quanto contrastam significativamente com os horrores da guerra que são mostrados em seguida.

O conflito começa quando, após uma briga com a mãe, Diana vê um avião cair próximo ao litoral da ilha. Naquela que talvez seja a cena mais bonita do filme (visualmente falando), a personagem salta de um penhasco e mergulha para resgatar o piloto Steve Trevor (Chris Pine) dos destroços. Tão logo salva a vida de Steve, Diana e as amazonas precisam lidar com um batalhão inteiro do exército alemão, que invade a ilha à procura do piloto. A primeira cena de ação de Mulher Maravilha é um espetáculo: mesmo que o uso excessivo do slow motion (estética visual que a diretora emula dos trabalhos do Snyder) acabe enjoando depois de um tempo, as lutas foram coreografadas para parecerem selvagens e brutais. Caem, junto com os corpos dos alemães (e o de uma importante personagem), os primeiros estereótipos: aqui, são as mulheres que salvam os homens e elas, ao contrário do que é levianamente dito, não tem nada de “sexo frágil”. Antiope bate igual uma campeã, caras.

O tema do feminismo é explorado em muitos pontos de Mulher Maravilha e a postura forte e independente de Diana certamente inspirará muitas mulheres a buscarem o próprio empoderamento. Como o debate é amplo, também não dá para desconsiderar a opinião de quem diz que, ao fazer da heroína uma mulher de corpo intangível e axilas depiladas, o filme foi superficial e até mesmo equivocado com as demandas atuais do feminismo. Independente da opinião que qualquer um possa ter sobre as questões abordadas, no entanto, não podemos abrir mão de pensar sobre elas, então deixo aqui a minha contribuição. Tão logo a batalha da praia encerra-se, Steve é interrogado pelas amazonas sobre o mundo exterior e a guerra. Quando tem oportunidade de ficar sozinha com o piloto, Diana interpela-o com uma série de perguntas que, em sua maioria, carregam algum tipo de conotação sexual. Achei particularmente interessante observar a reação do público do cinema nessa cena (e também naquela que acontece logo em seguida, num barco). Enquanto as mulheres riam o tempo todo, os homens ficavam visivelmente constrangidos. Por quê? Será que é porque o cinema costuma retratar somente o contrário (mulheres sexualizadas à serviço do humor)? Acredito que, mais do que revoltar-se quando Diana diz que “homens são necessários apenas para a reprodução”, vale a pena usar o desconforto causado por algumas cenas para repensarmos algumas atitudes e posturas.

Pelo tema da guerra, muitas pessoas apressaram-se em comparar Mulher Maravilha com o Capitão América. As semelhanças visuais são óbvias (apesar de estarmos falando de duas guerras diferentes), mas estruturalmente a trama lembra bem mais o primeiro Thor. Tão logo chega em Londres, Diana envolve-se em uma séries de situações cômicas tal qual o deus do trovão envolveu-se ao ser exilado na Terra por seu pai. Esse “meio” do filme é onde vemos com mais clareza a influência da Marvel sobre o trabalho da DC. O humor proveniente da inocência da Diana em cenas rápidas e leves como aquela da porta giratória é melhor do que tudo o que foi feito nesse sentido no Esquadrão Suicida (até hoje não acredito naquela ‘piada’ sobre apagar o histórico de busca) e é um indicativo de que a DC está no caminho certo.

Todo caso, trata-se de um filme de “super herói”, o que implica em cenas de ação grandiosas e confrontos contra vilões memoráveis. Antes de ficar cara a cara com seus antagonistas, Ludendorff (Danny Huston) e Dra. Maru (Elena Anaya), Diana (que, salvo engano, não é chamada em nenhum momento de Mulher Maravilha) enfrenta o perigo das trincheiras e luta contra um sniper nos escombros de uma cidade destruída. Fazendo uso de seu escudo, dos Braceletes Indestrutíveis, do Laço da Verdade e da Espada Matadora de Deuses, Diana toma a frente no campo de batalha e sobra sobre os soldados alemães. O que ela faz contra o sniper no campanário, aliás, é uma das maiores demonstrações de força bruta que se tem notícia em um filme de super herói.

É difícil imaginar ligações diretas entre Mulher Maravilha e o Liga da Justiça. Deveriam ter lançado este filme antes do Batman vs Superman e pronto. Como “consolação”, fica o fato de que, fora apontar um caminho, o trabalho da diretora Patty Jenkins começa, desenvolve-se e termina bem. A reviravolta do final, com o surgimento de um novo e inesperado vilão e a pancadaria brutal que segue-se é o exemplo que a DC ousa deixar para a Marvel: valorizem a luta final e façam o possível para tornarem-na épica e cheia de poderes, luzes e frases de efeito. Vencer uma guerra com amor? Gosto. Gal Gadot? Gosto também.

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Esquadrão Suicida (2016)

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Esquadrão SuicidaPor mais difícil que seja, é preciso reconhecer a verdade: Esquadrão Suicida é ruim. No máximo, com muito amor no coração, dá pra dizer que ele é mediano, um 5/10, mas bom ele não é. Não estou dizendo isso porque eu “gosto dos filmes da Marvel”. Não estou dizendo isso porque os “trailers vendiam um filme e entregaram outro”. Enfim, não estou dizendo isso para contribuir com o “sepultamento” que o filme está recebendo em alguns cantos da internet. Não gostei de Esquadrão Suicida porque achei-o mal feito, rasteiro e sem personalidade e, neste texto, explicarei-lhes o porque da avaliação negativa.

Antes de começar a resenha, porém, faço-lhes um pedido: vão ao cinema, vejam o filme e, só depois, voltem aqui para trocarmos uma ideia. Digo isto tanto porque utilizarei SPOILERS abaixo quanto porque não quero que a minha experiência substitua a sua. O papel da crítica cinematográfica, acredito, não é afastar o público das salas de projeção nem mudar a opinião de ninguém, mas sim ajudar o espectador a enriquecer suas próprias impressões acerca daquilo que ele mesmo viu. Concordar ou discordar do crítico é apenas uma consequência caso tu conheça o assunto tratado, mas é fundamental que tu conheça o assunto para que haja diálogo, certo? 🙂

Esquadrão Suicida chega aos cinemas depois de O Homem de Aço e Batman vs Superman com a tarefa de 1) ampliar o chamado Universo Estendido da DC, apresentando um novo grupo de heróis/vilões e 2) conectar as produções anteriores e plantar links para os próximos lançamentos da DC Comics. Ao meu ver, nenhuma das duas propostas foram desenvolvidas satisfatoriamente, mas é principalmente as falhas da primeira (apresentar os personagens) que faz o filme do diretor David Ayer afundar.

Esquadrão Suicida - Cena 4O fato de um alienígena extremamente poderoso como o Superman ter escolhido a Terra para viver colocou nossas autoridades em estado de alerta. Temendo que o kryptoniano volte-se contra os humanos ou que a presença dele aqui atraia novas criaturas hostis como o General Zod e o Apocalypse, a agente Amanda Waller (Viola Davis) propõe ao governo norte americano a criação de um grupo secreto de pessoas com habilidade extraordinárias (os chamados meta-humanos) para defender-nos em situações de emergência. Até mesmo pela característica “suicida” dessas missões, Amanda sugere que os membros do grupo sejam recrutados nas prisões, visto que, na visão fria e pragmática dela, vilões condenados são “descartáveis”. É assim que nasce o Esquadrão Suicida, uma equipe de desajustados fora da lei comandada pelo soldado Rick Flag (Joel Kinnaman).

Tão logo Amanda consegue formar sua equipe de vilões, surge uma ameaça para colocar à prova as habilidades dos personagens. Enchantress, uma entidade ancestral que habita o corpo da pesquisadora June Moone (Cara Delevigne), sai do controle e inicia um plano de dominação global. É assim que o Esquadrão Suicida, que é formado por Arlequina (Margot Robbie), Deadshot (Will Smith), Capitão Bumerangue (Jai Courtney), Diablo (Jay Hernandez), Killer Croc (Adewale Akinnuoye-Agbaje) e Slipknot (Adam Beach), bem como Katana (Karen Fukuhara), guarda costas de Rick Flag, entra em ação para evitar o pior.

Esquadrão Suicida - Cena 3Filmes de origem, desses que precisam contar a história dos personagens antes de colocá-los para quebrar o pau, são sempre complicados de se fazer. Para que esse tipo de longa dê certo e consiga estabelecer laços emocionais com o público, é preciso que o roteiro dedique tempo suficiente para desenvolver as relações pessoais dos personagens (motivações, família, amigos, inimigos), de modo que, quando a pancadaria começar, tu veja na tela não um zé mané qualquer com um uniforme no meio de uma infinidade de efeitos especiais, mas sim aquele cara legal cuja história tu conheceu e afeiçoou-se desde o início da projeção. Não é isso que acontece em Esquadrão Suicida.

Tão logo o filme começa, vemos a Amanda Waller em um jantar defendendo seu projeto de super grupo para o governo. Durante uns 15 min (?), ela apresenta cada um dos vilões, falando de suas habilidades e de seu passado no crime. Esta cena, além de ser rápida e acompanhada por textos explicativos impossíveis de serem lidos na totalidade (pisque e tu perderá informações importantíssimas, como aquela que fala do assassinato do Robin, por exemplo), ainda precisa cumprir o papel de linkar o filme com as futuras produções da DC (o Flash e o Batman aparecem por aqui). O ritmo é tão acelerado e o background dos vilões é tão superficial que, quando o tal Slipknot morre após uma tentativa de fuga, a única coisa que eu consegui pensar foi “foda-se”. A matemática, nesse caso, é implacável: quanto mais personagens tu tiver, mais tempo tu precisa investir para desenvolvê-los. Não fazer isso é o primeiro passo para criar um produto genérico.

Esquadrão Suicida - Cena 6Esse defeito é corrigido durante o filme? Parcialmente. Anunciados como as grandes estrelas de Esquadrão Suicida, a Arlequina e o Coringa ganham muitas cenas de flashback para explicar como começou e desenvolveu-se o romance obsessivo deles, tanto que a gente realmente passa a importar-se com o destino dos personagens. O resultado também é satisfatório para o Deadshot do Will Smith, que rala bastante para conseguir protagonizar o longa (não é fácil competir com uma dupla de loucos coloridos) com sua história de devoção à filha. O restante dos personagens não recebe a mesma atenção e parece estar ali só para fazer volume, sofrendo para conseguir uma ou duas frases de efeito e para emplacar suas próprias esquisitices. A ideia do unicórnio cor de rosa do Capitão Bumerangue, por exemplo, não rende nem a metade do que poderia render.

O grande problema desse Universo Estendido da DC parece ser justamente esse: eles não estão interessados em gastar tempo e filmes para nos mostrar como as coisas começaram. O Capitão Bumerangue? Ele é aquele cara lá que rouba as coisas e que foi preso pelo Flash. Como? Quando? Eles explicam tudo isso em um flashback de 15seg. O Batman tem 20 anos de lutas contra o crime, o Robin foi morto pelo Coringa e pela Arlequina… Isso tudo aconteceu em histórias que não vimos e das quais só ouvimos falar em diálogos e referências plantadas nos cenários. Ao que parece, a DC não quer perder o bom momento para filmes de super heróis e está tentando acelerar a adaptação de seu universo para os cinemas. Achei compreensível eles pularem a origem do Batman no Batman vs Superman (eles poderiam contar essa história no já anunciado filme solo do morcegão), mas não dá para entender o motivo dessa pressa com o Esquadrão Suicida: poderiam ter feito um filme legal misturando humor, cenas de ação fantásticas e um pouco de violências, tal qual o Guardiões da Galáxia, mas preferiram realizar uma espécie de vídeo clipe tosco onde a história dos personagens fica em segundo plano para dar espaço para um romance hiper colorido embalado por músicas de forte apelo popular (quem não gosta de Bohemian Rhapsody?).

Esquadrão Suicida - CenaConsigo até imaginar um reunião dos executivos da DC onde foi dito o seguinte: “Como o marido da Katana morreu? Por onde o Killer Croc andou? Não importa, explicamos isso em um diálogo. Acrescenta mais um close da bunda da Arlequina aí ou coloca ela para falar algo insano com AQUELE sorriso. Ah, coloca o Batman também. O Batman é legal.” Esquadrão Suicida é uma colagem de coisas potencialmente legais que, sem contexto, não funcionam e soam gratuitas. Peguemos, por exemplo, aquela cena do trailer onde a Arlequina rouba uma joia de uma vitrine. Legal o derrière, legal a fala, mas ela não acrescenta NADA para a história. Vi a mesma falta de propósito na referência ao Watchmen (o smile dentre da vitrine), na Arlequina quebrando o pau dentro do elevador (pra quê?) e na cena do Coringa deitado e rindo no meio de um círculo de facas: tudo muito legal, tudo muito bonito, mas completamente desnecessário.

A trilha sonora é uma das melhores dos últimos anos, as atuações do Jared Leto e da Margot Robbie (nunca duvidei deste Coringa) estão desgraçadas de boa e o Deadshot é um bom personagem, mas a real é que este filme é composto de uma única, gigantesca e  genérica cena de ação (encontrem a Enchantress, matem a Enchantress) com um monte de personagens esquecíveis e sem personalidade. Aparentemente, não era para ser assim. Notícias que podem ser lidas em sites especializados dizem que, tal qual aconteceu no Quarteto Fantástico, a direção do David Ayer sofreu diversas intervenções. Muito material que ele gravou para desenvolver os personagens (coisas como aprofundar o relacionamento do Flag com a June, por exemplo) ficou de fora do corte final para dar lugar para piadinhas cretinas (aquela do ‘limpar o histórico de navegação’ foi sofrível) e para colocar mais cenas de ação. O fato do público ter torcido o nariz para o lado sombrio do Batman vs Superman, pelo visto, foi preponderante para que esse filme mudasse de tom e mostrasse não o que o diretor preparou, mas sim o que o “espectador médio” queria ver: piadas, romance e explosões. Que bosta.

Esquadrão Suicida - Cena 5Repetindo o que eu disse no texto do A Origem da Justiça, a Marvel gastou pelo menos 6 filmes antes de reunir os Vingadores. Mesmo em longas menos inspirados, como o primeiro do Thor, eles fizeram o dever de casa: contaram a origem do personagem, apresentaram o mundo dele, a família, os inimigos, etc. A gente vai no cinema e pira com produções como o Guerra Civil porque a gente sabe da trajetória daqueles personagens, porque a gente já viu eles conversando e lutando antes. Ou a DC adota a mesma fórmula e tira o pé do acelerador ou ela está correndo o sério risco de perder toda a credibilidade junto ao público que realmente gosta de cinema e de quadrinhos e que conhece aqueles personagens e sabe o que eles podem render. Não dá para desperdiçar atuações como a do Leto e da Robbie num filme ruim desses, não dá para continuar apenas falando de personagens e acontecimentos que eles ainda não mostraram, não dá para colocar o Batman em uma cena pós crédito falando da Liga da Justiça e achar que, com isso, tu irá motivar o público a voltar ao cinema para ver outra história ruim. Se a editora for esperta, dessa vez ela ouvirá as críticas certas (ter um ‘tom sombrio’, nem de longe, é um defeito) e repensará a condução do seu universo cinematográfico. Torço para que isso aconteça.

Esquadrão Suicida - Cena 2

Batman vs Superman: A Origem da Justiça (2016)

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Batman vs Superman - A Origem da JustiçaAssisti Batman vs Superman: A Origem da Justiça na pré-estreia, dia 23/03, numa sessão praticamente lotada do Cinépolis. Cheguei, peguei meu óculos 3D e sentei lá no alto, no cantinho da fileira L. Mesmo não sendo um dos melhores lugares para visualizar a tela (as cadeiras parecem terem sido posicionadas para casais que só querem dar uns amassos), fiquei satisfeito por ter conseguido comprar os ingressos e presenciar em primeira mão uma das produções mais aguardadas de 2016.

Duas horas e meia depois, saí do cinema satisfeito com o que vi e, força do hábito, acessei sites especializados em cinema e quadrinhos para checar as reações do público e de outros críticos. Grande foi a minha surpresa quando percebi que muitas pessoas não só tinham reprovado o filme como já apressavam-se em sepultá-lo, dando como certo o seu fracasso comercial e apontando-o como forte candidato a maior decepção do ano. Os “argumentos” utilizados foram coisas do tipo “têm muitas referências aos quadrinhos”, “o Ben Affleck está horrível como Batman”, “o filme é longo demais”, “o Apocalypse e o Lex Luthor não são fiéis as HQ’s”, etc, etc, etc. Disseram, também, que “não é bom porque as produções da Marvel são melhores e mais divertidas”. Neste resenha “isentona”, tentarei deixar de lado toda essa passionalidade e fanatismo e concentrar-me apenas naquilo que vi: ainda que Batman vs Superman mereça sim algumas críticas, no geral ele é divertidão e entrega tudo aquilo que os trailers prometeram. O texto conterá SPOILERS, então só leia se você não importar-se com revelações sobre o roteiro ou se você já tiver assistido. De qualquer forma, veja, a opinião de nenhuma crítico substituirá as suas próprias impressões 🙂

Batman vs Superman - A Origem da Justiça - Cena 5O primeiro ponto que precisa ser comentado é a vastidão do material que o diretor Zack Snyder trabalhou aqui. Enquanto a Marvel lançou 6 filmes (2 do Homem de Ferro, 2 do Hulk, 1 do Thor e 1 do Capitão América) antes de reunir os Vingadores, a DC Comics optou por abrir caminho para a versão cinematográfica da Liga da Justiça tendo como referência apenas O Homem de Aço de 2013. Devido a isso, acredito que todo mundo que viu os trailers e/ou leu matérias sobre a produção antes do lançamento ficou preocupado com a quantidade de informações que Batman vs Superman teria que dar conta. Minimamente, este filme deveria 1) contar a origem do Batman (Ben Affleck), 2) ser uma continuação para o Superman (Henry Cavill), 3) trazer uma história onde a Mulher Maravilha (Gal Gadot) recebesse a devida atenção, 4) incluir referências aos futuros longas do Aquaman (Jason Momoa) e do Flash (Ezra Miller) e, não menos importante, 5) valorizar vilões importantes, como o Apocalypse e o Lex Luthor (Jesse Eisenberg) e 6) plantar elementos para continuações. É muita coisa. Independente do resultado, é preciso reconhecer que a aposta do estúdio (que talvez tenha acelerado o processo por recear perder o bom momento para filmes de super heróis) não foi das melhores.

Batman vs Superman - A Origem da Justiça - CenaCom uma bomba dessas nas mãos, o Zack Snyder e seus roteiristas tiveram que desenvolver um formato diferente de narrativa daquele que estamos acostumados a ver em produções do gênero. Assim sendo, Batman vs Superman conta sim a origem do Batman, mostrando o assassinato de seus pais e as motivações que levaram-no a lutar contra o crime, mas o faz de forma parcial. Vemos o menino Bruce caindo em um buraco cheio de morcegos e pronto, lá está ele já adulto e barbado, com um histórico de 20 anos de lutas contra o crime pra contar. Ao que tudo indica, esse longo espaço de tempo será aproveitado no próximo filme do herói, mas por ora resta ao público apenas comprar a ideia de que o personagem já passou por maus bocados (perder o Robin, enfrentar o Coringa e o Charada) antes de confrontar-se com o Azulão. O “problema” dessa abordagem é que ela praticamente obriga que o próximo filme do homem morcego seja uma prequência, ou seja, dificuldades à vista para que o Ben Affleck consiga conectar a história com o longa da Liga da Justiça.

Batman vs Superman - A Origem da Justiça - Cena 6O mesmo raciocínio vale para a Mulher Maravilha. O filme solo dela, que já está em fase final de produção, provavelmente mostrará eventos anteriores aos que podem serem vistos em Batman vs Superman. Por esse motivo, ela é inserida na história sem muitas explicações ou apresentações (sabemos que ela está procurando uma foto rs) e, mesmo que ela roube a cena na luta contra o Apocalypse (na sessão que fui, o pessoal bateu palmas para a entrada triunfal dela, com aquela música tribal HIPER legal tocando ao fundo), a verdade é que a personagem pouco ou nada acrescenta ao roteiro. Flash e Aquaman, por outro lado, fazem apenas rápidas (e promissoras) aparições e poderão, em seus respectivos longas, fazerem links diretos com A Liga da Justiça. Já o Ciborgue, que eu sinceramente não conhecia, não deve ganhar um longa próprio.

O único que saiu lucrando foi o Superman. O núcleo de personagens do O Homem de Aço (que reúne os atores Amy Adams, Laurence Fishburne e Diana Lane) foi mantido e a mitologia do herói foi ampliada com a adição do Lex Luthor, que opõe-se a condição “divina” do Superman e elabora uma tramoia para colocar o governo e o Batman contra o personagem. Não endosso as críticas que estão sendo feitas ao Jesse Eisenberg. Ao meu ver, a interpretação caótica dele casou bem com o dilema do Luthor, que demonstra frustração por sua inteligência elevada não ser o suficiente para garantir-lhe os mesmos poderes e veneração de seu rival.

Batman vs Superman - A Origem da Justiça - Cena 2Feitas essas considerações sobre cada um dos personagens e deixado claro que considero um erro reunir tantos elementos/heróis em um filme só, tiro mais uma vez o meu chapéu para o Zack Snyder. É difícil pensar sobre os problemas estruturais de Batman vs Superman enquanto você está lá, dentro da sala do cinema. O longa, que tem 2h30min, mistura muito bem diálogos e cenas de ação e o talento do diretor para criar imagens impactantes e para conduzir sequências grandiosas e memoráveis de pancadaria continua afiado. Não é difícil ouvir o Lex Luthor e o Batman falando sobre a ambiguidade da condição do Superman porque o texto é muito bom, repleto de citações a outras obras da literatura. Não é difícil ver os sonhos e pesadelos do Bruce Wayne sobre sua infância porque o diretor consegue dar uma visão poética para essas cenas, coisas como mostrar o menino erguendo-se no meio de morcegos com uma música dramática ou focar objetos simbólicos para as cenas (as flores para o enterro, as pérolas do colar materno). Conforme dito, há lacunas na história de alguns personagens, mas o que foi feito ficou muito bom.

Batman vs Superman - A Origem da Justiça - Cena 3Também não é difícil ficar empolgado com as cenas de ação. Ao meu ver, o Snyder é sim um diretor visionário nesse sentido e aqui ele entrega outro excelente trabalho, com cenas bastante variadas (perseguições de carro, combates individuais e em grupo) e bem filmadas. Eu queria que a luta contra o Apocalypse tivesse durado um pouco mais e que o cenário onde ela acontece fosse um pouco menos clichê (já estou cansado daquelas ruínas com céu avermelhado), mas todo o resto é muito bom. Reparem no quanto o diretor conseguiu dar personalidade, por assim dizer, para o estilo de luta de cada um dos heróis. O Batman, que sabe estar enfrentando seres superiores, apoia-se na tecnologia e no treinamento físico para fazer frente a seus inimigos. Ele consegue ser brutal na luta contra o Superman (gostei demais de ele golpear o cara com uma pia rs), letal contra a escória de Gotham e esperto para ficar escondido na luta contra o monstro (que, aliás, tem um visual horrível e genérico). A Mulher Maravilha, com suas habilidades épicas de batalha, sua espada, escudo, braceletes e laço, é 100% ataque e atitude, ela não hesita nenhum segundo antes de partir para cima dos vilões, o que é muito bom tanto pela quebra do estereótipo da “mulher indefesa” quanto pela selvageria que introduz nas cenas. Por último, o Superman continua absoluto, mas o seu senso de dever continua impedindo-o de utilizar plenamente os seus poderes, o que dá um contraste interessante para o personagem.

Batman vs Superman - A Origem da Justiça - Cena 4Batman vs Superman pode até não ser o filme “definitivo” de super heróis (como muita gente chegou a acreditar quando as primeiras informações sobre ele apareceram), mas definitivamente ele não merece toda a campanha de difamação que está sendo feita. Se o que vi me deixa um pouco preocupado com os próximos passos cinematográficos da DC Comics, também não posso deixar de ficar empolgado com tudo o que pode vir caso os erros vistos aqui sejam corrigidos (tenho muita fé, por exemplo, no filme do Aquaman). O material é muito bom. Continuo admirando o trabalho do Snyder e ansioso por novos lançamentos de filmes de super heróis, ainda não cansei do gênero.

Batman vs Superman - A Origem da Justiça - Cena 7

O Homem de Aço (2013)

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O Homem de AçoEu gostei do Superman – O Retorno. Adoro a cena do salvamento do avião e, mesmo depois de 7 anos e muito títulos de ação semelhantes assistidos, ainda a considero como um dos feitos mais impressionantes/cool já realizados por um herói na telona. Não serei eu a discordar, no entanto, da principal crítica feita na época ao trabalho do Bryan Singer: excluindo a cena citada, faltou ação no filme. O Lex Luthor, inimigo clássico do herói, apesar de muitíssimo bem interpretado pelo Kevin Spacey, não conseguiu fornecer um desafio físico à altura dos poderes do azulão. Optando por uma continuação direta dos filmes estrelados pelo Christopher Reeve, Singer e sua equipe realizaram um trabalho tão nostálgico quanto repetitivo para quem conhecia os longas antigos e, ao que tudo indica, também não agradaram o público atual de filmes de ação, pessoas acostumadas a sequências de pancadaria frenéticas com cortes constantes e efeitos especiais exagerados. Com uma bilheteria que mau pagou os custos de produção, O Retorno, que tinha tudo para resgatar as aventuras do personagem em uma época onde as pessoas mostram-se interessadas em filmes de super-heróis, acabou transformando-se no ponto final da cine-série iniciada em 1978 pelo diretor Richard Donner.

Obviamente, o personagem, um dos mais conhecidos e rentáveis da DC Comics, não ficaria esquecido muito tempo pela indústria hollywoodiana. Dentre todas as especulações que surgiram sobre o projeto de levar o Super Homem de volta às telas, a que mais me agradou foi a possibilidade do Zack Snyder ser convidado para a direção. Para dizer pouco, o cara é um dos diretores mais criativos, se não o mais, que debutou em terras americanas nesse século. Para escancarar a minha admiração, Watchmen é um dos meus filmes favoritos e considero-o como uma das melhores adaptações de HQ’s já feitas para o cinema. O que era boato foi anunciado oficialmente e a expectativa, que à partir desse momento era gigantesca, foi alçada ao status de “monstruosa” quando Christopher Nolan, o responsável pela trilogia do Cavaleiro das Trevas, foi confirmado como um dos roteirista do reboot. Sim, reboot, pois também ficou decidido que O Homem de Aço desconsideraria os filmes anteriores do personagem para contar sua história desde o início.

O Homem de Aço - Cena 4

Essa história, caros leitores, começa no longínquo planeta Krypton, lar de uma sociedade avançadíssima porém condenada a extinção devido a exploração indevida de recursos naturais. Jor-El (Russell Crowe) sugere que os anciões do planeta procurem a salvação dos kryptonianos explorando outros planetas mas, antes mesmo que a proposta possa ser seriamente discutida, o General Zod (Michael Shannon) toma o poder com a ajuda de um golpe militar. Temendo a segurança do filho recém nascido, Jor-El envia-o em uma cápsula para a Terra, onde ele é encontrado e adotado pelo casal Martha (Diane Lane) e Jonathan Kent (Kevin Costner). Batizado Clark Kent (Henry Cavill), o extraterrestre cresce em nosso planeta procurando manter sua identidade e seus poderes escondidos, tarefa na qual ele é bem sucedido durante os primeiros 33 anos de sua vida errante, no final dos quais o mesmo Zod localiza-o e exige que nossas autoridades entreguem-no. Clark, cuja verdadeira história havia sido parcialmente descoberta pela repórter Lois Lane (Amy Adams), vê-se então dividido entre juntar-se ao que sobrou da sua raça, já que Krypton fora destruída logo após sua partida, ou usar seus poderes e lutar para proteger a Terra dos invasores.

O Homem de Aço - Cena 5

Quando finalmente falou como diretor oficial do longa, o Zack Snyder fez questão de dizer que sempre vira o Super Homem como um herói de grande força física e que era assim que ele o mostraria na tela. Logo após, surgiu uma imagem do personagem próximo a um caixa-forte todo retorcido. O recado era claro: O Homem de Aço, ao contrário de O Retorno, teria MUITA ação. Na época, lembro de ler comentários de fãs temerosos de que o diretor transformasse o filme em outro Sucker Punch, ou seja, que a forma suprimisse o conteúdo, que a ação espetacular, que o diretor inquestionavelmente sabe como fazer, não viesse acompanhada de um bom roteiro que a justificasse e complementasse. Regozijem-se, desconfiados, o que os aguarda no próximo dia 12 é um épico de 2h30min que não apenas cumpre a promessa de batalhas grandiosas como reserva tempo suficiente para diálogos e passagens que desenvolvem muitíssimo bem o personagem e o mundo no qual ele está inserido.

O Homem de Aço - Cena 2

Ao lado da pancadaria frenética, que comento no próximo parágrafo, acredito que o principal mérito de O Homem de Aço seja sua narrativa. O filme começa, Krypton e o núcleo envolvendo o ator Russell Crowe desaparecem rapidamente e, mais rápido ainda, ficamos sabendo que Jonathan Kent morreu, motivo que levou Clark a vagar pelo mundo. Aquela sensação incômoda de que estão correndo com a história para irem direto para a ação, felizmente, não dura muito: a medida que Clark vai enfrentando algumas provações, flashbacks vão sendo introduzidos para contextualizarem as cenas. É aí que atores como Kevin Costner e Diane Lane tem a chance de mostrarem seu talento, emocionando com suas performances seguras e discursos inspiradores, e é aí também que o Zack Snyder começa a provar que sua escolha não foi um equívoco. Extremamente sensível ao poder dos detalhes e da trilha sonora, como pode ser visto no já citado Watchmen, o diretor cria imagens lindas em meio as cenas de batalha, como aquela que pode ser vista no trailer quando o pequeno Clark brinca em seu quintal acompanhado  por um cachorro. A capa vermelha, o sol, a borboleta pendurada no balanço… Snyder faz poesia com imagens.

O Homem de Aço - Cena 6

Sobre a ação, na impossibilidade de descrevê-la com palavras que mostrem a minha empolgação sem revelar o que será visto, contentarei-me em dizer que eu não consigo imaginar como poderia ser melhor. Desde a furtividade adotada nas cenas do Jor-El e da Lois Lane, passando pela aprendizagem dos poderes (ah, aquele primeiro voô!) até a mega, hiPER, ULTRA sequência de luta entre o Super Homem e os kryptonianos, Snyder oferece aqui o que há de melhor no estilo. Barras de aço são retorcidas, caminhões são arremessados e corpos atravessam edifícios como consequência dos combates épicos entre os personagens. Os cortes são rápidos quando precisam ser, mas na maioria do tempo ele permite que o espectador veja, de fato, o que está acontecendo na tela. O uso do slow motion, talvez a característica mais marcante do estilo do diretor desde o 300, é reduzido mas feito com muito bom gosto, como quando finalmente Zod e Super Homem encontram-se no campo de batalha para a esperada e inevitável troca de sopapos. Durante o primeiro soco cruzado, o recurso torna possível ver detalhes dos uniformes (aliás, que seja dado um prêmio para quem teve a idéia de excluir a cuequinha do uniforme do herói), suor em suas faces e raiva, medo e esperança nos olhos de ambos.

O Homem de Aço - Cena 3

Como não conheço a HQ, não pude notar referências as mesmas, mas o pessoal do IMDB afirma que algumas das melhores histórias do azulão ganharam citações no longa. O que vi sem muito esforço foi a comparação do personagem com Jesus Cristo. A metáfora, aparentemente inocente, tendo em vista que os dois seriam figuras messiânicas responsáveis pela salvação da humanidade, esconde uma provocação religiosa sobre a origem de nossos deuses que, assim como no Prometheus, teriam origem extraterrestre e provocariam a adoração das pessoas não por sua qualidade divina, mas sim por serem diferentes e mais poderosos do que as pessoas de nosso planeta.

Assim como recomendo que vocês assistam O Homem de Aço no cinema, preferencialmente em 3D, já que o recurso foi bem empregado, também recomendo que vocês não o façam do lado de vossas namoradas. Caso isso não seja possível, levem-nas, mas mandem-nas comprar pipoca logo após a cena do salvamento no petroleiro. O ator Henry Cavill malhou durante 8 meses para o papel com o mesmo cara que conduziu os treinamentos físicos do 300. No momento citado, ele aparece sem camisa (e em 3D). Não é o tipo de coisa que uma namorada precisa ver, acreditem.

Obs.: Impressão minha ou o primeiro combate do filme acontece exatamente no mesmo posto de gasolina usado no Superman – O Filme?

O Homem de Aço - Cena

Lanterna Verde (2011)

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Lanterna Verde é um herói do qual eu não sabia praticamente nada até agora. O nome Hal Jordan me era familiar, eu já tinha lido uma coisa ou outra sobre a fase cômica do personagem quando o anel foi carregado pelo Guy Gardner e li sobre a série Crepúsculo Esmeralda na clássica revista Herói. Digo isso tanto para dar honestidade ao texto quanto para ressaltar um ponto que influenciou decisivamente na minha apreciação do filme: a expectativa. Fora a indiferença natural frente a algo que eu pouco conhecia, levei para a sala de cinema alguns comentários pouco empolgados de amigos que haviam assistido o filme e informações nada animadoras da fraca bilheteria americana. Resumindo, eu não esperava NADA do Lanterna Verde.

Ryan Reynolds foi o escolhido para viver Hal Jordan, um piloto de caças irresponsável e fanfarrão que vive colocando-se frente-a-frente com o perigo. A aparente falta de medo de Jordan, evento ligado a morte trágica do pai, é um dos motivos que o levam a ser escolhido pelo alien Abin Sur para receber o anel e tornar-se um Lanterna Verde, um membro de uma organização localizada no planeta Oa que tem por objetivo proteger o universo. O filme mostra a adaptação de Jordan na tarefa e a luta contra Parallax, um inimigo poderosíssimo que alimenta-se do medo.

O roteiro explora ainda a relação de Jordan com a bela Carol Ferris (Blake Lively) e a contaminação de Hector Hammond (Peter Sasgaard), filho do senador Hammond (Tim Robbins), pela energia proveniente de Parallax , o que torna-o um vilão capaz de ler a mente das pessoas. O resultado, entretanto, não difere da fórmula que tem ditado o ritmo da maioria dos debuts de super heróis nos cinemas: o filme é construído em cima da novidade relacionada aos poderes e habilidades do personagem e o confronto dele com o primeiro inimigo. Destaca-se, para o bem e para o mal do longa, a espontaneidade com a qual isso é feita.

Se é bacana ver as metrancas criadas pela mente de Jordan justamente porque ele imagina as coisas mais grosseiras e divertidas possíveis típicas de alguém que está experimentando algo pela primeira vez, é chato perceber a pressa do filme em dar a ele tais poderes. O período que começa com o personagem recebendo o anel e que contempla o treinamento e o domínio das habilidades proporcionadas pelo mesmo é muito curto, muito corrido. Não, isso não torna o filme ruim, só que essa falta de naturalidade (entre outras coisas) impede que ele tenha aquele “algo a mais” tão atrativo que vemos, por exemplo, no Batman do Christopher Nolan.

O saldo, até pela expectativa baixa, foi positivo. O 3D (principalmente nas cenas iniciais e no planeta Oa) é bacana, não há piadas em excesso e a narrativa capenga mas não chega a comprometer. A maior qualidade de Lanterna Verde, aliás, é essa: não comprometer. Não sei vocês, mas para mim é muito pouco para um filme pensado como o início de uma franquia.