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Sobre a morte do Chester e o fim do Já viu esse?

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Sobre a morte do Chester e o fim do “Já viu esse?”

Recebi a notícia da morte do Chester no Instagram. Eu estava andando pelo Mercado Municipal de Manaus, tirando uma foto bosta qualquer para postar no Stories, quando vi uma postagem da banda Shinedown lamentando o ocorrido.

Caras, eu fiquei sem chão.

Pouco tempo depois do suicídio do Chris Cornell, outra morte que me afetou bastante, o vocalista do Linkin Park seguiu o mesmo caminho e tirou a própria vida num ato de desespero.

Como alguém disse por aí, foi como se parte da minha adolescência tivesse morrido junto com o Chester. Eu comecei a gostar de rock com aqueles Best of do Aerosmith e do Guns que a gente compra na feira por 5 reais, mas me apaixonei de verdade pelo estilo (ao ponto de comprar camiseta de banda e começar a decorar letra de música) com o Black Album do Metallica e com o saudoso Hybrid Theory do Linkin Park. Eu ouvi músicas como Papercut, One Step Closer e Pushing me Away um milhão de vezes.

Eu nunca gostei muito de Crawling. Além da melodia não ser uma das minhas favoritas, eu não gostava da letra da música. Na época, viciado que eu estava na banda, comprei um DVD com todos os clipes que eles haviam lançado até então e, dentre uma porrada e outra, haviam entrevistas em que os membros comentavam sobre as músicas e tal. Foi ali que eu vi o Chester dizendo que a Crawling era sobre o fato de ele ter sido abusado na infância. Sempre que eu ouvia a música eu lembrava disso e, sei la né, a gente não gosta muito de pensar nessas coisas.

Coincidência, um dia antes da tragédia da semana passada, eu revi o clipe da Crawling num lugar muito legal de Manaus, o Porão do Alemão. Cantei alto (é muito legal quando toca música que a gente gosta na balada, e morando em terra de música sertaneja não é sempre que isso acontece) e lembrei com saudade dos dias que eu conheci a banda. A música, de fato, muda a gente, e sei que o inglês que eu aprendi por gostar do Linkin Park e de outras bandas de rock me trouxeram até onde eu estou hoje, pessoalmente e profissionalmente. Sou grato por isso.

No dia seguinte à boate, a tragédia. Quando vi o post do Shinedown, corri para a página da Globo para ver se eles confirmava a história. “Se até a Globo ta falando, é porque deve ser verdade”, eis um pensamento bocó que eu sempre tenho nessas horas. E tava lá. Com todas as letras. “Aos 41 anos de idade, vocalista do Linkin Park é encontrado morto”.

Sentimentos são coisas abstratas, difíceis de descrever, mas eu vou tentar. Caras, eu estava de férias, num lugar quente e maravilhoso, tomando uma cerveja e turistando com a minha esposa. Eu tive vontade de sentar no chão e chorar. Eu não sentei e, até agora, eu não havia chorado por conta disso tudo, porque eu fiquei em estado de choque. Eu simplesmente me recusei (e ainda me recuso) a acreditar que isso realmente aconteceu.

Como outra pessoa também disse por aí, pode parecer bobo alguém escrever um texto gigante para lamentar a morte de alguém que ele nem sabia que existia. Ver o Chester eu até vi, de longe, este ano no palco do Maximus Festival. Tive a impressão que o cara era “metidão”, lá, sem camisa, todo tatuado, tocando uma guitarra mais pra fazer pose do que para acrescentar algo a música. É exatamente por isso que a morte dele mexeu tanto comigo.

Quando alguém como o Chester tira a própria vida, a primeira coisa que a gente pensa é “nossa, ele tinha tudo e mesmo assim se matou”. O tudo, claro, é dinheiro, fama, mulheres e fã. É justamente por isso ser verdade que a gente fica assustado. Alguém alcançou o que a gente considera ser o topo do mundo e, mesmo assim, cometeu suicídio. Porque ele fez isso? O cara era doido? Inconsequente? irresponsável?

Não sei, não posso e nem quero julgar. A única coisa que sinto sobre isso é empatia. Somente o Chester sabia dos demônios que ele carregava e que fizeram-no escrever Crawling assim como somente eu sei sobre os demônios que eu preciso lidar todos os dias quando saio da minha cama. Se mesmo alguém que tinha “tudo” fraquejou, eu também posso fraquejar, portanto não sou eu que criticarei o ato de desespero alheio.

Sei que dói e assusta perder pessoas que fizeram parte da minha vida.

Sei que dói pensar que ninguém está livre de passar por esse mesmo tipo de problema.

Sei que dói pensar que nunca ouvirei material novo do cara que grita durante quase 20seg seguidos na Given Up.

Sei que agora, todas as vezes que eu ouvir Heavy, eu entrarei em contato com sentimentos ruins.

Sei que isso pode acontecer comigo, e sei que somente através do amor e de uma mente sadia a gente pode escapar de um fim triste desses.

Eu já havia decidido encerrar o “Já viu esse?” antes da morte do Chester. Não trata-se de uma homenagem ou algo do tipo. Isso seria bosta demais. Ligo os dois acontecimentos porque, infelizmente, o blog transformou-se em um fardo pra mim. Lutei muito para aceitar isso e para colocar um ponto final em algo que, durante 7 anos, ajudou a moldar a minha personalidade, mas a grande verdade é que resenhar textos transformou-se em uma tarefa pesada demais para quem ocupou-se de dois serviços. Eu só vejo filmes quando posso resenhá-los e, como não estou tendo tempo para resenhar, parei de ver filmes.

Perdi as contas de quantas vezes me senti mal por demorar a escrever um texto ou por não conseguir assistir um filme novo porque eu ainda não havia concluído a resenha do anterior. Basicamente, eu criei uma armadilha para mim mesmo. E porque isso aconteceu? Arrisco a dizer que foi pelo ego.

Sim, eu ainda gosto bastante de escrever e tenho um orgulho enorme dos mais de 850 textos que produzi, mas ultimamente eu andava atualizando o “Já viu esse?” apenas para manter o status, por assim dizer, de crítico de cinema que eu batalhei para conquistar e que muitas pessoas próximas me atribuem. É gostoso ser visto como referência para determinado assunto, mas o peso de manter essa imagem ficou insuportável.

Assim como a parte podre da internet apressou-se para dizer que o Chester fez o que fez por “bobeira”, pode ser que alguém também ache tudo o que eu estou falando não faz o menor sentido, que é “frescura” (Ainda tem alguém lendo isso aqui, aliás?). Decidi enfrentar esse tipo de opinião insensível tanto para dar uma satisfação para aquelas pessoas que costumavam lerem os textos quanto para, humildemente, reforçar o que o grande Fábio Chap disse esses dias: bora cuidar da nossa saúde mental, galera.

Bora deixar de viver de imagem, fazer o que não nos agrada (ou não nos completa mais) apenas para manter status. Bora ver uns filmes do Adam Sandler e uns terror bosta no mesmo dia sem precisar escrever um texto de 1000 palavras sobre aquilo, sem sentir-se culpado por não ter o que escrever sobre aquilo. Bora CONVERSAR sobre o terror bosta com alguém, certamente será bem melhor do que escrever algo que será lido por 20, 30 pessoas na internet. Bora ser feliz. Bora ser mais leve. Bora, Lucian.

“Eu não gosto da minha mente nesse momento, acumulando problemas que são tão desnecessários. Porque tudo é tão pesado?”. Pois é, Chester. Por que? Fica aqui o agradecimento de alguém cuja vida foi profundamente tocada pelas suas músicas e pelos sentimentos que você compartilhou através delas. “Eu continuo arrastando o que me derruba, se eu soltasse eu poderia me libertar”. Infelizmente, você não conseguiu, mas do lado de cá eu vou abrir mão desse peso e continuar tentando, pra valer, chegarei longe e, no fim, tudo importará. Obrigado, Chester. Obrigado. Descanse em paz.

Olá!

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Assisto filmes desde que me entendo por gente, mas comecei a escrever e a ler a respeito há cerca de 2 anos.

O Blog é fruto de uma necessidade e do pedido de amigos. O pedido eu demorei um pouco para atender, mas a necessidade, necessidade de compartilhar, eu já sinto há um bom tempo.

No Na Natureza Selvagem, o personagem passa por toda aquela viagem de autoconhecimento, negação e experimentações para descobrir que  “a felicidade só é verdadeira quando compartilhada”. Eu fico muito feliz quando descubro um bom filme e o meu desejo quando escrevo a respeito não é simplesmente mostrar a minha opinião, mas tentar servir de estímulo para que outras pessoas também possam ter essa experiência.

Existem milhões de blogs e de sites na internet com informações técnicas a respeito do filmes, então não vejo necessidade de repetir isso por aqui. Meus textos são compostos basicamente pela experiência que eu tive assistindo o filme e por uma ou outra informação que eu julgue legal acrescentar.

Por hora é isso. Obrigado a todos que me incentivaram a tomar essa iniciativa, espero agradecer melhorando cada vez mais os textos e trazendo boas dicas de filmes 🙂