Sing (2016)

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singAno novo, vida nova, velhos problemas e muitas, muitas expectativas. Para tirar logo a parte ruim do caminho, fica aqui mais uma reclamação sobre a bizarrice dos subtítulos nacionais. Sing, produção indicada ao Globo de Ouro de Melhor Animação e Melhor Canção Original, saiu por aqui como Sing: Quem Canta Seus Males Espanta. É o humor tipo “tio do pavê” saindo da ceia de natal direto para o seu ingresso, caro leitor!

Leitor? Você está aí? Cadê você?

Tenho notado que o número de acessos do blog está caindo significativamente. No último semestre, a média de visitantes diários passou de 200 para algo em torno de 100-130. Em alguns dias, não chegou nem a 100. Escrevo porque gosto e continuarei escrevendo mesmo que os acessos caiam para 3 (um meu, um da minha mãe e um da minha esposa), mas não nego que quero mais do que isso. Quem escreve quer ser lido. Sei, porém, que não será através de reclamações e/ou pedidos de cliques que mudarei esse quadro. O caminho é persistir e melhorar, e começo o ano bastante animado para sacudir as coisas por aqui.

2017 promete ser um ano muito bom para os fãs de cinema. Teremos um novo Alien, um novo Star Wars, produções da Marvel e da DC e toda uma série de blockbusters testosterônicos como Velozes e Furiosos, Transformers e King Kong. Fora isso, a cerimônia do Globo de Ouro é este fim de semana (08/01) e o Oscar já tem data marcada (26/02). Terei muito material para ver e resenhar, e estou cuidando para que o formato dos textos seja cada vez mais agradável. Livre de uma série de problemas pessoais que estavam minando o meu tempo e criatividade, redescobri o prazer pela leitura e estou encontrando dicas preciosas (e ótimas histórias) nas páginas do Sobre a Escrita do Stephen King. Reclamações feitas, ânimo renovado, bora começar o ano? Hey! Ho! Let’s Go!

sing-cena-4Não lembro quando fui “seduzido” pela arte. Eu poderia até dizer que foi quando minha mãe me levou ao cinema pela primeira vez (vi Os Trapalhões e a Árvora da Juventude e, quando cheguei em casa, tentei montar a minha própria tela de projeção com uns brinquedos velhos), mas não tenho certeza. Já o Buster Moon, coala protagonista de Sing, nunca esqueceu o dia em que a arte fisgou seu coração. Acompanhado do pai, ele assistiu uma montagem teatral da música Golden Slumbers (que cena fantástica!), dos Beatles, e apaixonou-se. Anos depois da apresentação, vemos que Buster comprou o seu próprio teatro e transformou-se em um empresário do show business. O que deveria ser uma vida de sonhos, porém, não está lá tão legal assim.

Endividado, Buster corre o risco de perder o teatro. Os últimos espetáculos que ele produziu fracassaram e o banco ameaça tomar o prédio caso as dívidas acumuladas não sejam pagas. Para atrair novamente o público, o personagem decide organizar um concurso de música, formato sempre popular e rentável que poderia resolver definitivamente seus problemas de grana. O prêmio? A intenção de Buster era pagar apenas 1.000 dólares para o vencedor, mas uma trapalhada de sua secretária faz com que o anúncio diga 100.000. No dia seguinte, vendo que a fila para audição está dobrando a esquina, Buster decide levar a mentira adiante para salvar o teatro.

sing-cena-2Em Sing, a música é tratada pelo diretor e roteirista Garth Jennings como um caminho para a salvação/redenção. Dentre os selecionados para o concurso, há um gorila que prefere cantar a roubar, uma porquinha dona de casa que quer ser mais do que uma dona de casa,  uma ouriço fêmea que escreverá uma canção para curar seu coração partido e uma elefanta que precisará vencer a timidez antes de brilhar no palco. As histórias desses personagens somam-se a luta do protagonista para manter o teatro e mostram para o público que sempre é possível recomeçar e que a música tem o poder de nos dar forças mesmo nas horas mais difíceis. É um bom roteiro: fácil para as crianças e sucinto para os pais, que precisam prestar atenção no filme E nas crianças, esses anjinhos que ficam conversando o tempo todo e chutando a cadeira da frente. Gracinha!

sing-cena-3A grande atração de Sing, porém, é mesmo a música. As cantorias, que são bem legais, estão satisfatoriamente espalhadas dentro do filme, mas é notório que concentraram as melhores cenas no início e no final, deixando a metade para o desenvolvimento dos personagens. Durante a audição, há versões divertidas de artistas como Lady Gaga, Seal e Nicki Minaj e até mesmo uma piada sobre a extravagância do J-pop (Japanese Pop). No fim, após vermos cada um dos personagens lutando para superarem uma porção de obstáculos, as apresentações individuais (e longas) deles soam estrondosas. Não sei se o leitor acompanha programas como American Idol e The Voice (ou seus correspondentes nacionais), mas é válido dizer que a última cena de Sing ficou tão boa quanto as apresentações mais emocionantes vistas nesses shows (esta é a minha favorita). Empolgados, alguns dos anjinhos “sentados” atrás de mim chegaram até a bater palmas. Lindinhos!

Pra fechar, um comentário rápido sobre o rato Mike. Pensa num sujeito filho da puta. Enquanto todos os personagens estão transbordando bons sentimentos, o cara humilha todo mundo, participa de jogatinas, gasta o que não tem, faz dívidas com bandidos e usa o dinheiro para conquistar uma ratinha. Numa animação moralista, Mike daria-se mal, muito mal. O que acontece? O cara sai de cena por cima após cantar uma versão maravilhosa da My Way do Sinatra. Que belo exemplo para a criançada! Parabéns, Illumination!

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  1. Primeiro, Feliz 2017 para você e toda a família!

    Bem, aproveito este último ‘post’ para falar de outras publicações. Basicamente, das que assisti. Elser, você observou bem, exagera na categorização dos nazistas e faz do principal personagem um ‘doido e meio’ qualquer que poderia (mas não conseguiu) eliminar Hitler. Aí o filme fica naquele ‘se’. Se tivesse tido sucesso, se tivesse bem com a mulher, se isto ou aquilo… Fraco e repetitivo porque todo mundo ta careca de saber o que os nazistas fizeram.

    No Sully, por narrativa de fatos reais, pelo menos é o dizem e o que demonstra, discordo da observação sobre Clint Eastwood ter inspiração politica. Ele é politico mesmo. Tanto que foi prefeito de Carmel, uma pequena cidade da Califórnia, ao que lembro, Toda a filmografia dele é, essencialmente, política, no sentido de contestar o Poder. Assista, por exemplo, Grand Torino, ou reveja o Sniper e tudo esta la. Ha outros, mas Eastwood é ainda, como diretor, o mesmo que, como ator. representou na triologia ‘spaghetti’ de Sergio Leone: um outsider. Um contestador.

    Sobre os demais, poucos assisti, afora os mais antigos como Warriors, Busca Implacável, Barrry Lyndon… Concordo, porém, em tudo que vc disse do ultimo Star Trek e acrescento: o vilão é incrivelmente plagiado, na aparência, do G’Kar, embaixador e líder do povo Narn na mitólogica série Babylon 5. Uma ignómia completa.

    Por fim, espero não ter parecido desagradável em minhas observações. E assista, se puder, ‘Nocturnal Animals’. Para quem gosta de cinema de verdade, é colírio…

    Abs

    • Quem dera, todos os dias, eu tivesse um comentário desses por aqui. Muito obrigado pelas observações, de verdade.
      Sobre o “Nocturnal”, estou esperando que para vê-lo no cinema 🙂

      Abraço e feliz ano novo pra ti também!

      • Minha expectativa é incentivar seu trabalho (ou hobby) independente e apaixonado. Num dos posts você se referia a ‘queda nos acessos’ e pensei: por quê não uma ‘cutucadinha’. É verdadeiramente prazeirosa e informativa a leitura do seu blog. Abs

      • Muito obrigado pelos elogios e pelas críticas. Conto com sua leitura e suas opiniões!

        Abraço 🙂

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