Rogue One: Uma História Star Wars (2016)

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rogue-one-uma-historia-star-warsEste texto conterá SPOILERS e uma história sobre como o Cinépolis Uberlândia-MG me ferrou.

Eu dormi assistindo Rogue One. Por mais triste que seja, esta é a realidade e eu não pretendo fugir dela. Acredito que, após ler o próximo parágrafo, vocês acabarão entendendo que eu fui vítima de uma armação do capiroto, mas isso não diminui a minha vergonha por ter cochilado na estreia do melhor filme do ano.

Comprei ingressos para a pré-estreia de Rogue One: Uma História Star Wars com cerca de uma semana de antecedência. Na máquina de autoatendimento do Cinépolis, a sessão estava marcada para as 00:01 do dia 16/12, ou seja, madrugada de quinta para sexta-feira. Grande foi a minha surpresa quando, na quarta (14/12), eu vi um monte de gente comentando que havia chegado o dia de assistir o filme. Eu tinha CERTEZA que eu havia comprado ingresso para a PRIMEIRA sessão, e essa sessão DEFINITIVAMENTE não era na quarta. Preocupado, pedi para que a minha esposa fosse até o cinema confirmar a data da estreia e foi aí que o problema revelou-se em toda sua magnitude: o Cinépolis havia me vendido ingressos para uma sessão que não existia. Como solução, eles me deram cortesias para ver o filme naquele mesmo dia, na quarta, as 00:01.

Eu sei que esta história já está ficando longa demais, então vou resumir o que aconteceu. Caras, eu não estava NENHUM pouco preparado para ver o filme aquele dia. Eu havia trabalho dois turnos e estava morrendo de cansaço, de modo que a empolgação por estar diante de um novo Star Wars me deu forças para ver apenas os 30min iniciais do filme. Depois disso, eu cochilei pra valer. A sessão passou, fui ao banheiro, lavei o rosto e voltei para ver o final, mas basicamente foi isso que eu aproveitei: o início e o fim. Eu fiquei muito mal com isso. Pode parecer bobagem, mas senti que desrespeitei a saga. Maldito seja você, Cinépolis, por essa confusão dos infernos!

rogue-one-uma-historia-star-wars-cena-6No outro dia, tão logo acordei, consultei a grade de programação do GLORIOSO Cinemark, escolhi um horário, comprei um energético para garantir (rs) e entrei numa sala de cinema pela segunda vez em menos de 24 horas para ver Rogue One. Novamente, fui traído pelos meus olhos, mas dessa vez a dificuldade foi conter as lágrimas diante de um filme que não apenas confirmou o quão infinitas são as possibilidades de exploração do universo Star Wars quanto presenteou os fãs de longa data da franquia com a encenação de uma história fantástica e cheia de referências sobre o poder da Força e da resistência.

Cronologicamente, os eventos mostrados em Rogue One localizam-se entre A Vingança de Sith (Episódio 3) e Uma Nova Esperança (Episódio 4). Derrotados, os últimos Jedis partiram para o exílio e viram o Imperador Palpatine e seu aprendiz Darth Vader (James Earl Jones) derrubarem a República e estenderem a sombra do Império Galático por todo o universo. Para combater a resistência da Aliança Rebelde, o Império constrói a terrível Estrela da Morte, a arma definitiva capaz de destruir planetas inteiros com apenas um disparo. O início do Uma Nova Esperança mostrava como a Princesa Leia recebeu o plano de construção da Estrela da Morte e usou-o para dar início à derrocada do Império. Em Rogue One, o diretor Gareth Edwards (do ótimo remake do Godzilla) nos conta como esse plano foi descoberto e roubado pelos rebeldes em uma missão corajosa.

rogue-one-uma-historia-star-wars-cena-2Me parece que o anúncio do Rogue One despertou menos curiosidade e empolgação do que o do O Despertar da Força. Isso pode ser associado ao tempo que separa os lançamentos (do Episódio 3 até o 7 passaram-se 10 anos, e agora voltamos ao cinema apenas um ano depois para ver outro filme da série), mas também acredito que muita gente não confiou no potencial da trama. Não raramente, spin offs (obras derivadas de outras obras) como o Rogue One são vistos como meros caça-níqueis, produtos de qualidade inferior ao original pensados para gerar lucro, e a ideia de que poderiam dar este tratamento desrespeitoso para algo relacionado a franquia Star Wars não era lá das mais animadoras (o The Clone Wars de 2008, por exemplo, beirou o fiasco). Nesse sentido, Rogue One tem tudo para transformar-se um divisor de águas para os spin offs: ele não é apenas um derivado, ele é TÃO BOM QUANTO alguns dos filmes originais (pra mim, tá pau a pau com O Retorno de Jedi) e aumenta significativamente a expectativa para os futuros projetos da franquia (Episódio 8 em 2017, Han Solo em 2018).

rogue-one-uma-historia-star-wars-cena-5Como esperado, Rogue One apoia-se bastante na nostalgia, recriando cenas conhecidas do público e fazendo links e referências à outros filmes da série, mas ele também possui muito material original para ser amado por seus próprios méritos, a começar pelos personagens principais e suas motivações. Jyn Erso (Felicity Jones) e Cassian Andor (Diego Luna), uma criminosa e um líder da Aliança, não tem a mesma força, habilidade ou convicções morais de heróis como Obi-Wan e Mestre Yoda. Eles são pessoas comuns, com defeitos e qualidades (o que dá um tom mais cinza e adulto para o filme), que lutam como podem contra o domínio do Império. A beleza do roteiro de Rogue One está em desconstruir a figura do herói clássico (o exército de um homem só cheio de virtudes que enfrenta sozinho uma grande dificuldade) e mostrar a importância que ações individuais, ainda que pequenas, tem para os grandes feitos e realizações. Não fossem os sacrifícios de Jyn, Cassian e de outras centenas de desconhecidos, por exemplo, provavelmente o Luke não teria conseguido disparar o tiro que detonou a Estrela da Morte. Cada ação conta, mas nem por isso a trama deixa de criticar o extremismo, mesmo que veladamente. Notem a oposição que é feita entre a paranoia do líder Saw Gerrera (Forest Whitaker), um homem de métodos violentos, com a resiliência e a frieza do Galen Erso (Mads Mikkelsen), o cientista que é submetido à tirania do Diretor Orson Krennic (Ben Mendelsohn).

rogue-one-uma-historia-star-wars-cena-4A luta contra o Império vista em Rogue One é colorida por elementos que conhecemos e amamos, dentre os quais destaco:

  • As batalhas grandiosas envolvendo X-Wings, AT-ATs, Tie Fighers e Stormtroopers (que melhoraram consideravelmente para atirar rs), a Estrela da Morte sendo acionada duas vezes (é assustador vê-la surgir no horizonte antes dos disparos) e as cenas furtivas de sabotagem, resgate e roubo de dados.
  • O robô autista K-S2O, que preenche o espaço deixado pelo R2-D2 e pelo C-3PO (que aparecem em uma cena rápida) e é o responsável pelas melhores piadas do filme.
  • A base rebelde de Yavin IV, um dos cenários mais legais do Uma Nova Esperança, que é recriada com perfeição. Ver as X-Wings decolando de lá pilotadas por personagens antigos, como o Líder Vermelho e o Líder Dourado é algo inexplicável. É ali que também está um dos links mais diretos com o Episódio 3: Bail Organa (Jimmy Smits) pode ser visto entre os rebeldes.

rogue-one-uma-historia-star-wars-cena-3Ainda sobre a nostalgia, é óbvio que o ponto alto de Rogue One é a participação do Darth Vader. O personagem, que talvez seja o vilão mais icônico de todos os tempos, aparece em cenas curtas mas absurdamente fantásticas. Tem estrangulamento pela força, tem sombra do capacete projetada na parede, tem tanque de recuperação e, claro, tem a invasão da nave da Princesa Leia. Meus amigos, QUE CENA DO CARALHO! Naturalmente, a gente torce pela Aliança, mas é impossível ser politicamente correto quando o Wader saca o sabre de luz e começa a detonar os rebeldes. Nesta cena, recriação do início do Uma Nova Esperança, o Gareth Edwards vale-se de suas experiências anteriores em filmes de terror e apresenta uma sequência tenebrosa em que um monte de soldados caem diante o avanço implacável do Wader. Em seguida, a Leia (criada digitalmente, numa das maiores surpresas da trama) aparece e enche o coração de todo mundo de esperança, mas a real é que quando os créditos surgem a gente ainda está meio atordoado por ter presenciado uma das maiores carnificinas de toda a série. Hail, Disney!

rogue-one-uma-historia-star-wars-cenaPra finalizar, há a cena em que o Chirrut (Donnie Yen), um monge cego, marcha através de uma zona de guerra para pressionar uma alavanca. O universo tornou-se um lugar sombrio após os Jedis terem sido derrotados, mas nem por isso Chirrut deixou de acreditar no poder da Força. Inicialmente, o mantra que ele entoa (I’m one with the Force, and the Force is with me) é usado em cenas cômicas, mas aí o personagem demonstra todo o poder de sua fé ao avançar contra os temíveis Death Troopers e faz a gente dar aquele nó na garganta. Pra mim, esta cena junta-se a queda do Han Solo no Despertar da Força e ao “Você era meu irmão, Anakin” do A Vingança dos Sith como um dos momentos mais tristes e emocionantes da série. Lá no começo do texto eu disse que chorei vendo Rogue One e foi exatamente nesta cena que as lágrimas caíram. Não é só um filme, não é só um personagem: é Star Wars ❤

Eu já paguei 2 vezes para ver Rogue One: Uma História Star Wars e certamente pagarei uma terceira. É lógico que não verei no Cinépolis, que além de tudo o que foi falado ainda está vendendo um combo caro (53 reais) contendo um balde de plástico vagabundo no formato da Estrela da Morte. Verei no Cinemark, e verei com a mesma empolgação porque, num ano de ótimos blockbusters, Rogue One foi o melhor disparado. Que venha o Episódio 8 e que a Força esteja com vocês!

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