Mogli: O Menino Lobo (2016)

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mogli-o-menino-loboBoa tarde, leitores.

É dia 08 de novembro e venho a público DECRETAR a abertura de mais uma “Cobertura Globo de Ouro/Oscar” do Já viu esse? nesta internet espetacular de Cenas Lamentáveis, Aprenda Dollynez e Legado da Copa. A partir de agora já pode:

Brincadeiras facebookianas à parte, está na hora de começar a dar atenção para a temporada de 2017 das premiações mais tradicionais do cinema norte americano. Assim como fiz nos últimos 2 anos, peguei no Indiewire a lista de possíveis indicados ao Globo de Ouro/Oscar e vasculhei a internet atrás dos títulos que já haviam sido lançados. Não encontrei muita coisa (no início de janeiro sempre melhora), mas já há material online suficiente para começar a trabalhar. Dos 8 filmes estrangeiros indicados pelo site, por exemplo, 5 já estão disponíveis nos principais servidores de Torrent e logo logo devem figurar por aqui.

Segundo o Indiewire, Mogli: O Menino Lobo, adaptação do diretor Jon Favreau para o livro do escritor Rudyard Kipling, tem chances reais de estar entre os concorrentes a Melhor Filme por ser um “filme família” da Disney que não só tornou-se bastante popular entre o público quanto recebeu boas resenhas da crítica especializada. Pessoalmente, não acredito que a produção tenha essa força toda (talvez para o Globo de Ouro, não para o Oscar), mas começarei a cobertura por ela enquanto outros títulos mais expressivos não surgem.

mogli-o-menino-lobo-cena-3Pulei a chance de ver Mogli nos cinemas por pura falta de interesse. Gosto bastante da história, tanto que revi a animação de 1967 antes de escrever esta resenha e já passei um bocado de horas jogando o dificílimo game do filme no Super Nintendo, mas acho que minha cota de paciência com essa onda de refilmagens de clássicos da Disney já acabou. Não fosse a aposta do Indiewire, dificilmente vocês leriam sobre esse filme por aqui. Querem saber? Errei feio ao ignorar Mogli. A adaptação do Favreau, além de recriar com carinho e nostalgia algumas das melhores cenas da original, amplia significativamente a grandeza do material com um roteiro mais sombrio e profundo e encanta pelo uso magnífico da computação gráfica na criação dos personagens e dos cenários.

De todas as lendas estranhas que são contadas sobre as selvas da Índia, nenhuma é tão estranha como a do menino Mogli (Neel Sethi). Encontrado na floresta ainda bebê pela pantera Bagheera (voz do Ben Kingsley), Mogli foi levado para ser criado por uma família de lobos. Tudo transcorreu relativamente bem até o dia em que uma seca prolongada fez com que o tigre Shere Kan (voz do Idris Elba) retornasse da escuridão e exigisse a cabeça de Mogli. Segundo ele, os homens não são confiáveis e não deveriam permanecer na floresta. Temendo pela vida do garoto, Bagheera decide levá-lo até uma aldeia onde ele pudesse viver em paz com sua própria espécie, mas uma série de infortúnios vão colocando Mogli mais e mais perto do confronto com o tigre.

mogli-o-menino-lobo-cena-4No filme, o simpático ator mirim Neel Sethi interage com ambientes e animais totalmente criados por CGI e o resultado é nada menos do que sensacional. Num primeiro instante, aliás, é bastante difícil acreditar que a floresta em que vemos Mogli e os lobinhos correr não é real. A cachoeira, as árvores cheias de cipó, os mosquitos… tudo faz aumentar nossa incredibilidade devido à riqueza de detalhes e esmero da produção. É o tipo de material que deve ter ficado BEM legal na tela do cinema com o uso do óculos 3D 😦

Sobre a história, que originalmente foi contada em pouco mais de 1h15min de muita cantoria e tagarelice, Favreau investiu em uma trama mais adulta que fala sobre um garoto que tenta encontrar seu próprio caminho na vida. Nisso, o diretor aumentou a importância de certos personagens (lobos), modificou alguns (elefantes) e suprimiu outros tantos (abutres) do roteiro para falar sobre como Mogli aprendeu um pouquinho com cada um de seus amigos no tocante a enfrentar dificuldades e resolver problemas. Destoa do original a valorização das habilidades de Mogli enquanto ser humano (principalmente na cena do mel), o escancaramento dos defeitos dos animais (a preguiça do Baloo e a ganância do Rei Louie, por exemplo) e a violência. Um amigo do trabalho me disse que arrependeu-se de levar o filho dele para ver Mogli porque haviam muitas cenas no filme que não eram feitas para crianças. Não dá para tirar a razão do cara: o confronto de Shere Kan com Akela, o líder dos lobos, é deveras traumático.

THE JUNGLE BOOKMogli atualiza a história do Rudyard Kipling para esta geração, mas é notável que o diretor preocupou-se em agradar os fãs da antiga animação da Disney. Fora começar o filme apresentando uma versão saudosista do logo da empresa (o castelo, com os fogos e o pó mágico da Sininho, aparece em 2D), Favreau foi bastante atencioso ao adaptar as cenas mais famosas do desenho. Não gostei tanto da sequência envolvendo a cobra Kaa (voz da Scarlett Johansson), mas o encontro do menino com o divertidão Baloo (voz do Bill Murray) é o tipo de coisa capaz de colocar um sorriso no rosto de alguém. Tal qual no original, Mogli desliza rio abaixo na barriga do urso cantando a viciante Somente o Necessário e nos faz pensar sobre as vantagens de viver comendo mel e formigas. Outra passagem clássica que ficou muito boa foi a do Rei Louie (voz do Christopher Walken): nunca deixará de ser engraçado ver o macaco, que está gigantesco, falando que quer ser igual a gente enquanto gagueja.

Num cenário bastante positivo, Mogli pode até concorrer ao Globo de Ouro de Melhor Filme Comédia/Musical e disputar alguma categoria técnica no Oscar, como Melhores Efeitos Especiais, mas disso não passa. Não é por isso, porém, que o filme não merece uma chance: destas refilmagens de clássicos infantis que Hollywood andou lançando, ele é um dos poucos que valem a pena caso você não seja mais um pimpolho.

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Uma resposta »

  1. Realmente a floresta está representada de forma linda, e goste das lutas entre os animais, acho que mostra que na selva tudo é possível. O que eu mais gostei da adaptação foi colocar os elefantes no novo filme como construtores da selva e não militares ( patrulheiro ) .

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