Halloween H20 – Vinte Anos Depois (1998)

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halloween-h20-vinte-anos-depoisQuando a série Halloween completou 20 anos em 1998 (o primeiro é de 1978), os produtores aproveitaram a data para revitalizar a franquia convidando a atriz Jamie Lee Curtis para voltar ao papel da icônica Laurie Strode.

Laurie, irmã de Michael Myers que acreditava-se ter morrido após o segundo filme, foi retirada do limbo pelos roteiristas de Hollywood que criaram para esta continuação uma história onde a personagem fingiu a própria morte para escapar do insistente assassino de Haddonfield. Com o nome de Keri Tate, ela mudou-se para a California, teve um filho (Josh Hartnett) e tentou continuar a vida, mas dia após dia as lembranças de Myers e sua faca gigante continuavam a atormentá-la. Laurie sabia que, mais cedo ou mais tarde, seu irmão apareceria para um acerto de contas definitivo com ela. A abertura de H20 mostra que esse momento chegou.

Como não poderia deixar de ser, o filme começa numa véspera de feriado de Halloween. As crianças estão correndo nas ruas, as abóboras estão sendo esculpidas e uma velha enfermeira, antiga colega de trabalho do finado Dr. Loomis no sanatório Smith’s Groove, está voltando para casa após um dia de trabalho. Na porta, ela encontra sinais de um possível arrombamento e chama a polícia. Diante da demora da viatura, a enfermeira pede para que alguns garotos da vizinhança (dentre eles, o ator Joseph Gordon-Levitt) ajudem-na a vistoriar a casa. Péssima escolha. Poucos minutos depois, Michael Myers sai do local com as informações que ele procurava sobre o paradeiro de sua irmã e com algumas mortes a mais no currículo.

halloween-h20-vinte-anos-depois-cenaEm H20, vemos como o Myers foi para a Califórnia atormentar um pouco mais a pobre Laurie Stroder. Para tanto, o roteiro comandado pelo diretor Steve Miner ignora todas as loucuras que aconteceram do terceiro ao sexto filme da série (fábricas de máscaras assassinas, rituais celtas, etc) para concentrar-se no elemento familiar básico que ditou o ritmo dos dois primeiros títulos: Myers quer matar sua irmãzinha. Essa simplicidade, aliada ao retorno da Jamie Lee Curtis, poderia ter feito a série renascer após uma sequências de filmes ruins e inexpressivos, mas não foi bem isso que aconteceu. H20 é ruim demais e percorrer seus parcos 86min foi chatíssimo.

Para um filme que se propôs a celebrar os 20 anos do lançamento do original, é estranho notar o desapego do diretor e do roteiro por certas tradições da franquia. Abertura com a abóbora? Não. Música tema da série tocando insistentemente até quase explodir nossas cabeças? Não. Peitinhos? Não (e olha que a Michelle Williams está no elenco). Sequência rodada com uma câmera em primeira pessoa? Não. Cidade de Haddonfield? Também não. H20 tem o nome Halloween, mas, tirando o Myers e a Stroder, ele também poderia ter qualquer outro título que a gente não ligaria muito.

halloween-h20-vinte-anos-depois-cena-3O retorno da Jamie Lee Curtis é outro ponto que não funcionou como esperado. A atriz, que debutou nos cinemas no A Noite do Terror, retornou para a série já consagrada após trabalhar com diretores importantes como o James Cameron, mas a real é que a nostalgia que a presença dela deveria provocar não dura mais do que uma cena. Além de não ter deixado o cabelo crescer para o papel (a Stroder original tinha o cabelo grande), a atriz parece estar atuando no automático, com má vontade. As discussões dela com o filho, por exemplo, cenas que poderiam ter uma carga emocional maior, são todas sofríveis.

H20 também peca muito no quesito violência. Seja por opção do diretor ou por censura, a maioria das mortes acontece fora das câmeras. Myers avista uma vítima, caminha em direção a ela, a cena é cortada e, em seguida, vemos um corpo ensanguentado caído no chão. A contagem de corpos também não ajuda: o assassino só começa a trabalhar pra valer depois de uma hora de filme e o rastro deixado por ele é deveras pequeno.

halloween-h20-vinte-anos-depois-cena-4O último e inevitável confronto entre os irmãos não é dos piores. A forma como ele termina, aliás, é bem legal (e dolorosa), mas há tanta coisa ruim antes da Stroder entrar naquela ambulância que nem mesmo o final brutal salva o pacote. Eu já tinha ficado chateado com o Myers ladrão de carros. Eu já tinha torcido o nariz para a cena em que ele corta a perna de uma menina e a mesma foge sem nenhum pingo de emoção. Eu não gostei do humor bobo do zelador da escola. Mas nada, nada mesmo superou a frustração de ver o Myers tentando usar uma chave para abrir um portão. Isto é o tipo de coisa que você não deve colocar um dos maiores slashers da história do cinema para fazer.

Com 3 filmes bons (os dois primeiros e o quarto) e quatro ruins, o saldo da série volta a ficar negativo. O ponto bom é que agora faltam apenas mais 3 longas (não pretendo rever o remake de 2007 do Rob Zombie). O ruim é que o próximo, Halloween – Ressurreição, é o que tem a nota mais baixa dentre todos os títulos da franquia no IMDB (4.1) 😀

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