Plano de Fuga (2012)

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plano-de-fugaFoi o saudosismo que me trouxe até este Plano de Fuga.

  • Quando o filme foi lançado, em 2012, eu morava em São José dos Campos-SP. Para nossa minha alegria, tinha um cinema que ficava a uns 10min de caminhada da minha casa. Vi muitos filmes lá, mas não vi todos que eu queria porque também foi um ano de muito estudo. Plano de Fuga foi um dos títulos que passou batido e assisti-lo agora meio que representou uma volta àqueles dias inesquecíveis.
  • Pelo pouco que eu lembrava do trailer, a produção era um daqueles filmes de ação exagerados que eu, meninão adolescente, adorava assistir na Globo domingo à tarde. Carros, explosões, bandidos malvadões e o Mel Gibson mau humorado: eis a cara da Temperatura Máxima, templo nacional de toda a testosterona fabricada em Hollywood na década de 80.
  • Estou com saudade do México. Já passaram-se dois meses desde que minhas férias por lá acabaram e estou sentindo falta daquele calor de 38° na sombra as 08 da manhã. Ver Plano de Fuga, cuja história passa-se em solo mexicano, foi a forma mais fácil que encontrei de aliviar um pouco a saudade.

E foi assim, ansiando resgatar alguns bons sentimentos, que coloquei o filme para rodar e vi aquela cena insana de perseguição de carro que abre a trama. Gibson, que é identificado apenas como “Piloto”, pode ser visto atrás do volante de um carro em alta velocidade fugindo de uma infinidade de viaturas de polícia. No banco traseiro, alguns milhares de dólares e um homem morto. Sei que vou parecer ranzinza, mas algo que vi nesta cena me fez desconfiar que não seria com Plano de Fuga que eu revisitaria satisfatoriamente o passado.

plano-de-fuga-cenaEste é daqueles filmes em que o personagem principal narra a história. Enquanto o pau está quebrando, tu vai ouvindo o que o cara está pensando graças ao recurso conhecido como “voz em off”. O formato em si é muito bom, o que pega negativamente é o senso de humor do Piloto: logo de saída ele faz uma piadinha cretina sobre o tal morto estar sangrando e sujando o dinheiro. É o tipo de sacada que deveria soar engraçada e fazer a gente rir, mas eu nem esbocei um sorriso. Infelizmente, as coisas não melhoram muito nesse sentido ao longo do filme. A minha crítica, acreditem, não tem nada de politicamente correta. Uma das únicas coisas que achei engraçada aqui, aliás, foi uma criança fumando um cigarro 😀 O ponto é que o roteiro de Plano de Fuga foi feito para soar irônico e malandrão mas quase nada funciona. Até a piada potencialmente boa com o Clint Eastwood acaba tropeçando no texto ruim e na imitação sem sal do Gibson.

plano-de-fuga-cena-2Se ignorarmos o humor capenga, sobra um filme de ação deveras genérico cujo ritmo é prejudicado por arcos de história pouco interessantes. Após a perseguição, o piloto é capturado e enviado para uma prisão no México. Os policiais locais embolsam o dinheiro que ele transportava e jogam-no numa cela para apodrecer. Plano de Fuga divide-se então em 3 momentos:

  • A prisão: O presídio para o qual o protagonista é enviado é uma zona total. O pior do pior da humanidade pode ser encontrado em todos os cantos do local e atividades como prostituição e tráfico de drogas correm soltas comandadas por um figurão do crime. O Piloto faz amizade com o “menino” (os personagens aqui não tem nome) e começa a procurar uma forma de reaver sua grana e escapar. Na boa que o menino é o melhor personagem do filme, mas a parte da história que envolve a mãe dele e um transplante de fígado é bem chata.
  • A fuga e Clint Eastwood: Interessado na grana que os policiais roubaram, o tal “figurão da prisão” ajuda o Piloto a escapar para que ele localize o dinheiro e elimine rastros e pessoas ligadas a ele. É aqui que rola a tal imitação do Clint e uma boa cena envolvendo um escritório e algumas granadas. Essa sequência, aliás, lembra bastante o tipo de ação que pode ser vista no ótimo O Troco, filme que também foi estrelado pelo M. Gibson e do qual Plano de Fuga parece ser uma continuação não oficial.
  • Crash, Boom, Bang: O Piloto retorna para a prisão para libertar o menino e a mãe e então rola aquele final padrão de filme de ação em que todo mundo atira em todo mundo mas só o protagonista parece saber mirar. Um transplante de fígado bizarro que é enfiado no meio do tiroteio para aumentar o potencial emocional da cena é a única coisa que lembro dessa conclusão.

Plano de Fuga não mostrou-se a altura de todo o saudosismo que envolveu o meu planejamento para assisti-lo: o filme do diretor Adrian Grunberg tropeça na falta de bons diálogos e piadas, as cenas de ação são bastante clichês, o Mel Gibson parece cansado e o México é mostrado em sua pior faceta. No fim, só fiquei feliz mesmo por não ter gastado dinheiro para vê-lo no cinema 😀

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