Warriors – Os Selvagens da Noite (1979)

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Warriors - Os Selvagens da NoiteFui intimado por um amigo  a assistir esse filme sob pena de perder o respeito dele caso eu não o fizesse. Eu sabia que tratava-se de um clássico cult (não é difícil encontrar imagens dele estampadas em camisetas e outras bugigangas com temática de cinema) e já havia programado vê-lo em algum momento, mas tive de adiantar meus planos depois do cara dizer, com uma passionalidade que lhe é bastante característica, que eu “poderia encerrar as atividades do blog caso não escrevesse um texto sobre o Warriors“. Às vezes, tudo que a gente precisa para sentir-se motivado é uma ameaça infantil descabida, então aqui está sua resenha, Sr. Sandoval rs

Baseado na Batalha de Cunaxa, evento ocorrido 401 anos a.C. em que soldados gregos foram encurralados pelo exército persa, Warriors – Os Selvagens da Noite mostra como uma gangue de Nova York abriu caminho através de território extremamente hostil em uma noite em que tudo deu errado. Convocados por Cyrus (Roger Hill), uma espécie de messias que sonha em unir todas as gangues da cidade para lutar contra o governo, os Warriors comparecem numa reunião onde o impossível acontece: após um discurso lutherkingiano, Cyrus é assassinado na frente de todos. Um membro de um grupo rival coloca a culpa da morte nos Warriors e é aí que o grupo, que é liderado pelo explosivo Swan (Michael Beck), precisa fugir da polícia e das outras gangues para conseguir retornar para casa.

Precisei de apenas 15min para compreender a essência da “aura cult” que envolve o filme, que é assinado pelo diretor Walter Hill. Além da violência física e sexual que faz do longa um típico produto da Hollywood sombria e niilista da década de 70, Warriors está cheio de personagens e diálogos cuidadosamente pensados para tornarem-se inesquecíveis. Aqui você encontrará, por exemplo, uma gangue de jogadores de baseball usando maquiagens parecidas com a do Kiss. Aqui, você ouvirá um cara anunciar que “enfiará um taco na bunda do outro e o transformará em um pirulito”. Não dá pra esquecer esse tipo de gente e de ofensa. O filme também demonstra personalidade e ganha pontos no quesito “estilo” devido à edição, que utiliza páginas de quadrinhos para fazer transições de cena e de cenários.

Warriors - Os Selvagens da Noite - Cena 4Personagens legais, visual bacana e frases de efeito, porém, não são suficientes para tornarem um filme bom. Bastasse a simples união desses elementos para emplacar um sucesso, o Esquadrão Suicida seria divertidão, mas ele não é. O que faz de Warriors uma aventura digna de ser lembrada e recomendada com empolgação (e agressividade rs) é a narrativa objetiva e fluída e as muitas boas cenas de ação filmadas pelo diretor. Tão logo o grupo foge da reunião, inicia-se uma correria e um clima de “vai dar merda” que só acaba na última cena. Há confrontos no metrô, no parque e nos muitos becos escuros da cidade de Nova York, que é mostrada como um lugar sujo e sombrio completamente tomado por poderes paralelos ao estado. As lutas, mesmo para os padrões atuais, são MUITO violentas e extremamente gráficas, com a câmera do diretor mostrando em detalhes escandalosos coisas como alguém tendo o rosto chutado e atingido por pedaços de madeira. Hill dosa com perfeição o texto sobre um cenário futurístico onde as pessoas recorrem à violência e as gangues como forma de sentirem-se parte da sociedade com as cenas de pancadaria, de modo que a história nunca torna-se maçante ou pouco cerebral. Destaco ainda a narração dos eventos que é feita por uma locutora de rádio, recurso divertido que me lembrou de outro clássico setentista, o Corrida Contra o Destino (que rendeu esse remake horroroso).

Warriors - Os Selvagens da Noite - Cena 2Warriors provocou um barulho enorme quando foi lançado. Na página de curiosidade do filme no IMDB, é possível ler, por exemplo, que precisaram mudar o poster original por ele ser considerado “ultrajante” por muitas pessoas (havia frases nele que diziam que os marginais eram mais numerosos que os policiais e que eles poderiam dominar a cidade) e que membros de gangues reais ameaçaram a equipe de produção tanto por eles não terem sido convidados para as filmagens quanto pela forma como eles foram retratados no filme. Por tudo o que foi falado até agora, acho que vocês já entenderam que trata-se de um filme referência, desses que podemos classificar como “obrigatórios” tanto para críticos quanto para fãs de cinema, né? Resolvida esta questão e reconhecido que a bronca do meu amigo não foi totalmente injusta (Obrigado, Sandoval! rs), permitam-me finalizar este texto com um desabafo.

Warriors - Os Selvagens da Noite - Cena 3Não tem sido fácil manter o blog atualizado. Por conta de uma série de problemas pessoais e do excesso de serviço (em alguns dias, tenho trabalhado quase 15 horas), tenho achado difícil encontrar tempo e inspiração para escrever. Para vocês terem uma ideia, tem mais de uma semana que assisti Warriors e, mesmo tendo adorado a estética visual do filme e todo o comentário social que ele faz, só hoje consegui reunir fôlego para digitar este texto. Quem acompanha o blog desde o início sabe que não é a primeira vez que uso este espaço para reclamar de cansaço (e sei que ninguém vem aqui ler isso), mas sinto-me na obrigação de jogar limpo com os leitores, visto que respeito-os e temo não estar conseguindo escrever textos tão bons e divertidos como aque fazia no passado. Sei que, assim como não é fácil encontrar tempo para escrever, também não é fácil parar a correria do dia a dia para ler um texto de 800-1000 palavras, então sinto-me decepcionado quando penso que o blog, além de estar perdendo em quantidade, também não está mais oferecendo qualidade. Todo caso, não pretendo parar: amo cinema, amo escrever e há quase 6 anos divido essa paixão com vocês. Tenham um pouco de paciência comigo nos próximos meses, ok? Aos poucos as coisas voltarão ao normal 🙂

Warriors - Os Selvagens da Noite - Cena

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  1. O que sempre me encantou nos seus textos é a paixão presente em cada linha, e a forma clara que vc transmite a sua interpretação em relação a cada filme. Acho ótimo ver como suas experiências cinematográficas se confundem com as suas experiências de vida. Essas qualidades permanecem nos seus textos. O blog faz parte de quem vc é, por isso não pode parar. Tenho certeza que ele vai continuar encantando a todos que o lê , pois cada texto é uma experiência nova é encantadora.

  2. Espero que continue escrevendo por muito tempo, não perco um texto! Esse filme já tá na minha lista a tempos, depois dessa crítica me sinto obrigado a vê-lo. Obrigado Sandoval rs

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