Onde Começa o Inferno (1959)

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Onde Começa o InfernoDentre os fãs de faroeste, é conhecida a história de como diretores italianos como Sergio Leone e Sergio Corbucci reformularam o gênero durante as décadas de 60 e 70 dando origem ao chamado Spaghetti Western, que consistia em produções rodadas majoritariamente com baixo orçamento e que, em relação a seus contra pontos americanos, destacavam-se pelos malabarismos visuais (planos abertos, closes escandalosos) e pelo excesso de violência.

Eu conhecia a teoria, mas até hoje eu ainda não tinha tido oportunidade de verificar essas informações na prática. Salvo engano, o único filme de faroeste anterior a esse período que eu havia assistido foi o Sete Homens e um Destino, porém ele é um remake de um clássico japonês, ou seja, não é um produto genuinamente hollywoodiano. Trocando em miúdos, eu sabia que os italianos haviam MUDADO o gênero, mas eu não sabia O QUE eles haviam mudado, visto que eu não conhecia nada do faroeste americano pré-Spaghetti Western. Para aumentar o meu conhecimento sobre o assunto, escolhi esse Onde Começa o Inferno, filme do respeitado diretor Howard Hawks (de Os Homens Preferem as Loiras) e estrelado pelo mítico John Wayne, duas figuras cujas histórias confundem-se com a do gênero em questão.

John T. Chance (Wayne), o xerife de uma cidadezinha qualquer do interior dos Estados Unidos, prende Joe Burdette (Claude Akins) sob acusação de assassinato. Ciente da péssima reputação do irmão do criminoso, Nathan Burdette (John Russell), Chance prepara-se para defender sua cidade de um provável ataque. Acontece que, para proteger o local do bando de Burdette, o xerife conta com a ajuda de apenas três homens, sendo um bêbado (Dean Martin), um aleijado (Walter Brennan) e um adolescente (Ricky Nelson).

Onde Começa o Inferno - CenaConta-se que o diretor Quentin Tarantino, um fã declarado de faroeste (tanto que seus dois últimos trabalhos, Django Livre e Os Oito Odiados, foram produções do gênero), sempre mostra Onde Começa o Inferno para as garotas com as quais ele sai. Se elas não gostam do filme, ele termina o relacionamento. Pesado, né? rs Junte a isso o fato do título ostentar uma respeitosa nota 8.1 no IMDB (acesso em 17/06/16) e pronto, temos um daqueles longas que a gente já começa a assistir predispostos a gostar, certo? Bem, como não tenho nenhum interesse de sair com o Tarantino e sempre procuro ser honesto em meus textos mesmo quando isso significa nadar contra a corrente, devo dizer que achei o filme bastante monótono e entediante. Eis os meus motivos.

“A história principal não é das melhores” Chance prende Joe logo na primeira cena. Ele leva uns 5min pra executar a ação. Depois disso, até o clímax onde o xerife e seus amigos enfrentam o grupo de Burdette, passam-se mais de duas horas onde pouca coisa acontece. Sei que, fora trabalhos revisionistas como Os Imperdoáveis, os roteiros de faroeste primam pela simplicidade de histórias funcionais como “um homem precisa defender uma cidade de um bando de forasteiros”, mas não consegui achar graça na morosidade cotidiana que o diretor mostra-nos enquanto nos faz aguardar pelo confronto que ele anuncia logo de saída.

Onde Começa o Inferno - Cena 4“A maioria das subtramas são ruins ou não funcionam” Para ocupar o imenso espaço de tempo entre os dois eventos mais significativos da trama, Hawks preenche a história com personagens secundários chatos, como um casal estereotipado de mexicanos que escorregam miseravelmente na tarefa de serem alívios cômicos, e arcos de histórias que parecem estar lá apenas para cumprir as exigências do gênero. A atriz Angie Dickson, que interpreta o interesse romântico do xerife, está lindíssima naquele corpete com meia calça arrastão, mas química entre ela e o John Wayne (na época, um senhor de 51 anos -ela 26- com uma pancinha sobressalente) é zero. Também não senti empatia pelo fato de Chance ser um homem solitário que precisa aprender a confiar nos outros, mas gostei do desenvolvimento do Dude (personagem do Dean Martin), um bêbado que recupera a confiança em si mesmo quando o perigo força-o a redescobrir suas habilidades.

Onde Começa o Inferno - Cena 3“Falta ação” Quando eu disse acima que “pouca coisa acontece” durante Onde Começa o Inferno (aliás, que título bizarro – o original é Rio Bravo), eu estava me referindo principalmente a falta de ação. No papel do aleijado, o ator Walter Brennan até entretêm a gente com suas loucuras e a cena onde o Dude e Colorado cantam a baladinha “My Rifle, My Pony and Me” é bem legal, mas falta ação no filme. Excluindo um ou outro tiro e soco que aparecem aqui e ali, há apenas 3 grandes sequências de ação em todo o longa, que tem quase 2h30min. É muito pouco. Mesmo que essas cenas sejam, cada uma a sua maneira, bem executadas e divertidas (destaco o ‘silêncio’ da primeira, o domínio do Dean Martin na ‘cena do copo’ e os explosivos da última), elas não foram suficientes para satisfazer o meu desejo por tiroteios insanos cheios de efeitos sonoros toscos. Fiquei mal acostumado após ver filmes do Spaghetti Western como Por Uns Dólares a Mais e os trabalhos influenciados por eles, como Meu Ódio Será Sua Herança? Provavelmente, mas, mesmo que isso não constitua necessariamente um defeito para Onde Começa o Inferno, não posso esconder que eu esperava ver um John Wayne mais efetivo no cumprimento de seus deveres.

Eu estava com vontade de ver um western e de conhecer um pouco mais a história do cinema. Alcancei esses dois objetivos com Onde Começa o Inferno? Sim. Diverti-me durante o processo? Nem tanto.

Onde Começa o Inferno - Cena 2

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