Moscou Contra 007 (1963)

Padrão

Moscou Contra 007Quando comecei a escrever sobre cinema, fui bastante influenciado pelo pessoal do Delfos. Dentre outras coisas, eu gostava bastante do jeito que o Corrales (principal redator do site) começava as resenhas dele. No lugar de apresentar a sinopse ou fazer vereditos, o cara sempre contava algo que havia acontecido antes da sessão (um atraso para a exibição começar, por exemplo) ou dividia alguma memória/ou expectativa pessoal que ele tinha sobre o filme. Essa abordagem mais pessoal, ao meu ver, fazia com que a leitura do texto ficasse parecida com uma gostosa conversa de bar na qual dois amigos falam descompromissadamente sobre um tema qualquer.

Não raramente, o prazer da leitura acabava mostrando-se até mesmo maior do que o de assistir o filme, visto que o site trazia resenhas de todos os lançamentos, inclusive das tranqueiras. Compartilho essa lembrança para cumprimentar o trabalho alheio, mas também parto dela para declarar as minhas intenções com esse texto: por uma série de fatores que descreverei abaixo, não digeri muito bem esse Moscou Contra 007, segundo título da filmografia do Bond. Nesse caso, melhor do que relatar qualidades que não vi ou atribuir ao filme desfeitos que ele não possui, acho mais honesto e divertido contar as circunstâncias em que eu o assisti, ok?

Na última segunda-feira, dia 06, cheguei em casa por volta das 22:30hrs após um longo e cansativo dia no qual cumpri dois turnos de serviço. Dei um beijo na minha esposa, comi o lanche que ela preparou, abri uma garrafa de vinho, sentei no sofá e dei o play nesse Moscou Contra 007. Na primeira cena, o Bond (Sean Connery) é estrangulado por um agente russo (Robert Shaw). Fim do filme? Não, claro que não. Na verdade, o agente estava apenas treinando como um dublê para sua próxima missão, que consistia em eliminar o 007 como represália por ele ter matado o Dr. No, que de satânico não tinha nada. Paralelamente, o verdadeiro Bond abandona suas férias em um local paradisíaco qualquer para atender o chamado do M (Bernard Lee), que convoca-o para conduzir uma negociação em solo turco com uma dissidente russa.

Moscou Contra 007 - Cena 3Após receber uns equipamentos estranhos para a missão (uma maleta que, se aberta do jeito errado, libera um gás mortal), Bond parte para Istambul para encontrar-se com a loiríssima Tatiana (Daniela Bianchi), a agente que negociará uma máquina decodificadora em troca de sua fuga e proteção. Até aqui tudo estava indo bem: entendi que o roteiro tratava de uma artimanha da SPECTRE para colocar a Inglaterra contra a URSS e, mesmo que os primeiro minutos não tenham muita ação, eu estava me divertindo com a canastrice do Bond, que utiliza todo o seu arsenal de cantadas para seduzir a Moneypenny (Lois Maxwell).

Depois disso veio a escuridão. Percebi que eu havia perdido a batalha para o vinho quando peguei-me rindo exageradamente da repetição exaustiva do nome de um personagem, o Kerim Bey (Pedro Armendáriz). Na boa que falam esse “carimbei” umas 20 vezes em uns 5min, mas nada (fora o álcool rs) justifica as gargalhadas que dei. Na sequência, gastei meus últimos neurônios para entender que o tal Kerim Bey era um informante do serviço secreto britânico que providenciaria o encontro de Bond com Tatiana, voltei a rir do tiroteio tosco que acontece em um acampamento cigano após duas mulheres brigarem igual galos de rinha e, por último, vi o 007 tendo seu momento de intimidade com a loira sendo filmado por seus inimigos, que pretendiam chantageá-lo com as cenas. Sorte dele que, naquele época, ainda não existia internet. Após a cena de voyeurismo, que acontece por volta dos 50min, o sono bateu forte.

Moscou Contra 007 - Cena 2Bond grava o depoimento de Tatiana em um barco. Bond, Tatiana e Kerim Bey estão em um trem. Surge Grant, o russo estrangulador. Jantar, pílula para dormir, a maleta é acionada. Helicóptero, lancha, beijo, fim. Vi a última hora de Moscou Contra 007 assim, como um monte de flashs desconexos, esforçando-me sem sucesso para vencer o sono. Definitivamente, misturar vinho, cansaço e filme não foi uma boa ideia. O fato é que, quando o longa acabou, eu simplesmente não havia entendido NADA do último ato e, portanto, eu não poderia escrever minha resenha. Para reparar a situação, no dia seguinte, descansado e sem beber, revi a última hora do filme, mas nem assim consegui afeiçoar-me ao material.

Moscou Contra 007 - CenaConta-se que, além do livro do Ian Fleming que inspirou o longa ser um dos favoritos do ex-presidente americano John F. Kennedy, Moscou Contra 007 é o filme que o Sean Connery mais gosta dentre aqueles em que ele interpretou o Bond. A produção tem credenciais, mas eu também tenho personalidade para dizer que, mesmo levando em conta as condições adversas em que eu a assisti, não gostei do que vi. Excluindo a perseguição do helicóptero (que traz reminiscências da famosa cena do avião do Intriga Internacional), a ação comandada pelo diretor Terence Young é pouco inspirada, monótona. O roteiro, apesar de conter um plano complexo de desestabilização política engendrado pela SPECTRE, pode ser resumido a uma vingança pessoal da organização criminosa contra Bond. Por fim, não vi química entre Tatiana e o agente, que não esconde em momento algum estar mais interessado no decodificador do que nas curvas da moça.

Com ou sem vinho, Moscou Contra 007 não me empolgou. Bom mesmo foi dormir após vê-lo e escrever este texto, que saiu fácil e espontâneo como… uma conversa de bar. Aprendi 🙂

Moscou Contra 007 - Cena 4

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s