Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos (2016)

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Warcraft - O Primeiro Encontro de Dois MundosAdentrei os sombrios corredores da minha memória e concluí, com muito pesar, que passaram-se cerca de 10 anos desde a última vez que joguei Warcraft. Não cheguei a explorar o vasto mundo do World of Warcraft (WoW), mas virei muitas madrugadas dos meus 20 e poucos anos comandando a Priestess of the Moon no modo campanha do The Frozen Throne e despachei um monte de adversários com o Assassinate do Kardel Sharpeye no Defense of the Ancients, mais conhecido como DotA. Parei de jogar por falta de tempo e pela conhecida falta de educação dos jogadores brasileiros, que costumeiramente transformavam as partidas online em verdadeiros festivais de ofensas gratuitas, coisas impossíveis de tolerar quando você já passou dos 15 anos e paga as próprias contas.

O fato é que, como já fazia bastante tempo que eu não entrava no reino de Azeroth, mundo fictício do Warcraft, acreditei que eu conseguiria assistir e comentar a adaptação do jogo para o cinema livre de qualquer tipo de nostalgia. Bobinho! Tão logo o símbolo da Blizzard apareceu na tela, tive duas certezas:

  1. Eu preciso reinstalar o jogo e terminar a campanha dos Night Elves.
  2. Não dá para ser racional com esse tipo de material. Warriors of the Night, Assemble! rs

Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos conta como os orcs, liderados pelo poderoso Gul’Dan (Daniel Wu), utilizaram um portal para abandonar seu mundo decadente e invadir o reino de Azeroth.

Warcraft - O Primeiro Encontro de Dois Mundos - Cena“Quer dizer então que trata-se da clássica história homens (bem) x orcs (mal)?” Sim e não. De fato, as duas raças mais clássicas do jogo encontram-se e lutam uma contra a outra, mas o diretor e roteirista Duncan Jones esforçou-se ao máximo para nos mostrar os dois lados da história. Assim sendo, acompanhamos não um, mas dois protagonistas que, cada um a sua maneira, lutam para proteger sua raça, família e amigos: Lothar (Travis Fimmel), herói e comandante dos humanos, e Durotan (Toby Kebbell), líder do clã orc Lobos de Gelo. Lutando ao lado deles, estão personagens igualmente interessantes e multilaterais: Medivh (David Guetta Ben Foster), o Guardião, é um mago que vê-se tentado pelo poder da Vileza, magia nefasta usada por Gul’dan, e Garona (Paula Patton) é uma orquisa que, capturada pelos humanos, descobre ter mais afinidades com o inimigo do que com os seus semelhantes. De todos os muitos elogios que O Primeiro Encontro de Dois Mundos merece, o que faço com mais prazer é esse para o roteiro: vi uma história que evita simplificações narrativas, que tem personagens balanceados e que confia no próprio taco para ser o início de uma franquia, visto que o final prepara o terreno para novas aventuras. Na boa? O roteiro de Warcraft é melhor e mais surpreendente do que os de muitos dramas “sérios” por aí (esperem até vocês verem todas as reviravoltas das últimas cenas).

Warcraft - O Primeiro Encontro de Dois Mundos - Cena 3Celebro também a coragem dos produtores de transporem para a tela o visual fantástico dos games. A impressão que fica é a de que Duncan Jones e sua equipe fizeram um filme pensando exclusivamente nos fãs, de modo que as escolhas visuais procuram reproduzir fielmente o mundo de Azeroth e sua mitologia. Colocando de outra forma, não há em Warcraft aquelas alterações estéticas que procuram deixar os personagens mais acessíveis para o público leigo (como acontece, por exemplo, na franquia dos X-Men): aqui, os orcs são feios, sujos e brutais, os magos conjuram suas magias envoltos em runas e seres fantásticos como os grifos caminham naturalmente entre os humanos, tal qual deve ser. Detalhes como o acabamento primoroso das armas e a personalização de cada uma das armaduras também chamam a atenção e revelam a preocupação dos produtores em agradar o público que conhece os muitos itens do jogo. Finalmente, o esmero estende-se até os efeitos especiais incríveis, que aliados ao bom 3D nos fazem acreditar em seres espetaculares como um golem gigante, e às referências/easter eggs, que vão desde citações de personagens conhecidos (Go’el) até a inclusão cuidadosa de alguns deles em cenas diveras, como quando Lothar cruza uma ponte e, no cantinho da tela, vemos um daqueles NPC’s anfíbios que usam um tridente do início do jogo.

Warcraft - O Primeiro Encontro de Dois Mundos - Cena 4Com o roteiro e o visual certo, não seria na ação que Warcraft decepcionaria. Duncan filmou lutas mano-a-mano (a pancadaria entre Durotan e Gul’dan é desgraçada de boa), emboscadas em florestas e em perigosos desfiladeiros, disputas de magias poderosíssimas entre magos e, claro, as emocionantes e tradicionais batalhas campais que ditam o ritmo do modo campanha dos jogos. Há sangue, decapitações e toda série de mortes violentas e realistas, mas também há aquele maravilhoso plano geral (que nos permite olhar a ação de cima, tal qual se estivéssemos em casa vendo a tela do PC) que mostra o acampamento dos orcs, com todas suas construções típicas.

Gostei tanto de Warcraft: O Primeiro Encontro de Dois Mundos que, hoje mesmo, já cumpri o que disse no começo dessa resenha (instalei o The Frozen Throne e joguei uma partida de DotA com o Kardel). Precisa dizer mais? Palmas para a Blizzard que, mais do que uma simples adaptação de um jogo para o formato cinematográfico, fez um épico de fantasia maiúsculo.

Warcraft - O Primeiro Encontro de Dois Mundos - Cena 2

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