X-Men: Apocalipse (2016)

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X-Men - ApocalipseDe todos os filmes de super herói que foram anunciados para 2016, o que menos me empolgou foi esse X-Men: Apocalipse. Não sei vocês, mas depois do péssimo O Confronto Final, dois spin-offs horrorosos do Wolverine e um filme potencialmente bom prejudicado pelo “excesso de Wolverine”, eu meio que perdi a fé na capacidade da Fox de voltar a realizar algo minimamente decente relacionado aos mutantes.

Não bastasse essa desconfiança, as imagens do longa divulgadas antes do lançamento não eram nada animadoras. Impiedosa que é, a internet não tardou em comparar o visual proposto pelo diretor Bryan Singer para o vilão Apocalipse com o do Ivan Ooze, antagonista dos gloriosos Power Rangers naquele filme ruim de 1995. Diretor e estúdio rebateram dizendo que aquele não era o visual “finalizado” do personagem e que a imagem não havia recebido todo o “tratamento necessário”, mas aí a semente da descrença já estava plantada e germinada.

Foi assim, pessimista e com a mesma sensação de quem está realizando uma atividade meramente burocrática, que comprei ingressos para assistir X-Men: Apocalipse. Assim sendo, não posso negar que seria um tanto quanto prazeroso escrever um texto falando “eu avisei que o filme era ruim e blablabla”, mas melhor do que massagear o meu próprio ego é relatar-lhes como quebrei a cara em todos os sentidos e saí felizão do cinema. É sempre bom ser surpreendido positivamente. Ao meu ver, Apocalipse, além de ser tão bom quanto o X-Men 2 e o Primeira Classe, cumpre o importante papel de amarrar a complicada linha cronológica que a série apresentou até agora e abre caminho para que, daqui para frente, sejam feitos filmes mais consistentes sobre os mutantes.

X-Men - Apocalipse - Cena 5O ponto de partida aqui é aquela cena pós-crédito mostrada no Dias de Um Futuro Esquecido. Há milhares de anos, os egípcios veneravam um ser poderosíssimo que, juntamente com seus 4 ajudantes, reinava sobre o povo com status de divindade. Considerado por muitos como o primeiro mutante da história, esse ser, que mais tarde viria a ser chamado de Apocalipse (Oscar Isaac), é atacado por dissidentes e então o seu corpo permanece lacrado em uma tumba até a década de 80, quando ele desperta com o propósito de purificar o mundo através da destruição global.

Os eventos vistos em Apocalipse, portanto, acontecem no período imediatamente posterior àqueles que vimos em Dias de Um Futuro Esquecido. A volta de Wolverine (Hugh Jackman) ao passado e o confronto dos X-Men contra os Sentinelas criados pelo Dr. Bolivar Trask criaram uma linha temporal alternativa na qual a Mística (Jennifer Lawrence) transformou-se numa heroína para os mutantes, o Professor Xavier (James McAvoy) conquistou vários alunos para sua escola e o Erik (Michael Fassbender) abandonou suas pretensões enquanto Magneto para constituir família e esconder-se em um vilarejo na Polônia. Quando Apocalipse surge e começa a reunir seus seguidores (os Quatro Cavaleiro do Apocalipse), os X-Men precisarão juntar forças novamente e deixarem velhas diferenças de lado para impedir que o vilão extermine toda a vida existente no planeta.

X-Men - Apocalipse - Cena 4Logo na primeira cena o diretor Bryan Singer já deixa claro sua intenção de dar ao filme toda a grandiosidade que uma história sobre um dos vilões mais icônicos dos X-Men merece. A fantástica destruição da pirâmide, com aquelas pedras gigantes esmagando tudo e todos, é seguida da tradicional abertura da série (a exibição dos créditos em corredores virtuais que nos levam até a porta do Cérebro), que dessa vez foi sabiamente utilizada para mostrar a passagem do tempo da antiguidade até os dias atuais. Ali, naquela sequência espetacular de planos abertos, efeitos especiais sensacionais e músicas épicas, o meu ceticismo foi demolido junto com a pirâmide na qual o corpo do Apocalipse é sepultado vivo.

X-Men - Apocalipse - CenaO que vem em seguida, em termos de ação, também não decepciona. Tendo em vista os confrontos meia boca que os mutantes haviam tido até então com vilões como Dente de Sabres, Magneto do Ian McKellen e Samurai de Prata, muita gente desconfiou que o Apocalipse não seria retratado como o ser extremamente poderoso que ele é. O diretor não só consertou o visual “Ivan Ooze”, deixando o rosto do personagem quadradão e com as “listras” características, como fez do vilão a maior ameaça que os X-Men enfrentaram até agora em suas adaptações cinematográficas. Tendo trocado de corpo com vários mutantes ao longo dos séculos, Apocalipse acumulou vários poderes e habilidades e aqui ele faz uso de todas elas para tentar vencer a batalha, coisas impressionantes como enterrar os adversários vivos e aumentar o tamanho do próprio corpo. Durante o filme há muitas cenas de pancadaria divertidas e estilosas (o Magneto vingando-se de um grupo de aldeões utilizando ‘apenas’ um pingente foi a minha favorita), mas é muito bom que a “joia da coroa” seja o último quebra pau entre os X-Men e o vilão, que mostra-se um desafio à altura dos mutantes e obriga-os a utilizarem todos os seus poderes (e até mesmo alguns que estavam adormecidos 😛 ) para derrotá-lo. Sinceramente, eu já estava cansado de vilões que muito falavam e pouco faziam.

X-Men - Apocalipse - Cena 3Fosse o filme apenas uma sequência interminável de cenas de ação, porém, eu não teria gostado dele. Nos quadrinhos, os X-Men enfrentam grandes vilões e ameaças, mas eles também enfrentam as dificuldades de serem criaturas diferentes em um mundo preconceituoso. Esse drama hamletiano do “ser ou não ser” (observem a referência no poster acima), de personagens que amaldiçoam-se e sentem-se abençoados pelo mesmo motivo (a mutação) é uma constante na série (Vampira, Mística, Xavier após o acidente) e, em Apocalipse, o Bryan Singer desenvolveu a questão tendo como foco o Erik: ao tentar negar sua essência e seus poderes, o personagem só consegue ver-se mais e mais imerso em problemas. Sobre o roteiro, também chama a atenção a forma crítica como o diretor trabalha a questão da divindade, visto que ele faz uma clara analogia entre o Apocalipse e o Deus vingativo descrito no Antigo Testamento.

X-Men - Apocalipse - Cena 6Sobre um bolo que contém algumas das melhores cenas de ação da série e um roteiro consistente cheio de bons diálogos, coube ao Bryan Singer distribuir não uma, mas várias cerejas para os fãs deliciarem-se. Nisso, ele coloca a matadora The Four Horsemen do Metallica para tocar quando os Quatro Cavaleiro do Apocalipse reúnem-se, a queridinha Sophie Turner (da série Game of Thrones) aparece como Jean Grey e nos deixa animados com suas curvas e com o poder “desconhecido” que ela carrega, a Psylocke (Olivia Munn) e o Anjo (Ben Hardy) finalmente recebem o devido tratamento (tanto gráfico quanto em tempo de tela e ferocidade) e o Mercúrio (Evan Peters) rouba novamente a cena com sua velocidade e bom humor em uma sequência espetacular de resgate que ocorre ao som da clássica Sweet Dreams (Are Made of This) do Eurythmics. Finalmente, o Wolverine é utilizado em uma única cena (ALELUIA!) na qual ele dilacera alguns bandidos genéricos, esbanja mau humor e faz links com seu vindouro filme (que, felizmente, deve sair com censura +18). Como eu já havia desconfiado, nos filmes do X-Men, “menos Wolverine é mais Wolverine”.

X-Men: Apocalipse me surpreendeu positivamente em todos os motivos. Eu, que já defendia a ideia de que os mutantes deveriam passar por um reboot cinematográfico, voltei a ficar empolgado com a possibilidade de voltar ao cinema para vê-los dentro do universo imaginado pelo Bryan Singer. Agora é só colocar o Hugh Jackman para estripar o Sr. Sinistro no próximo filme do Wolverine (confronto que é sugerido pela cena pós-créditos) para que a confiança na Fox seja plenamente restabelecida.

X-Men - Apocalipse - Cena 2

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