Além do Arco-Íris Negro (2010)

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Além do Arco-Íris NegroDe vez em quando, gosto de pegar uns filmes esquisitões para assistir. Na última vez que fiz isso, ri bastante com a história de dois amigos que presenciam uma série de “suicídios” inexplicáveis no meio da florestas. Acredito que, mesmo quando a experiência é negativa, essas produções menos convencionais acabam servindo para estimular nossa criatividade e capacidade de interpretação. Assim sendo, peguei esse Além do Arco-Íris Negro, título que encontrei numa dessas listas de “10 filmes mais blablabla dos últimos anos” no Facebook. O “blablabla”, no caso, referia-se ao potencial dos listados para transformarem-se em “filmes cult”, o que é sempre um bom indicativo de esquisitice.

Mesmo correndo o risco de soar contraditório, devo dizer que fiquei insatisfeito com o que vi justamente por encontrar o tipo de filme que eu estava procurando. Como assim? Explico. Eu queria ver algo pouco convencional? Sim. Além do Arco-Íris Negro é esquisitão? Sim, muito. Vê-lo no dia do aniversário da esposa foi uma decisão inteligente? Não mesmo rs O fato aqui é que, fora uma risada gostosa que dei no final, não consegui aproveitar praticamente nada do filme. Além da história não revelar nada mais complexo do que a paixão do diretor italiano Panos Cosmatos por um determinado gênero cinematográfico, foi deveras frustrante compartilhar todas as maluquices visuais e sonoras do longa com a minha mulher no dia em que ela estava completando 29 anos. Nesta resenha, tentarei converter em palavras tanto a expressão de tédio absoluto que vi no rosto dela quanto os vários bocejos que dei durante a sessão. Acreditem, não foi fácil chegar no final do filme.

O começo não é dos piores. Um cientista genérico qualquer, desses vestidos de jaleco e com cara de maluco, aparece em um vídeo institucional com uma promessa. “Sua vida é insatisfatória? Venha conhecer o Instituto Arboria, um local feito para você alcançar a felicidade plena”. O tom amistoso do sujeito e suas aparentes boas intenções, no entanto, logo dão lugar a cruel realidade de um laboratório onde Elena (Eva Bourne), uma voluntária (?) do projeto é mantida presa pelo insano Dr. Barry Nyle (Michael Rogers).

Além do Arco-Íris Negro - Cena 4Essa interessante premissa, que tem alguns paralelos com o recente Ex-Machina (um homem e uma mulher conversando longamente dentro de um ambiente controlado), logo transforma-se em uma sequência interminável de divagações e imagens psicodélicas. Dr. Barry Nyle fala exaustivamente sobre sua visão doentia e distorcida da realidade enquanto Elena balbucia qualquer coisa sobre os pais. Além do Arco-Íris Negro, em vários sentidos, parece ser uma homenagem de seu diretor para aqueles filmes distópicos de ficção científica da década de 80. Os cenários são ao mesmo tempo claustrofóbicos e coloridos (a influência de trabalhos do Kubrick, como 2001 e O Iluminado, é gritante), os personagens são depressivos e a tecnologia é vista como uma força opressora. Além disso, ainda há aquele som irritante de sintetizadores reverberando o tempo todo e uma série de experiências visuais extraídas da combinação de elementos variados como água e fumaça que são introduzidas entre uma cena e outra.

Além do Arco-Íris Negro - CenaReconheço que o conceito visual é bacana (gostei demais daqueles Sentionautas) e acho que a homenagem a gêneros feita de coração é sempre positiva (vide títulos divertidíssimos como o Kung Fury), mas isso não faz de Além do Arco-Íris Negro um filme menos ruim. Para emular os discursos pretensiosos dos “cientistas/mentores loucos” da ficção, Panos Cosmatos cria o quê? Discursos pretensiosos, longos e insossos capazes de matar qualquer um de tédio. Essa lenga-lenga proposital poder até ser engraçada no começo, mas torna-se insuportável depois de um tempo. O visual tosco, por outro lado, não chega a incomodar, mas o som repetitivo e agoniante é o tipo de coisa que faz alguém querer dar um tiro na própria cabeça. Repetindo: entendo que a intenção era exatamente essa (pegar um estereótipo e levá-lo até as últimas consequências), mas isso não torna a apreciação do material menos sofrível.

Além do Arco-Íris Negro - Cena 3Depois de quase 2 horas de muitas pausas, copos de água e tapas na cara para conseguir ficar acordado, vi o final inesperado e repentino com bons olhos. Não convém comentar o que acontece, mas é algo muito absurdo e engraçado, ri alto mesmo. A esposa, é claro, não acho graça alguma. Para ser bastante justo, reconheço que eu até poderia ter gostado mais de Além do Arco-Íris Negro caso eu tivesse visto ele outro dia, em outra ocasião, mas nem por isso vou deixar de pensar que ele, mais do que o título esquisito que eu queria ver, é só um filme chatão mesmo, desses que o conceito é bem melhor do que a execução.

Além do Arco-Íris Negro - Cena 2

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