Rocky: Um Lutador (1976)

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Rocky - Um LutadorTermina aqui o motivo da minha maior vergonha enquanto cinéfilo. De hoje em diante, não precisarei mais ficar sem graça quando o assunto Rocky: Um Lutador for abordado perto de mim: finalmente, vi o clássico dos clássicos do cinema motivacional. Para limpar de vez a mancha do meu currículo, ainda preciso ver o Rocky II: A Revanche, mas por hora sinto-me aliviado por ter assistido a primeira aventura do personagem criado e interpretado pelo Sylvester Stallone. Por que eu demorei tanto para ver uma obra obrigatória para qualquer fã de cinema que se preze? Eu poderia justificar-me eternamente, mas nada do que eu falasse seria suficiente para diminuir a minha vergonha. Opto, portanto, por dizer-lhes o porque de eu ter decidido vê-lo agora, bem no meio dessa correria para resenhar todos os candidatos ao Oscar.

Assim como relatado aqui, fiquei verdadeiramente emocionado com o discurso do Stallone no último domingo quando ele recebeu o Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante. De qualquer forma, eu iria rever o Rocky Balboa de 2006 para relembrar a trama antes de ir ao cinema conferir a performance dele no Creed: Nascido para Lutar, mas as palavras engasgadas ditas por aquele senhor de 69 anos de idade sobre seu amigo ficcional mexeram comigo de tal forma que, desta vez, senti que não bastaria retornar até Mason Dixon: finalmente, chegara a hora saber o que aconteceu antes de Clubber Lang, Ivan Drago e Tommy Gunn.

Rocky - Um Lutador - Cena 5Escrever sobre um longa que praticamente todo mundo já viu, como vocês devem imaginar, não é lá algo muito fácil. O que sobrou para falar de um dos filmes mais populares de todos os tempos? Praticamente nada, né? Assim sendo, vou dar um direcionamento um pouco diferente para este texto: não deixarei de comentar o filme, mas o meu principal objetivo aqui é compreender como o longa, uma produção de baixo orçamento estrelada por um ator até então desconhecido, tornou-se um dos títulos mais inspiradores da história do cinema.

A sinopse: Rocky (Sylvester Stallone) é um pugilista amador que sobrevive nos subúrbios da Filadélfia participando de pequenas lutas e cobrando dívidas para um mafioso. Quando não está destruindo algumas costelas ou ameaçando quebrar o dedo de alguém, Rocky gosta de cortejar Adrian (Talia Shire), a irmã de seu melhor amigo, Paulie (Burt Young). A chance do personagem tornar-se alguém conhecido e respeitado surge quando Apollo Creed (Carl Weathers), o Campeão Mundial dos Peso Pesados, desafia-o para disputar o cinturão em uma audaciosa jogada de marketing.

Rocky - Um Lutador - Cena 3O contexto: É conhecida a história de como o Stallone negociou o roteiro de Rocky com dois produtores de Hollywood. Contam que o ator (que na época não tinha carro e estava tentando vender o próprio cachorro por falta de dinheiro), após ser recusado em uma audição, comentou sobre um roteiro que ele havia escrito. Os produtores então pediram para que ele mostrasse o material e, algum tempo depois, procuraram-no para comprá-lo por uma quantia de 350 mil dólares. Acontece, porém, que eles tinham uma condição: Stallone levaria os créditos de roteirista, mas não poderia interpretar o personagem principal. Mesmo tendo apenas 106 dólares em sua conta bancária, o ator negou a proposta e resistiu até que eles deixaram-no viver Rocky nas telas. Sobre esse episódio, entendo que Stallone meio que foi para um “tudo ou nada” contra a vida e venceu, de forma que o roteiro do filme acabou refletindo com naturalidade e empatia toda essa vontade dele de superar a si mesmo. Sabendo disso, torna-se inspirador ver os discursos e esforços do Rocky para chegar ao topo.

Rocky - Um Lutador - Cena 6O filme: Rocky tem aquele apelo da trama do homem comum que consegue vencer na vida com esforço e dedicação. Num dia, ele é o cara da vizinhança que passa por ti cantarolando uma música, no outro, ele está em um ringue trocando sopapos com o Campeão Mundial dos Peso Pesados. O filme começa e termina com uma luta de boxe, sendo que a última é MUITO bem coreografada e empolgante, mas não é difícil perceber que o foco aqui é a história de superação pessoal do personagem. Diferente do Terry Mally interpretado pelo Marlon Brando no Sindicado de Ladrões, um boxeador que deixa-se corromper pelo crime e diz, no ápice de seu arrependimento, que “ele poderia ter sido um campeão”, Rocky consegue superar a vida sem propósito que ele levava quando, orientado pelo saudoso Mickey (Burgess Meredith), resolve assumir as rédeas de seu próprio destino e correr atrás de seus objetivos.

Rocky - Um Lutador - Cena 4As cenas marcantes: Ninguém ousará dizer que a corrida na escadaria do Museu de Artes de Filadélfia ao som da arrepiante Gonna Fly Now não seja o grande momento do filme (e, seguramente, um dos grandes momentos da história do cinema), mas Rocky tem outras duas cenas que merecem serem comentadas. A primeira é o desabafo que o personagem faz quando Mickey procura-o oferecendo sua tutela. O discurso de raiva e impotência do Stallone é tudo menos interpretação. Ali, como ele diria anos depois no Rocky Balboa, há um “homem retirando bestas de dentro de si”, e é deveras emocionante vê-lo colocando todos aqueles sentimentos pra fora. A outra cena é o beijo de Rocky e Adrian, instante de delicadeza em que a violência o sangue inerentes ao boxe fazem uma pausa para consagrar o início de uma grande história de amor.

Rocky - Um Lutador - Cena 2O legado: Rocky é da década de 70, período em que Hollywood estava produzindo majoritariamente filmes sombrios como O Poderoso Chefão, Tubarão e Carrie. Não é difícil perceber como, nesse contexto, aquela história inspiradora de superação funcionou como um raio de luz no meio da escuridão, mas é realmente curioso pensar que, 40 anos depois, o filme ainda continua relevante (Creed, que estreia hoje, é o sétimo episódio da franquia). Gosto de pensar que, no final das contas, aquilo que é feito com o coração tende a tornar-se atemporal. As músicas da série tornaram-se parte da cultura popular (quem nunca fez atividade física com Eye of the Tiger em mente?), as cenas de treinamento inspiram e as lutas são muito boas (do que vi, a minha favorita ainda é a contra o Ivan ‘Se morrer, morreu’ Drago do Rocky IV), mas acredito que é o poder do exemplo (não é sobre o quão forte você consegue bater, mas sim sobre o quanto você consegue apanhar e seguir em frente) que continua e continuará atravessando gerações. Stallone, o mundo agradece você e seu amigo imaginário por tudo que vocês já nos ensinaram. Desculpem-me por ter demorado tanto para dar-lhes a devida atenção.

Rocky - Um Lutador - Cena

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