Star Wars – O Despertar da Força (2015)

Padrão

Star Wars - O Despertar da Força“Seduzido pelo lado Negro do SPOILER este texto foi, jovens padawans”

E lá se vão mais de 15 anos desde que eu dei de cara com o Anakin Skywalker no centro de Uberlândia. Em 1999, a franquia Star Wars retornou aos cinemas com o Episódio I – A Ameaça Fantasma e o saudoso Cine Bristol colocou uma maquete enorme do futuro Lorde Vader ao lado de sua bilheteria para promover o filme. Naquela época, além de não ter dinheiro para pagar o ingresso, o meu único contato com a saga havia sido através do jogo Super Return of Jedi, do Super Nintendo, então deixei passar a oportunidade de assistir o longa no cinema.

3 anos depois, quando o Episódio II – Ataque dos Clones estreou, a minha realidade já havia mudado um pouco: dinheiro para pagar a entrada não era mais um problema, visto que eu começara a trabalhar, e a minha falta de conhecimento da série foi compensada pela empolgação de um amigo do serviço, que me convenceu que ver o filme no cinema era algo absolutamente obrigatório. Fui, gostei do que vi, voltei no dia seguinte para outra sessão e então aluguei os DVD’s da série clássica e assisti Uma Nova Esperança, O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi de uma só vez. Apaixonei-me de tal forma pelo universo e pelos personagens criados pelo George Lucas que, quando o Episódio III – A Vingança dos Sith foi lançado em 2005, assisti-o 2 vezes seguidas no dia da estreia e ainda voltei ao cinema outras 3 vezes antes de tirarem-no da programação para ver o Anakin cedendo ao lado Negro da Força.

Foi assim, leitores, que começou a minha história de amor com a série Star Wars. Depois disso, fiz questão de apresentar todos os filmes para a minha esposa (não dá para dormir sob o mesmo teto de alguém que não conhece o R2-D2), visitei o restaurante temático da franquia na cidade de São Paulo e enchi as paredes da minha casa com quadros dos personagens. Começo o texto compartilhando essas memórias e informações para que vocês possam dar o devido peso ao que escreverei agora: ir ao cinema ver material inédito da série foi uma das coisas mais emocionantes que eu fiz em toda a minha vida de cinéfilo! É sobre essa experiência extremamente emocional que vou tentar escrever à partir de agora. Aliás, não existe tentativa, certo Mestre Yoda? Ou a gente faz ou não faz, então vamos lá! 🙂

Star Wars - O Despertar da Força - CenaEu não quis comparecer à primeira sessão disponível, aquela das 00:01. Fiquei com um sono desgraçado na última vez que fiz isso e eu não queria desrespeitar O Despertar da Força com os meus bocejos. Todo caso, a minha ansiedade me fez comprar ingresso para 2 sessões seguidas: vi o filme as 19:15, saí do cinema, lanchei e retornei para a sala de exibição as 22:10. Foi com o público do primeiro horário que bati palmas e gritei e vibrei com a aparição de cada personagem e referência às trilogias anteriores, mas foi algo que aconteceu na segunda sessão que me fez confirmar o poder atemporal da saga. Um pai, que levou o filho para ver o filme, apresentou para o menino cada um dos personagens que apareceram na tela. “Hey, filho, aquele ali é o Han Solo!”. “Aquela ali é a Princesa Leia. Nossa, como ela envelheceu!”. Normalmente, esse tipo de “narração” me deixaria irritado, mas não pude deixar de ficar emocionado com a forma pessoal e carinhosa que o sujeito usou para referir-se aos personagens e com a naturalidade com a qual a criança ouviu o pai e foi assimilando aquele universo. Foi deveras bonito presenciar a série sendo passada, por assim dizer, de uma geração para outra.

Star Wars - O Despertar da Força - Cena 2Passada a euforia provocada pelo logo da Lucasfilm (que foi vendida recentemente para a Disney) e pela exibição do título da série, o famoso letreiro subiu para revelar que o Luke Skywalker (Mark Hamill) desapareceu alguns anos após a derrota do Imperador Palpatine. Procurando por ele, Poe Dameron (Oscar Isaac), piloto da Resistência, bem como membros da Primeira Ordem, organização ligada ao antigo Império Galáctico comandada pelo misterioso Kylo Ren (Adam Driver), vão até o planeta Jakku atrás de informações. Poe consegue parte de um mapa que contem o provável paradeiro do Jedi mas, capturado pelas tropas de Kylo, esconde as informações em uma unidade BB-8 e despacha-a para o deserto. Posteriormente, Poe consegue fugir com a ajuda do stormtrooper Fynn (John Boyega) e BB-8 é encontrado por Rey (Daisy Ridley), uma garota do planeta Jakku que sobrevive vendendo peças coletadas nos destroços da batalha entre o Império e a Aliança Rebelde.

Star Wars - O Despertar da Força - Cena 6Quando eu finalmente consegui colocar os pés no chão, respirar e acreditar que eu estava MESMO dentro de uma sala de cinema assistindo um novo Star Wars, pude confirmar algo que eu já havia notado anteriormente sobre o J. J. Abrams: o cara definitivamente é um mestre em criar/recriar ambientações. O Star Trek, filme dirigido pelo diretor em 2009, tem todo um climão sci-fi no início que é fundamental para que a história renda todas aquelas lutas épicas no final. O subestimado Super 8, por sua vez, é um filme que qualquer um acreditaria que foi rodado na década de 80 tamanha é a similaridade do material com outros títulos feitos naquele período. Finalmente, temos o Lost, um seriado que basta tu ver 2 ou 3 episódios para que tu compre e abrace a ideia de um grupo de sujeitos perdidos em uma ilha estranha. Nos 40 minutos iniciais de O Despertar da Força, Abrams mostra-nos os stormtroopers, coloca-nos a bordo de uma TIE fighter, leva-nos através das clássicas paisagens desérticas da série onde as carcaças de um Cruzador Imperial e de um AT-AT repousam e resgata aqueles larápios que seriam capazes de deixar orgulhoso o próprio Jabba, o Hutt. O diretor, juntamente com o roteirista Lawrence Kasdan (de O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi), conseguiu a proeza de criar um link mais direto e natural com a trilogia clássica do que o próprio George Lucas conseguiu quando assumiu o comando das prequências.

Star Wars - O Despertar da Força - Cena 5Ambiente preparado, personagens novos apresentados, TODO MUNDO amando o BB-8, e então é chegado o momento mágico e emocionante pelo qual todos os fãs haviam esperado desde que o primeiro trailer saiu. “Chewie, estamos em casa”. Palmas explodem, pessoas gritam e cai aquela lágrima sincera quando o Harrison Ford surge na tela interpretando o seu mais icônico personagem (desculpa, Indy). Han Solo envelheceu, mas ele continua aquele canastrão que responde um “Eu te amo”  com um “Eu sei”, continua contando vantagem de suas performances no comando da Millennium Falcon, continua acompanhado pelo Chewie (Peter Mayhew) e continua devendo grana para bandidos, ou seja, ele CONTINUA sendo o Han Solo que todo aprendemos amar. Reconhecido por Fynn e por Rey como o mito vivo que ajudou os Rebeldes a destruírem a Estrela da Morte, ele acaba assumindo o papel de conduzir essa nova geração de heróis através da trama. Nunca a palavra nostalgia fez tanto sentido: ver o grupo viajando pela galáxia e esgueirando-se pelos cantos das bases imperiais nos leva de volta para aqueles dias em que os recém apresentados Luke, Leia (Carrie Fisher), Han e Chewie fizeram o mesmo no Uma Nova Esperança. Lá no fundo do nosso coração, algo nos diz que aquilo não irá durar, mas é impossível tirar o sorriso de criança do rosto quando os personagens estão juntos falando sobre compactadores de lixo e coisas do tipo.

Star Wars - O Despertar da Força - Cena 3Depois de dar a devida atenção para Solo, Chewie e a Millennium Falcon, Abrams começa a introduzir os eventos que ditarão os rumos dessa nova trilogia. Aparentemente, Rey é filha de Luke e caberá a ela trazer o pai de volta do exílio a que ele submeteu-se após falhar no treinamento de Kylo, filho de Han e Leia que converteu-se ao lado negro da Força e que agora segue os ensinamentos do enigmático Supremo Líder Snoke (Andy Serkis). Muitos desses eventos são apenas sugeridos através de flashbacks e muita coisa fica no ar (Quem é a esposa de Luke? Por que eles abandonaram Rey? Qual a origem de Snoke?), mas já há bastante material por aqui para os fãs divertirem-se e criarem suas teorias. No meio disso tudo, Leia e C-3PO (Anthony Daniels) também reaparecem em uma cena cujo potencial emocional poderia ter sido melhor aproveitado (comparem o peso da entrada da Princesa com a do Han) e Fynn tem a sua chance de utilizar o Sabre de Luz em combate contra os seus ex-companheiros da Primeira Ordem. Esses stormtroopers, aliás, são infinitamente mais bem treinados do que aqueles vistos anteriormente, mas continuam tão ruins de mira quanto os clones do Jango rs

Star Wars - O Despertar da Força - Cena 8Os Rebeldes ressurgem com seus esquadrões de X-Wing em uma batalha que mostra que ainda podemos esperar grandes feitos do Poe Dameron, a República é destruída em uma cena triste e bela e Rey é sequestrada e torturada mentalmente por Kylo. Os nossos risos, apesar das piadas constantes de Fynn, vão ficando cada vez mais no passado e percebe-se que este filme vai caminhando para algo tão ou mais sombrio do que os eventos mostrados no A Vingança dos Sith. Rey percebe que consegue controlar a força, a Capitã Phasma (Gwendoline Christie) é detida e então Han encontra-se frente a frente com Kylo em uma ponte. O ambiente é sombrio, a música vai sendo lentamente substituída por uma silêncio ensurdecedor, os personagens pronunciam coisas que a gente já não consegue mais prestar atenção e então o pior acontece. Desculpem-me o exagero, mas eu não estava mentalmente preparado para ver o Han Solo morrer. Tudo bem, eu sei que é só um filme, mas eu fiquei tão triste e revoltado quando o Kylo atravessou-o com o Sabre de Luz que a minha vontade na hora foi abandonar a sala de cinema. Han Solo, aquele mesmo cara que fez o circuito de Kessel em 12 parsecs e que foi congelado em carbonita estava lá, morto por um idiota. Star Wars meio que tem dessas coisas, a gente acaba apegando-se de verdade aos personagens e não é fácil despedir-se deles. Descanse em paz, Capitão Solo!

Star Wars - O Despertar da Força - Cena 10Sobre o Kylo, é difícil não compará-lo com o Darth Vader, mas a grande verdade é que ainda temos poucas informações para estabelecermos paralelos. O sujeito é emotivo e descontrolado, tal qual o Anakin tornou-se a partir do Ataque dos Clones, e as habilidades de combate dele não são das melhores (o cara tem dificuldade para lidar com Fynn e Rey), mas ainda há muito para ser revelado sobre seu passado e o final dá a entender que ele ainda será devidamente treinado pelo Supremo Líder Snoke e retornará mais letal e centrado. Vader é insuperável, mas acredito que com o tempo (e com menos cenas sem o capacete rs), Kylo também conseguirá seu espaço junto aos grandes vilões da série.

Star Wars - O Despertar da Força - Cena 4No final, depois da tradicional e fantástica batalha campal onde os Rebeldes e suas X-Wings reúnem-se para destruir a poderosa Starkiller da Primeira Ordem, o absolutamente cool R2-D2 reaparece com o restante do mapa e Rey e Chewie partem para encontrar Luke. Mark Hamill então finalmente ressurge diante dos nossos olhos, velho, barbudo e trajando sua indumentária branca, tal qual o Ben Kenobi no Uma Nova Esperança. Rey entrega o Sabre de Luz pra ele, a câmera gira, o tema da série explode nas caixas de som e os créditos surgem. Alguns segundos depois, acordo do sonho e percebo que estou sentado dentro de uma sala de cinema. Caralho, mataram o Han Solo, desgraçados! Saio triste, mas saio com a certeza de que o J. J. Abrams conseguiu: Star Wars está de volta com força total e esse “recomeço” não poderia ter sido mais promissor. O caminho para a paz naquela galáxia muito muito distante será árduo e colocará em risco a vida de personagens que aprendemos a amar, mas novas lideranças surgirão, novas cenas emblemáticas como a queda do Han serão acrescentadas à mitologia da série e novas emoções nos aguardam nos próximos anos.

Star Wars - O Despertar da Força - Cena 9Este texto ficou gigante (é o maior que escrevi desde que comecei o blog), mas não podia ser diferente quando trata-se de Star Wars. Do medo que senti inicialmente, medo de cometer alguma heresia escrevendo algo que não fosse digno da série, passei à empolgação de fã que fala daquilo que mais gosta e aí falei demais rs Medo, todo caso, leva a raiva, raiva ao ódio e ódio leva ao sofrimento, não é mesmo, Mestre Yoda? Então que haja apenas alegria: sinto-me verdadeiramente realizado por viver na época em que Star Wars retornou com toda sua majestade aos cinemas. Que venham os próximos filmes e que a força esteja com todos nós!

Star Wars - O Despertar da Força - Cena 7

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  1. Seus textos sempre inspiram a rever o filme com um olhar mais atento, e esse não está diferente, na verdade ele está apaixonado, envolvente e muito bem escrito. Obrigada por me apresentar a saga Star Wars é por dividir o memento emocionante que foi ver esse filme ao seu lado .

  2. Sou fiel ao blog há anos, sempre venho aqui ler seus textos e estava ansiosa por esse, até me emocionei novamente como aconteceu no cinema, e voltou aquela bad pela morte do Han Solo.

    • Oi, Simone. Muito obrigado pelo comentário, escrever esse texto foi algo “complicado” e fico feliz que alguém tenha identificado-se com os sentimentos que relatei.

      Abraço 🙂

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