Pixels (2015)

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PixelsLembro de ficar empolgadíssimo quando comecei a assistir o trailer desse Pixels. Lá estavam todos aqueles personagens de jogos de videogames invadindo e destruindo nosso planeta, o queridinho Peter Dinklage do Game of Thrones interpretando um cara malvadão e uma cena mágica que promovia o encontro do Professor Iwatani com a sua maior criação. Antes, porém, que eu chegasse a acreditar que o filme poderia tornar-se um novo clássico da cultura nerd (juntando-se a títulos recentes como o Detona Ralph), o Adam Sandler surgiu na tela com aquela expressão de tédio absoluta que ele usa em 10 de 10 personagens que interpreta. Fosse antigamente, o simples fato do ator estrelar a produção já seria o suficiente para que eu não pagasse para vê-la, mas, como tenho tentado me livrar desse tipo de preconceito, resolvi dar uma chance ao filme (ainda que mais pelo potencial da ideia do que por acreditar que o ator pudesse me surpreender) e fui conferí-lo no cinema.

Pixels, que é assinado pelo Chris Columbus (de Esqueceram de Mim 1 e 2 e dos dois primeiros Harry Potter), começa com uma viagem nostálgica até a década de 80 para mostrar como as crianças amontoavam-se nas casas de jogos para enfrentar os desafios de arcades como Pac-Man, Centopéia e Donkey Kong. Três delas, Brenner, Cooper e Eddie, conhecem-se em um campeonato nacional de videogames e anos depois, já adultos (e interpretados respectivamente por Adam Sandler, Kevin James e Peter Dinklage), são escolhidos para proteger a Terra de alienígenas que tentam nos destruir usando gigantescos e ameaçadores personagens de jogos.

Pixels - Cena 2Pixels poderia ser um filme sobre videogames com pitadas de comédia, mas infelizmente ele tornou-se apenas mais uma produção do Adam Sandler com os jogos ocupando um insatisfatório papel secundário. E o que é “apenas mais um filme do Adam Sandler”? Explico. Você tem um cara solteirão. Ele não é pobretão, mas definitivamente ele também não é o que pode-se chamar de alguém que venceu na vida. Esse cara conhecerá uma mulher, enfrentará algumas dificuldades para conquistá-la mas, no final, seu bom coração contará mais do que seu mau humor acumulado por anos de insucessos e o amor prevalecerá entre os dois.

Pixels - Cena 3Obviamente, existem variações dessa fórmula, mas, no geral, a impressão que eu tenho é a de que todos os filmes do ator encaixam-se de uma forma ou de outra dentro desse arquétipo e com Pixels não é diferente. A cocota da vez é a delicinha Michelle Monaghan, uma mulher divorciada que trabalha para o governo e que passa o filme todo flertando/implicando com Brenner, personagem do Sandler. Para completar o clichê, ela tem um filho que logo simpatiza com o cara e aí não precisa ser muito esperto para adivinhar que no final da trama teremos a formação de mais uma família feliz. Não tenho nada contra famílias felizes, mas já cansei de acompanhar esse tipo de história insossa dentro de filmes que deveriam estar investindo o tempo de projeção em outras coisas, no caso, na nostalgia dos jogos de arcade clássicos. Para dizer pouco, ignorei tudo que envolveu esse romance manjado e no máximo esbocei um sorriso ou outro com as piadas do ator, ou seja, não aproveitei cerca de 50% do produto pelo qual eu paguei.

Pixels - Cena 4Quando deixa esses nhenhenhês de lado, Pixels intercala boas cenas de ação com uma porção de idéias sem pé nem cabeça que tu necessariamente tem que abraçar para divertir-se com a experiência. Se, ao ver o trailer, tu achou bastante improvável que o planeta algum dia seja atacado por personagens de videogames, espere até você ver o presidente dos Estados Unidos interpretado pelo Kevin James (outro ator que parece sempre fazer o mesmo cara). Há um exagero proposital e voltado para o humor nos trejeitos do cara e na “incompetência” de seus assessores, mas o fato de ele chamar amigos pessoais para resolver questões de segurança nacional é muito mais bizarro do que engraçado.

Filtrando todo esse conteúdo de segunda, temos 3 grandes sequências de ação e, claro, a participação do Peter Dinklage. É bem verdade que o anão também não faz nada muito diferente daquilo que ele apresenta no Game of Thrones, visto que o tal Eddie é um beberrão e falador nato que, tal qual o Tyrion, não mede esforços para conseguir o que quer, mas o cara, além de ser “totalmente tubular”, agrada ao explorar referências a jogos (quando bate no peito tal qual o Donkey Kong), filmes (ao fazer exigências absurdas para salvar o mundo assim como o Bruce Willis o fez no Armageddon) e ao requisitar a companhia da poderosa Serena Williams.

Pixels - CenaAs cenas de ação, que no final de contas é o que todo nerd esperava assistir após conferir o trailer, são legais e satisfatórias, mas aqui também faz-se necessário algumas observações.

  • A do jogo Centopéia, que é antecedida por uma participação completamente dispensável do Sean Bean, poderia ter um final menos forçado. Não faz NENHUM sentido aquela centopéia deixar o campo de combate e correr rumo as casas.
  • A do Pac-Man foi MUITO prejudicada pelo trailer. Além de revelarem ali seu melhor momento (o encontro de criador e criatura), também já haviam mostrado a mecânica dos fantasminhas (que são substituídos por carros). O “cheat” usado por Eddie nessa cena também é algo que não dá para explicar, tu tem que aceitar e pronto.
  • A cena do Donkey Kong, que acontece em meio a uma batalha campal tão divertida (por reunir uma infinidade de personagens) quanto genérica, é o tipo de material que poderia ter aparecido mais ao longo do filme. Aqui, tudo funciona: é legal ver a ação sendo mostrada lateralmente (tal qual acontecia nos jogos), os power ups são legais e a mecânica utilizada pelos personagens para vencer o vilão é uma representação divertida e fiel do arcade.

Infelizmente, Pixels não valeu o ingresso. As cenas envolvendo videogames poderiam ter sido mais exploradas, tanto em tempo quanto em qualidade, e o humor baseado em mau humor do Adam Sandler, que definitivamente já deu o que tinha que dar, é difícil de tolerar. É uma pena, porque a ideia em si era muito boa, mas a verdade é que esse novo filme do Columbus, que poderia ocupar um lugar no coração dos milhares de jogadores que cresceram divertindo-se com aqueles jogos, não passa de uma produção ruim fadada a preencher a grade de programação dominical de uma emissora de TV aberta qualquer.

Obs.: “Pra variar”, o 3D é uma enganação.

Pixels - Cena 5

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