Minions (2015)

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MinionsEu acreditei no potencial do filme solo dos Minions. Quem não acreditou? Na última vez que vimos os comandados do Gru no cinema, eles estavam vestidos de Backtreet Boys encerrando o divertido Meu Malvado Favorito 2 da maneira mais doida possível. A ideia de assisti-los protagonizando um spin-off da série, portanto, era extremamente convidativa. Saiu o trailer, ri da cena em que Kevin, Stuart e Bob estão na beira da estrada pedindo carona e, desde então, passei a esperar a estreia esperançoso de que teríamos uma das animações mais divertidas do ano. Infelizmente, Minions não consegue fugir dos clichês comuns à maioria das produções do gênero e, sozinho e explorado exaustivamente ao longo de 1h30min, o carisma das criaturinhas não é suficiente para empolgar e satisfazer as expectativas de um público mais exigente.

Como avançar na trama principal implicaria quase que necessariamente incluir Gru e suas filhas no roteiro (o que poderia diminuir o brilho dos protagonistas), os produtores optaram por fazer de Minions uma prequência, ou seja, um filme que exibiria eventos ocorridos antes da história que vimos em Meu Malvado Favorito. E, no caso, os diretores Pierre Coffin e Kyle Balda decidiram voltar pra valer no tempo. A animação começa no período jurássico e mostra que os Minions sempre estiveram a procura de alguém maldoso para ofertarem sua servidão. Os anos foram passando, seus chefes foram morrendo ou sendo derrotados graças a acidentes tão trágicos quanto engraçados (até o Napoleão dá as caras nessa introdução) e os Minions acabaram confinados em uma terra gélida sem ninguém para lhes dar ordens. A falta de um comandante deixa as criaturinhas depressivas e é aí que Kevin propõe uma expedição para encontrar um novo sujeito malvado a quem eles possam servir. Auxiliado por Stuart e Bob, o Minion viaja até os EUA e, no meio da revolução cultural que o país passou na década de 60, conhece a lendária ladra Scarlet Overkill em uma convenção de vilões. Scarlet convoca o trio para servi-la e prepara um audacioso plano para roubar a coroa da Rainha da Inglaterra.

Minions - CenaO “tcham” das prequências é mostrar a origem de personagens que aprendemos a gostar e fazer links com histórias que vimos anteriormente. No Star Wars Episódio III: A Vingança de Sith, por exemplo, a cena do Darth Vader respirando pela primeira vez com a máscara não teria o mesmo impacto se o público já não tivesse visto o vilão em ação antes na trilogia clássica. O “ponto fraco”, por assim dizer, desse tipo de roteiro é que nós já sabemos o que esperar de certos personagens. Ainda usando a série do George Lucas como exemplo, nós sabemos que o Obi-Wan não cairá no último confronto contra Anakin porque ele está vivo no Episódio IV: Uma Nova Esperança. No caso desse Minions, o público que acompanhou os filmes anteriores sabe que os personagens servem ao Gru, ou seja, de cara tu já tem certeza que a tal Scarlet Overkill não durará. O final anunciado (os Minions conhecendo seu verdadeiro mestre) não seria exatamente um problema se o restante do filme trouxesse algo surpreendente. O Anakin, tal qual era esperado, cede ao lado negro da Força, mas a cena em que isso acontece e toda desgraceira que segue-se tirou o sono de muitos fãs da franquia. Minions aposta apenas no que já deu certo e, sem acrescentar nada àquilo que já conhecemos, transforma-se em um filme pra lá de dispensável.

Minions - Cena 2Quando eu digo “dispensável”, não estou dizendo que o filme é ruim. Duvido que alguma criança sairá do cinema insatisfeita com o que é mostrado. De certa forma, Kevin, Stuart e Bob tem a mesma personalidade de Margo, Edith, e Agnes e a “crueldade” da Scarlet é comparável a de Gru no primeiro longa da série, ou seja, os pequeninos, que definitivamente não reconhecem esses padrões, terão outra oportunidade de rir e divertirem-se com algo que já provou seu valor. Reconheço que trata-se de um produto muito bem executado (apesar do 3D continuar decepcionante), mas isso não me  impede de constatar algo que qualquer adulto que propor-se a pensar sobre o que é visto também constatará: Minions não leva a série a lugar algum. Os poucos avanços de Meu Malvado Favorito 2 (Gru ficando ‘bonzinho’, as meninas amadurecendo) cedem espaço para uma sucessão interminável de piadinhas deveras inocentes que acabam cansando depois de um tempo.

Minions - Cena 4Bob e seu ursinho são fofinhos e encantadores e Stuart, o Minion que sonha em ser um rock star, arranca risadas com seu tipo doidão. Aí tu tem uma piada sobre isso. Duas. Três. No final, o que começou com um gostoso “HAHAHAHAHA” já está rendendo apenas uma mexidinha no canto da boca. Os números musicais eram bacanas? Certamente, mas aqui eles perdem impacto devido a super exposição: a cantoria acontece aleatoriamente entre uma e outra cena e nem mesmo o divertido dialeto ininteligível das criaturas consegue nos manter interessados depois tantas repetições.

Minions traz as esperadas ligações com a cultura pop e a subversão de personalidades. É bacana ver a Rainha Elizabeth II distribuindo sopapos e contando piadas e os fãs de rock não passarão despercebidos pela execução da Eruption do Van Halen e pela recriação da clássica capa da do Abbey Road dos Beatles, mas, de certa forma, todas as animações que chegaram no mercado no último ano valeram-se desses mesmos recursos. O veredito, portanto, é negativo: Minions chega com um final anunciado, repete à exaustão o que deu certo anteriormente e, sem apresentar nada novo, acaba conseguindo a proeza de estagnar o nosso amor pelos monstrinhos amarelos. Infelizmente, nem todos os personagens que foram concebidos como alívio cômico conseguem brilhar quando elevados ao cargo de protagonistas. Que tragam o Gru de volta.

Minions - Cena 3

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  2. Eu como muitos imaginei que eles fossem uma criação do gru, mas ficou legal a ideia. O filme é legal, mas chega uma hora que não via a hora de gru aparecer e dar um toque a mais ao filme. (pra minha decepção) Acho que gru e minions não podem seguir caminhos sozinhos, precisam caminhar juntos. Eles não se sustentam sozinhos e este filme é obvio isso.

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