Chappie (2015)

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ChappieEmpolgados para a estreia do Vingadores: Era de Ultron? Pois meça suas empolgações, puta dos filhos, ou pelo menos dividam-na com o mano Chappie. A sequência do blockbuster da Marvel é, indiscutivelmente, um dos filmes mais aguardados do ano, mas a proximidade entre os lançamentos não pode ofuscar a genialidade desse novo trabalho do Neill Blomkamp (Elysium). Por ora, esqueça o Mjolnir do Thor, os lasers do Homem de Ferro e até mesmo as Joias do Infinito: a arma mais impressionante de 2015 é um FRANGO DE BORRACHA e isso, definitivamente, é algo que merece ser visto no cinema.

Tal qual em seu debut, o legalzão Distrito 9, Blomkamp nos leva para um futuro próximo na cidade de Joanesburgo em que a violência urbana oriunda das desigualdades sociais alcançou níveis extremos. Para impedir que uma guerra civil ecloda, o governo associa-se a Tetravaal, uma empresa de material bélico que abastece as ruas com seus robôs patrulha. Dentro desse contexto, Deon (Dev Patel) e Vincent (Hugh Jackman), ambos engenheiros da Tetravaal, divergem sobre os rumos que as pesquisas de robótica da empresa devem tomar. Enquanto Deon desenvolve um sistema de inteligência artificial para humanizar os robôs, Vicent, um ex-militar, quer torná-los ainda mais letais com o acréscimo de novos armamentos. No meio dessa disputa ideológica, um grupo de marginais sequestra Deon e obriga-o a utilizar sua pesquisa para criar um androide capaz de ajudá-los em seus crimes. É assim que nasce Chappie (Sharlto Copley), o primeiro robô apto a sentir e pensar por si mesmo.

Elysium foi um filme apenas mediano. Ok, ele trazia o Matt Damon e seu exoesqueleto enfrentando um vilão que usava uma katana, mas a impressão que ficou é que o roteiro messiânico comunzão não estava à altura das cenas de ação estilosas. Agora em seu terceiro filme, Blomkamp corrige esse problema e nos oferece uma história instigante que, além de flertar constantemente com o humor, traz detalhes cuja apreciação é tão bacana quanto ver as lutas de robôs, violência explícita e tiros em câmera lenta que compõe o seu estilo.

Chappie - CenaQuando Deon ativa a inteligência artificial de Chappie, ele “nasce” nesse mundo tal qual um bebê. Separado de seu criador, o robô é educado por Ninja, Yolandi e Amerika (Jose Pablo Cantillo), os sequestradores que planejavam utilizá-lo em um assalto a banco. Deon queria que sua invenção seguisse o caminho do bem e desenvolvesse uma personalidade repleta de bons valores, mas o doidão Ninja coloca criatura contra criador, no melhor estilo Frankenstein, ao transformar Chappie em um mano do gueto que usa correntes de prata, fala palavrões e rouba veículos. Deon até tenta reverter essa personalidade marginal mas, quando o robô começa a enxergar as mentiras e contradições no discurso daquele que deveria ser o seu pai e protetor, abre-se um abismo entre eles e Chappie abraça de vez o mundo da criminalidade na esperança de conseguir um modo de prolongar a própria vida, já que sua bateria está prestes a acabar (o fato do primeiro objeto que o robô deseja pra si ser um relógio é deveras significativo).

Chappie - Cena 3O começo de Chappie é composto basicamente desses diálogos que envolvem a educação do robô e seus primeiros contatos com assuntos como violência, religião e moral. Blomkamp não faz nada comparável a profundidade filosófica de longas que abordam o mesmo tema, como o A Árvores da Vida, mas mesmo assim quem interessa-se pelo processo de aprendizagem notará as ótimas cenas que mostram como o personagem vai construindo suas próprias noções de certo e errado, como quando ele é apedrejado por um grupo de moleques sem ter feito nada para merecer tamanha hostilidade. Pessoalmente, gostei bastante dos questionamentos que Chappie faz para Deon sobre os motivos que levaram o engenheiro a criá-lo. O tom do robô é melancólico e rancoroso, quase como o de um adolescente que revolta-se contra os pais gritando que “não pediu para nascer”, porém o que lê-se nas entrelinhas é a representação dos nossos eternos questionamentos sobre a origem da vida.

Chappie - Cena 4Tendo criado um roteiro que traz todas essas referências e possibilidades interpretativas, bastava que o diretor nos desse outra boa dose de cenas de ação épicas para que Chappie transforma-se em um clássico instantâneo da ficção científica, e é exatamente isso que ele faz na apavorante e destruidora sequência final em que o robô enfrenta um gigantesco protótipo militar (uma espécie de ‘homenagem’ ao ED209 do Robocop) comandado pelo personagem do Hugh Jackman. Misseis, granadas, estrelas ninjas e garras afiadas, tudo é utilizado em uma luta selvagem e sangrenta que resgata um pouco da violência gore vista no Distrito 9, recurso que o diretor meio que deixou de lado no Elysium. É legal quando os vilões morrem alvejados por tiros, mas é BEM MAIS DIVERTIDO quando eles desaparecem após terem seus corpos completamente estraçalhados em um banho de sangue rs

Chappie - Cena 5Curti (Y) muito a história e eu realmente não poderia ter ficado mais empolgado com uma cena de ação como eu fiquei na sequência que encerra o filme, mas se fosse preciso escolher o que mais gostei aqui eu não teria dúvida em dizer que foi o humor. É muito engraçado ver Chappie reproduzir as gírias e trejeitos de gangsters que ele aprende com Ninja e Yolanda (curiosidade: na vida real, os atores utilizam esses mesmos nomes e formam o grupo sul africano de rap Die Antwoord) e as contradições entre a inocência infantil e a tecnologia avançada que ele possui. Blomkamp, que já havia nos divertido com alienígenas comedores de ração de gato, dessa vez nos faz rir com um robô que usa um FRANGO DE BORRACHA (!) para praticar assaltos, coloca os outros “pra dormir” com seus shurikens e que tenta conquistar amizades com seus apetrechos (Chappie é inteligente! Chappie tem GPS!).

Chappie - Cena 6Sai MUITO empolgado do cinema após ver Chappie e não posso deixar de indicá-lo com a mesma empolgação. Agora com 3 títulos em sua filmografia, o Neill Blomkamp já pode ser considerado como um dos cineastas mais promissores dessa geração e ver seus filmes no cinema, com todos os recursos de imagem e som que as salas disponibilizam, é um favor que o fã de ficção científica faz para si mesmo. Corram, puta dos filhos, ainda da tempo!

Chappie - Cena 2

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Uma resposta »

  1. Esse filme confirmou o meu pensamento para melhorar o mundo precisamos educar com respeito, firmeza e amor as crianças, enquanto os pais não cobrarem uma educação de qualidade para os seus filhos nós humanos vamos continuar destruindo a natureza e uns aos outros.

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