Mad Max (1979)

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Mad MaxOutro dia eu estava no cinema e exibiram o trailer bacanudo do remake do Mad Max. Terminado o mesmo, alguém que estava sentado nos proximidades disse algo do tipo “De onde tiraram essa droga?”, o que me muito me espantou. Além das divergências de opinião sobre a qualidade do que fora mostrado, estranhei o fato da pessoa não conhecer a série, “arroz de festa” da programação dominical da Rede Globo durante a década de 90. Logo, porém, esse estranhamento cedeu lugar para lembranças nostálgicas das lutas na Cúpula do Trovão e, enquanto eu arrepiava recordando o refrão do clássico da Tina Turner, acabei percebendo algo deveras chato: sim, eu sei “de onde tiraram essa droga”, mas eu não conheço a “droga” toda. Vi Mad Max 2: A Caçada Continua e Mad Max – Além da Cúpula do Trovão várias vezes, mas até então eu nunca havia assistido o filme que originou a série. Nada melhor, portanto, do que aproveitar a proximidade da estreia do remake para reparar essa “falha”.

Produção australiana (!!!) de 1979, Mad Max vai no embalo de outros filmes de vigilantismo da década de 70, como Desejo de Matar e os Dirty Harry do Clint Eastwood, e apresenta um personagem cujos valores morais são confrontados pela violência urbana. Max (Mel Gibson) é um policial que luta contra o crime em um futuro distópico dominado por tipos marginais. Na cena que abre o longa, Max, auxiliado pelo “cabeça quente” Jim Goose (Steve Bisley), persegue um arruaceiro conhecido como Cavaleiro da Noite até o mesmo encontrar a morte em um brutal acidente de carro. Esse episódio dá início a uma guerra entre a polícia e o grupo de motoqueiros criminosos do qual o bandido fazia parte.

O primeiro (e mais óbvio) comentário sobre o que vi é que, aparentemente, o remake baseará-se mais nos dois últimos longas da franquia do que nessa primeira investida de Max. Rodado com um orçamento baixíssimo (cerca de 650.00 dólares), Mad Max não contou nem com aqueles carros cheios de metrancas nem com os personagens usando maquiagens estilosas vistos em A Caçada Continua e Além da Cúpula do Trovão (linha que o trailer linkado parece seguir). O que segura a bronca aqui é o roteiro sólido e a força das atuações do novato Mel Gibson, que estava apenas em seu segundo trabalho, e de seu antagonista, o ator Hugh Keays-Byrne e seu insano Toecutter.

Mad Max - CenaO diretor e roteirista George Miller (que também comandará o remake) parte do princípio que a burocracia estatal e os direitos humanos constituem entraves na luta contra a criminalidade. Nesse futuro imaginado por ele, provável extensão e materialização dos problemas sociais observados em seu tempo, os bandidos percorrem as estradas do país com seus veículos envenenados e visual punk aterrorizando os comerciantes e as “pessoas de bem” enquanto os policiais, engessados por uma infinidade de leis que são repetidas exaustivamente nos rádios de suas viaturas, pouco ou nada podem fazer. Miller tenta evitar o maniqueísmo simplório, mostrando bandidos que são o que são devido a problemas psicológicos e policiais que exageram no cumprimento do dever, mas o cerne de seu roteiro é a tradicional luta entre o bem e o mal em que os lados são definidos por valores claramente conservadores.

Mad Max - Cena 2No centro das questões propostas pelo diretor está Max, policial honesto e pai de família dedicado que, inicialmente, tenta enfrentar seus rivais agindo dentro dos limites da lei. A luta prova-se inglória e Max, após ver um de seus amigos ir parar no hospital vítima de uma emboscada, decide abandonar a profissão e refugiar-se no campo para proteger sua família. Essa fuga, como era de se esperar, apenas atrasa o conflito inevitável entre os personagens e, após a hesitação cobrar o mais alto dos preços, Max faz jus ao adjetivo que o título do filme lhe atribui (Mad = louco), chuta o pau da barraca e parte pra cima de seus algozes com sangue nos olhos. Quando a lei falha, resta apenas a luta primordial pela sobrevivência e aí não há regra, burocracia ou questões morais que impedirão um sujeito de atirar o outro pra baixo de um caminhão.

Mad Max - Cena 3Mad Max tem perseguições de carro divertidonas (a sequência que abre o filme não deve nada para produções recentes), um vilão memorável (o tal Toecutter é um daqueles caras insanos que provocam medo só de falar) e um final absurdamente bom onde um homem comum assume as rédeas do próprio destino e explode, mata e subjuga tudo e todos que ousaram entrar em seu caminho. Há um ou outro problema de edição (personagens fazendo uma coisa em uma cena e outra totalmente diferente na cena seguinte, como quando Toecutter sai correndo atrás de um casal sem maiores explicações), estereótipos que soam forçados demais (os advogados dos bandidos) e a mulher de Max é uma pessoa cujos vacilos são tão ou mais difíceis de aguentar do que os da Kate do Lost ou a Skyler White do Breaking Bad, mas o saldo do filme, tu concordando ou não com a abordagem do vigilantismo proposta pelo diretor, é bastante positivo. Se o remake conseguir atualizar essas questões sociais e cumprir metade do que o trailer promete em termos de cenas de ação absurdas, teremos um filme divertidão. Eis as minhas expectativas, eis o que espero após ver o primeiro Mad Max: por favor, não estrague a memória de seu legado, Miller rs

Mad Max - Cena 4

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  1. Poutz! Eu acho esse filme uma bela bosta australiana.
    E não sabia que o novo era remake. Pensei que seria apenas outra história dentro daquele universo.E confesso que não tô muito empolgado. Espero estar errado.

    • Tudo o que eu li classificou o novo como “remake”, mas pensando bem (e vendo o trailer), tu parece estar certo. E eu também espero que você esteja errado rs

      • Parece que não vai ser uma refilmagem “quadro a quadro”.
        Só a base da história deve prevalecer, até porque no trailer mostra muita coisa que no primeiro não tinha. Talvez seja uma sintetização dos outros 3 filmes.

  2. Nesse tipo de filme o que vale e a diversão.
    E quanto mais pose pior a foto. Acho que este remake, mesmo parecendo muito legal, não será do estilo “machão” e violento como o primeiro.
    Estou interessado, o que nao aconteceu comigo até hoje com os outros remakes.
    Abraços.

  3. Pingback: Mad Max: Estrada da Fúria (2015) | Já viu esse?

  4. Mad Mad 1979 é o meu preferido da trilogia inicial. Simples, é o mais punk e realista dos três, sem precisar de personagens forçados. Já o Estrada da Fúria, é filme pra adolescentes que tem espinhas ainda no rosto. Valeu!

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