Velozes & Furiosos 7 (2015)

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Velozes e Furiosos 7Falar mal da série Velozes & Furiosos é o “bater em cachorro morto” da crítica cinematográfica (eu mesmo fiz isso aqui e aqui), mas nem mesmo o crítico mais turrão ousará negar o óbvio: a fórmula deu certo. O que começou com “rachas de carros tunados + delicinhas + hip hop” cresceu para um requentado de tudo que há de melhor (e pior) nos filmes de ação e, hoje, a série contabiliza incríveis 7 longas, tendo angariado ao longo do caminho a participação de nomes de peso dentro do gênero, como Dwayne Johnson, Jason Statham e Kurt Russell, e elevado ao estrelato desconhecidos como o divertido Tyrese Gibson e o Paul Walker. Esse último, em uma dessas ironias do destino, partiu para o andar de cima no dia 30 de Novembro de 2013 em um acidente automobilístico e essa tragédia, mais do que qualquer coisa que a série apresentou até aqui (pelo menos para quem não é fã), criou uma expectativa geral em cima do lançamento desse Velozes & Furiosos 7.

Segundo informações divulgadas na época do acidente, Paul Walker, que não havia acabado de filmar a sua participação no longa, seria substituído por dublês e CGI nas cenas que faltavam. Não sei como o leitor encara esse tipo de notícia, mas, particularmente, eu assisti o filme TODO procurando esses efeitos especiais (rs) e, como percebi apenas um ou outro artifício, devo dizer (com o devido respeito) que o cara não fez falta. Fará? Certamente. Apesar do diretor James Wan ter afirmado que esse seria o último episódio da franquia (e de ter conduzido o filme para tal), a estreia de Velozes & Furiosos 7, impulsionada pela morte do ator, transformou-se na melhor de toda a série e na 9º melhor da história do cinema ($384 milhões no primeiro fim de semana) e, como todos sabem, contra lucros não há argumentos nem luto que dure para sempre. Tu não consegue imaginar uma sequência sem o estiloso Brian O’Conner (Walker)? Não preocupe-se, amigo: roteiristas são pagos para isso e eu APOSTO que, no máximo até 2018, teremos um Velozes 8. Mas, enquanto isso não acontece, vamos a essa sétima parte da franquia.

Velozes e Furiosos 7 - CenaVelozes e Furiosos 6 é um filme extremamente meia boca que redime-se apenas no final com a promessa de um pega pra capar épico: Dominic Toretto (Vin Diesel) e sua equipe logo logo conheceriam Deckard Shaw (Statham), um casca grossa que está em busca de vingança e que acabara de matar o insosso Han. 7 começa nos dando algumas provas de que o tal Shaw é realmente um pesadelo ambulante (sozinho, ele invade e destrói um prédio inteiro) para depois colocá-lo em rota de colisão contra Toretto e cia. Os heróis, dispostos a vingar Han e Hobbs (Dwayne Johnson), que fora enviado por Shaw para o hospital, fazem um acordo com um agente do governo (Mr. Nobody, interpretado pelo Kurt Russell) para conseguir um dispositivo capaz de localizar o vilão.

Operação Rio era sobre uma última missão que garantiria grana suficiente para que os personagens pudessem aposentar. 6 foi sobre uma última missão para que eles tivessem seus registros criminais apagados e, de quebra, reencontrassem a supostamente morta Letty (Michelle Rodriguez). Velozes & Furiosos 7 é sobre … uma última missão … de vingança. É por essas e outras que não acredito que esse seja o derradeiro capítulo da série, os produtores da mesma simplesmente ignoram o significado da palavra “último(a)”. Isso, porém, é mais uma triste e irônica constatação do que uma reclamação propriamente dita: assistir um longa da franquia nessas alturas do campeonato esperando um roteiro minimamente original nada mais é do que um sinal de inocência do espectador.

Velozes e Furiosos 7 - Cena 4E hoje tem marmelada? Tem sim senhor! James Wan, um diretor conhecido por seus filmes de terror (entre outros, ele é o responsável pelo primeiro Jogos Mortais), fez a lição de casa direitinho e trouxe para o público cada um dos elementos que tornaram a série conhecida, a começar pelos rachas de carro que haviam sido deixados meio de lado nos últimos longas. Com a poderosa Blast Off do David Guetta tocando alto, Letty enfrenta e vence um marmanjo em uma corrida no meio de deserto enquanto delicinhas de shortinho balançam bandeiras quadriculadas e enfeitam o mundo com suas medidas invejáveis. A cota da pancadaria oitentista entre brutamontes é preenchida pela triangulação Toretto-Shaw-Hobbs (as meninas e os fãs do UFC ainda poderão apreciar os golpes da Ronda Rousey) e o Tyrese Gibson continua engraçadão. Funciona assim: ele fala alguma coisa, você ri.

Velozes e Furiosos 7 - Cena 3Mas nada disso, é claro, seria o suficiente sem um bocado de ação absurda e embasbacante. Se, depois de presenciar os personagens arrastarem um cofre gigante pelas ruas do Rio e impedirem um avião de decolar de uma pista infinita, você também pensou que nada mais poderia ser inventado, amigo, como você é bobinho! Meça suas noções de realidade, parça! Nas melhores sequências de ação de Velozes & Furiosos 7, Toretto e Brian primeiro saltam de um avião com seus veículos e, posteriormente, atravessam as Etihad Towers em Abu Dhabi com um Lykan HyperSport, um “brinquedinho” avaliado em 3,4 milhões de dólares. HELL YEAH!

É aí que chega o final do longa e então passa-se um ano e você continua lá, sentado, assistindo esse final. Tal qual a conclusão do Transformers 3 – O Lado Oculto da Lua, o clímax desse filme estende-se muito além do necessário e parece não acabar nunca. Felizmente, depois de muita correria sem objetivo, de uma briga de chaves de mecânico (!) e de uma cena onde é possível perceber que usaram um dublê/recurso visual para substituir o Walker (a luta no escuro), o Dwayne Johnson empunha uma metralhadora giratória e, emulando o que ele já fizera antes no G.I. Joe: Retaliação, acaba com a brincadeira.

Velozes e Furiosos 7 - Cena 2Repetindo os mesmos erros e acertos dos longas anteriores, Velozes & Furiosos 7 chega ao fim sem comprometer nem empolgar e tem seu melhor e mais sincero momento na mais do que anunciada homenagem que fazem para o Paul Walker no final. A verdade? Eu nunca dei muita bola pra esse cara. Nos Velozes ele faz apenas o feijão com arroz e, no único filme que vi com ele fora da série (o A Conquista da Honra, do Eastwood), também não há o que recordar. Essa indiferença, no entanto, foi totalmente DESTRUÍDA pela compilação de imagens do ator que exibem antes dos créditos. A voz engasgada do Vin Diesel, o semblante triste do Gibson, a incredulidade do Ludacris e uma baladinha triste falando sobre amizade e despedidas: eis o que lhe colocará pra baixo, leitor, eis o que lhe fará olhar para a poltrona ao lado para conferir se mais alguém está segurando as lágrimas. O filme, que até então fora apenas mediano, brilha nessa conclusão e comprova (tu, eu e os críticos queiramos ou não) o poder de uma série que, com toda sua simplicidade, levou milhares de pessoas aos cinemas nos últimos 14 anos e também é capaz de emocionar. Pena que o preço dessas lágrimas tenha sido tão caro. Descanse em paz, Paul.

Velozes e Furiosos 7 - Cena 5

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