Caminhos da Floresta (2014)

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Caminhos da FlorestaE agora que praticamente todos os clássicos infantis foram revisitados por Hollywood em megaproduções repletas de efeitos especiais, nada mais natural do que juntar todas elas (ou quase todas) em um único longa, não é mesmo?$?$? Caminhos da Floresta, no original Into the Woods, é a adaptação do diretor Rob Marshall da peça homônima da Broadway escrita pelo Stephen Sondheim. A história é uma mistura sarcástica e sombria dos contos da Cinderella, João e o Pé de Feijão, Chapeuzinho Vermelho e Rapunzel. Olhando dessa forma, considerando o elenco grandioso (Meryl Streep, Johnny Depp) e levando em conta outros títulos que vão na mesma linha (como Deu a Louca na Chapeuzinho), era de se esperar um filme revisionista e audacioso, mais voltado para os adultos do que para as crianças, que nos fizesse olhar com outros olhos as histórias com as quais crescemos, certo? Seria uma injustiça dizer que o Marshall sequer tentou, mas nota-se a todo momento que ele esbarrou no famoso “padrão Disney” durante o processo e que isso foi preponderante para que a produção, tal qual aberrações como Branca de Neve e o Caçador, transformasse-se em um grandioso e insosso filme nada.

Estamos diante de um desastre total? Nem tanto. Caminhos da Floresta começa empolgante, com os personagens sendo apresentados enquanto cantam suas canções. Ah sim, o filme é um musical. Nisso, lá está o João (Daniel Huttlestone) levando a vaca para ser vendida no mercado da cidade, a Cinderella (Anna Kendrick) sendo maltratada pela madrasta e suas filhas chatas e a Chapeuzinho Vermelho (Lilla Crawford) na padaria tentando conseguir alguns doces e pães para levar para a vovozinha, todos cantarolando. Os cenários são fantásticos, o figurino impecável e acredito que até mesmo quem não é lá muito fã de musicais reconhecerá a grandiosidade das músicas e da edição que permite que as vozes de todos os personagens sejam intercaladas e sobrepostas para formarem belas melodias. Amarrando todas as tramas, está o perrengue do Padeiro (James Corden) e sua esposa (Emily Blunt), um casal que deve reunir quatro itens (uma capa vermelha, um cabelo dourado, uma vaca branca e um sapato de ouro) para quebrar a maldição de uma bruxa (Streep) que os impede de terem filhos.

Caminhos da Floresta - CenaConfesso-vos duas coisas: 1) não faço a mínima ideia se o Padeiro e sua mulher apareciam em algum conto ou se eles são invenções do Sondheim e 2) eu asssiti o filme todo pensando que ele era dirigido pelo Tim Burton rs Os cenários escuros, a floresta gótica, as canções cheias de ironia e, principalmente, a presença do Jhonny Depp… tudo remetia ao trabalho do diretor. Caminhos da Floresta é do Rob Marshall, mas nota-se que, pressionado ou não pela Disney, o resultado final aproximasse mais da versão sofrível do Burton para Alice no País das Maravilhas do que de trabalhos anteriores do diretor, como o excelente Chicago: o começo deveras legal, com todo o impacto do cenário e das músicas, acaba cedendo lugar para canções pouco inspiradas e uma trama arrastada, o que também acontece no chatíssimo Sweeney Todd.

Caminhos da Floresta - Cena 3E qual é exatamente o ponto onde isso acontece? Após a canção insinuante que o Lobo canta para a Chapeuzinho Vermelho? Não. Após o príncipe (Chris Pine) cantar em uma cachoeira exibindo seu tórax malhado (rs)? Claro que não, amiguinho! Caminhos da Floresta fica sofrível após a cena final que, bem… não era exatamente a cena final. Lá pela metade do longa, após o Padeiro e sua mulher quebrarem a tal maldição e tudo indicar um final feliz, o filme simplesmente apresenta uma nova trama e a qualidade de tudo que fora feito até ali despenca vertiginosamente até que o verdadeiro final acontece. As músicas divertidas e irônicas cheias de coros dão lugar a lamurias sem fim e a caça ao gigante não empolga em nenhum momento.

Caminhos da Floresta - Cena 2Caminhos da Floresta concorre a 3 Oscars, dentre eles o de Melhor Atriz Coadjuvante para a Meryl Streep, prêmio que, ao que tudo indica, ela deve perder (e isso seria bastante justo) para a Patricia Arquette. Comecei assistindo-o empolgado, curtindo o visual e as músicas, mas no final eu já não via a hora de ele acabar. Tivesse o diretor prolongado a parte da coleta dos itens, encurtado a caçada ao gigante e tornado a ligação entre essas duas partes menos brusca, o resultado poderia ter sido um pouco melhor e menos sonolento. Tal qual as outras revisitações de clássicos infantis que chegaram no cinema depois do sucesso comercial do Alice, Caminhos da Floresta tem uma grande chance de agradar as crianças, visto que ele é coloridão e a maioria das músicas tem refrões pegajosos, mas acho difícil acreditar que um adulto consiga ser guiado pela mesma inocência e não perceber que os defeitos do roteiro superam as qualidades do visual e deixam a sessão tediosa.

INTO THE WOODS

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