Operação Big Hero (2014)

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Operação Big HeroNa esteira dos sucessos de Detona Ralph e Frozen, Operação Big Hero chega para comprovar o bom momento da Disney no mercado das animações: mesmo com uma história pra lá de requentada, a produção concorre como favorita ao Globo de Ouro de Melhor Animação. Todo caso, ainda que apresente poucas novidades, salvam-se os detalhes e a coragem de investir em idéias bizarras, tal qual o robô enfermeiro fofinho do poster ao lado.

Baseado em uma HQ da Marvel (clique aqui para ver o quão diferente é o visual original dos personagens), o filme mostra a jornada de amadurecimento do garoto Hiro Hamada. O personagem é um gênio da robótica que desperdiça seu potencial em lutas de robôs até o dia em que um incêndio criminoso provoca a morte de seu irmão. Revoltado e ansioso por vingança, Hiro junta-se a um grupo de amigos do finado para descobrir o responsável, mas é principalmente através dos conselhos involuntariamente cômicos do robô Baymax que ele conseguirá superar a tragédia e voltar a ser feliz.

Assisti esse filme ontem com a minha esposa em uma sessão repleta de fedelhos. A história foi rolando, comecei a perceber as fórmulas utilizadas pelos diretores Don Hall e Chris Williams e o desânimo começou a bater. “Ok, animações são feitas para esse pai e essa mãe que estão aqui do meu lado com esse garotinho”, pensei, “e eles não estão nenhum pouco preocupados se esse filme é extremamente parecido com aquele que eles viram no mês passado”. Nisso, o fato do personagem principal ser um cara atrapalhado e preguiçoso mas inteligente e bondoso, tal qual a maioria dos personagens principais nesse tipo de produção, realmente não importa. Ele ter amigos, uns estilosos e irônicos, outros medrosos e engraçados, tal qual a maioria dos personagens secundários nesse tipo de produção, também não importa. E o evento traumático/catastrófico/desestruturante que fará o personagem principal aprender algo e ser uma pessoa melhor? É ruim que a maioria das produções do tipo tenham seus roteiros baseados nessa estrutura narrativa? Claro que não. Todos estão ali para rir e ver seus filhos entretidos pelo espetáculo de luzes e música.

Operação Big Hero - Cena 4Estava lá eu então, sentado com cara de poucos amigos devido a repetição desses lugares comuns, quando rolou algo que me fez perceber o quanto essas estruturas, mesmo que repetidas, ainda tem o poder de cativar. Não foi a primeira vez e nem será a última que um personagem morreu em um filme da Disney. Quem hoje tem seus 30 anos, por exemplo, certamente derramou algumas lágrimas assistindo o Mufasa partir dessa pra melhor no O Rei Leão. Lá atrás, no longínquo ano de 1942, a empresa também maltratou alguns corações ao despachar para o além a mãe do Bambi no filme homônimo. Dessa vez, conforme citado no parágrafo acima, quem bate as botas é Tadashi, o irmão de Hiro. A cena em si não tem aquela violência gráfica do atropelamento da manada de gnus (Tadashi entra em um prédio em chamas e não sai mais), mas o que vem a seguir é completamente desolador. A sala, que estava repleta de vozes pedindo pipoca e suco, mergulhou em um silêncio profundo e foi aí que uma criança chorou daquele jeito que só as crianças sabem chorar quando querem partir nossos corações. Foi horroroso e verdadeiro, e nesse momento eu tive que deixar algumas das minhas teorias de lado e reconhecer que, apesar dos pesares, a fórmula ainda funciona.

Operação Big Hero - Cena 2É inegável que Operação Big Hero segue uma cartilha e que isso torna-o muito parecido com outros títulos que chegam anualmente no mercado. É desestimulante pagar para ver sempre o mesmo filme, mesmo que seja um bom e capaz de emocionar e divertir. O que resta para o fã de animações dedicado, nesses casos, é aproveitar as pequenas individualidades que cada uma dessas produções trazem. Tudo bem, eu fiquei triste quando o tal Tadashi morreu e achei toda a sequência final muito bonita, divertida e emocionante, mas é bem provável que a única coisa que eu guardarei do filme daqui um ano será o design e a personalidade do robô Baymax. Gordinho, feito de material plástico e dono de um repertório infinito de conselhos e dicas de segurança e saúde, o personagem é o diferencial de Operação Big Hero. Não que o amigo grande, gordo e engraçado seja exatamente uma novidade, mas o robô destaca-se no meio dos outros personagens genéricos que parecem terem sido feitos para um jogo de videogame e acaba roubando todas as cenas em que aparece com sua bondade e simplicidade. Operação Big Hero - Cena 3Tal qual é comum nos filmes da Disney e da Marvel, Operação Big Hero está repleto de referências a outras produções da empresa. Prepare-se, portanto, para ver o Stan Lee dando as caras e um monte de itens distribuídos nos cenários que remetem diretamente a filmes como Frozen e Enrolados. Li ainda que há também uma cena após os crédito, mas essa eu não fiquei para assistir.

Como era de se esperar de uma produção desse porte, Operação Big Hero rende uma sessão repleta de risadas e cenas de ação grandiosas. No entanto, caso daqui uns 2, 3 anos você lembre-se dele apenas devido ao Baymax, retorne ao cinema para ver a continuação que o final deixa bem claro que rolará. Esse filme também será muito bom e provavelmente trará um novo vilão que terá alguma ligação com esse debut. Pode ser que apareça um robô feminino para fazer companhia ao Baymax ou que Hiro tenha que aprender a dividir seu tempo entre a vida de herói e uma namoradinha. Quem se importa? O fofinho Baymax estará lá para nos fazer rir e perguntar se estamos bem. Isso é Disney, repetitivo e previsível, mas mágico e divertido. LA LA LA.

Operação Big Hero - Cena

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  2. Fui com meu filho. Ele gostou bastante. Porém ate antes de Tadashi morrer, estava achando tudo chato, depois começou a ficar legal e depois ate o final muito previsível.

    Antes do irmão dele morrer, já imaginava quem seria o vilão. Só não imaginava a motivação pra isto.

    é previsivel, mas engraçado, divertido com boas cenas de ação e se não fosse o Baymax seria um desenho qualquer. Ele rouba todas as cenas. Assim, pelo trailer esperava bem mais, mas é assistível.

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