Up! (1976)

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Up!Minha experiência anterior com o trabalho do Russ Meyer foi, no mínimo, estranha. Eu gosto do erotismo que ele utiliza em filmes como Motor Psycho, mas o conteúdo explícito de Cherry, Harry & Raquel! me fez questionar se valia a pena resenhá-lo. Feitas as devidas ressalvas (passo muito longe de ser puritano, mas isso aqui não é uma página pornô rs), acabei topando o desafio de escrever algo “diferente” e, graças ao apoio do Ocioso e de todos os pervertidos que navegam na internet, o texto alcançou mais de 45.000 acessos em um único dia, tornando-se a terceira resenha mais lida da história desse blog.

Diante do exposto, escolhi outro filme do diretor para assistir ciente de que o embaraço poderia repetir-se, mas, nem de longe, eu pensei que fosse ver o que vi. O que a minha esposa (que assistiu o filme junto comigo rs) definiu como “um filme pornô ruim” começa em um castelo onde o próprio Adolf Hitler está sendo submetido a uma sessão de sadomasoquismo. Algumas mulheres castigam o personagem utilizando os mais diversos apetrechos enquanto a câmera do diretor nos fornece ângulos generosos da cena. É então que, para provar de vez que o filme não obedecerá nenhum tipo de limite ou censura, aparece um sujeito com um pinto de 28cm (meu olho não tem régua, eles repetem essa medida várias vezes durante o filme rs) e sodomiza o ditador alemão.

Up! - CenaHitler sendo empalado por um caralho gigante, tá aí algo que não vemos todos os dias. Aliás, tá aí algo que eu nunca esperava encontrar em um filme. Após essa insanidade, ainda assistimos o Fuher ser assassinado por uma piranha chamada Nimrod (rs) e só então as coisas tomam um rumo, digamos, normal: em um pequeno vilarejo próximo ao tal castelo, as perversões sexuais de um xerife, um lenhador e um casal dono de um restaurante elucidarão a trama por trás da morte de Adolfinho.

Eu já comentei sobre isso no texto do Motor Psycho, mas não custa repetir a informação para o leitor que possa estar estranhando encontrar esse tipo de resenha aqui no blog: o Russ Meyer é talvez um dos nomes mais importantes do exploitation, um gênero de filmes rodados com baixo orçamento cuja principal característica é a exploração de violência e nudez explícitas. Vez ou outra, procuro assistir alguma produção do estilo tanto porque me interesso pela história do cinema quanto porque, convenhamos, nunca é ruim ver peitos balançando e brucutus estraçalhando-se mutuamente.

Up! - Cena 2Up! traz uma boa dose desses elementos e o faz de uma forma tão irônica e cartunesca que é impossível sentir-se ofendido com as excentricidades do diretor. Antes da tal cena do castelo, por exemplo, uma peladona (que atende pelo nome de ‘Coro Grego’) aparece em cima de uma árvore convidando-nos para assistir a história que será contada a seguir. Entre uma e outra frase de efeito (coisas do tipo ‘se você tiver coragem, enfie sua espada até o cabo’ rs), o diretor mostra closes das partes íntimas da ninfeta e nos diz que o que veremos não é um “conto de fadas”, mas sim “isso”, e por “isso” tu deve entender exatamente o que ele está mostrando: tetas e insanidade. Não dá pra levar esse tipo de coisa a sério rs

Tal qual comentado no texto do Cherry… , seria bobeira assistir um filme desses apenas pelo conteúdo pornográfico. A internet está repleta de sites pornôs com um acervo infinito de vídeos de putaria para acalentar uma noite de solidão, portanto a indicação de um trabalho do Russ Meyer não pode ir apenas nessa direção. Ok, há pelo menos umas 5 garotas que utilizam sutiã nº48 ou mais por aqui, mas também há todas as piadas que isso gera, como o estado quase animalesco que a visão dos seios de uma delas provoca no lenhador. Essa cena, aliás, merece um parágrafo só para ela.

Up! - Cena 3Rafe, o lenhador, sujeito rústico, bruto e sistemático, chega no restaurante após um dia extenuante de trabalho. Lá, a nova garçonete está dançando em cima do balcão com um vestido que deixa pouco para a imaginação. Após tomar várias cervejas (as quais, como todo bom lenhador, ele abre com dente), Rafe decide que é hora de possuir seu objeto de desejo, bem ali, na frente de todos. Inicia-se então um estupro coletivo que só é interrompido pela intervenção heróica do dono do restaurante, o qual crava um machado nas costas do bêbado. Todo caso, como Russ Meyer havia avisado no começo do filme, isso aqui não é um conto de fadas: Rafe arranca o machado das costas, apaga o herói com um soco e parte do local, atravessando a parede com toda sua força e ignorância, levando a garçonete E a esposa do dono do restaurante para continuar a violação. Sem brincadeira, foi uma das coisas mais bizarras (e engraçadas) que eu já vi em um filme, e é principalmente por conta desse tipo de insanidade que Up!, e o trabalho do Russ Meyer como um todo (influência direta de diretores importantes de nossa geração, como Tarantino e Robert Rodriguez), merece uma chance.

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