É o Fim (2013)

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É o FimAssistir filmes do Seth Rogen tem todo um significado especial para mim. Há uns 7 anos, quando tomei um pé na bunda e precisei enfiar a cara em algo para sair da fossa, contei com a ajuda de um amigo que me emprestou uma tonelada de filmes para assistir. Acabei tomando gosto pela coisa, comecei a ler sobre cinema, procurar outros títulos e escrever sobre eles. O contador de resenhas por gênero ao lado não deixa dúvidas, hoje vejo majoritariamente dramas, mas no início não era assim. Emotivo que eu estava (rs), gastei várias tardes assistindo romances do tipo Um Amor Para Recordar e comédias que pudessem me fazer rir um pouco. Da experiência, levei uma certa birra do Nicholas Sparks (afinal NADA do que nós, pobres homens mortais, fizermos superará em romantismo aquele passeio na lagoa do Diário de Uma Paixão) e moldei parte do meu senso de humor com as produções irônicas e inteligentes do Monty Python e com os filmes repletos de referências do Seth Rogen. Ver esse É o Fim, de certa forma, me levou de volta para aqueles dias sombrios, mas também me fez lembrar dos motivos que me influenciaram a começar esse blog e é por isso que, empolgado e contrariando todo o corpo mole que tenho feito ultimamente, cá estou eu resenhando-o apenas um dia após tê-lo assistido (em alguns casos, levei quase duas semanas para fazê-lo rs).

 Comecei a escrever por sentir necessidade de comunicar à outrem todas aquelas coisas legais que eu estava vendo. Como eu estava solteiro e não era sempre que eu conseguia encontrar meus amigos, rolava um represamento de informações e idéias que precisavam serem escoadas de alguma forma. Imaginem a sensação de assistir um filme tipo Taxi Driver pela primeira vez e não ter com quem falar a respeito? Entre outras coisas, acredito que foram essas conversas sobre filmes e assuntos relacionados a cultura pop que me encantaram nos trabalhos do Seth Rogen. Em longas como Superbad, Segurando as Pontas e Pagando Bem, Que Mal Tem, o cara e o resto do elenco até envolvem-se nas tradicionais confusões do bagulho barulho, mas são os diálogos que tratam de coisas que eu gosto e conheço, as tais “piadas de referência”, que realmente me divertiam. É o Fim é uma nova oportunidade para experimentarmos a metalinguagem cinematográfica, de sentirmo-nos em casa vendo filmes sobre caras que falam sobre filmes mas, como certamente Rogen o diretor Evan Goldberg (produtor executivo da maioria dos trabalhos do ator) sabem que até mesmo essa divertida fórmula pode esgotar-se e tornar-se cansativa, dessa vez eles deram um jeito de tornar tudo ainda mais insano acrescentando autorreferências.

É o Fim - Cena 2Seth Rogen, portanto, é o próprio Seth Rogen, ator, diretor e escritor. O longa começa com ele em um aeroporto sendo reconhecido por um ou outro passante,enquanto aguarda a chegada de um amigo, o também ator Jay Baruchel (o dono da voz do Soluço na série Como Treinar Seu Dragão). Eles encontram-se, falam de seus projetos profissionais, fumam maconha e depois, contra a vontade de Jay, vão para uma festa na casa do James Franco, sim, o mesmo James Franco do Homem Aranha e do 127 Horas. Lá na festa, bem… lá na festa estão praticamente TODOS os atores que apareceram nos filmes anteriores do Rogen, como Jonah Hill, Danny McBride, Craig Robinson, Michael Cera, Christopher Mintz-Plasse (o imoral McLovin <3) e outros convidados ilustres, entre eles a fogosa Rihanna e a Emma “Hermione” Watson. O que acontece então? Abuso de drogas, pegação, loucura total? Sim, e da melhor qualidade, pena que a  festa é interrompida pelo próprio apocalipse bíblico. Espera aí… O quê? rs

É o Fim - Cena 4 Quando eu escrevi sobre o Ajuste de Contas, dediquei um parágrafo para falar sobre a minha dificuldade de descrever o que acho engraçado. Bem, se eu puder deixar as explicações de lado e usar um exemplo, então eu digo que acho extremamente hilária parte desse filme em que os atores, confinados na casa do Franco após a catástrofe, bolam (com trocadilhos) uma sequência para o ótimo Segurando as Pontas. A câmera amadora, as interpretações propositalmente canastronas, o resgate das roupas e dos cenários do longa de 2008… tudo, tudo mesmo é muito bem executado e reconhecer as referências é garantia certa de diversão. Certeiras também são as piadas autodepreciativas que utilizam os estereótipos comumente relacionados aos atores, seja para reforçá-los (Seth é o cara que faz sempre o mesmo personagel, Jonah é o queridinho de todos) ou para desconstruí-los (Michael Cera, que sempre interpreta caras tímidos, aqui aparece completamente surtado, com direito a tapinha na bunda da Rihanna e tudo).

É o Fim - Cena 3É o Fim é legalzão, mas é inegável que lentamente ele vai perdendo o fôlego. No começo os atores estão lá todos reunidos, depois há a loucura apocalíptica e após isso Rogen e Goldberg nos fornecem uma boa quantidade de referências de seus trabalhos anteriores e de outros filmes (ou seja, os primeiros 40min passam voando), mas aí o longa cai no lugar comum de fazer com que os personagens briguem antes da reconciliação que encerra a trama de forma mega feliz (e, se nesse sentido, o final purpurinado do O Virgem de 40 Anos parecia legal, esperem até vocês verem a aparição da maior sensação pop de todos os tempos rs) e isso acaba decepcionando um pouco. O saldo é inquestionavelmente positivo mas, mesmo que o Seth defenda-se dessa acusação de falta de criatividade rindo de si mesmo com piadas autodepreciativas, é deveras bizarro que ele, filme após filme, teime em utilizar o mesmo recurso dramático: É o Fim é construído em cima de uma idéia insana, estranho que ele não tenha encontrado uma forma menos convencional de terminá-lo. De qualquer maneira, o que vi aqui ainda é o tipo de material que representa o que há de melhor no humor hollywoodiano atual, um filme que, além de divertir, estimula o nosso gosto por cinema e nos faz ter vontade de falar sobre o assunto.

É o Fim - Cena

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  1. eu acho massa a voz do jay baruchel. ele parece um pato, nao sei como ele ainda se da bem, conseguiu ate pegar a teresa palmer e ser heroi no aprendiz de feiticeiro… esses caras sao de mais

  2. Pingback: Grande Hotel (1932) | Já viu esse?

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