47 Ronins (2013)

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47 RoninsKeanu Reeves, que anos horríveis você viveu após o fim da Trilogia Matrix. Depois de protagonizar alguns dos longas de ação/ficção científica mais inovadores da história, a aparição mais marcante do ator foi em um metrô quando flagraram-no em um típico momento gente como a gente. Apesar das críticas esmagadoras dos fãs da HQ, eu até gostei do Constantine, mas filmes como o remake do O Dia em que a Terra Parou e o chatíssimo A Casa do Lago me fizeram perder o interesse pelo trabalho do cara. Aí vem esse 47 Ronins e suas espadas, dragões e japonesinhas bonitinhas sussurrantes oferecer ao ator uma nova chance de reavivar em nossos corações o amor que outrora sentimos por ele. Bem, aqui Keanu até consegue repetir tudo que ele fez de melhor no ápice de sua carreira, ou seja, permanecer calado e com cara paisagem mesmo diante do próprio apocalipse, mas o restante do material é tão sem vergonha que nem a atuação “sou foda” do cara impede que este título converta-se em mais um passo ladeira abaixo na qualidade da filmografia do ator.

Abrirei mão de escrever uma resenha normal, com sinopse e comentários sobres as qualidades e defeitos da produção, para contar-lhes a minha experiência assistindo essa joça. Quero dar-lhes o meu testemunho para que, assim, quem sabe, vocês não precisem sujeitar-se ao mesmo sofrimento rs

47 Ronins - CenaHá três dias, sentei no meu confortável sofá após o almoço, liguei a TV e coloquei o filme para rodar. Expectativas? Medianas: nem em sonho eu esperava algo épico como o Yojimbo, mas o trailer dava a entender que poderiam ao menos ter alcançado o nível de diversão descompromissada demonstrado no O Último Samurai. Pois bem, passados os logos dos estúdios e produtoras envolvidas, um dragão feito de CGI surge voando na tela. Antes que eu tivesse tempo de decidir se eu havia gostado ou não do que vi (fiquei com a impressão de que o efeito era meio tosco), fui bombardeado com uma metralhadora de informações. 47 Ronins é baseado em uma lenda japonesa que fala sobre a vingança de 47 ronin (sim, no singular, já que não há plural para a palavra como o título nacional sugere ¬¬) contra o homem que fora diretamente responsável pela morte de seu daimyõ (mestre). Esses termos, ronin e daimyõ, juntam-se ainda a xogun (comandante militar) e seppuku (ritual suicida) e pronto, temos uma saraivada de conceitos sendo disparados contra o espectador nos 2-3 primeiros minutos em uma tentativa ineficaz de ambientá-lo naquele universo cultural. Você já conhece esses termos e não depende desse tipo de explicação? Parabéns amigo, toma aqui um saquinho de Mupy de presente. Não conhece? Acredite, não é ouvindo o narrador falar sobre eles que tu conhecerá. Ao que parece, com esse início, a intenção era muito mais cumprir uma obrigação narrativa do que apresentar um mundo/idéia, tal qual acontece no começo do A Sociedade do Anel.

47 Ronins - Cena 4Confesso que esse início mequetrefe já me deixou predisposto a não gostar de qualquer coisa que viesse a seguir, mas aí Hollywood fez a sua costumeira mágica e me levou de volta para o filme. Se o efeito usado no dragão é questionável, não há o que reclamar da sequência de ação fantástica que abre a produção. Kai (Keanu Reeves), acompanhado por Ôishi (Hiroyuki Sanada) e outros samurais, caçam e matam uma enorme besta no meio de uma floresta. Por mais manjada que esse tipo de cena tenha se tornado ao longo dos anos, com seus cortes rápidos e som estourado para dar a sensação de velocidade e violência, é difícil negar o impacto visual que elas provocam e a diversão fornecida. Ponto para o diretor debutante Carl Rinsch por fazer o dever de casa. Os problemas e lugares comuns, no entanto, voltam a aparecer em seguida e não cessam mais.

47 Ronins - Cena 3Contam-nos quem não gosta de quem, informam-nos sobre amores proibidos e desejos de poder. Não que eu não goste dessas subtramas sentimentais, mas fiquei com preguiça de assistí-las quando ficou claro que elas estavam lá apenas para preencher os espaços entre uma e outra cena de ação e agradar parte do público. 47 Ronins é uma história clássica sobre vingança que poderia ser contada com litros e mais litros de sangue, porém a necessidade de encaixá-lo dentro do formato blockbuster faz com que ele sujeite-se  a fórmulas que os produtores, com toda sua “experiência” e exibições-teste, acreditam serem a mais indicada $$$: saem os samurais retalhadores capazes de estraçalhar a própria barriga em nome da honra, entra o Keanu Reeves, um mestiço que vive um amor proibido em um mundo exótico e fantástico.

47 Ronins - Cena 5Depois que eu percebi o que filme seguiria essa proposta aí, o meu interesse praticamente sumiu. Pausei ele várias vezes, saí para tomar água, acessei a internet e, com muito custo e sofrimento, cheguei até o final. Há algumas coisas legais? Claro que sim: o visual e os efeitos especiais utilizados na última batalha são muito bonitos, o figurino está impecável e os cenários foram muito bem escolhidos. O que faltou mesmo foi a habilidade de contar uma história, o poder de entreter o público. Esta é a sétima adaptação dessa história para o cinema, prova irrefutável do poder de fascinação da lenda, mas também é aquela que, segundo o IMDB, tem a nota mais baixa entre todas (coincidência ou não, o roteiro é assinado pelo Chris Morgan, roteirista da maioria dos filmes da série Velozes e Furiosos). 47 Ronins não reabilita o Keanu Reeves, não é instrutivo e não merece a sua atenção. Quer assistir um filme realmente bom sobre samurais? Tente esse.

47 Ronins - Cena 2

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