Os Mercenários 3 (2014)

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Os Mercenários 3Mais, mais, mais! Agora que não restam dúvidas sobre o potencial de bilheteria dos vovôs anabolizados do Stallonne, resta-nos apenas aguardar por mais e mais sequências da franquia e divertirmo-nos tentando adivinhar quem será escalado para o próximo filme. No caso do novo Os Mercenários 3, o elenco foi engrossado com nomes como Mel Gibson, Harrison Ford e Antonio Banderas mas, para esse que vos fala, bom mesmo foi ver o Wesley Snipes de volta à ação. Não que eu seja fã do tipo FÃ dele, mas um cara que participou de uma pérola como O Demolidor simplesmente não poderia ficar de fora de uma reunião de brucutus como essa. Não sei se o leitor conhece e/ou gosta desse filme tanto quanto eu, mas digo-vos sem titubear que o Simon Phoenix interpretado pelo Snipes no referido longa é um dos meus vilões favoritos. A cena em que ele arranca o olho de um guardinha e usa-o para abrir uma porta é o tipo de coisa que separa molecagem de bandidagem real.

E, de bandidagem, o cara entende bem, tanto que ele esteve preso, de verdade, entre 2010 e 2013 por sonegação de impostos. Desejoso de contar com o ator desde o primeiro filme (o papel do Terry Crews foi pensado para ele), Stallone esperou o cara sair do xilindró e usou o episódio como ponto de partida para esse Os Mercenários 3. Snipes, que interpreta um ex-combatente chamado Doc, é um prisioneiro (rs) em um trem que transporta-o para a morte. A equipe comandada por Barney (Stallone) e Christimas (Jason Statham) intercepta o veículo, atira, explode, queima e estropia todos à bordo para em seguida escapar, levando Doc, rumo a terra da liberdade e da democracia.

Os Mercenários 3 - Cena 2Os Mercenários, a franquia, nasceu como uma espécie de paródia nostálgica de todos aqueles filmes de ação exagerados e engraçados das décadas de 80/90. Levá-la a sério, cobrar dela alguma engenhosidade de roteiro ou utilizá-la para criticar uma suposta “superficialidade” do cinema hollywoodiano contemporâneo, como eu disse no texto do segundo longa, é muito mais um erro de julgamento de quem critica do que um defeito propriamente dito do filme. Stallone e cia, ao que tudo indica, sabem EXATAMENTE aquilo que eles representam dentro da história do cinema norte americano e estão dispostos a rirem de si mesmos enquanto mandam mais alguns vilões e ditadores de países inexistentes para o saco.

Toda a sequência de resgate que abre o filme, por exemplo, é construída em cima de piadas auto depreciativas. Podemos até dizer que quem está ali não é o Doc, mas sim o próprio Wesley Snipes que, ao ser perguntado pelo Randy Couture sobre o motivo que o levou para a prisão, responde “sonegação fiscal” e critica o Tio Sam. Tudo verdade. Resgatado, ele agradece ao Barney pela “ajuda”, o qual, em tom assumidamente paternalista, diz que “eles” (leia: atores veteranos de filmes de ação) devem permanecer juntos e ajudarem uns aos outros. Essas sacadas do roteiro, que funcionam mais como piadas internas do que como metáforas propriamente ditas, são o grande charme de Os Mercenários 3 e entendê-las, mais do que te fazer sentir-se velho, lhe garantirá algumas boas risadas.

Os Mercenários 3 - Cena 3Quando não estão reutilizando suas frases mais famosas ou tirando sarro da decadência física alheia, os Mercenários ainda podem ser vistos destruindo tudo que os cerca para cumprir uma missão qualquer, que dessa vez envolve capturar Stonebanks (Mel Gibson), traficante de armas e ex-Mercenário. Talvez tentando renovar um pouco o processo e até mesmo o cast, Stallone opta por um arco de histórica em que Statham, Crews, Lundgren e Couture são substituídos por uma equipe de brutamontes mais novos, entre eles a lutadora de MMA Ronda Rousey. Funciona? Depende do gosto do cliente. Rolam aquelas cenas legais em que os personagens são convocados, mas a atuação deles é muito mais cerebral (do tipo espionagem) do que física. Pessoalmente, achei que o longa perdeu um pouco de ritmo nessa parte.

Quando finalmente os veteranos voltam para o campo, o filme retorna àquilo que fora visto anteriormente e fecha com uma cena épica de destruição em um prédio abandonado. O que deveria ser a cereja do bolo de testosterona do diretor Patrick Hughes acaba decepcionando um pouco devido a censura 13 anos (os outros filmes não eram recomendados para menores de 16) e a similaridade do desfecho com aquele que já havia sido utilizado no Os Mercenários 2. Basicamente, os brutamontes destroem o lugar todo, sendo que cada um deles ganha tempo suficiente na tela para aumentar a contagem de corpos e soltar uma frase de efeito. Há ainda a tradicional “luta contra o chefão” em que o Gibson leva uns sopapos do Stallone, briga que termina relativamente rápida e com uma referência ao O Juiz, outro filme do Sly.

Os Mercenários 3 - Cena 4Os Mercenários 3, apesar de todos os esforços para inchar a fórmula e torná-la ainda mais atraente, com mais atores e mais tiros disparados por segundo, não consegue superar seus antecessores em diversão. A nostalgia, que trabalhou e continuará trabalhando favoravelmente à franquia, está presente e diverte, digo até mesmo que o desfile dos atores por si só já vale o ingresso, mas é preciso que os próximos filmes ofereçam um pouquinho mais (talvez cenas tão legais quanto aquela do O Demolidor comentada no início) para que o Stallone e seus comandados não corram o risco de transformarem em lugar comum a idéia audaciosa que foi reunir todos eles em um único longa. Ah, antes que eu me esqueça, seria realmente ULTRA MEGA LEGAL se eles conseguissem convencer o Clint Eastwood a participar nem que fosse de uma única cena em um dos próximos filmes 🙂

Os Mercenários 3 - Cena

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