Guardiões da Galáxia (2014)

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Guardiões da GaláxiaOhhhh yeahhhh!!!!! Quando assisti a infeliz adaptação do A Bússola de Ouro para a telona, fiquei com a impressão que nada, absolutamente NADA poderia ser mais legal do que um urso da Coca-Cola polar falante vestido com uma armadura dourada. Sinto muito, Iorek, mas você não é mais o meu favorito: além de conter boas piadas e cenas de ação frenéticas, o novo filme da Marvel, Guardiões da Galáxia, traz um desses baixinhos ranzinzas pelos quais todos nós apaixonamo-nos imediatamente. Rocket, o guaxinim antropomórfico que funciona como o cérebro do grupo de super heróis apresentado aqui, é o responsável pelas melhores e mais engraçadas cenas do filme. Dublado pelo Bradley Copper, o bichinho feito em CGI é uma mistura da violência e atitude do Wolverine com as ironias e a insanidade do Tommy DeVito, o baixinho invocado interpretado pelo Joe Pesci no Os Bons Companheiros. Declarado o meu amor pelo sujeito, conto-lhes agora as minhas impressões sobre o longa.

Guardiões da Galáxia é e não é apenas mais um filme de super heróis. É porque ele claramente segue fórmulas que já foram testadas em outras produções da Marvel. Não é porque, devido ao sucesso dessas fórmulas, percebo que deram tanta liberdade criativa ao diretor James Gunn e sua equipe, principalmente no que diz respeito ao visual dos personagens, que esse longa pode significar o início de uma nova fase nas adaptações dos quadrinhos da empresa para o cinema.

Lembram daquele primeiro filme dos X-Men do Bryan Singer? Na época do lançamento, um dos pontos mais comentados da produção foram os uniformes dos personagens. De um lado, alguns fãs praguejaram contra as roupas pretas realistas utilizadas por Singer. Do outro, argumentou-se que a mudança era compreensível, visto que nem tudo que funciona na HQ fica legal quando transposto para o formato cinematográfico. Ainda que os dois pontos de vista sejam válidos, a impressão que ficou foi a de que os produtores estavam sondando o terreno tal qual quem não confia no material que tem nas mãos. Certamente eles não devem ter duvidado da popularidade e do apelo comercial dos discípulos do Professor Xavier, mas nem por isso eles colocaram o Hugh Jackman na tela vestido com um collant amarelo.

Guardiões da Galáxia - Cena 3Na sequência, grandes campeões de bilheteria do gênero, como a trilogia do Batman do Nolan, seguiram com a proposta de modernizar e aproximar da realidade o visual dos super-heróis mas, no mesmo período, os filmes do Homem de Ferro e do Thor vieram e agradaram mesmo trazendo modificações mínimas na caracterização vistosa de seus personagens. Notei, já no X-Men – Primeira Classe, que as coisas começavam a mudar: lá estava o uniforme amarelo, mutantes voando com asas naturais e sintéticas impulsionados por super gritos (rs) … Paulatinamente (eu sempre quis usar essa palavra), comprovou-se que o público estava disposto SIM a pagar para ver atores vestidos com roupas super coloridas quebrando o pau contra super vilões. A prova? Basta olhar o sucesso estrondoso do Os Vingadores, filme que, nessa mesma pegada fantasiosa, abriu as portas para que parte da Guerra Infinita seja contada nos cinemas.

Guardiões da Galáxia - Cena 2E agora, que não há absolutamente mais NENHUMA dúvida de que todos nós gostamos de ver seres super poderosos e seus uniformes bufantes, Guardiões da Galáxia chega para mostrar que a Marvel perdeu a vergonha de mostrar seus personagens tal qual eles são nos quadrinhos. No universo desenvolvido pelo diretor James Gunn, além de guaxinins bacanudos e todo o tipo de alienígenas coloridos, temos um protagonista que é personificação do inconvencional. Peter Quill (Chris Pratt), o Star Lord, é o anti-herói por excelência, um cara que coloca uma missão em risco para resgatar um walkman (ele tem um walkman!) e que, após uma ação heróica, profere um dos discursos mais canastrões de que se tem notícia. Ao lado dos igualmente inconvencionais e excêntricos Groot (voz e cérebro do Vin Diesel), Rocket, Gomorra (a musa nerd Zoe Saldana) e Drax (Dave Bautista), Peter viaja pela galáxia tentando vender um cobiçado objeto que ele roubou de um planeta longínquo. Enquanto eles escapam de prisões espaciais e tentam negociar com o Colecionador (Benicio del Toro), arma-se uma guerra entre o conquistador Ronan (Lee Pace) e o povo de Nova.

Guardiões da Galáxia - Cena 4Guardiões da Galáxia é composto de 3 impressionantes cenas de ação (fuga da prisão, invasão da estação Knowhere e batalha aérea do Planeta Nova) e muitas, muitas piadas. Não há dúvidas que o vasto vocabulário do Groot e o humor ácido do Rocket sejam o que há de melhor por aqui, mas o filme também agrada pela atenção dada aos detalhes. Fora a trilha sonora repleta daqueles clássicos trash das décadas de 70/80 que tanto amamos, o diretor recheou o longa de referências e ganchos para outras produções da Marvel. O Thanos, que até agora havia feito apenas uma ponta no Os Vingadores, aparece em toda sua magnificência (felizmente, com sua roupa dourada e queixo largo, tal qual deve ser) e, acreditem, será preciso ver o filme mais de uma vez para conseguir apreciar toda a beleza do estoque do Colecionador.

Guardiões da Galáxia - Cena 5Infelizmente, a produção não escapa de alguns clichês do gênero, as já comentadas “fórmulas” que a Marvel tem trabalhado nos últimos anos. Nisso, esperem pelos inevitáveis diálogos excessivamente didáticos, personagens que “morrem” só para reaparecerem vivos na cena seguinte e, claro, o maior lugar comum do cinema de ação contemporâneo: alguém dependurado em um abismo após uma batalha. Resta-nos ignorar essas repetições, apreciar o desfecho incomum da relação entre o Star Lord e a Gomorra e celebrar o “escancaramento” que a Marvel faz de seu universo com Guardiões da Galáxia que, além de ser um filme divertidíssimo, merece ser venerado por apresentar o épico Rocket e por resgatar para essa geração o Howard, o Pato imoral e transante daquele clássico injustiçado da Sessão da Tarde.

Guardiões da Galáxia - Cena

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