Eclipse Total (1995)

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Eclipse TotalBonsoir, me llamo Lucian and I want to tell you something: ARGH!!! Tenho tentado postar pelo menos uma vez por semana, mas até mesmo isso tem sido praticamente impossível com a proximidade do fim do semestre. Acreditem, estudar três línguas estrangeiras simultaneamente é coisa do demônio. É engraçado pensar, no entanto, que da mesma forma que eu não tenho encontrado tempo para ver filmes e escrever sobre eles, eu também nunca não tive tantas chances para falar sobre o assunto. Tanto durante as aulas quanto nas conversas de corredor, sempre surge alguma oportunidade para conversar com alguém sobre cinema. Em uma dessas conversas, falávamos sobre o Stephen King e as adaptações de suas obras quando, após eu declarar o meu amor pelo Louca Obsessão (que é um dos meus suspenses favoritos), uma amiga perguntou se eu conhecia o Eclipse Total. “Óbvio que não”, pensei acreditando que tratava-se de um filme de ação genérico qualquer estrelado pelo Vin Diesel. Paciente que é, a moça me explicou do que se tratava e agora cá estou eu, feito o cão arrependido, reconhecendo a minha ignorância, repassando a dica e, ALELUIA (!!!), atualizando o blog.

Como os mais antenados já devem ter desconfiado, Eclipse Total surgiu na conversa porque, além de ser baseado em um livro do King (Dolores Claiborne), ele, tal qual o o Louca Obsessão,  também é protagonizado pela Kathy Bates. Aqui a atriz deixa de quebrar os tornozelos alheios para viver Dolores, uma mulher amarga que passou boa parte da vida cuidando da saúde e dos caprichos da megera Vera Donovan (Judy Parfitt). Na cena de abertura, após uma rápida e confusa discussão entre as personagens, vemos Vera bater as botas após cair escada abaixo. Dolores, que é encontrada em estado de pânico ao lado do corpo, é acusada de assassinato pelo xerife local (Christopher Plummer). Aparentando indiferença para com a sentença, a personagem recebe a inesperada ajuda de Selena (Jennifer Jason Leigh), filha com a qual ela não falava há um bom tempo.

Eclipse Total - Cena“Às vezes, um acidente pode ser o melhor amigo de uma mulher infeliz”, diz o poster do filme. Qual acidente? O da escada ou algo acontecido antes do início da narrativa? Por que, alías, Dolores Claiborne é uma mulher infeliz? Eclipse Total é um desses suspenses que jogam com a capacidade do espectador de enxergar além do óbvio. A nossa primeira impressão, contaminada pela imagem da Bates apontando um rolo de macarrão contra a sua empregadora (e associando-a ainda a personagem do Louca Obsessão), é a de que Dolores é uma menina má que precisa ser punida pelos rigores da lei. Aos poucos, porém, vamos vendo que o tal do buraco é bem mais embaixo: evocando ainda o tema feminista de outro filme da atriz, o clássico Tomates Verdes Fritos, Eclipse Total conta a história de uma mulher que perdeu tudo nas mãos de um homem ruim. Dolores, que trabalhava com o único intuito de guardar dinheiro para que a filha pudesse ir para a faculdade, foi roubada, humilhada e maltratada física e psicologicamente pelo marido, um sujeito que contém todos os estereótipos possíveis da podridão masculina. O evento que deixou-a livre do sujeito, o tal “acidente amigo”, influencia diretamente a forma como, anos depois, a investigação da morte de Vera Donovan será conduzida.

M8DDOCL EC002Assim como em tantas outras obras do King, como o já citado Louca Obsessão, O Nevoeiro, O Iluminado e o Tempestade do Século, há aqui um evento meteorológico/astronômico em curso que terá uma participação decisiva no desenrolar dos eventos da trama. No caso, como o bizarro título nacional denuncia, trata-se de um eclipse solar, evento que marca dois momentos chaves na vida da pobre Dolores. A impressão que eu tenho, ainda que equivocada, é que o escritor faz uso dessas forças da natureza para mostrar todo o poder imparcial e frio que o acaso exerce sobre nossas vidas e como situações de exceção são capazes de trazer o que há de melhor ou de pior dentro de cada um de nós. No caso de Dolores, a sensação de redenção que a personagem experimenta na escuridão só pode ser comparada em intensidade com o prazer que nós temos ao ver o marido dela atingir o fundo do poço. Literalmente.

Eclipse Total - Cena 4É difícil explicar, mas alguns filmes de suspense tem uma espécie de “clima”, uma combinação perfeita de músicas ambientes, fotografia e atuações que nos jogam para dentro da história, fazendo com que sintamos aquilo que os personagens sentem e vejamos aquilo que eles veem. Eclipse Total é assim. Conduzida pelo diretor Taylor Hackford (de O Advogado do Diabo), a trama, que é contada com o uso esperto de flashbacks que vão revelando aos poucos o passado sombrio de Dolores, nos convida a formular hipóteses sobre o que de fato aconteceu entre a personagem e o marido (e também entre ela e Vera) e, ao apresentar o tão esperado desfecho, não decepciona com soluções formulaicas. O final, aliás, devido a polêmica envolvida, certamente será algo do qual tu irá lembra-se quando pensar no filme. A Kathy Bates também está demoniacamente inesquecível.

Agradeço publicamente a amiga pela dica do filme, compartilho com vocês a indicação desse ótimo suspense e prometo (torcendo muito para que eu consiga cumprir a promessa rs) retornar antes do fim da semana para postar a resenha do Guardiões da Galáxia. Au revoir, mis amigos, see ya!

Eclipse Total - Cena 2

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