Em Transe (2013)

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Em TranseNesse texto, comentarei sobre algumas experiências pessoais que tenho relacionadas ao tema do filme, a psicologia. Falarei ainda sobre seu engenhoso roteiro, uma espécie de “quebra-cabeças” no melhor estilo A Origem. Começo, no entanto, por aquilo que é inquestionavelmente o ponto forte de Em Transe, uma cena, verdadeiro presente dos deuses cinematográficos, que nunca mais será esquecida pelo autor desse blog. Como trata-se de um revelação sobre o roteiro, coloco antes o alerta de SPOILER e, aviso dado, compartilho com vocês o meu êxtase pelo vislumbre do corpo nú da Rosario Dawson. Eu, apaixonado que sou pela cor de pele morena (tanto que, há 6 meses, coloquei uma aliança dourada no dedo da mão esquerda de uma bela representante da raça), já havia reparado nas curvas da atriz desde o Alexandre, longa onde ela exibe toda a exuberância de suas glândulas mamárias para um desinteressado Colin Farrell que, imperdoavelmente, preferiu continuar pensando nas partes baixas do Jared Leto. Cada um, cada um. O fato é que, após o filme do Oliver Stone, passei a relacionar a Rosario dentre as mais belas beldades de Hollywood e foi com o entusiasmo de um criança que ganha exatamente aquilo que pediu para o Papai Noel que eu assisti a cena onde o Simon, personagem do James McAvoy, observa-a adentrar o recinto logo após… (respira, concentra, recorda, agradece e descreve) depilar a pepeca. APARECE A PEPECA DELA, CARAS, LISINHA! Foi lindo, mágico e perturbador. Não acreditando no que vi, voltei a cena várias vezes, acabei com paciência da minha tolerante esposa e quase precisei dormir no sofá. Todo caso, dormi feliz e, mesmo sabendo que ele nunca lerá isso aqui, dirijo-me agora especificamente ao Danny Boyle, com Caps Lock e tudo, para dizer-lhe: OBRIGADO, CARA!

Tributo pago as morenas, hormônios controlados, digo-lhes que Em Transe, com ou sem pelos pubianos, é um filmão, um desses trabalhos que, além de ser prazeroso (com ou sem trocadilhos) comentar, é muito bacana ajudar a divulgar e tornar mais conhecido. Digo isso porque, se não me falha a memória, por aqui o filme só ficou uma semana em cartaz e muita gente, inclusive eu, não teve a oportunidade de assistí-lo no cinema. Reparemos, pois, esta falha enaltecendo-o tal qual ele merece.

Em Transe - Cena 2Simon (McAvoy) trabalha em um local onde objetos de arte caríssimos são leiloados. Um dia, durante a venda de um quadro estimado em 25 milhões de dólares, assaltantes invadem o leilão e Simon, responsável pela segurança das peças, tenta escapar do local levando o quadro consigo. Interceptado por Franck (Vincent Cassel), um dos assaltantes, o personagem recebe uma tremenda pancada na cabeça e é enviado para o hospital. Posteriormente, descobre-se que o tal quadro desaparecera e que Simon, que também estava envolvido no esquema do roubo, era o único que sabia o paradeiro da peça. O problema é que, devido ao golpe que recebeu do ladrão, ele esqueceu onde o escondeu. Para recuperar a memória e, posteriormente, o objeto do roubo, Simon é forçado por Franck e seus capangas a consultar uma técnica em hipnose, a Dra. Elizabeth (Rosario Dawson).

Trance-movie-imageComo convivo há um bom tempo com vários psicólogos, não possuo o tal preconceito que muita gente confessadamente nutre contra a profissão. Em outras palavras, não acho que “psicólogo é coisa de doido”. Já relatei aqui vários dos problemas, ansiedades e frustrações que carrego comigo e, visto que não consegui superá-los sozinho, procurei um profissional para contar minhas chorumelas. O que eu tenho percebido é que falar abertamente com alguém sobre as coisas que nos incomodam, de fato, nos ajuda a reorganizar nossos pensamentos. Também é verdade que, por estarmos ali dispostos a reavaliar nossos comportamentos, podemos facilmente ser induzidos a acreditar em algo sobre nós mesmos ou sobre qualquer outro tema. Em outras palavras, a possibilidade de um especialista inserir uma idéia na mente alheia, teoria que é muitíssimo bem explorada no já citado A Origem, não é somente ficção.

Em Transe - Cena 5A vida de Simon depende de ele conseguir lembrar-se do paradeiro da obra de arte. Elizabeth utiliza a técnica da hipnose para fazê-lo recordar-se do local onde o quadro foi escondido, mas durante as sessões começamos a perceber que, junto com as memórias desejadas, Simon também está recobrando alguns detalhes de seu passado, qualquer coisa ligada a um vício com jogo, que a trama até então não havia explorado. Chega um momento em que, inevitavelmente, começamos a nos perguntar se aquilo que estamos vendo é, de fato, o que aconteceu ou se tudo não passa de um mundo imaginário que Elizabeth, com sua técnica e sugestões, criou dentro da mente de Simon.

Em Transe - CenaEu, que não sabia da cena da Rosario comentada no primeiro parágrafo, peguei esse filme para assistir pela admiração que nutro pelo trabalho do Danny Boyle. Desde que vi o Trainspotting, associo o nome do diretor a edição inovadora, diálogos rápidos e cenas de violência memoráveis (ainda hoje o insano Begbie é um dos meus personagens favoritos e, claro, não podemos esquecer aqui a conclusão macabra do 127 Horas). Além de trazer uma reedição da ‘cena do extintor’ mostrada no Irreversível, referência ao trabalho do Cassel (que aqui interpreta o Franck) e homenagem a um dos momentos mais macabros do cinema recente voltado para o público adulto, Em Transe conta com um desses roteiros que jogam com nossas mentes e nos confundem o máximo possível antes da “verdade” ser revelada e explicada (sutilmente, sem entregar tudo mastigado) em um final surpreendente. Entre o início misterioso e esse desfecho empolgante, Boyle nos entretêm com uma ótima fotografia (outra característica de seus trabalhos), uma trilha sonora envolvente composta basicamente por músicas eletrônicas, cenas inesperadas (nudez da Dawson), engraçadas (morango!) e violentas (calculem aí a dor provocada por um tiro no bilau) e, de quebra, oferece outra oportunidade para o James McAvoy demonstrar o porque de ele ser um dos atores mais promissores trabalhando atualmente em Hollywood. Não tenham dúvidas de que, por mais que tenha sido pouco comentado, Em Transe é um dos melhores filmes americanos do ano passado.

Sugestão para o Danny Boyle: Zoe Saldana

Presente para o leitor tarado preguiçoso: Alegria!

Declaração para a minha esposa: Te amo! rs

Em Transe - Cena 3

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