O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro (2014)

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O Espetacular Homem-Aranha 2- A Ameaça de ElectroEm 2012, quando o O Espetacular Homem-Aranha estreou, eu tive a minha primeira “crise” com o blog. Naquela oportunidade, longe de casa e atarefado com os estudos diários de um curso de formação que parecia não terminar nunca, questionei-me sobre a validade/necessidade de resenhar todos os filmes que eu assistia. Entre outras coisas – pensei então -, abandonar a escrita me permitira conferir uma quantidade significativamente maior de títulos. Fiquei alguns dias afastado daqui, repensei minhas prioridades e cheguei a conclusão de que essa questão não poderia ser julgada quantitativamente. Sou apaixonado por cinema e me realizo quando assisto e comento filmes. Se o preço à ser pago por essa paixão é abrir mão de ver 10 longas por semana (como eu conseguia fazer no início), tudo bem, opto feliz por um ritmo mais moroso que me permite apreciar, pensar e registrar cada um dos filmes que escolho para ver. Escolhas, no final das contas, demandam exatamente isso aí: abrir mão de algo.

No primeiro filme, Peter Parker (Andrew Garfield) também foi confrontado com um dilema que lhe obrigou a tomar uma decisão. Picado por uma aranha geneticamente modificada, Peter ganhou super-poderes que permitiram-no fazer frente a vilões como o Lagarto mas, ao mesmo tempo, ele colocou em risco a vida daqueles que o conheciam. Ferido mortalmente no combate contra o monstro em que o Dr. Curt Connors transformou-se, o Capitão Stacy pediu a Peter que se afastasse de sua filha, Gwen Stacy (Emma Stone), para que ela também não fosse vítima de algum inimigo do Homem-Aranha. O tempo passou, o herói caiu nas graças dos cidadãos de NY e, apesar de martirizar-se constantemente devido as últimas palavras do Capitão, Peter não conseguiu abrir mão de seu relacionamento com Gwen. É então que dois eventos, ambos ligados a Oscorp, farão o personagem confrontar novos vilões e, com isso, todo o peso de suas escolhas: Harry (Dane DeHaan) assume o controle da empresa devido a morte de seu pai, Norman Osborn, e Max Dillon (Jamie Foxx) um tímido e inteligente funcionário da Oscorp, vê seu corpo transformar-se em energia pura após cair em um tanque repleto de enguias elétricas geneticamente modificadas.

O Espetacular Homem-Aranha 2 - A Ameça de Electro - CenaNão gostei do primeiro filme do Marc Webb. Os diálogos são bons e, ao meu ver, o diretor foi feliz na construção de um Peter Parker mais novo e fanfarrão, porém as sequências de ação, ponto forte dos filmes do Sam Raimi, deixaram muito a desejar. Gosto de algumas cenas, como quando o herói monta uma armadilha de teias no esgoto para capturar o Lagarto (que, nunca é demais ressaltar, ficou com um visual HORRÍVEL) e também quando ele salva o menininho na ponte, mas o clímax do longa é ruim e, no geral, ficou a dúvida incômoda de que o reboot não era lá tão necessário. A Ameaça de Electro não é o filme definitivo para essa nova abordagem do personagem como o Homem Aranha 2 o foi para a franquia anterior mas, mesmo com todos os problemas que podem e devem ser atribuídos a ele, há motivos para os fãs ficarem esperançosos.

Novamente, Webb fez um ótimo trabalho com o Peter Parker longe do uniforme. Assombrado pelo pedido do Capitão Stacy, ele não consegue ser feliz com Gwen, sentindo-se culpado sempre que está ao lado dela. A questão do “grandes poderes trazem grandes responsabilidade”, cara à série e que no filme anterior apareceu na cena da quadra de basquete e no discurso memorável do Tio Ben, ganha aqui um novo capítulo. Peter SABE que, enquanto ele for o Homem Aranha, a vida de Gwen corre perigo, porém ele não está disposto a abrir mão nem dela nem de seus poderes e identidade secreta. Ao evitar escolher, ele dá início indiretamente a uma série de eventos trágicos que o farão enfrentar as consequências de seus atos. Webb joga Peter no olho do furacão e nos mostra, através de uma cena desoladora que os fãs da HQ já esperavam, que não é possível ter tudo na vida.

O Espetacular Homem-Aranha 2 - A Ameça de Electro - Cena 5Comparado ao seu antecessor, no entanto, A Ameaça de Electro destaca-se mesmo é pelos efeitos visuais e sequências de ação. Webb aprendeu bastante com sua experiência anterior e criou um filme onde dificilmente ficamos mais de 15min sem presenciar alguma correria frenética. Os conflitos internos e familiares de Peter continuam sendo a mola propulsora da trama, mas o próprio cartão de visitas do longa é uma perseguição fantástica, que introduz o russo Aleksei Sytsevich, futuro Rino (Paul Giamatti, irreconhecível), na qual o diretor já demonstra um novo senso de ação, casando muitíssimo bem o humor “rápido” que ele introduziu na franquia com cenas de ação inventivas nas quais destacam-se principalmente as coreografias e os ângulos inventivos. Merecidamente, devido a seus desdobramentos, a cena mais lembrada do longa será o confronto entre o Homem Aranha e o Duende Verde (do qual eu também condeno o visual, mas aprovo a atuação doentia do DeHaan), mas a minha favorita é o despertar, por assim dizer, do Electro. Ainda que o talento do Jamie Foxx tenha acrescentado pouco ao filme, é sensacional vê-lo berrando bem no centro de NY contra aquelas pessoas que, até então (por seus atos bondosos e inteligência), nunca haviam notado-o. Utilizando seus novos poderes, o vilão absorve uma gigantesca quantidade de energia e usa-a para atacar a população e seu ex-ídolo, um Homem Aranha que precisa rebolar como nunca para salvar os presentes.  A cena traz o que há de melhor atualmente no uso da tecnologia 3D e os ângulos escolhidos por Webb nos colocam praticamente juntos do herói, o que garante ao espectador uma visão empolgante dos eventos. Somemos a essa passagem as tradicionais escaladas do personagem pelos prédios da cidade, que por vezes são feitas usando câmeras em primeira pessoa, e o Webb recebe um merecido 10 no quesito ação.

O Espetacular Homem-Aranha 2 - A Ameça de Electro - Cena 2Sobre os problemas que eu citei anteriormente como pontos que comprometem o longa, infelizmente há alguns exageros que não consegui deixar de lado. Na cena final, por exemplo, um clímax onde a pancadaria rola solta entre o Aranha, Electro e Duende Verde, Webb não resistiu a tentação de aumentar o potencial dramático do momento envolvendo ali a segurança dos pobres e inocentes cidadãos americanos. Duas aeronaves em rota de colisão passam então a preocupar os controladores de voo que, sem comunicação com as mesmas devido a falta de energia provocada por Electro, desesperam-se diante da possibilidade do impacto. A questão aqui nem é ser pedante (devido ao conhecimento que possuo da profissão por também ser controlador) e dizer que a cena é improvável pois tudo aquilo poderia ser evitado sem stress com a utilização do TCAS (sistema anti-colisão) que não depende de nenhum equipamento energizado em solo, mas sim ver que o recurso, um clichê dentro do gênero, diminui o tempo em tela da pancadaria entre o herói e os vilões. No fim das contas, fica-se a impressão de que a tal “ameaça” do Electro foi vencida rápida demais.

O Espetacular Homem-Aranha 2 - A Ameça de Electro - Cena 3Cito ainda como problema o excesso de personagens. Gosto da idéia de que o Webb esteja ampliando na tela o vasto universo do Homem Aranha e sei que, em determinados episódios da HQ, o herói chegou a enfrentar todos os seus inimigos simultaneamente, mas não fiquei confortável com o fato do Rino ter sido utilizado (descartado?) em uma cena rápida de um filme onde 2 vilões (3, se considerarmos a Gata Negra) já haviam dado as caras. A tal cena, aliás, apesar de apresentar um desfecho “filosófico” adequado para a questão das escolhas que Peter precisa tomar para amadurecer, fecha o filme abruptamente e passa aquela sensação, poucas vezes agradável, de “É isso aí? Acabou?”. Concluindo, A Ameaça de Electro corrige alguns erros de seu antecessor e é um blockbuster divertidão, daqueles que ficam melhor ainda em uma sala repleta de recursos de áudio e imagem. O “sentido-aranha” fica ligado por conta de Webb apostar em um caminho que não deu certo em outros longas (Homem Aranha 3 e X-Men 3, para citar apenas algumas produções que abusaram do excesso de personagens) mas, considerando o quanto ele progrediu enquanto diretor do primeiro filme para esse, acredito que temos mais motivos para sermos otimistas do que para ficarmos preocupados com a sequência que, naturalmente, deverá ser lançada em um futuro próximo.

O Espetacular Homem-Aranha 2 - A Ameça de Electro - Cena 4

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  1. Não assisti ainda. Estava receoso que com o excesso de personagens, eles ficassem muito rasos, mas como disse na resenha, ainda a esperança para o Spidey. Vou conferir mais essa!

  2. Pingback: Ajuste de Contas (2013) | Já viu esse?

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