RoboCop (2014)

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RoboCopAcabei de perceber que passei mais de 2 meses sem ir no cinema! Logo depois do A Desolação do Smaug eu já comecei a assistir os filmes do Oscar e, como a maioria deles não chegou nas salas daqui, fiquei um bom tempo em casa aproveitando os confortos da minha TV nova rs. Com a cobertura da cerimônia praticamente encerrada (Vidas ao Vento, Omar e A Imagem que Falta ainda não estão disponíveis; se der tempo, pretendo ver outros dois filmes que concorrem a prêmios técnicos), retornei ontem ao Cinemark para ver o novo RoboCop, remake do brasileiro José Padilha para o clássico cult de 1987 do Paul Verhoeven. Antes de comentar o filme, deixo registrada aqui a minha insatisfação com a empresa, que vende um cartão que lhe permite pagar meia entrada durante um ano mas suspende esse benefício durante as férias. Pelo que a funcionária da bilheteria disse, o tal desconto está suspenso desde dezembro do ano passado. Que beleza!

Conheço poucas pessoas da minha idade que não viram os RoboCop‘s originais. A Globo reprisava bastante os filmes e até mesmo um desenho baseado no personagem foi exibido nos programas (pasmem) infantis da emissora. Quando eu tinha uns 10 anos, era praticamente normal tu comer uma macarronada no domingo e depois sentar em frente a TV para ver o detetive Alex Murphy ser despedaçado por bandidos sádicos. Os anos passaram, os Teletubbies, Yudi Playstation e semelhantes corromperam uma geração inteira e, por conta disso, todos os brucutus nascidos na década de 80 certamente torceram o nariz quando as primeiras notícias sobre esse remake pipocaram. Eu mesmo me perguntei como encaixariam a refilmagem de um dos filmes mais violentos já feitos dentro de uma classificação PG-13. A notícia de que o diretor do igualmente violento Tropa de Elite comandaria a produção, animadora no princípio, transformou-se em outro motivo de preocupação quando Padilha veio a público dizer que estava insatisfeito com seu debut em Hollywood justamente porque os produtores insistiam que o filme deveria visar o público adolescente. Pouco tempo depois, os primeiros trailers começaram a sair, os fãs da série praguejaram contra a mudança do visual do personagem e o clima de desconfiança aumentou. Pois bem, RoboCop estreou na última sexta-feira e, pelos resenhas que eu andei lendo, é possível perceber que a galera ficou bastante divida sobre o que viu. Aqui, tu lerá a opinião de alguém que, mesmo com algumas críticas, saiu bastante satisfeito da sala de cinema.

RoboCop - Cena 5No ano de 2028, a multinacional americana OmniCorp vende seus robôs patrulheiros para vários países do mundo, porém a opinião pública e uma lei criada por um senador impedem que a empresa comercialize seus produtos nos EUA. Nesse cenário, Raymond Sellars (Michael Keaton), presidente da OmniCorp, procura uma forma de tornar sua tecnologia mais atrativa e confiável para o público, que teme as consequências de entregar sua liberdade e segurança nas mãos de máquinas incapazes de compreender a complexidade humana. A oportunidade de Sellars surge quando o detetive Alex Murphy (Joel Kinnaman) sofre um atentado por tentar prender policiais corruptos. Com a ajuda do trabalho do Dr. Dennett Norton (Gary Oldman), a OmniCorp reconstrói o corpo mutilado de Murphy e o transformam no RoboCop, um robô que possui toda a tecnologia dos outros patrulheiros da empresa porém, devido ao cérebro quase intacto do detetive, é capaz de sentir emoções e tomar decisões tipicamente humanas. O que não é revelado para o público é que, devido ao excesso de medicamentos, Murphy transformou-se praticamente em um zumbi que faz, tal qual os outros robôs da empresa, tudo aquilo que Sellars e o Dr. Norton programam-no para fazer.

RoboCop - CenaNo tocante à violência, não há comparação justa entre o remake e o filme de 1987 ou até mesmo ao Tropa de Elite. Há mais sangue em Parque dos Dinossauros do que no RoboCop de Padilha e, mesmo que o filme possua boas e longas cenas de ação, Murphy mata a maioria dos bandidos com disparos “politicamente corretos” no peito, nada de tiros no rosto “que estragam o velório” ou no saco por aqui. Sinal dos tempos e símbolo dessa “suavização”, até mesmo o acidente que brutal que iniciava a história foi readaptado para um atentado à bomba. Sinceramente, não gostei do novo visual “preto tático” do personagem e achei deslocada a execução da Hocus Pocus do Focus na cena onde o personagem testa suas novas habilidades. Também poderiam ter gastado um ou dois minutos extras entre a última cena de ação e o fim do filme para explicarem algumas coisas envolvendo o Sellars e a OmniCorp, assim como o Padilha poderia já ter desistido daquela câmera de mão irritante que treme até mesmo em cenas onde os personagens estão apenas conversando. O novo RoboCop poderia sim ter sido melhor, mas ainda assim acredito que há mais motivos para comemorar do que para reclamar.

RoboCop - Cena 2Provavelmente, nunca saberemos o que o Padilha realmente poderia ter feito com o roteiro. Em uma carta escrita para o também diretor Fernando Meirelles, ele teria dito que “9 entre 10 idéias que ele apresentava para os produtores eram descartadas”. Sabemos que alguém que discutiu segurança e corrupção como ele fez nos filmes do Capitão Nascimento certamente também poderia ter feito algo grandioso no mundo das megacorporações do RoboCop, mas o que se vê aqui não é de forma alguma superficial. Enquanto Dennet enfrenta questões morais complexas envolvendo sua criação, como a ética profissional e o livre arbítrio (Murphy é ou não é livre? É o homem ou a máquina que está no comando?), Sellars é o típico personagem que o Padilha expôs em Tropa de Elite, um empresário com ligações no governo que discursa sobre segurança mas que, na verdade, só visa o lucro. Alterando algumas palavras, a frase “A polícia não trabalha para resolver os problemas da sociedade. A polícia trabalha para resolver os problemas da polícia” poderiaser o lema pessoal de Sellars. Aproveitando algo que ele fez no Tropa de Elite 2, Padilha investe ainda contra o jornalismo parcial e sensacionalista que garante a audiência de títulos como Balanço Geral, dando ao Samuel L. Jackson o papel de âncora no tosco e divertido The Novak Element, um programa que incita a população a enxergar a complicada questão dos robôs de forma unilateral, como vemos na engraçada cena onde o Senador que argumentava contra Sellars tem sua voz sumariamente cortada.

RoboCop - Cena 3O nostálgico ED209 está de volta, o ótimo Jackie Earle Haley é tão bom quanto o saudoso Kurtwood Smith e até mesmo o “barulhinho de engrenagens” que fazia quando o personagem movimentava-se foi mantido. O RoboCop é parcialmente destruído, dá voz de prisão e sofre quando olha para sua mulher sabendo que falta “algo” entre eles, tudo como deve ser. Há Hocus Pocus mas também há Fly Me To The Moon do Sinatra e a questão sobre o preço alto que deveríamos pagar pela nossa segurança permanece polêmica. RoboCop é um ótimo filme de ação cujos poucos defeitos residem basicamente na comparação com seu antecessor, que é simplesmente um dos filmes mais importantes já feitos dentro do gênero, e no castramento de um diretor que poderia sim ter oferecido muito mais.

RoboCop - Cena 4

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