A Menina que Roubava Livros (2013)

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A Menina que Roubava LivrosTerminado o esforço inicial de assistir os principais indicados ao Oscar de 2014, passo agora a avaliação de filmes que também estarão presentes na cerimônia porém concorrendo a prêmios secundários. A Menina que Roubava Livros, adaptação do diretor Brian Percival para o bestseller do escritor Makus Zusak, está indicado na categoria de Melhor Trilha Sonora devido ao trabalho do incansável John Williams, que já levou o prêmio 5 vezes e esse ano acumula sua 34° indicação.

Liesel Meminger (Sophie Nélisse) viu o irmãozinho morrer doente e pouco tempo depois foi enviada pela mãe para a adoção. Hans (Geoffrey Rush) e Rosa Hubermann (Emily Watson), o casal que a recebe em uma pequena cidade da Alemanha, tentam dar-lhe carinho e proteção em uma sociedade que está prestes a entrar em guerra. Tendo como único amigo Rudy, um menino apaixonado por corridas, Liesel passa a maior parte do tempo brincando e aprendendo a ler com o pai adotivo, atividades inocentes que contrastam significativamente com o clima de terror e perseguição que começa a tomar conta do país.

Narrar a 2ª Guerra Mundial através dos olhos de uma criança não é exatamente o grande atrativo de A Menina que Roubava Livros, já que filmes como O Menino do Pijama Listrado já utilizaram o mesmo recurso (e com maior carga dramática) anteriormente. O que há de mais bacana aqui, ao meu ver, é a presença de um ilustríssimo narrador: a história que vemos é contada pela própria Morte, cujo vozeirão incrivelmente calmo abre o filme com um diálogo sobre sua inevitabilidade. Personificada e feliz com a imagem que fazemos dela, com um capuz e um cutelo, ela/ele nos conta como conheceu Liesel e o porque da menina a/o ter cativado tanto.

A Menina que Roubava Livros - Cena 4No enterro do irmão, a protagonista rouba um livro que o coveiro deixa cair. Mesmo sem saber ler, a garota cuida dele como se fosse uma espécie de tesouro. Mais tarde, Hans nota o objeto e decide utilizá-lo para aproximar-se da menina que, compreensivelmente, encontrava-se retraída. Ele ensina-a a ler e então a amizade e a confiança entre os dois cresce bastante. Liesel passa a roubar livros (ou pegá-los emprestados, como ela diz) sempre que tem oportunidade e utiliza as palavras e histórias que aprende neles para animar todos a sua volta, inclusive Max, um judeu que Hans ajuda a esconder em sua casa e pelo qual ela desenvolve um forte afeto.

A Menina que Roubava Livros - Cena 3Não é difícil entender o motivo da própria Morte ter afeiçoado-se a Liesel. Ao contrário de um garotinho detestável que xinga-a de “burra” no começo da trama, ela é uma dessas meninas das quais qualquer um gostaria de ser pai. Mesmo tendo passado por eventos traumatizantes, a personagem consegue manter-se carinhosa, compreensiva, aventureira e, acima de tudo, apaixonada por livros. Méritos do escritor/diretor, esse excesso de qualidades não transformam-na em uma dessas crianças sobre-humanas irritáveis que frequentam os palcos de programas de talento na TV: Liesel sabe trapacear, xingar e não evita uma briga quando necessário.

A Menina que Roubava Livros - Cena 2À seu favor, A Menina que Roubava Livros conta com personagens que inspiram bons sentimentos (Geoffrey Rush também está adorável), a qualidade inquestionável da música do John Williams e um final que, apoiado na narração já comentada, consegue emocionar pela perspectiva inusual que faz da morte. Infelizmente, há alguns contras que pesam para que a sessão não seja de todo agradável. Como não conheço o livro, não tenho condições de identificar se alguns problemas da trama vêm dele ou da adaptação, mas é notável que algumas coisas poderiam ter sido melhor explicadas. Eventos chave para a história, como os motivos da mãe de Liesel tê-la enviado para adoção e, principalmente, o que acontece com Max até o momento onde ele ressurge na após os ataques aéreos poderiam ter recebido um pouco mais de atenção. O fato de personagens alemães falarem inglês, por mais compreensível que isso seja em uma produção hollywoodiana, também incomoda.

A Menina que Roubava Livros não é o filme para quem espera algo cinematograficamente novo relacionado 2ª Guerra Mundial. O campo, que contêm vários e memoráveis títulos, é deveras ingrato para quem aventura-se nele atualmente e o filme, apesar de suas já descritas qualidades, não consegue superar a sensação ruim de que estamos vendo apenas “mais uma” história sobre a Alemanha nazista e suas mazelas.

A Menina que Roubava Livros - Cena

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  1. Nossa, fiquei muito afim de ver este filme. Mas já sei que vou me incomodar com esses atores falando inglês. Isso me deixa muito irritada e estou feliz de saber que não sou a única haha

    • É compreensível, mas nunca será bacana rs Visual legal, tio Geoffrey mandando muito bem e um final emocionante, mas o desenvolvimento do filme poderia ter recebido mais atenção.

  2. Estou ansioso para assistir esse filme, mas a faculdade não tá deixando… Quanto a mãe biológica da Liesel levá-la para adoção é por causa das péssimas condições de vida dela e dos filhos. A cena final do Max ressurgindo após os ataques também não tem explicação no livro.

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