Cortina Rasgada (1966)

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Cortina RasgadaO Globo de Ouro é este final de semana e dessa vez, diferentemente do que aconteceu no ano passado, eu não consegui assistir (muito menos resenhar) nem a metade dos indicados. Que vergonha, Lucian! Tentarei mudar essa situação lastimável para a cerimônia do Oscar, então vamos logo ao texto do último filme que eu assisti para, depois, começar a prazerosa tarefa de conferir os oscarizáveis.

Professor Michael Armstrong (Paul Newman, que aqui está a cara do Marlon Brando) é  um famosos físico norte-americano que, para a surpresa de todos, inclusive de Sarah (Julie Andrews), sua namorada, viaja para a hoje extinta Alemanha Oriental para oferecer seus conhecimentos científicos e trabalhar. Acusado de traição por seus compatriotas, o físico na verdade encontra-se em uma arriscada missão de espionagem para descobrir segredos nucleares do inimigo.

O título Cortina Rasgada, como o leitor antenado nos conhecimentos históricos deve ter desconfiado, refere-se ao antigo termo Cortina de Ferro criado para designar os limites de separação ideológicos e geográficos dos países europeus durante a Guerra Fria entre EUA e URSS. No meio desse conflito e com seu território dividido também pelo muro de Berlim, a Alemanha foi o cenário escolhido pelo roteirista Brian Moore para elaborar sua trama de espionagem internacional. A história agradou o diretor Alfred Hitchcock, que resolveu adaptá-la para o cinema. O filme, que além de ter compreensivelmente envelhecido mal devido a seu tema, hoje em dia é lembrado mais por suas histórias de bastidores do que pela qualidade que esperamos dos envolvidos.

Cortina Rasgada - Cena 3Hitchcock, que tentava emplacar um novo sucesso depois de Os Pássaros (Marnie, Confissões de uma Ladra não foi bem recebido pela crítica) declarou publicamente não ter ficado satisfeito com o resultado do trabalho. O roteiro foi reescrito várias vezes e a trilha sonora, que deveria ser conduzida por seu parceiro de longa data, o músico Bernard Herrmann (Psicose), foi substituída no meio da produção por pressão do estúdio e por desentendimento entre o diretor e o compositor, o que ainda pôs fim a parceria entre eles. Conta-se também que Hitchcock não queria trabalhar com Newman e Andrews devido a fama que os mesmos então gozavam, tendo solicitado, sem sucesso, atores menos conhecidos para seus respectivos papéis.

Cortina Rasgada - Cena 2Essas histórias/curiosidades figuram em qualquer texto sobre o filme, principalmente as que envolvem o Herrmann. Pouco fala-se sobre o filme e, para ser bastante sincero, não há muito mesmo para ser comentado. Ainda que trata-se de um filme do Hitchcock, o que por si só já nos faz assistí-lo com uma certa reverência e respeito, Cortina Rasgada é chato, moroso e, não raramente, confuso. Os dois grandes acontecimentos do roteiro (o roubo de uma fórmula secreta e a fuga posterior) confundem-se constantemente dentro de diálogos longos que rivalizam em tédio com a história de amor pouco ou nada atrativa entre os dois protagonistas que não demonstram nenhuma química juntos. A trilha sonora, além de ter transformado-se no ponto de conflito comentado, é um equívoco só, com temas acidentais, geralmente utilizados em cenas de ação/perigo, sendo tocados durante diálogos que não requerem tanta tensão, como fica bastante claro na cena do trator.

Cortina Rasgada - Cena 4Ainda que, no geral, Cortina Rasgada seja uma experiência maçante, há duas boas cenas que fazem com que a sessão não seja uma completa perda de tempo. A primeira e mais significativa é a briga que ocorre dentro da casinha da fazenda, uma luta brutal na qual, palavras do próprio Hitchcock, vemos o quão difícil é matar um homem. Não que haja muito sangue ou violência explícita envolvidos, mas o que é mostrado é o tipo de coisa que nos faz querer desviar os olhos da tela. Destaco também o momento chave onde a fórmula é roubada devido a engenhosidade do personagem do Paul Newman, uma bela cena onde a típica arrogância acadêmica é derrotada pela força da persuasão. Infelizmente, essas cenas perdem-se no meio de tantas outras ruins (a fuga no ônibus, por exemplo, é extremamente mal executada), o que faz de Cortina Rasgada um dos poucos pontos baixos que eu verifiquei até agora na filmografia do diretor.

Cortina Rasgada - Cena

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