Jogos Vorazes: Em Chamas (2013)

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Jogos Vorazes - Em ChamasCá estou eu, sentado na sala da minha casa nova, escrevendo para vocês pela primeira vez como um homem casado. Caras, eu não poderia estar mais feliz. Ainda tenho muitas coisas para organizar, um muro para construir e um monte de decisões para tomar, mas a minha festa de casamento foi ótima e a lua de mel não poderia ter sido melhor, de modo que estou bastante animado e com as energias renovadas para trabalhar, escrever e encarar seja lá o que for que a vida reservar para mim de hoje em diante.

E foi lá em Natal, na longínqua e quente capital do Rio Grande do Norte, que eu consegui um tempinho entre passeios em praias e cajueiros mutantes para assistir a sequência do badalado Jogos Vorazes. Relendo o meu texto sobre o primeiro filme, cheguei a duas conclusões: a primeira, óbvia, é que eu não me importei muito com ele, já que eu lembrava de pouquíssima coisa do roteiro, o que pode até ser interpretado pelos leitores como um toque de senilidade desse que vos escreve, mas que certamente também pode ser visto como um indicativo de que aquilo que foi mostrado não era lá grande coisa. A segunda conclusão refere-se a inquestionável qualidade da campanha de marketing da franquia. Não tenho a menor dúvida de que os leitores e fãs dos livros podem me contradizer facilmente, mas a impressão que eu tenho é a de que a série apareceu meio que do nada e transformou-se em um dos grandes blockbusters atuais principalmente graças a exibição maciça de trailers, tv spots e materiais de divulgação, como posters e banners próximos as salas de exibição. Falou-se tanto do primeiro filme que, como explicado na resenha do mesmo, eu senti quase que uma NECESSIDADE de assistí-lo. Com esse segundo não foi diferente: praticamente todas as estréias dos últimos meses exibiram o trailer de Em Chamas e desse vez o público brasileiro ainda foi seduzido com a idéia de poder assistí-lo antes de todo o mundo, já que o filme estreou primeiro por aqui. Seduzido ou apenas curioso para ver a sequência da história, lá fui eu, e o que vi foi o seguinte (vale lembrar que, por tratar-se de uma continuação, é deveras difícil criar uma sinopse sem dar **SPOILERS** do primeiro longa, ok?).

Jogos Vorazes - Em Chamas - Cena 2Tendo vencido a 74º edição do torneio Jogos Vorazes, Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence) e Peeta Mellark (Josh Hutcherson) transformaram-se em celebridades. A capital preparou uma longa e cara turnê onde eles seriam levados através de todos os distritos e exibidos como símbolos da possibilidade real de mobilidade social através dos jogos. O que as mentes por trás dessa turnê não previram é que Katniss e Peeta, longe de inspirarem conformismo, despertaram o desejo de revolução no povo trabalhador subjugado pelos mandos e desmandos da capital. Procurando recuperar o controle da situação e esmagar os focos de revolta, o Presidente Snow (Donald Sutherland) e Plutarch Heavensbee (Philip Seymour Hoffman) organizam uma nova versão dos jogos, que dessa vez será disputado pelos vencedores dos torneios anteriores. A intenção, confabulam, é mostrar que nem mesmo os campeões estão acima do poder da capital. Katniss e Peeta, novamente auxiliados por Haymitch (Woody Harrelson), voltam então para a arena de combate enquanto um conflito de proporções inimagináveis que decidirá o destino de todos arma-se nos bastidores do poder.

Jogos Vorazes - Em Chamas - Cena 4Novamente, temos a crítica social, o romance e as cenas de ação violentas como condutores do roteiro. Os reality shows e, de modo geral, os programas de TV sobre celebridades, não são poupados de uma apresentação ácida, propositalmente irônica e escandalosa, para reforçarem os argumentos contra o formato já apresentados no filme anterior. A relação de Katniss e Peeta, um embuste que fora fundamental para sua vitória no último jogo, evolui para uma espécie de triângulo amoroso, nada tão juvenil quanto visto anteriormente, mas certamente nada que tu já não tenha visto outras vezes. O que merece um comentário mais aprofundado em Em Chamas, por incrível que pareça, são suas cenas de ação.

Sim, eu havia esquecido de boa parte do roteiro de Jogos Vorazes, mas eu entrei no cinema curioso para ver se dariam prosseguimento ao banho de sangue mostrado no primeiro filme. Caras, mataram CRIANÇAS no debut da série, e isso definitivamente não é algo que vemos todos os dias no cinema hollywoodiano. O filme foi construído em cima de um monte de lugares comuns e clichês, dentre os quais encontramos a própria violência, mas é inegável que, quando finalmente os personagens encontram-se dentro daquela arena modernosa atirando uns contra os outros e fugindo de armadilhas naturais, o filme cresce bastante e oferece uma ótima experiência para os fãs de filmes de ação. Nesse quesito, Em Chamas decepciona bastante. Além de perder-se o fator novidade, uma vez que já havíamos visto Katniss e seu arco em ação anteriormente, percebe-se que o diretor Francis Lawrence (Eu Sou a Lenda e Constantine), por vontade própria ou pressão do estúdio (o mais provável), suavizou bastante as cenas de morte e de batalhas entre os concorrentes. Há pouquíssimo sangue na tela e a pancadaria é mostrada através de cortes rápidos que comprometem significativamente o impacto das cenas.

Jogos Vorazes - Em Chamas - Cena 3Há bons personagens aqui. A tal Katniss, interpretada com elegância pela lindíssima Jennifer Lawrence, por exemplo, foge do modelo tradicional de herói/ heroína ao não demonstrar interesse por causas maiores do que a segurança da própria família. Peeta, que após esse filme pode receber a alcunha de imortal, é incrivelmente chato, mas ainda assim é bacana ver a força de vontade dele. O que a série, que, diga-se de passagem, é a melhor que surgiu na esteira do Crepúsculo (o que não chega a ser um grande elogio), precisa para decolar de vez é um filme que aproveite mais o contexto de exploração social que dá as bases da história e, claro, a volta da violência explicitamente gráfica (e real) mostrada no primeiro longa. Pela raiva que podemos ver nos olhos de Katniss em uma das últimas cenas de Em Chamas, temos motivos suficientes para acreditar que a revolução prometida para o próximo capítulo nos trará algo do tipo.

The Hunger Games: Catching Fire (2013)

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  1. Entendo que Jogos Vorazes seja uma crítica ao uso da violência como forma de entretenimento/controle, e, por essa razão, acho perfeitamente coerente que optem por não mostrar explicitamente as mortes violentas. Gosto de vários filmes violentos (como Batalha Real, a versão gore de Jogos Vorazes), mas acredito que a proposta e o público alvo de JV sejam outros.

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