Wolverine: Imortal (2013)

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Wolverine - ImortalMesmo considerando X-Men Origens: Wolverine um dos piores filmes de super-heróis já feitos, fiquei deveras empolgado quando os primeiros boatos sobre o novo longa do personagem começaram a circular. Segundo constava, o roteiro seria baseado em uma história sombria desenhada pelo Frank Miller e o Darren Aronofsky (Cisne Negro, Fonta da Vida) estaria negociando sua participação no projeto. “Será que o sucesso da trilogia do Cavaleiro das Trevas abriu os olhos dos produtores e provou que também há público para filmes de super heróis com uma pegada mais adulta?”, perguntei-me no ápice da inocência e da esperança de ver o mais carismático de todos os X-Men finalmente recebendo o devido tratamento nas telas.

Todos sabemos que mudanças são necessárias no processo de adaptar quadrinhos e livros para o cinema (tentem imaginar, sem rir, por exemplo, o Hugh Jackman vestindo aquela roupa amarela que o personagem usa nas HQ’s ), mas nem com toda boa vontade do mundo foi possível não ficar incomodado até agora com a “domesticação” cinematográfica a que submeteram esse que é um dos maiores bad boys da Marvel. De toda a selvageria e violência do anti herói, sobraram apenas resquícios de mau humor e irritabilidade que na maioria das vezes foram usados com objetivos cômicos. Eu, que realmente acreditava que dessa vez poderia ser diferente, comecei a perder as esperanças quando anunciaram que o Aronofsky havia abandonado a direção do filme devido a “diferenças criativas” com o estúdio. O diretor, disseram, havia reescrito o roteiro e queria incluir cenas de sexo e violência que fariam o longa ser classificado como “Não recomendado para menores de 18 anos”. Temeroso, o estúdio disse não e convocou James Mangold (Identidade, Os Indomáveis) para concluir o trabalho. Com Mangold, sem sexo, sem violência e com uma censura de 13 anos, Wolverine: Imortal tornou-se apenas mais um dentre tantos outros filmes vendedores de pipoca e refrigerante que lotam os cinemas todos os anos para logo após serem esquecidos devido aos novos lançamentos.

Wolverine - Imortal - Cena 5

Localizados cronologicamente após a história contada em X-Men: O Confronto Final, os eventos desenvolvidos em Imortal são baseados na HQ Wolverine, escrita pelo Chris Claremont e ilustrada pelo F. Miller. Procurando isolar-se do mundo civilizado e das pessoas para lamentar a morte de sua amada, Jean Grey, Logan (H. Jackman) é localizado pela habilidosa Yukio (Rila Fukushima) e convidado para ir até o Japão despedir-se de um velho amigo que encontrava-se no leito de morte. A viagem revela-se uma emboscada e o personagem precisa lutar para proteger seus novos amigos e preservar a sua imortalidade.

Comparado ao Origens, Imortal têm lá seus pontos positivos. As cenas absurdas que deram o tom da primeira aventura solo do personagem, como aquela onde ele saltava contra um helicóptero, aparecem em número reduzido (a sequência do trem não me permite dizer que o exagero foi deixado de lado) e dessa vez, felizmente, não abusaram do número de personagens na tela (lembram da quantidade monstruosa de mutantes presentes em Origens e no O Confronto Final?). Essas correções, que dão a trama um aspecto mais sério, abrem espaço para um tímido mas muito bem vindo desenvolvimento psicológico do personagem, no qual vemos Logan questionar os benefícios de sua famosa auto regeneração, habilidade que o salvou de muitas situações de perigo mas que, simultaneamente, o fez sobreviver para ver a queda de muitos de seus amigos e de sua amada. Reconheço ainda que as cenas de ação, na maior parte do tempo, são bem coreografadas e não abusam da edição para dar a idéia de velocidade. A captura do personagem, aquela onde vários ninjas atiram flechas em suas costas, é o ponto alto do filme.

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É uma pena que Mangold, um diretor reconhecidamente talentoso (além dos filmes citados, ele também assina o ótimo Johnny & June), tenha sido convidado para o projeto justamente para amenizá-lo e torná-lo acessível para o público adolescente. Nem o clima mais sério impresso pelo diretor permitiu que fosse mostrado sangue durante o filme. Wolverine crava suas garras em seus inimigos e debate-se violentamente contra os vilões da história, Víbora e Samurai de Prata, mas pouquíssimas vezes a cor vermelha pode ser vista na tela. Além de inverossímeis, essas mortes “limpas” contribuem para a “teletubização” do personagem comentada no primeiro parágrafo: o Wolverine cinematográfico provoca risadas quando ganha um banho de duas velhinhas, tem medo de avião e, mesmo quando arremessa um homem de um prédio, não o mata. Não deixa de ser divertido, mas esse não é o Wolverine que faz sucesso nos quadrinhos.

Wolverine - Imortal - Cena 4

Outro que aparece descarecterizado, quase irreconhecível, é o Samurai de Prata. Não sou lá um grande viciado em X-Men, mas eu lembrava perfeitamente do personagem dos jogos da Capcom e do desenho que passava na Globo e, sinceramente, ele não parecia-se nada com um robô, que é o que pode ser visto aqui. Pesquisei um pouco e vi que, para o filme, decidiram apresentar uma versão do vilão que misturava sua aparência original com uma armadura robótica que é usada por outro personagem em uma saga qualquer dos mutantes. Sinceramente? Péssima escolha. O visual ficou ruim, a movimentação do personagem é deveras falsa e, depois de todos combates contra inimigos genéricos da trama, perderam a chance de colocar o Wolverine em um combate mortal contra outro humano, o que certamente aumentaria a dramaticidade do clímax.

Wolverine - Imortal - Cena 3

As poucas qualidades de Imortal tornam-se irrelevantes quando comparadas a quantidade enorme de problemas que Mangold não conseguiu ou não pode resolver. Pior do que é isso, é pensar que desperdiçaram a chance de fazer um excelente filme, já que a história do Chris Claremont explorada aqui é conhecida como uma das melhores do personagem e porque, aparentemente, o Aronofski estava disposto a retratá-la com todo o sangue e violência que ela pedia.

Wolverine - Imortal - Cena 2

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