A Conquista do Planeta dos Macacos (1972)

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A Conquista do Planeta dos MacacosE ganhou quem respondeu “pouco mais de 2 meses”! A pergunta, que pode ser relembrada aqui, oferece como prêmio um chimpanzé de estimação, um lindo macaquinho que substituirá perfeitamente qualquer gato ou cachorro e que, se bem treinado, poderá ser usado para qualquer coisa, inclusive para limpar seus pés, sua casa e ainda preparar-lhe deliciosos drinks!

Obviamente, não tenho um macaco para lhe dar, caro leitor, mas como também duvido que tu tenha acertado a resposta (ou que tu ao menos lembrava-se daquela importantíssima pergunta), deixemos de tagarelice e concentremo-nos no ótimo A Conquista do Planeta dos Macacos, o filme mais próximo em termos de roteiro do novo Planeta dos Macacos – A Origem.

No ano de 1991, a história contada por Cornelius e Zira em Fuga do Planeta dos Macacos tornou-se realidade: uma doença aniquilou todos os cães e gatos do planeta e os humanos encontraram nos macacos sua nova opção para animas de estimação. Não demorou muito para que as pessoas percebessem que podiam condicionar seus novos companheiros, através de um treinamento contínuo, para realizar tarefas do dia-a-dia, como limpar, fazer compras e preparar alimentos. A exploração sistematizou-se e empresas começaram a lucrar com os macacos, capturando-os, treinando-os e vendendo-os para clientes cada vez mais exigentes. O governo, aqui representado pelo Governador Breck (Don Murray), observa tudo com desconfiança, já que a situação corresponde exatamente ao que Cornelius e Zira haviam apontado anos atrás como o início do fim da soberania da raça humana no planeta. Enquanto procura por Aldo, o macaco que a dupla indicara como o primeiro que aprenderia a falar e o futuro líder da revolução símia, Breck fecha os olhos para César (Roddy McDowall), o bebê de Zira que julgava-se estar morto mas que, protegido e escondido pelo dono de circo Armando (Ricardo Montalban), já era naquela altura um macaco com 20 anos de idade pronto para liderar seus semelhantes contra a opressão e a escravidão imposta pelos humanos.

A Conquista do Planeta dos Macacos - Cena 2

Eis, portanto, o link da série antiga com o A Origem: César. O chimpanzé, que no filme de 2011 aprende a falar e tem sua capacidade de raciocínio aguçada graças a uma droga experimental, aqui, em A Conquista do Planeta dos Macacos, é o filho de Zira e Cornelius que irá concretizar a história profetizada pelos pais em A Fuga. Quando finalmente abandona seu esconderijo, César, acompanhado pelo bondoso Armando, observa assustado os maus tratos que seus semelhantes sofrem nas mãos dos humanos. A revolução inicia-se quando, inconformado diante do espancamento de um macaco pela polícia, César solta um grito de revolta (cena presente em todos os longa da série) que o identifica como o chimpanzé procurado pelo governo, obrigando-o então a fugir e misturar-se com outros de sua espécie. Enquanto Armando é cruelmente interrogado sobre o paradeiro de seu amigo, César (que é interpretado pelo mesmo ator que nos longas anteriores havia dado vida a Cornelius), mesmo sem conseguir comunicar-se com os outros macacos, instiga-os a desobediência e os estimula a revoltarem-se contra os humanos, processo que começa lentamente, com o simples desacato de ordens, mas que culmina em uma violentíssima batalha grupal no clímax do filme.

A Conquista do Planeta dos Macacos - Cena

Enquanto seu sucessor apostava principalmente no drama e no humor para mostrar as ironias e contradições das leis humanas relacionadas a valorização da vida, A Conquista do Planeta dos Macacos foca na ação para construir seu argumento sobre a sobrevivência do mais forte. Em um cenário de guerra, onde macacos e humanos matam-se mutuamente em cenas grandiosas e violentas, César lidera uma luta contra a escravidão e os maus tratos. Não é difícil torcer pela revolta símia após ver o sofrimento que as pessoas causavam àqueles que deveriam ser amados como animais de estimação. O fato do Governador Breck ser um  vilão estereotipado (frio, arrogante e teatral) e torturar Armando em uma cena triste e comovente só aumenta nossa raiva contra nossos iguais. Sabendo que a história passa-se no passado da realidade mostrada em O Planeta dos Macacos, sabemos que César triunfará sobre os humanos e trará redenção para sua raça, mas quando vemos a forma como ele faz isso e, principalmente, ouvimos o seu discurso da vitória, não conseguimos classificá-lo como um herói. A luta pela sobrevivência e pela dominação do mais fraco mostra-se mais forte do que a compaixão e o filme termina deixando o amargo gosto da realidade na boca do espectador.

A Conquista do Planeta dos Macacos - Cena 3

Novamente, fui surpreendido positivamente pela série idealizada pelo produtor Arthur P. Jacobs. Assinado pelo diretor J. Lee Thompson, que também dirigiria a sequência, A Batalha do Planeta dos Macacos, A Conquista decepciona apenas devido as limitações impostas pelo baixo orçamento (o menor dentre todos os longas da série), como o sangue visivelmente falso e os cenários pobres. No que diz respeito ao roteiro, maquiagem e coreografia das cenas de ação, este filme, apesar não ter o mesmo reconhecimento que seus antecessores (nota 5.9 no IMDB contra 8.0 do primeiro) é tão bom e divertido quanto os mesmos.

MSDCOOF FE002

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