O Homem de Aço (2013)

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O Homem de AçoEu gostei do Superman – O Retorno. Adoro a cena do salvamento do avião e, mesmo depois de 7 anos e muito títulos de ação semelhantes assistidos, ainda a considero como um dos feitos mais impressionantes/cool já realizados por um herói na telona. Não serei eu a discordar, no entanto, da principal crítica feita na época ao trabalho do Bryan Singer: excluindo a cena citada, faltou ação no filme. O Lex Luthor, inimigo clássico do herói, apesar de muitíssimo bem interpretado pelo Kevin Spacey, não conseguiu fornecer um desafio físico à altura dos poderes do azulão. Optando por uma continuação direta dos filmes estrelados pelo Christopher Reeve, Singer e sua equipe realizaram um trabalho tão nostálgico quanto repetitivo para quem conhecia os longas antigos e, ao que tudo indica, também não agradaram o público atual de filmes de ação, pessoas acostumadas a sequências de pancadaria frenéticas com cortes constantes e efeitos especiais exagerados. Com uma bilheteria que mau pagou os custos de produção, O Retorno, que tinha tudo para resgatar as aventuras do personagem em uma época onde as pessoas mostram-se interessadas em filmes de super-heróis, acabou transformando-se no ponto final da cine-série iniciada em 1978 pelo diretor Richard Donner.

Obviamente, o personagem, um dos mais conhecidos e rentáveis da DC Comics, não ficaria esquecido muito tempo pela indústria hollywoodiana. Dentre todas as especulações que surgiram sobre o projeto de levar o Super Homem de volta às telas, a que mais me agradou foi a possibilidade do Zack Snyder ser convidado para a direção. Para dizer pouco, o cara é um dos diretores mais criativos, se não o mais, que debutou em terras americanas nesse século. Para escancarar a minha admiração, Watchmen é um dos meus filmes favoritos e considero-o como uma das melhores adaptações de HQ’s já feitas para o cinema. O que era boato foi anunciado oficialmente e a expectativa, que à partir desse momento era gigantesca, foi alçada ao status de “monstruosa” quando Christopher Nolan, o responsável pela trilogia do Cavaleiro das Trevas, foi confirmado como um dos roteirista do reboot. Sim, reboot, pois também ficou decidido que O Homem de Aço desconsideraria os filmes anteriores do personagem para contar sua história desde o início.

O Homem de Aço - Cena 4

Essa história, caros leitores, começa no longínquo planeta Krypton, lar de uma sociedade avançadíssima porém condenada a extinção devido a exploração indevida de recursos naturais. Jor-El (Russell Crowe) sugere que os anciões do planeta procurem a salvação dos kryptonianos explorando outros planetas mas, antes mesmo que a proposta possa ser seriamente discutida, o General Zod (Michael Shannon) toma o poder com a ajuda de um golpe militar. Temendo a segurança do filho recém nascido, Jor-El envia-o em uma cápsula para a Terra, onde ele é encontrado e adotado pelo casal Martha (Diane Lane) e Jonathan Kent (Kevin Costner). Batizado Clark Kent (Henry Cavill), o extraterrestre cresce em nosso planeta procurando manter sua identidade e seus poderes escondidos, tarefa na qual ele é bem sucedido durante os primeiros 33 anos de sua vida errante, no final dos quais o mesmo Zod localiza-o e exige que nossas autoridades entreguem-no. Clark, cuja verdadeira história havia sido parcialmente descoberta pela repórter Lois Lane (Amy Adams), vê-se então dividido entre juntar-se ao que sobrou da sua raça, já que Krypton fora destruída logo após sua partida, ou usar seus poderes e lutar para proteger a Terra dos invasores.

O Homem de Aço - Cena 5

Quando finalmente falou como diretor oficial do longa, o Zack Snyder fez questão de dizer que sempre vira o Super Homem como um herói de grande força física e que era assim que ele o mostraria na tela. Logo após, surgiu uma imagem do personagem próximo a um caixa-forte todo retorcido. O recado era claro: O Homem de Aço, ao contrário de O Retorno, teria MUITA ação. Na época, lembro de ler comentários de fãs temerosos de que o diretor transformasse o filme em outro Sucker Punch, ou seja, que a forma suprimisse o conteúdo, que a ação espetacular, que o diretor inquestionavelmente sabe como fazer, não viesse acompanhada de um bom roteiro que a justificasse e complementasse. Regozijem-se, desconfiados, o que os aguarda no próximo dia 12 é um épico de 2h30min que não apenas cumpre a promessa de batalhas grandiosas como reserva tempo suficiente para diálogos e passagens que desenvolvem muitíssimo bem o personagem e o mundo no qual ele está inserido.

O Homem de Aço - Cena 2

Ao lado da pancadaria frenética, que comento no próximo parágrafo, acredito que o principal mérito de O Homem de Aço seja sua narrativa. O filme começa, Krypton e o núcleo envolvendo o ator Russell Crowe desaparecem rapidamente e, mais rápido ainda, ficamos sabendo que Jonathan Kent morreu, motivo que levou Clark a vagar pelo mundo. Aquela sensação incômoda de que estão correndo com a história para irem direto para a ação, felizmente, não dura muito: a medida que Clark vai enfrentando algumas provações, flashbacks vão sendo introduzidos para contextualizarem as cenas. É aí que atores como Kevin Costner e Diane Lane tem a chance de mostrarem seu talento, emocionando com suas performances seguras e discursos inspiradores, e é aí também que o Zack Snyder começa a provar que sua escolha não foi um equívoco. Extremamente sensível ao poder dos detalhes e da trilha sonora, como pode ser visto no já citado Watchmen, o diretor cria imagens lindas em meio as cenas de batalha, como aquela que pode ser vista no trailer quando o pequeno Clark brinca em seu quintal acompanhado  por um cachorro. A capa vermelha, o sol, a borboleta pendurada no balanço… Snyder faz poesia com imagens.

O Homem de Aço - Cena 6

Sobre a ação, na impossibilidade de descrevê-la com palavras que mostrem a minha empolgação sem revelar o que será visto, contentarei-me em dizer que eu não consigo imaginar como poderia ser melhor. Desde a furtividade adotada nas cenas do Jor-El e da Lois Lane, passando pela aprendizagem dos poderes (ah, aquele primeiro voô!) até a mega, hiPER, ULTRA sequência de luta entre o Super Homem e os kryptonianos, Snyder oferece aqui o que há de melhor no estilo. Barras de aço são retorcidas, caminhões são arremessados e corpos atravessam edifícios como consequência dos combates épicos entre os personagens. Os cortes são rápidos quando precisam ser, mas na maioria do tempo ele permite que o espectador veja, de fato, o que está acontecendo na tela. O uso do slow motion, talvez a característica mais marcante do estilo do diretor desde o 300, é reduzido mas feito com muito bom gosto, como quando finalmente Zod e Super Homem encontram-se no campo de batalha para a esperada e inevitável troca de sopapos. Durante o primeiro soco cruzado, o recurso torna possível ver detalhes dos uniformes (aliás, que seja dado um prêmio para quem teve a idéia de excluir a cuequinha do uniforme do herói), suor em suas faces e raiva, medo e esperança nos olhos de ambos.

O Homem de Aço - Cena 3

Como não conheço a HQ, não pude notar referências as mesmas, mas o pessoal do IMDB afirma que algumas das melhores histórias do azulão ganharam citações no longa. O que vi sem muito esforço foi a comparação do personagem com Jesus Cristo. A metáfora, aparentemente inocente, tendo em vista que os dois seriam figuras messiânicas responsáveis pela salvação da humanidade, esconde uma provocação religiosa sobre a origem de nossos deuses que, assim como no Prometheus, teriam origem extraterrestre e provocariam a adoração das pessoas não por sua qualidade divina, mas sim por serem diferentes e mais poderosos do que as pessoas de nosso planeta.

Assim como recomendo que vocês assistam O Homem de Aço no cinema, preferencialmente em 3D, já que o recurso foi bem empregado, também recomendo que vocês não o façam do lado de vossas namoradas. Caso isso não seja possível, levem-nas, mas mandem-nas comprar pipoca logo após a cena do salvamento no petroleiro. O ator Henry Cavill malhou durante 8 meses para o papel com o mesmo cara que conduziu os treinamentos físicos do 300. No momento citado, ele aparece sem camisa (e em 3D). Não é o tipo de coisa que uma namorada precisa ver, acreditem.

Obs.: Impressão minha ou o primeiro combate do filme acontece exatamente no mesmo posto de gasolina usado no Superman – O Filme?

O Homem de Aço - Cena

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