Amigos Inseparáveis (2012)

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Amigos InseparáveisBless me father, I have sinned/ I’m not sure where to begin

No link acima, vê-se o clipe da Not Running Anymore, música que concorreu ao Globo de Ouro de Melhor Canção Original. Um Jon Bon Jovi envelhecido caminha através de uma cidade durante a noite pensando e cantando sobre a vida. Nada de Hey God, what the hell is going on?, nem de It’s my life, is now or never, muito menos de  Shot through the heart, you’re to blame. O cantor, que hoje encontra-se com 51 anos, canta sobre uma pessoa que esteve sempre fugindo, alguém que aprendeu a viver com as lembranças e que agora não quer mais correr.

Esse clima de maturidade e introspecção (que, aliás, tem sido uma constante nos trabalhos da banda, principalmente no último, What About Now) é o pano de fundo do nostálgico Amigos Inseparáveis, filme que reúne três monstros sagrados do cinema norte americano em um roteiro do tipo “última missão”. Val (Al Pacino), passou a maior parte da vida preso devido a um assalto malsucedido. Cumprida a sentença, ele é solto e encontra um dos únicos amigos que lhe restou, Doc (Christopher Walken), seu antigo parceiro de crime. O problema aqui é que Doc foi encarregado pelo antigo chege da gangue de matar Val assim que ele saísse da prisão. Mesmo não tendo entregado nenhum de seus antigos companheiros para a polícia, Val fora o responsável direto pela morte do filho do tal chefe.

Amigos Inseparáveis - Cena

Enquanto decide o destino do amigo, Doc leva Val para fazer coisas que ele não fazia há muito tempo, como beber em boates, usar drogas e transar com prostitutas. Naquilo que transforma-se em uma noite épica, os amigos ainda vão a procura de Hirsch (Alan Arkin), o antigo piloto de fuga da gangue, e ajudam uma mulher em apuros antes de resolverem o que farão a respeito do pequeno grande problema de Val.

Conduzido pelo diretor e também ator Fisher Stevens, Amigos Inseparáveis está repleto de boas piadas sobre velhice assim como de momentos emocionantes sobre amor e amizade. Al Pacino, que está mais contido do que de costume, sem seus famosos gritos histéricos, chama a atenção tanto pela barriga saliente quanto pela figura extremamente canastrã e divertida que compôs para o personagem. Val broxa com a prostituta, dá cantadas de pedreiro nas garotas da boate e, na falta de cocaína, cheira os comprimidos de Doc. O personagem, no entanto, é muito mais esperto e experiente do que esse comportamento impulsivo demonstra, já que ele revela-se um ótimo atirador quando a situação exige e age como um verdadeiro cavalheiro com uma moça da boate, recebendo uma dança coladinha em troca.

Amigos Inseparáveis -  2

Alan Arkin praticamente faz uma participação especial no filme, mas é uma P*** de uma participação! Fazendo manobras arriscadas em um carrão para despistar a polícia e exibindo um desempenho sexual épico em uma “casa de massagem”, Arkin revela-se uma figuraça. Já o Christopher Walken, cujo papel na maior parte do filme consiste em ser o “parceiro do Pacino”, surpreende no final em uma cena que talvez seja o momento mais emocionante da trama. Com a música do Bon Jovi tocando no fundo, o personagem demonstra uma sensibilidade enorme ao finalmente decidir o que fará a respeito de Val e de si mesmo.

O roteiro de Amigos Inseparáveis passa longe, muito longe mesmo de fazer justiça a carreira dos atores que ele reúne. Pacino, Walken e Arkin são vencedores do Oscar que possuem clássicos absolutos da história do cinema em suas filmografias e uma história sobre um grupo de amigos que reúne-se para celebrar os velhos tempos em uma noite insana não acrescenta nada para a carreira deles. Nota-se, porém, que o filme é feito com carinho e respeito pelos atores e isso contribui muito para o resultado final ser tão bom quanto é. Os três confundem-se com seus próprios personagens, caras que foram os maiorais em seu tempo e que agora vivem em um ritmo mais tranquilo, sem correr (como a música sugere), mas ainda assim são BEM melhores e mais eficientes do que muita gente que anda por aí. Vale dizer ainda que, apesar da trama utilizar um lugar comum dentro do filme de crime, o final é deveras surpreendente e aberto. Amigos Insperáveis não reinventa a roda, mas traz algumas das pessoas que ajudaram a moldá-la em um filme divertido, nostálgico e tocante sobre amizade. Pra mim, é o suficiente.

Sensacional: Walken atirando nos bandidos com a mesma tranquilidade de alguém que compra um pão rs

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Uma resposta »

  1. Nunca assisti os grandes filmes do Al Pacino, mas ainda assim tenho noção da sua grandeza e o admiro. Um dos poucos que vi, O Advogado do Diabo, me faz brincar dizendo que “Deus já interpretou o diabo no cinema”.

    Amigos inseparáveis é ótimo por ser simples, sem absurdos, mostrando algo que realmente poderia acontecer com seus personagens. É um filme pra você sentar na poltrona e admirar, sem cenas com ação desnecessárias e nem comédia escrachada, mas tudo na dose certa. São só amigos curtindo aquela que pode ser sua última noite juntos.

    Um abraço e mais uma vez parabéns pelo site.

    Marcus Paiva

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