Asas (1927)

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AsasO Oscar, prêmio máximo do cinema norte americano concedido anualmente pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, foi entregue pela primeira vez no ano de 1929 em uma cerimônia que considerou para a premiação os filmes realizados nos dois anos anteriores. A Lei dos Fortes, de 1928, e Sétimo Céu e Asas, de 1927, concorreram a estatueta de Melhor Filme, com a vitória desse último. Eu, que há um bom tempo planejo assistir todos os vencedores da categoria e não sou lá uma pessoa muito criativa, optei por “começar do começo” e assisti Asas, filme que me me surpreendeu bastante.

Considero natural o fato de resenhas sobre filmes clássicos costumeiramente apresentarem opiniões exageradas. Eu mesmo faço isso regularmente. A afinidade e a curiosidade para com material velho e, principalmente, a decepção com grande parte do que é produzido atualmente, tendem a nos fazer valorizar mais do que o necessário certos filmes antigos que, colocados dentro do contexto no qual eles foram produzidos (do qual poucos podem gabar-se de conhecer muitos títulos), poderiam tranquilamente serem classificados como medianos.  Consciente disso, comecei a ver Asas ciente de que ele era um vencedor do Oscar e que por isso deveria ter suas qualidades, mas confesso que esperava um filme “difícil” devido a distância temporal e tudo aquilo que pode ser relacionado a ela, como fotografia, câmeras e atuações diferentes do que estamos acostumados, fatores que geralmente afastam o público mais impaciente.  O que posso dizer, tomando o cuidado de não exagerar, é que Asas envelheceu muitíssimo bem e que sua sessão, mais do que formar repertório, é bastante divertida.

Asas - Cena 2

No ano de 1917, Jack Powell (Charles Rogers) e David Armstrong (Richard Arlen) são obrigados a deixarem a disputa pelo coração de uma garota de lado quando são convocados pela Força Aérea Americana para defender o país na Primeira Guerra Mundial. Após receberem o treinamento de voô, os dois embarcam para a França e lentamente a rivalidade entre eles dá lugar a uma bela amizade. Jack, que fica conhecido como Shooting Star devido as suas habilidades em combate, forma então uma parceria letal com David contra os alemães. Paralelamente, acompanhamos a história de Mary Preston (Clara Bow), mulher que Jack sempre considerara como amiga mas que, nutrindo uma paixão secreta por ele, alista-se para a guerra para ficar próxima de seu amado.

Como esperado, Asas é um filme mudo e em preto e branco. Aqui não há muito segredo, os diálogos (que são muitos comparados a outros filmes mudos que vi) aparecem entre as cenas em caixas de texto e a fotografia valoriza o contrastre entre claro e escuro para criar certos efeitos, como é o caso do pânico que a sombra de um bombardeiro alemão provoca nos soldados americanos e, em menor escala, no espectador. O que me surpreendeu positivamente foram as câmeras e a edição. Como dito, não conheço muitos títulos do período, mas os que vi me levaram a imaginá-los como produções majoritariamente estáticas, com câmeras fixas e poucos cortes. O diretor William A. Wellman não apenas nos joga para dentro das cenas, com câmeras que passeiam entre os atores, como nos fornece vários ângulos das incríveis lutas aéres que podem ser vistas ao longo das quase 2h30min do filme.

Charles Rogers e Clara Bow

Charles Rogers e Clara Bow

Estas batalhas, aliás, são o grande destaque do filme, mas o roteiro não fica muito atrás. Por mais que estejamos diante de uma simplificação do tipo mocinhos contra bandidos que visa a valorização do patriotismo, Asas agrada pelas reviravoltas de sua história (o final é deveras agoniante), pelas ótimas cenas de humor (borbulhas!) e por conter elementos que podem ser considerados transgressores para a época, como cenas de violência contendo sangue e um beijo entre dois homens, o primeiro da história do cinema segundo o IMDB.

O primeiro vencedor do Oscar de Melhor Filme também venceu o teste do tempo e hoje, 84 anos após ser premiado com a estatueta, ainda é capaz de entreter e emocionar quem se propuser a assistí-lo, o que já é bastante se considerarmos, por exemplo, que não podemos dizer o mesmo de um filmeco aí que também venceu a categoria há 16 anos. Pode clicar aqui e procurar no Google 😛

Asas - Cena 3

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