Kon-Tiki (2012)

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Kon-TikiO que levaria um homem que na infância quase morreu afogado a embarcar em uma balsa para tentar atravessar os longos e perigosos 8000km do Oceano Pacífico que separam o Peru da Polinésia? Loucura? Teimosia? Desejo de ficar famoso? Dirigido pela dupla norueguesa Joachim Ronning e Espen Sandberg, Kon-Tiki recria o feito do explorador Thor Heyerdahl (Pal Sverre Valheim Hagen) em uma história onde ciência e fé são igualmente importantes para a evolução do conhecimento.

Após alguns anos realizando trabalhos de caráter antropológico nas ilhas, Thor é levado a crer que, ao contrário do que se acreditava até então (década de 40), a Polinésia não havia sido povoada por povos asiáticos, mas sim por pessoas vindas da América do Sul. Disposto a provar sua teoria, o explorador busca fundos  nos EUA para financiar uma viagem que recriaria a peregrinação original dos sul-americanos. Desmoralizado pela comunidade científica norte americana, Thor reúne uma equipe de amigos e viaja para o Peru, local onde ele finalmente consegue o dinheiro e os materiais necessários para construir a jangada que seria usada para cruzar o oceano rumo ao sudeste asiático.

Meu contato inicial com a Antropologia foi logo no primeiro período do curso de História. Além do professor extremamente idiota que ministrava a matéria, recordo com facilidade do quanto a disciplina foi importante para que eu me livrasse de certos preconceitos e, principalmente, das discussões sobre os “pesquisadores de escritório”, termo usado com desdém para classificar aqueles profissionais que enunciavam teorias sobre determinadas sociedades sem de fato terem conhecidos seus habitantes e vivido entre eles. O que no curso era criticado como uma falha metodológica em Kon-Tiki é o ponta pé para a construção do argumento da trama sobre as limitações de utilizar apenas a ciência enquanto resposta para os mistérios da natureza.

O perído em que Thor e a esposa viveram entre os polinésios foi fundamental para a construção de suas teorias

O período em que Thor e a esposa viveram entre os polinésios é fundamental para a construção de suas teorias

Para ir contra uma opinião consensual e arriscar a própria vida e a de mais cinco amigos para provar um ponto, Thor precisou agarrar-se tanto nas experiências empíricas que ele teve junto aos habiantes das ilhas (ao contrário das “teorias de escritório” da comunidade científica que o rejeita) quanto a sua fé pessoal. Abrindo mão da segurança proporcionada por materiais modernos como cabos de aço, o explorador convence os amigos de que a única forma de provar sua teoria seria recriar uma jangada utilizando os mesmos materiais que foram usados pelos primeiros povos que cruzaram o Pacífico. Alertado por diversas pessoas sobre a fragilidade da embarcação e dos perigos do oceano, Thor permanece confiante. Se outras pessoas conseguiram, ele também conseguirá. Mais do que a certeza científica, o personagem conta com uma fé inabalável que o impulsiona sem medo rumo ao desconhecido.

Baseado em uma história real, Kon-Tiki narra todos os perrengues que a tripulação enfrentou ao longo dos 3 meses de viagem. Tempestades, falta de comunicação com o continente, tubarões e as dúvidas e doenças trazidas pelo período prolongado no mar marcam o dia-a-dia de Thor e cia durante a travessia. Misturando cenas de desespero e perigo com momentos de alegria proporcionadas principalmente pelas belezas naturais do oceano, o filme norueguês que concorre ao Globo de Ouro de Melhor Filme Estrangeiro é gostoso de assistir e tem pouquíssimos momentos tediosos ao longo de suas 2h. É verdade que, em alguns momentos, a fé de Thor e mesmo o objetivo da missão parecem absurdos (arriscar a vida para provar que fulanos e não ciclanos habitaram um conjunto de ilhas no meio do oceano :S), mas a consciência da morosidade na construção do conhecimento e dos sacrifícios que muitas vezes são necessários para provocarem pequenas mudanças transformam o filme em um lembrete sempre válido sobre a importância das ligações entre prática e teoria, fé e ciência.

O conhecimento científico e a fé, aliados, impulsionam os personagem de Kon-Tiki rumo ao desconhecido e ao novo

O conhecimento científico e a fé, aliados, impulsionam os personagem de Kon-Tiki rumo ao novo

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