Detona Ralph (2012)

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Detona RalphO amor e o interesse que hoje eu nutro por cinema há uns 10 anos atrás era voltado para o videogame. Comecei relativamente tarde, ganhei um Super Nintendo com a fita do Mega Man X quando completei 15 anos, dois anos depois (já apaixonado por RPG’s devido a jogos como Zelda, Chrono Trigger e Final Fantasy VI) comprei um Playstation para jogar os jogos da Squaresoft, Enix e Capcom e, algum tempo depois, desembolsei uma grana preta para comprar o recém lançado Playstation 2, console que eu usei para jogar praticamente só o o Final Fantasy X e o Devil May Cry. O videogame queimou e eu comecei a namorar, de modo que depois disso eu raramente joguei alguma coisa e, quando joguei, foram jogos de computador como Warcraft 3 e Counter Strike. Ontem, quando assisti Detona Ralph e agora, enquanto escrevo esse texto, percebi que esse amor não morreu. Enquanto decido aqui qual jogo utilizarei para voltar para o mundo dos games, vou tentar explicar pra vocês o porque dessa animação da Disney ser a minha favorita para o Globo de Ouro. Não, eu ainda não assisti o Hotel Transilvânia, mas como eu DUVIDO que ele tenha algo tão épico/foda/sensacional como o TURBOTÁSTICO, eu elejo desde já o meu favorito.

TURBOTÁSTICO!

TURBOTÁSTICO!

Ralph é o vilão de um arcade chamado Conserta Felix Jr. A engine do jogo lembra muito o clássico Donkey Kong (sobre o qual fizeram esse documentário legalzão aqui), Ralph sobe em cima de um prédio e começa a detonar tudo com seus punhos enormes enquanto Félix, com sua marreta mágica, tenta chegar no topo da tela enquanto conserta os estragos. No final, Félix ganha uma medalha e Ralph é atirado no barro pelos moradores do prédio. O problema é que Ralph está cansado de ser o vilão e, após uma festa de aniverário de 30 anos do jogo para a qual ele não é convidado, decide ganhar ele mesmo uma medalha para que os moradores do prédio o respeitem.

Parecido com o que vemos em filmes como Toy Story e Monstros S.A, há uma realidade paralela para os personagens dos games que nós, pobres mortais, não conhecemos. Quando as lojas de fliperama são fechadas, os personagens podem abandonar seus arcades para encontrarem-se uns com os outros. Ralph, que geralmente sai do Conserta Félix Jr. para ir a uma reunião para vilões (aqui podemos ver o Bison, Zangief, Eggman, Kano, Bowser, fantasminha do PacMan, entre outros), sai então de seu jogo e entra no Hero’s Duty para tentar ganhar a desejada medalha. O problema é que, fora deixar um dos monstros do jogo escapar, ele perde-se dentro de outro jogo (Sugar Rush) e coloca seu próprio arcade em risco quando uma menina tenta jogá-lo e não encontra o vilão para duelar com Félix.

Quanta gente, quanta alegria!

Quanta gente, quanta alegria!

Quer saber? Detona Ralph tem a tradicional lição de amizade e estimula a aceitação de si mesmo e daquilo que é diferente, mas eu sinceramente não dei a mínima atenção para isso. O que eu gostei aqui foi a quantidade monstruosa de referências aos jogos, que são feitas tanto com a aparição de personagens como com diálogos e detalhes nos cenários. Ouvir alguém falando que o Mario, para variar, está atrasado é muito bacana quando tu sabe que, nos primeiros jogos dele no Nintendinho, ele nunca chegava a tempo para salvar a princesa, ela sempre estava em outro castelo. O Kano arrancando o coração de um zumbi remete ao Fatality mais famoso do personagem e a um dos momentos que marcou o início da vioência extrema nos jogos. Ler “Aerith Was Here” em uma parede do cenário foi particularmente comovente para quem cresceu utilizando potions, elixirs e evocando Bahamuts . Por fim, ver uma corrida de carros onde personagens pegam itens para arremessarem uns nos outros e utilizam setas no chão para ganharem velocidade me fez voltar no tempo para a época onde eu passava tardes inteiras tentando bater o meu recorde de tempo na Casa Fantasma do Mario Kart.

Ralph com as famosas cerejas do PacMan

Ralph com as famosas cerejas do PacMan

Ah, faltou o TURBOTÁSTICO. Pelo que é falado na animação, o personagem fez parte de um jogo de corrida que foi sensação durante um certo período. O tempo passou, outro jogo na mesma linha com jogabilidade e gráficos superiores surgiu e o arcade dele foi esquecido. Enfurecido, o personagem passa a invadir outros jogos para atrapalhar as corridas. Assim, olhem a imagem do dito cujo acima. Agora considerem um jogo tipo Top Gear, com todas aquelas árvores e grama na lateral da pista. Por fim, imaginem ele saindo do meio dessas árvores gritando TURBOTÁSTICO e batendo no seu carro. Assim mesmo, sem mais nem menos. Eu fiquei com vergonha de mim mesmo pelo tanto que eu ri disso durante e após o filme. Aliás, eu to rindo agora rs

Além de todas essas referências e piadas, a animação ainda surpreende pelo cuidado com os detalhes, como a diferença gráfica entre personagens de jogos antigos e novos, as músicas que misturam temas a la Nintendinho com excelentes baladas modernosas e a inclusão de passagens que lembram as divertidas fase-bônus de jogos como Donkey Kong. Detona Ralph foi feito por fãs para fãs e, devido ao nível de excelência alcançado, certamente agradará até mesmo quem nunca pegou um joystick na vida. Aconselho aguardar pelos créditos, entre outras coisas há uma cena engraçadíssima com a clássica “fase do carro” do Street Fighter II. Ah, antes que eu me esqueça, vou começar um jogo do Final Fantasy 8, Ultimecia que me aguarde!

Ralph e Félix Jr.

Ralph e Félix Jr.

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  1. Não encontrei sessão legendada. Essa mania de acharem que animação TEM que ser dublada. Mas ficou excelente o trabalho do estúdio responsável, achei que as vozes ‘combinaram’ bem com os personagens.

    • Mesma coisa aqui. Dessa vez nem haviam grandes nomes no elenco de dubladores, mas eu também fico p*** com essa tendência de colocarem cada vez mais filmes dublados nos cinemas.

      • claro que colocam mais filmes dublados nos cinemas brasileiros; legendado o pessoal baixa da internet;
        se colocam mais filmes dublados em português, do que em outros idiomas, é porque isso está dando o retorno financeiro melhor que aquelas letras brancas horríveis.

    • Acho que todo filme deve ser dublado em português; na europa tudo é dublado no idioma deles..
      e bicho, pagar 20, ou 30 Reais num ingresso para assistir legendas? se a intenção é ler, melhor pegar um livro; que tem a história completa, e não o resumo de uma fala.

      além do problema do fraco contraste das legendas brancas com o fundo, tem o problema da legenda tirar a atenção do filme, daí os detalhes se perdem, os ‘earter eggs” são perdidos; não se nota a expressão facial e corporal dos personagens, pois no lugar de assitir o filme como um todo; está focado no rodapé!

      • Bem, acima de tudo saiba que eu respeito sua opinião, mas vou ousar e lhe dizer que não concordo contigo. Explico o porque:
        1 – As legendas não me tiram a atenção.
        2 – Não pago para assistir legendas e não acho o contraste delas ruins e….
        3 – PRINCIPALMENTE, a voz de um ator é uma de suas principais ferramentas interpretativas. Marlon Brando dublado não é Marlon Brando. Coringa dublado não é Coringa.

  2. Fantástico!!! E gostei de ver as crianças correndo pra entrar no fliperama e como eles desanimam e amam alguns jogos. E eu quero muito viver no jogo Sugar Rush.

    • Sim, o público alvo são as crianças, mas eu, como adulto pagante, posso ter uma opinião a respeito, ainda mais quando, geralmente, colocam duas salas de exibição e uma delas poderia perfeitamente atender um público que já sabe ler. O problema é que, hoje em dia, é mais barato dublar do que legendar um filme e, querendo ou não, o dono do cinema precisa lucrar com o produto que ele vende.

  3. Por melhor que seja a dublagem, não tem como comparar com o áudio original. Filmes e animações em 3D são digitais, e a cópia na maioria das vezes possui a legenda e a dublagem, exatamente como o funcionamento de um DVD ou blu-ray. A opção entre um ou outro é exclusivamente da exibidora. Portanto, é perfeitamente possível o cinema exibir ao menos uma sessão legendada. A questão é essa. O direito de escolha de quem paga o ingresso.

  4. Caro Lucian

    Vi esta animação e achei tão fodástica que precisei vir aqui dar o meu “testemunho”. Quando digo fodástico, é porque não tenho outra palavra para definí-la (e olha que sou um “old school” e esta não é uma palavra que faça parte do meu repertório de elogios…rs).
    Eu joguei muito pouco game na minha adolescência, porque além de não ter um (era um luxo que a minha família não podia me dar), quando algum colega tinha, eu entrava numa “fila” pra jogar que quase não dava tempo. Do pouco que joguei,lembro mesmo é do Pac Man e Endurance, e das risadas que davam de mim por ficar inclinando o corpo ao manusear o joystick que parecia um câmbio e dos cartuchos do Atari…posso dizer que quase não joguei games.
    Mas não esqueço até hoje, quando anunciaram num Fantástico (meados dos 80) que haviam desenvolvido um novo game que parecia um desenho animado (era um cavaleiro dentro de um castelo que abria uma porta e saltava um fosso escuro segurando uma corda…nunca esqueci a cena porque era muito diferente do que tínhamos na época).
    Acabei ficando com os livros, quadrinhos e futebol.

    Mas Detona Ralph me encantou porque, mesmo sem jogar muito Games, eu reconheci vários personagens, além da história ser muito bem bolada, mesmo que tenha umas pitadas moralizantes (afinal, qual a Animação que não tem isso hoje?). Mas a minha impressão é que elas agora são menos maniqueistas que antes e prestam se, também, a ensinar alguns “valores” às crianças.
    Até hoje, mantenho a minha impressão de que Irmão Urso é uma boa forma de mostrar a uma criança como é “estar” no lugar de um outro diferente (refiro-me ao 1º, que foi o único que assisti).

    O bordão da reunião dos vilões expressa bem isso: “_Sou mau, e isso é bom. Nunca serei bom e isso não é mau. Não quero ser ninguém além de mim”…Humm, isso daria uma boa conversa numa roda de amigos tomando uma cerveja…rs.
    Mas além disso, Detona é primoroso por outras razões: um filtro de linha simula e imita perfeitamente a famosa Estação Central de N.Y., a música Celebration, do Kool & the Gang me lembrou as festas que eu ia no século passado; e nem me atrevo a citar os Games que vc apontou porque estarei fora fora da minha área.

    Além das metalinguagens que eu adoro: a corrida da Coverlone? me lembraram Speed Racer;
    aquele jorro de insetos parecem de Matrix; a revelação do rei doce me lembrou a do final de Uma Cilda para Roger Rabbit (esse é do século passado)…e por aí vai.

    Tudo nesta animação é maravilhosa. Uma verdadeira Celebration. Partilho do seu entusiasmo.

    Pra finalizar, quero dizer que a dublagem não me incomodou, e as dublagens brasileiras de animaçoes são reconhecidas por suas qualidades, mas pessoalmente, não consigo ver filmes dublados; me soa como ver uma cópia da Mona Lisa sabendo que é uma cópia, e depois falar que viu a Mona Lisa.
    Aos jovens de agora, não muito afeitos à leitura e sem muito senso crítico, talvez não incomode.
    Experimentem ver um filme brasileiro dublado e entenderão.

    Millôr Fernandes me vêm nesta hora: “Analfabeto não é quem não sabe ler, mas quem não lê”.

    Força, elegância e coragem.

      • Bingo! Como diria um certo Oráculo da Matriz…rs.
        Pra falar a verdade, nem lembrava o nome do jogo, só da cena que descrevi. Daí fui no outro Oráculo (aka Google) e achei as imagens, tal e qual me lembrava.
        Se não tivesse comentado o Detona Ralph, provavelmente nem resgataria essa cena.
        Mas nunca cheguei a jogar.

        Já que falamos disso…há uns meses atrás eu li um livro chamado Jogador nº 1 – Ernest Cline; pelo que li nos outros posts, sua vida têm sido agitada nos últimos meses com várias mudanças… e considerando isso, mas aproveitando o seu interesse por games, eu indico o livro como um diferencial dentro do universo.
        Eu costumo ser um pouco exigente com leituras, embora seja compulsivo, mas este me agradou por amarrar games e filmes de maneira inteligente.
        E o autor é roteirista de filmes.

        Força, elegância e coragem

  5. Lucian…esse livro me surpreendeu. Pode ser que ao folheá-lo, a história não lhe pareça grande coisa, apesar dos elogios comuns neste de livro, mas ele é pleno de referências da cultura pop, e acho difícil que você não veja as suas qualidades. Tomara que vire filme, e acho até que o modelo dele poderia muito bem ser o Detona Ralph, que apesar de não colocar todos os personagens icônicos dos games (imagine negociar os direitos!), homenageia a todos.
    Eu me convenci do livro, porque meu sobrinho que tem 21 anos, viciado em games e quase chorou vendo Detona Ralph, leu ele em uma semana.
    Até sempre.

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